sexta-feira, 27 de novembro de 2009

SEMANA DA REFLEXÃO- EM NOME DOS JUSTOS


( imagem 3bp.blogspot.com)
Como eu disse à amiga Ná(Pensamentos da Ná),que escreve muito bem, essa postagem combina muito com a dela de ontem, quando pergunta se Deus tem culpa no que anda acontecendo com o mundo. Bem, essa não é uma resposta à pergunta que ela fez, mas é um bom paralelo. E eu gosto dessas coincidências de texto.
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Não sou teólogo, mas sou teórico. Leio a Bíblia de forma aleatória, abro qualquer página porque sei que de qualquer uma delas posso tirar alguns exemplos. Como ela se mantém atual! Li uma dia desses, um pouco de Gênesis. Tendo Deus anunciado a destruição de Sodoma e Gomorra, Abraão, humildemente tentou interceder pelos justos. Não era possível, na visão dele, que não houvesse uma pessoa sequer que prestasse nas duas cidades. Perdindo perdão a Deus pela ousadia, ainda argumentou. “O Senhor matará juntos ímpios e justos? Bons e pecadores? O justo merecerá o mesmo tratamento que o mau? O senhor não pouparia as cidades, se porventura houver 50 pessoas boas? ”. Deus respondeu: “Se houver 50 pessoas boas, não destruirei as cidades”. Abraão insistiu. “Perdão, Senhor. E se houver apenas 45 pessoas boas, o Senhor poupará as cidades?”. Deus respondeu mais uma vez. “Garanto-te que se houver pelo menos 45 pessoas boas, não destruirei as cidades”. “Perdão por minha audácia, Senhor. E se houver apenas 20 pessoas?”. Deus respondeu no mesmo tom de garantia, que pouparia as cidades, ainda que fossem apenas 20 pessoas boas. E assim, Abraão, sempre pedindo perdão, foi fazendo uma contagem regressiva, tentando interceder pelos justos.... e Deus o atendendo.. Bem, o final todos sabem. As duas cidades arderam em fogo e enxofre. Sinal que não foi encontrado ninguém bom por lá. No caso da Arca de Noé, foi parecido. Deus ordenou que reunisse sua família e os animais e deixou o restante morrer afogado.
Vamos para os dias de hoje. Quando menino, ouvia os antigos dizerem, que na primeira vez a Terra arrasou em água e na segunda seria em fogo. Eu morria de medo quando ouvia, principalmente quando diziam: “1.000 chegará, 2.000 não passará”. Eu virava e revirava a Bíblia procurando esses dizeres e não achava. Minha mãe dizia. “Procura direito que está lá”. Bobagem pura, mas essa não é a questão. Sabemos também que se Deus quiser, ele acaba com tudo em minutos. Esse mundinho é muito frágil. Não preciso dizer que vivemos num mundo cruel, cada vez mais capitalista, egoísta e violento, com valores invertidos, crianças jogadas pela janela, o luxo e o lixo habitando a mesma esquina. Ninguém está aqui discutindo como será o apocalipse, como deve ser e se deve ter. Como disse, não sou um especialista, mas com direito a opinião. Humildemente como Abraaão, mas não com a moral dele perante o Criador, faço nos dias de hoje a pergunta meio invertida. Pelo que andamos fazendo, estamos merecendo esse planeta? E por que Deus não acaba com tudo? Deus não acaba com tudo porque existem... Gandhi, Madre Tereza, Chico Xavier, Irmã Dulce, Luther King, Zilda Arns, Chaplin e muitos outros. Só para citar esses conhecidos, mas sei que existem e conheço pessoas anônimas praticando boas ações. Felizmente. Enfim, pessoas que estiveram sempre acima das religiões e se preocuparam com o ser humano, com a fome, com a cultura e com a liberdade. Por causa dessas pessoas, eu acho que Deus anda poupando o mundo.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

SEMANA DA REFLEXÃO- PEDRAS E PALAVRAS


( imagem cavernadezion.files.wordpress.com)
O sujeito era o bambambam do bairro. Alto, musculoso, praticava esportes pesados. Lutava até alguma arte marcial. Andava com aquelas camisetas apertadas para mostrar o peito estufado. Contava umas piadas sem graça e ele mesmo ria antes de todos. Até aí tudo bem, não fosse seu estilo grosseiro, ameaçador, sempre bravo. Não tinha muitos amigos. Os poucos que tinha, eram por conveniência, tinham medo dele. Apesar de tantos predicados negativos, namorava uma menina linda. Loirinha, cabelos abaixo dos ombros, olhos azul piscina, além de muito simpática. Ninguém entendia o porquê de uma moça tão doce namorar aquele fanfarrão. Falastrão. Gosto e nariz cada um tem o seu. Mas um dia a menina começou a olhar para um outro rapaz. Magricela, cabeludo, sempre ensimesmado. Também não tinha muitos amigos. Não que fosse gente ruim, era por timidez mesmo. Gostava de música, cinema, artes em geral. Estava sempre com um livro na mão. Exatamente o contrário do outro. A moça foi se aproximando e se apaixonando. O problema seria contar ao troglodita. Qual seria sua reação? Violenta com certeza. Aconteceu que não foi preciso. O bairro todo percebia, pois ficavam horas se falando nas esquinas e mulher quando ama, não consegue mesmo esconder. E assim acabou chegando aos ouvidos do brigador e este começou a perseguir, hostilizar o rapaz, no bairro, no colégio, no futebol. Ele nunca respondia, apenas se afastava evitando o conflito. Só que um dia não teve jeito. A moça ainda segurando as pontas de seus dedos, ao se despedir, deu-lhe um beijo no rosto... e o tal namorado viu. Viu e chegou cuspindo fogo como um dragão, com punhos fechados para a briga. Rápidamente a rua se encheu. A menina pediu ao brutamontes para não brigar e ele respondeu. “Saia daqui, senão sobra até para você”. Entre nervosa e chocada com o que ouviu, afastou-se uns metros, chorando pedindo aos outros que separassem. Ninguém deu ouvidos. A rapaziada gostava de uma briga. O massacre ia começar. Era uma luta de Davi contra Golias. O pequeno Davi se afastou, avistou uma pedra enorme e pegou. Golias foi chegando perto. Mas Davi de propósito deixou a pedra cair no chão. E disse. “Se você quer me bater pode começar porque eu não sei brigar. Mas antes que me mate, tenho uma sugestão. Por que não pergunta primeiro à menina se ela te ama? Se ela disser que ama, prometo sair agora da vida dela. Mas se disser que não ama, você vai me matar e vai continuar sem ela. Porque além de não te amar, ela vai te odiar”. Trinta segundos de silêncio. Até mesmo na “platéia”. O grandalhão ficou perplexo, sem ação, olhando para ele de forma curiosa. O semblante de raiva foi dando lugar à vergonha. Foi abrindo os punhos. Baixou os olhos. Virou-se e foi embora. A menina foi correndo, abraçou o pescoço do novo namorado e disse. “É por isso que eu te amo”.
Nem sempre precisamos de pedras para derrotar alguns Golias. As palavras também têm um peso enorme.

BASEADA EM FATOS REAIS

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

SEMANA DA REFLEXÃO- AS APARÊNCIAS ENGANAM?


( imagem www.espada.eti.br/images)
Tem uma fábula muito antiga, cujo autor não me lembro que é mais ou menos assim.
“Um ratinho, ávido por conhecer a rua, a vida, pede à mãe ratazana para dar umas voltas sozinho. Sabendo que o filho é tão pequeno e indefeso, ela libera, mas alerta para os perigos da rua recomendando muito cuidado. Coisas de mãe mesmo. Lá vai o ratinho feliz. Anda ali, anda acolá, vê um bichinho de pelo macio, dormindo preguiçosamente sobre um tapete. Tinha uma carinha muito boa. Ronronava tranqüilo. Ele achou bonito e se aproximou. Pensou. "Vou acordá-lo para brincar comigo". Fez cócegas na patinha dele. Acariciou,puxou seu bigode.. e nada. "É... esse aí não acorda mesmo.Vou embora". E seguiu a jornada. Logo adiante viu um bicho colorido, diferente, que só tinha dois pés, um monte de penas, uma coisinha vermelha sobre a cabeça , uns fincos dos lados dos pés e um grito de guerra assustador. Um tal de cocoricó estridente. "Eu,hein? Vou chegar nem perto", pensou. E voltou para casa. Chegando lá contou à mãe sobre os bichos que viu, especialmente esses dois. A mãe levou a mão à cabeça. Meu filho, meu filho. Não sabe o risco que correu. As aparências enganam. Aquele bicho espalhafatoso era um galo, totalmente inofensivo à nossa vida. Mas o tal que dormia sobre o tapete,era o gato. Nosso mais terrível inimigo”.

Eu até concordo que as aparências enganam.Tem uma expressão bem antiga muito usada que é 'lobo em pele de cordeiro'. Por isso digo sempre, não nos deixemos levar pela casca, pelas falácias, pelo externo, pelas pompas, na roupagem, porque se o lobo usa pele de cordeiro para nos enganar, então olhemos nos olhos dele, pois o olhar não mente. As aparências enganam... somente a quem não sabe olhar.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

BLOGAGEM COLETIVA DE REBECA E JOTACÊ/ UM CONTO DE AMOR - FOI ASSIM


Vou interromper a SEMANA DA REFLEXÃO, para participar do Blogagem Coletiva de REBECA e JOTACÊ, para a qual fUi gentilmente convidado. Tenho que postar um conto de amor. O texto inicial foi escrito para Anita, em março de 2009, antecedendo claro, o outono, que por si só já é um prenúncio de novo tempo, de desfolhagem, de jogar fora velhas coisas, velhos medos, inclusive o de amar. Eis o texto inicial.

‘Será suave. Branda. Leve como a neve, mas será quente.
Mansa como um riacho, mas vai muito longe. Um simples facho de luz que entra na fresta e derrota toda a escuridão. Será calma como as borboletas, mas também colorida como elas.
Será graciosa como a beija-flor que beija tanto a flor e não a machuca, pois sabe a medida certa. Vai ser com delicadeza, mas intensa.Vai ter vaga-lumes e estrelas. Mistura de perfumes, suor e sorrisos.Vai ter a paz de um barco no horizonte. Vai ser sutil, mas febril. Vai ter brincadeiras e seriedade. Romântica como uma valsa. Perfeita como orquestra. Vai ter pureza, respeitando limites, mas seguindo a própria regra. Vai ser cadenciada, ritmada, só que de repente ficará acelerada, numa profusão de energias. Tênue como um botão em flor, mas poderosa. Vai ser a primeira e por assim ser, será inesquecível. Vai ser assim... a nossa noite de amor’.
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E foi exatamente assim. Viagem longa. Terra quente. Quando cheguei na terça-feira, já pelas 22:00h, pedi à moça do hotel pra ligar para Anita, ainda da recepção. Sua resposta, mesmo com tudo combinado, talvez pela ansiedade que também era minha, foi. “Não acredito”. Respondi. “Na verdade nem eu”. Queríamos nos ver de imediato, mas era tarde, eu precisava de um longo banho, estava super cansado. Tinha acabado de sair de um curso puxado no Rio, não havia dormido na noite anterior, e sempre às pressas, comi mal mal, biscoitos de cereais de avião. O amor é paciente, o mais difícil já tinha passado, afinal eu já estava ali,seria só uma questão de mais algumas horas. E quem disse que eu dormi direito? Tomei banho, comi algo, mas passei horas olhando pro teto do quarto, até que certo momento o cansaço venceu. Logo cedo, às 07:00h da manhã, já estava ligando pra ela. Combinei de esperá-la no caminho de seu trabalho. Sou muito ansioso e fiquei sentado no meio-fio olhando a todo momento quando de repente, lá vinha minha loira. Cabelos longos ao vento, óculos escuros. Fiquei estático vendo-a chegar em seus passos macios. Parecia pisar em algodão. O primeiro contato foi meio tímido de ambas as partes e eu, respeitador, não forcei a barra. Um abraço gostoso e um beijo singelo no rosto. Acompanhei-a até o trabalho e ainda sem muito tempo e sem assunto, marcamos para meio-dia. Sim, ela conseguiu folga em todas as tardes da semana para ficar comigo. Sei que tenho alguma experiência, mas fiquei como menino impaciente, aguardando a hora do real primeiro encontro. Andei a cidade toda para o tempo passar. Quando ela veio ao hotel, eu estava com dor de cabeça e não tive vergonha de confessar. Estava ansioso por vê-la, por tê-la. Conversamos enquanto almoçávamos e a cabeça foi melhorando. Havíamos alugado um carro, mas só pegaríamos no final do dia. Então saindo do restaurante ela teve idéia de passearmos de ônibus numa cidade vizinha. Sentamos na praça conversando dia todo. Um senhor percebendo que se tratava de um quase namoro, curioso sentou-se ao nosso lado e nós rimos muito disso. Na volta para a cidade, no ônibus, tomei coragem. Segurei sua mão por muitos minutos e de surpresa dei-lhe um beijo no rosto. Foi aí que vi sua timidez. Seu rosto foi corando, ficou mais vermelhinha que as pimentas do nordeste. Pois isso me fez gostar mais dela. Essa timidez, logo ela sendo tão despachada em tudo, trabalha com gestão de pessoas, que não é fácil... mas é tímida. Pensei. Preciso ter jeito com essa quase menina. Preciso amá-la como ela merece e como eu mereço também. Eu sabia que não seria fácil e aumentou até um pouco de minha tensão, pois depois de muitos anos estava eu, como adolescente e como homem. Por onde começar? Como começar? Como me portar? Juro que era algo diferente para mim. Todas as mulheres querem ser igualmente amadas. Tanto as tímidas, como as extrovertidas. O caminho para se chegar a esse ponto é que é complicado para nós homens. Meses depois escrevi um poema: ENTRE A FLOR E O VULCÃO, retratando o que vivi. Eu estava, sem exagero, com um tesouro nas mãos. E eu já tinha atravessado o arco-íris, não ia perder o que tanto procurei Não dá para contar tudo, tanto pela privacidade como pelo tamanho do texto, mas foi exatamente como no texto inicial. Teve de tudo. Beijos, brincadeiras, almoços, teatro, sucos, pizza,vinho, gafes, tudo que cabe dentro do amor. Foi tão bom que não ficamos tristes na hora de eu ir embora, um gostinho de quero mais sim, mas tristeza não. Sabem por quê? Porque sabíamos que eu voltaria... e voltei. Porque o que é bom repete. Mas isso é caso pra outro dia.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

SEMANA DA REFLEXÃO- O SÁBIO PEDIU SABEDORIA


( editorasalomao.com.br)
“ Em Gibeão, apareceu o Senhor a Salomão, de noite, em sonhos.Disse-lhe Deus: Pede-me o que queres que eu te darei.Respondeu Salomão: De grande benevolência usaste para teu servo, Davi, meu pai, porque ele andou contigo em fidelidade e em justiça, em retidão de coração, perante a tua face.Agora, pois, ó Senhor, tu fizeste reinar teu servo, em lugar de meu pai, Davi; não passo de uma criança, não sei como conduzir-me. Teu servo está no meio de teu povo que elegeste, tão numeroso que não se pode contar. Dá, pois, ao teu servo, coração compreensivo, com sabedoria e justiça, para discernir entre o bem e o mal.
Essas palavras agradaram ao Senhor, por haver Salomão pedido tal coisa. Disse-lhe Deus: Já que pediste estas coisas e não pediste longevidade, nem riquezas, nem a morte de teus inimigos; mas pediste entendimento para discernir o que é justo, eis que faço segundo as tuas palavras. Dou-te coração sábio e inteligente, de maneira que antes de ti nunca houve igual, nem depois de ti haverá. Também até o que não me pediste eu te dou, tanto riquezas como glória, que não haja teu igual entre os reis, por todos os teus dias. “( REIS CAP 3-VERSÍCULOS 3 A 13 ).
OPINIÃO PESSOAL:
O sábio pediu mais sabedoria. Mesmo com toda sua sapiência considerou-se não mais que um menino e pediu o dom do discernimento, da justiça, da moderação, do equilíbrio na hora de ponderar entre duas partes. Normalmente tomamos decisões que agrada um lado e desagrada outro. Mas Salomão, não. Pediu uma balança justa em seu coração, e isso, só com sabedoria. Sabedoria dos grandes mestres, que ao contrário do que pensamos, ser humilde não é ser pequeno. Um amigo já me disse que a cada passo que damos rumo à humildade, estamos evoluindo, atingindo um estágio de perfeição espiritual. Humildade não é humilhação. Salomão não quis riquezas, nem longevidade. Quis o SABER. E saber está muito além de nossos diplomas, de falar idiomas, que são necessários sim, mas que nunca devem se sobrepor à sabedoria íntima, ao domínio do ego. Salomão, podia pedir o que quisesse, pois DEUS, estava muito satisfeito com a retidão de Davi, seu pai e com ele próprio, tanto que o próprio Deus na sua imensa fidelidade disse: “Pede o que quiseres”. Mas não. O sábio Salomão, do alto de sua sabedoria, mas colocando-se em posição de criatura, respeitando o Criador, pediu o quê? Mais sabedoria. E o mais importante disso tudo, é que Salomão acabou sim, sendo um homem muito rico, teve longevidade e governou por muitas gerações sendo muito querido pelos súditos e respeitado por outros reis. Não pelo poder bélico ou econômico, mas pela sua maior riqueza: a sabedoria. E tenho comigo a certeza de que até sua riqueza material aconteceu em consequência dessa riqueza íntima, porque não é fácil administrar tesouros materiais. É preciso ser sábio, para não deixar que nosso ouro nos afaste das outras pessoas. Outro dia vi um filme em que o menino diz a um velho muito rico: “Não sei pra quê tanto dinheiro se o senhor não gasta nunca?”. O menino só queria ir a um parque de diversões.

sábado, 21 de novembro de 2009

UMA SEMANA DE REFLEXÃO- FECHE OS OLHOS


Feche os olhos!
Mergulhe no abismo da escuridão, da solidão que às vezes é bemvinda.
Não fale nada...só escute o silêncio, o som do íntimo...
de dentro para fora, não de fora para dentro.
Deixe fluir qualquer coisa de seu coração, há tempos ele não fala.
Porque nunca fecha os olhos pra falar consigo mesmo.
A visão nos cega, o óbvio escraviza.
Nós mesmos preferimos assim, criamos tudo isso.
E se criamos, podemos desfazer... é só fechar os olhos.
Você consegue ouvir a folhagem das árvores... o vôo da borboleta...
percebe até os insetos.
A brisa suave acaricia seu rosto... há tempos não sentia isso.
Veja como tudo ficou calmo.
Suas antenas naturais, seus instintos estão ligados, despertos.
Sinta à sua volta todas as coisas que não percebe de olhos abertos.
Não, não tente voltar atrás para recuperá-las.
São como as ondas do mar... vem e vão... vão e vem.
Apenas se prepare para a próxima onda.
Você agora é um barco... sua bússola é o sentimento.
Puxa, como é grande o oceano!
Seria assustador se não fosse lindo.
Agora você é um pássaro... altivo, festivo, voando alto olhando os seres lá embaixo.
Perde-se no horizonte, pousa nos montes, cruza o arco-íris, bebe das fontes.
Como é grande o céu!
Seria assustador se não fosse lindo.
Agora você é uma poesia, ou uma canção, cheia de notas e rimas, abertas ou em falsetes.
Dentro de você agora há um perfeito concerto.
Puxa, como é grande a inspiração!
Seria assustadora se não fosse linda.
De olhos fechados você é tudo, pode tudo num instante.
Pode ser flor... pode ser folha ao vento.
Pode ser palhaço, pode ser Peter Pan.
Pode ser menino, pode ser gigante.
Puxa, como é grande a imaginação!
Seria assustadora se não fosse linda.
Você abre os olhos... agora é um ser comum.
Na multidão, apenas mais um
que não escuta, só grita, que não afaga, só bate
que não planta, só arranca com mão destruidora
que buzina e acelera pra lugar nenhum.
Volta à vida normal,
que seria linda...se não fosse assustadora.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

SEMANA DE DECLARAÇÃO DE AMOR À POESIA- A FONTE QUE NUNCA SECA


Uma fonte deliciosamente estranha.
Quando penso que secou... ela se assanha.
Às vezes fica quieta, despretensiosa.
De repente vai à forra, jorra generosa
e me dá um banho de emoção,
regando, tornando fértil meu coração.
Quando penso que já vi tudo,
vivi por tudo, ou morri por tudo,
ela se renova, e põe à prova o que preciso dizer
do meu jeito dúbio de ser.
Cada vez que ela brota e desliza
tudo em mim se ameniza.
Mostra uma aura que me acompanha desde que nasci,
não fui quem escolhi.
E a poesia habita em mim.
Estou falando da inspiração,
da fonte que não tem fim.