ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

MINHA PRIMEIRA CALÇA COMPRIDA


Sempre digo ao Jaiminho, que somos amigos de berço. A família dele foi a primeira a se mudar para o bairro, a minha foi a segunda. O bairro enorme, todo pronto, mas as casas ainda vazias. A cidade ainda não existia praticamente. A grande empresa sim. A cidade foi se formando em volta da empresa. Rapidinho veio pipocando gente de todos os lados por causa do advento da grande indústria. Éramos bebês de colo e morávamos frente a frente. Tudo isso virou uma grande amizade entre as famílias numerosas e especialmente entre nós. Jaiminho tinha um sério problema. Ia muito mal na escola. Eu, que não era tão esforçado, já estava na terceira série, ele não saía da primeira. Um dia dona Maura, sua mãe, que fisicamente ela lembra muito a Tia Nastácia do Sítio do Picapau Amarelo, me tirou no meio da sala, entre a molecada da rua que frequentava sua casa para assistir a “Pantera cor de rosa”, me puxando pela mão, me levou à cozinha. Me deu um pedaço de doce que esfriava na mesa, sentou-se e me falou. “Você é muito inteligente. E tão amiguinho do Jaiminho que é todo contrário, não quer saber de aula. Vou lhe pedir uma coisa. Ensine o Jaiminho para mim. Se ele passar de ano, no final do ano, faço uma calça para você”. Balancei a cabeça e confirmei com ela. Foi difícil controlar meu amiguinho, era bagunceiro demais,. A vida dele era brincar de birosca, finquinho e botão. E matar passarinho. Eu brigava com ele por isso, dizia o que minha mãe dizia, “quem mata passarinho tem atraso na vida”. Vislumbrando hoje, era uma cena até engraçada. Um menino ensinando outro da mesma idade. Eu dizia. “Depois a gente brinca, guarda essas biroscas, vamos estudar”. E ficava tomando a matéria dele. Ai, a taboada. Essa não encaixava. Ensinei a ele com muito custo a olhar as horas. Separar sílabas. Ele ficava nervoso porque não aprendia. Mas eu tinha paciência, afinal tinha um compromisso com a mãe dele. Isso aprendi muito com meu pai, compromisso. Nunca cuidei muito de mim mesmo ou de minhas coisas, eu também não era um primor de aluno, mas quando era para alguém eu dava o melhor de mim. Além disso, estava incentivado pela ideia de ganhar a calça. Dona Maura era uma exímia costureira, bem famosa. Me lembro até hoje, eu bolava questionário para ele responder, como se eu fosse um professorzinho. Penso hoje. Como eu tinha ideia para isso sendo tão menino? E fui gostando da ideia. Devagar fui disciplinando meu amigo. Brincadeira, só depois dos estudos e assim, ele foi se adequando. Afinal, eu era o melhor amigo dele, isso ajudava. Conclusão: Jaiminho passou de ano. Dona Maura, fez para mim uma calça tão linda, branquinha, cheia de bolsos e dentro de um deles, ainda havia uma nota de valor meio grande. E me disse. “A partir de hoje você é meu filho também. Já fica aqui o dia inteiro mesmo”. Falei só “Obrigado”. Depois completou. Você pode ser professor quando crescer. Respondi. “Quero não. Menino faz muita bagunça”. Foi com essa calça que fiz minha primeira comunhão e veio numa hora providencial, minha mãe estava sempre apertada. Muito mais que me dar uma calça, dona Maura foi grande parceira de minha mãe, principalmente quando minha mãe enviuvou. Faz tempo que não vejo Jaiminho, mora bairro distante de lá, final de semana sempre curto, mas independe disso para ir `a casa de sua mãe. E ela continua dizendo. “Você para mim é como um filho”.

22 comentários:

Tatiana disse...

Oi Carlos...é tão bom encontrarmos esses anjos bons em nosso caminho!
Só temos a agradecer essa dádiva!
Sorte a sua ter duas mães maravilhosas assim!

Um abraço carinhoso

Chica disse...

Lembranças esas que ficam pra sempre.Lindo e tocante!abração,chica

Pelos caminhos da vida. disse...

Que história mais linda Carlos, me fez lembrar duas coisas: saudades de qdo assistia pantera cor de rosa e tb dei aula para uma amiga minha a pedido de sua mãe.

beijooo.

Everson Russo disse...

Meu amigo,,,comovente sua historia, voce tem alem de tudo uma memoria fantastica,,,tá certo que certas coisas na vida marcam mais que as outras, mas eu to aqui me perguntando,,qual foi a minha primeira calça? rs..rs...não faço a menor ideia, só posso adicionar que minha familia não tinha condições tambem, não faltava nada, mas era tudo como voce disse, apertado, a unica coisa que posso dizer da minha primeira suposta calça é que como minha mãe, D. Hilma, era costureira, provavelmente foi ela quem fez,,,mas não me lembro da primeira...rs..rs...super nostalgico seu post,,,agora,,,se um amigo meu dependesse de mim pra passar de ano,,,putz...tava perdido...rs..rs..rs...ele e eu, que iria ficar literalmente sem calça...rs..rs...rs....mas outra recordação boa,,,me lembro direitinho que eu saia da escola correndo pra pegar as duas ultimas partes do Sitio do Pica Pau Amarelo, e nao perdia uma Pantera Cor de Rosa....rs..rs...good times....abraços amigo e um belo dia pra ti....

♥♥NaNnA BeZeRrA♥♥ disse...

Que delícia ter essas memórias!
As tenho em grande número também.
Tanta gente querida fez parte de nossa vida, e que se foram nos anéis do tempo, que teima em escapar por entre nossos dedos...
mas, q fazer?
lembrar, recordar com carinho e saudade dos tempos que não voltam mais.
beijão
adorei o post!

Felina Mulher disse...

Eu estava aki te lendo e é como se eu estivesse vendo as cenas...e como vc falou em Anástacia, em sítio do pica-pau amarelo, eu pensei, isse texto daria um belo capítulo para as manhãs em que eu assistia ao Sítio...vc concerteza vai dizer que sou exagerada,mas eu me prendo em teus textos e narrativas.
O de ontem eu li. so não comentei pq li um comentário do Everson, que acabou me deixando mt mal....mas hj é outro dia.

Um beijo meu querido.

Sandra disse...

vim lhe desejar um ótimo dia!

paz e luz

bjus

Laurita disse...

Lindo meu amigo, como é que sendo tão menininho tomou essa responsabilidade. Essa foi de homem. Li um livro há cerca de 40 anos que se chamava ESTEIROS e me lembro de uma frase que jamais esquecerei. MOÇOS, QUE PARECEM HOMENS E NUNCA FORAM MENINOS. Beijo com carinho

(CARLOS - MENINO BEIJA - FLOR) disse...

Sim, Tatiana. Anjos bons na vida da gente.beijos
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Sabia que ia gostar,Chica.Beijos
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Então a Ana já teve uma missão parecida. Beijos
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Marcou mais por causa da primeira comunhão, aí fica mesmo na memória,Everson. Me lembro eu todo metido com as mãos no bolsos dianteiros. Hoje estou muito feliz, falei pelo fone com uma amiga que não vejo há uns 20 anos. Um abraço
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Obrigado,nana.Lembranças boas passa, né? Coisa ruim eu esqueço.Beijos
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Oi, Felina. Chamo sim de exagerada, mas fico feliz por isso também. Pôxa, você e o Everson brigaram de novo? Será que vou ter que intermediar? Sou bom nisso. Beijos

(CARLOS - MENINO BEIJA - FLOR) disse...

Para você também,Sandra. Um lindo dia.Beijos
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Oi, Laurita.Disse bem. Acho que fui acostumado desde cedo.Só não deixava o menino Carlos de lado. Acho que nunca deixei. Obrigado. Beijos

Anne Lieri disse...

Carlos,que legal essa história!Vc tem mesmo dom para professor!Não deve ter sido fácil o que vc fez com seu amigo!Uma linda iniciativa e história de amizade!...Mesmo esperando ganhar as calças!...rsss...Abraços,

Rosa dos Ventos disse...

História bonita e comovente!
Criança faz mesmo muita bagunça mas eu gostei muito de ser professora durante 38 anos.
Não ensinei as primeiras letras, acho que essa fase é a mais difícil, é quase magia pôr uma criança a ler e a escrever! :-))

Abraço

♥*♥(franciete)♥*♥ disse...

As amizades da nossa infância, é aquela que fica para sempre marcada na nossa memória e jamais se apagará.
Beijinhos de luz e paz, grata pela nossa amizade mesmo sendo virtual.

Sandra Botelho disse...

Como disse o Everson que memoria vc tem heim?
mas com tantas historias que leio aqui de uma coisa tenho certeza, viveu e vive sua vida com intensidade, enquanto alguns apenas passam por ela.
E se recebes o bem dos outros é porque certamente apenas retribuem ao bem que vc deixa nas suas vidas.
Bjos achocolatados e tenha dias de luz

Lianara **Lia** disse...

Oi Carlos!

Que delícia ler suas lembranças!
Pessoas que marcam a nossa vida pra sempre, né?

Lindo!

Beijos

Lia

Blog Reticências...

Machado de Carlos disse...

Bons tempos. Também me lembrei dos meus tempos de criança! Quando ia pra escola descalço, camisa e bornal de saco de açúcar... Boas lembranças.

Wanderley Elian Lima disse...

A minha primeira calça comprida , tive foi raiva, era usada. Sempre foi assim, nós éramos 2 irmãos e o mais velho tinha um anos a mais que eu. Quando a roupa dele são servia mais, passava para mim, roupa nova, só aniversário e natal. Até hoje tenho trauma disso, não visto roupa usada nem morto rsrsrs
Abração

(CARLOS - MENINO BEIJA - FLOR) disse...

Obrigado,Anne. Ma vej que eu memso disse a ela: "Quero não. menino faz muita bagunça". O próprio falando rs rs. beijos
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Com certeza, Rosa. Professora é dom. Beijos
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Oi,Fraciete. Uma bela amizade aqui sim. Beijos
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Si,Sandra. me melbro até do primeiro dia de escola. lembro cosias que minha máe e meus irmãos mais velhos duvidam.Até hoje, gosto de ser intenso. A gente fica meio velho, cansadsinho, afinal o tempo passa,né, mas na medida do possível gosto de viver de forma intensa. Beijos
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Sim,Lia. Beijos com reticências.
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São sim, amigo Machado Carlos. Um abraço
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Pois é,Wanderley. É a síndrome do irmão mais novo. Um abraço

Ricardo Calmon disse...

Recordar viver é!
Saudades docê escriba querido!
te abraço e uma noite boa desejo!

Viva La Vida

Majoli disse...

Oi meu amigo, que gostoso ler sua história, me prendo e fica sempre aquele gostinho de quero mais.
Sabe por que?
Porque você consegue passar de uma forma tão real sua história que fico visualizando as situações.
Você professor, sua calça branca bonita com uma nota no bolso...sua primeira comunhão.

Isso só me faz gostar mais de você meu amigo, sua sinceridade.

Beijos com carinho e obrigada por ser meu amigo.

(CARLOS - MENINO BEIJA - FLOR) disse...

Obrigado,Majoli. Eu sei que você gosta porque é igualmente sensível, tem coraaçaão de ouro. Beijos

"Cantinho Poético" disse...

Quando fala o amor, a voz de todos os deuses deixa o céu embriagado de harmonia.

William Shakespeare

Amor & Paz na sua noite...Beijos! M@ria