ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

quarta-feira, 22 de abril de 2015

AUTORRETRATO DE UM POETA

( imagem evapore.com.br )

Sinto-me tão leve que facilmente chego ao céu,
pareço mesmo um beija-flor
minha boca escorre mel,
meu peito transborda amor.
Do vento não tenho medo, esse é meu segredo,
faço dele impulso para minhas asas.
Tudo em mim acontece, tudo em mim extravasa.
Sou amigo do tempo, quanto mais ele passa, mais menino eu sou
Sou moldável, solúvel, volúvel, afável, é assim que eu vou.
Sei que oscilo entre o céu e o solo
mas não há nenhum mistério,
vez em quando falo sério, vez em quando peço colo.
Não temo atiradeiras, temo mais as palavras que se vestem de verdadeiras
que quando nos atingem podem nos levar ao chão.
Mas levo tudo na brincadeira,
e se a vida é uma grande feira e viver é uma obrigação,
no banquete da vida, amar é minha opção.
Nasci para ser diferente nesse mundo tão comum,
Eu sou três em um: Beija-Flor, menino e homem.
Que eles se unam, se somem
e formem um bela trinca,
É assim que o poeta vive, é assim que o poeta brinca.
Liso, leve e solto. Ético, eclético. Sigo feliz assim.
Sei que mereço.
Sorrio para Deus e agradeço... a poesia que Pôs em mim.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

SOBRE HERÓIS E TRAIDORES... E SONHADORES.




Luís era um professor de História diferente, era assim que eu o tratava, e ele respondia que eu também era um aluno diferente. Puxa, aquele cara gostava de mim, e eu dele também, tínhamos ideias parecidas. Perguntava: “Vocês querem saber a história do Brasil contada nos livros, ou a verdadeira?”. Todos respondiam pela segunda opção. E ele, barba por fazer, puxando para trás o cabelo sempre atrapalhado e meio longo, dizia. “Bem, como professor sou obrigado a contar a dos livros, mas nada impede de dar uma pausinha para contar a real”. Fazia paralelos entre o livro e o que ele acreditava, abria discussões, fazia questão de ouvir minha opinião, aquilo para mim era um prato cheio, eu até me levantava, tinha dia que eu falava mais do que ele. Um dia, comentou no recreio: “Caramba, ontem você deu aula no meu lugar. Devia ser professor, leva jeito”. Respondi: “Levo não! Isso é dom!”. Sempre que podia tomava cerveja com a turma, um dia pediu que eu ficasse, que deixasse o ônibus que era o último ( só eu que sempre pegava o último), depois me levaria em casa. Conversamos até umas 02h da manhã, mas antes de chegar na política que ele gostava tanto, falou de heróis e traidores da história: “Já reparou que todos os heróis que sucumbiram foram traídos? Che Guevara, Lampião, Tiradentes, e o maior de todos, Jesus Cristo. A amizade de Judas valia trinta moedas. E mais, o traidor é sempre alguém que deve impostos ao governo. O poder é inteligente e se utiliza disso, oferece troca de favores como perdão de dívida, por exemplo. O poder tem tudo nas mãos”. Continuou: “Da mesma forma, Silvério dos Reis, traidor de Tiradentes morreu na mesma, endividado. O dinheiro não lhe valeu nada”. Continuou ainda: “E assim foi com Lampíão, Che Guevara e tantos outros. Ao lado de cada herói, sempre há um traidor, um puxa-saco”. Fiz algumas observações, até ele me interromper, estava bem envolvido em política, afiliara-se a um partido recentemente, e sugeriu: “ Você é um pensador jovem, gosto de jovens inteligentes. Por que você não entra para a política? Você tem gana, garra e ideias”. Nem pensei e falei rindo: “Você me diz que ao lado de cada herói tem um traidor, e quer me colocar na política? Mui amigo! Quer algo mais perigoso e sujo do que a política?”. E ele depois de rir também: “ Mas querendo ou não, a gente precisa da política, sem ela não se vive, e se a gente continuar pensando assim, as coisas nunca vão mudar. A gente muda a política dentro da própria política, fazendo coisas diferentes”. Resumindo, respondi: “Luís, concordo com tudo, eu também sou um idealista, por mim eu mudaria não só o Brasil, mas o mundo inteiro, acontece que eu penso que o sistema sempre vence, e quem vai contra ele, dança, como todos os heróis que você citou. Eu sou um poeta, quero fazer as coisas diferentes que você falou, mas através da poesia, quero transmitir ideias novas às pessoas, não tocando na política, e sim, no coração, que haja uma mudança sim, mas social, de raciocínio, de não alienação, de mente aberta, que as pessoas se desprendam um pouco do materialismo, da felicidade comprada em vitrines, de vaidades, de modismos, enfim, quero usar minha poesia para tocar no âmago das pessoas”. Ele nunca havia me encarado tanto. Exclamou: “Menino! Você é mais louco do que eu! Acho que a minha missão é mais fácil do que a sua”. Respondi: “Eu sei disso, pior é que sei, mas a gente tem que sonhar, não é? Sejamos loucos!”. E ele: “Loucos, mas felizes!”.
A despedida de Luís da escola foi no mesmo bar, ia lecionar em BH. Não sei se ainda está na política... ou se desistiu de mudar o que não tem jeito. Eu? Se eu desisti? Não, não desisti! Ainda acredito na poesia transmitindo valores, agregando pessoas, abrindo mentes, suavizando corações.

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Através desse texto homenageio Tiradentes. Ainda que alguns digam que ele era apenas um riquinho insatisfeito com a cobrança de impostos, mas e daí? Alguém tinha que ter coragem de se rebelar, de criar um movimento,  e ele deu a vida pela liberdade do Brasil, em nenhum momento recuou ou negou, e ainda isentou os companheiros, isso derruba a tese de que seria apenas um rico tentando se livrar de impostos.

domingo, 19 de abril de 2015

RECITANDO - UM SOM PARA O MEU CORAÇÃO

video
Eu quero um som para o meu coração
que me amanse
para que eu alcance
a plenitude da mais pura emoção.
Não quero farpas,
Quero a paz dos campos,
chamar de amigos os pirilampos
quero som de harpas embalando meu sono.
Não quero buzinas,
quero uma voz de menina
que sussurra, me alucina
e me tira do abandono.
Passarinhos na janela
me cantando que a vida é bela.
Não quero ira.
Quero toques de lira embalando cânticos
Quero dançar nas notas de violinos românticos.
Ah, quero nessa vida, só harmonia.
Se houver sinfonia, quero a nona de Beethoven.
Tcham, tcham, tcham, tcham
e vem mais uma emoção
meu íntimo guarda tudo
que meus ouvidos ouvem,
por isso quero ouvir algo bom
pode ser em qualquer tom,
mas que toque meu coração.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

CUCA COLORIDA



Quando eu tinha uma cuca colorida
era um turbilhão de vibrações.
Meu coração era um arco-íris de sensações
dia e noite, noite e dia.
E todo mundo dizia:
“Menino, você escreve demais
Você fala demais.
Você brinca demais.
Você briga demais.
Você chora demais.
Você ri demais.
Você sonha demais.
Você ama demais.
Você reclama demais.
Você é todo demais".
Eu sorria e respondia:
“O que fazer dessa vida
se eu tenho uma cuca colorida?
O tempo passa, o corpo envelhece,
mas o coração não esquece
e tudo de novo acontece:
“Você escreve demais
Você fala demais.
Você brinca demais.
Você briga demais.
Você chora demais.
Você ri demais.
Você sonha demais.
Você ama demais.
Você reclama demais.
Você é todo demais".
E eu ainda respondo do mesmo jeito
com o mesmo turbilhão no peito:
“Que culpa tenho eu nessa vida
se nasci assim...
com uma cuca colorida?”
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Mudar sem perder a essência, é tão raro quanto belo.

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Por que recordar esse poema? Porque ele fala justamente de uma fase muito divertida para mim, aquela fase que a gente punha a bolsa nas costas, e viajava para qualquer cidade  mais ou menos próxima. O grande detalhe é que a gente ganhava pouco, eu principalmente, mas a gente se divertia se divertia, era feliz sem muito dinheiro. Esse da foto chama-se Walter, dos amigos era o que mais viajava comigo, mas tinha outros: Marcelo, Luisinho, Salvador. Há pouco tempo  encontrei-me com Walter, que é só um ano mais velho que eu, e está com o cabelo todo branquinho. Ele comentou:  "Bem que você dizia que nunca ia ficar velho, você está igual um garoto". Encontrei-me ainda com dona Maria  Preta na casa de dona Maura, e dona Maria Preta me deu dois tapas por não ter ido à casa dela. Sempre brava: "Seu moleque.Você vem aqui e não vai à minha casa". Depois, tadinha, lamentou o falecimento de minha mãe, as três se gostavam muito. Dizem por aí, e vou repetir: Recordar é viver.
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Em tempo: O que está sentado no banco cheio de banca ( pra variar rs rs) sou eu. E a gente estava em viagem nessa foto.

segunda-feira, 30 de março de 2015

SALVANDO UMA VIDA

 

Acho que fui o único menino de meu tempo a nunca matar um passarinho. Muito me incomodava ver alguns coleguinhas com estilingue nas mãos, parecia um esporte matar passarinho, não havia lei dura que protege os animais como hoje, tampouco havia consciência, lembro-me que eu, inutilmente os repreendia. Lá em Ipatinga, a Kombi passava pegando a nós funcionários nos pontos. Eu sempre sentava no meio-fio, e um dia vi um passarinho colorido agonizando no cantinho, possivelmente comeu algum resto de chiclete que as pessoas jogam, ou comeu algum inseto venenoso. Enquanto o carro não chegava, peguei, fui até o posto de gasolina, molhei a cabecinha dele, dei água para ele beber também. O carro chegou, fui entrando com ele na mão, e vieram as perguntas: “Que passarinho é esse na mão, Carlos?”. Respondi: “Tava caído no chão, não sei se comeu algo ou bateu em alguma vidraça. Vou levar pro aeroporto, vou tentar salvar a vidinha dele”. O motorista já não gostou: “Vai fazer porcariada dentro do carro”. Falei: “Vai não, vou por enrolado no jornal. Se fizer, eu limpo”. Chegando lá, ajeitei uma caixa para ele, tampada mas com furos, para que não saísse voando tonto, forrei com o jornal, e sempre que podia, nos intervalos ia vê-lo, dava mais água, molhava a cabeça dele, fiz beber inclusive leite. Até um pouco de fubá peguei na cantina para ele. E não é que lá pelo meio da tarde, o danadinho não ficou bom mesmo? Fiquei todo feliz, cheguei com ele na mão, dizendo: “Olha, Fátima. Ele ficou bom”. Ela ficou feliz também: “Puxa, que legal, Carlos! Esse merecia ser seu, foi você que salvou a vida dele. Se ele pudesse falar, ia lhe agradecer”. Respondi: “Ele já está agradecendo, tenho certeza”. Ela perguntou: “E agora, o que vai fazer?”. Respondi afagando o bichinho: “Agora vou curtir ele um pouquinho... mas depois vou soltar. Bem que eu gostaria que ele ficasse comigo, mas ele tem asas é para voar. Seria um egoísmo meu prender. Salvar a vida dele não me dá o direito de prendê-lo”. E ela: “Show! Assim que se fala!”. Fui até a porta, minutos depois, falei no ‘ouvidinho’ dele: “Vai, coleguinha. Você nasceu para voar. Tome mais cuidado da próxima vez. Se der, apareça”. E soltei... e ele sumiu rápido no céu. No dia seguinte eu estava lá de novo no ponto, e tinha um passarinho idêntico a ele no fio do poste. Muita pretensão dizer que era o mesmo, seria uma coincidência divina demais, mas que eu fiquei pensando, fiquei: “Será que é o mesmo? Será que veio me ver, como pedi?”. Nunca vou saber... mas Deus sabe!
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( imagem ultrad.com.br )

domingo, 29 de março de 2015

PADRE MARCELO = SONDA-ME


"Como são belos os pés do mensageiro que anuncia a paz".