ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

quinta-feira, 23 de maio de 2019

MINHA FLOR MORENA!


Andando numa floresta, avistei uma clareira, parei para beber água, e descansar às margens de um lago bonito. Sede saciada, sentado num torrão, clima ameno, silêncio total à minha volta. É bom estar com o silêncio. Tratei o silêncio nessa expressão “com o silêncio”, como se ele fosse uma pessoa, pois, para mim, às vezes, o silêncio é uma grande companhia, a gente anda no meio de tanto barulho infrutífero, invasivo, desnecessário, destrutivo; de vez em quando a gente precisa frear um pouco. No meio à calmaria ouvi um “Psiuuu”. Tive um breve susto, afinal eu pensava estar sozinho, mas foi um chamado tão suave que nem assustou tanto assim. E repetiu enquanto eu olhava ao redor procurando. Com mais calma, avistei uma linda Flor Morena pendendo de um lado para outro como se fosse balançando ao vento, mas não havia vento, ela estava acenando para mim. Pensei: “Estou maluco ou será que essa flor falou mesmo comigo?”. Cheguei mais perto, sentei-me ao lado dela, admirando-a, afaguei suas pétalas, e ouvi: “Hummmm... que carinho bom, seu moço”. Ainda perplexo com a grata surpresa, perguntei: “Uma flor que fala?”. Ela respondeu: “Só para os sensíveis. Outros já estiveram aqui, mas não me ouviram. Sem contar os medos que passei de ser arrancada”. Respondi acariciando: “Como eu poderia arrancar tamanha beleza da natureza, se é linda assim, plantada, perfumada, com pétalas cheias de vida? Flor que se arranca, morre, prefiro contemplar todos os dias a perder para sempre por causa de um prazer momentâneo e egoísta”. E ela: “Envaidecida com teu carinho. Bem se nota que sabes proteger uma flor”. Dito isso, senti seu perfume ainda mais intenso, não entrou somente pelas minhas narinas, parecia envolver todo o meu corpo. Ela disse: “Sente esse perfume como gratidão e carinho recíproco. Estou te abraçando”. De olhos fechados, inebriado, falei: “Sinto-me enamorado”. Ela correspondeu: “Da mesma forma eu. A partir de hoje, és o meu amor”. Dei beijinhos em suas pétalas, senti os beijinhos dela em meu rosto também. “Estarei aqui todos os dias, minha Flor Morena”. Ao que ela respondeu: “Estarei aqui à espera de ti, com todo o meu perfume, com minhas pétalas ávidas por teu toque”. Desde então, todos os dias vou ao lago, namoro com a Flor, e volto para casa... e durmo com seu cheiro no meu cobertor, na certeza de que deixo com ela um pouco de minha poesia também.
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( imagem google )
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domingo, 3 de fevereiro de 2019

CONSPIRANDO PARA O BEM!


Certa vez um amiguinho me disse que exatamente à meia-noite, as águas dos rios e cachoeiras param por um segundo, e depois voltam ao seu fluxo normal. Lenda, claro, mas mesmo assim mexeu comigo, ainda aumentei a lenda, e fiquei pensando: “Deve ser porque a gente não está lá para ver. Não devem parar só por um segundo, devem ficar paradas um tempão. Acho que as coisas só acontecem se a gente estiver por perto. Para que acontecer se não tem ninguém para ver? Assim também deve ser com as estrelas, com os passarinhos. Para que um passarinho vai cantar se não tiver plateia? É um desperdício de talento. Para que as estrelas vão brilhar se ninguém olhar para o céu? É um desperdício de luminosidade, de energia”. E assim, tentava ficar acordado até meia-noite para observar, ouvindo deitado na minha cama, se o rio parava mesmo. Nunca consegui, o sono sempre me levava, no outro dia ficava com raiva por ter dormido. O engraçado, é que embora eu pudesse avistar o rio e a floresta durante o dia, meu bairro era bem longe, e mesmo assim, à noite eu ouvia o rio, sei lá, imaginação talvez... quantas vezes sobrevoei aquela floresta sem nunca ter estado lá fisicamente, então ouvir o rio não era tão difícil. Mente de um poetinha metido a Peter Pan. Metido não, eu era Peter Pan... todo mundo pode ser Peter Pan. Isso criou um hábito gostoso em mim, de até hoje ficar olhando os rios, o mar, o balançar das árvores, nunca deixei de olhar para o céu para não perder o brilho das estrelas, e se um passarinho começa a cantar, eu paro mesmo para ouvir. Por quê? Porque gosto que as coisas boas tenham fluxo, não quero que elas parem um segundo qualquer, pois, são espetáculos de Deus.
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( imagem Peregrina Cultural - google )

OH, MINAS GERAIS...


" HOMEM BRANCO FEZ A TERRA VOMITAR( ( líder de aldeia afetada em Brumadinho )

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OH, MINAS GERAIS,
OH, MINAS GERAIS,
QUEM TE EXPLORA
NÃO TE MERECE JAMAIS!

sábado, 8 de dezembro de 2018

CADERNO DE POETA É ASSIM!


Tinha uma amiga enfermeira que por causa de seus turnos malucos de trabalho, faltava muito à aula, ou chegava atrasada, por isso pegava meu caderno emprestado para atualizar matérias. Um dia ao me devolver, disse: “Há tempos queria lhe dizer uma coisa, mas como só ando atrasada, nunca dava: seu caderno é muito divertido. E tem cada mensagem bonita, hein? Cada poesia! Nunca vi isso em caderno de homem”. “Caderno de poeta é assim”, comentei. Fato, era divertido mesmo! Era daqueles cadernos enormes, volumosos de oito ou dez matérias, só não era enfeitado com lápis de cor ou canetinhas, como das garotas, mas era diferente; em cada divisão de uma matéria para outra, tinha poesias diversas minhas, e dia após dia, na primeira linha, eu colocava uma frase minha, um pensamento, uma passagem bíblica, um provérbio, uma mensagem positiva. Na capa principal, meu poema FÊNIX, esse coloquei ali de propósito para eu abrir sempre o caderno, e dar de cara com ele. Na capa final, ÍCARO MODERNO. Não me lembro de todos, claro, só sei que esses eram os enfeites do meu caderno. Voltando ao que a amiga disse, ela completou: “Tomei a liberdade, e copiei um, espero que não brigue. Mas eu coloquei sua autoria, viu?”. Respondi: “Obrigado! Fique à vontade, o principal você fez que é citar o autor. Mas diga, qual você copiou?”. E ela: “Um que exalta a amizade, a liberdade, que quer ser um bruxinho bom que leva as luzes coloridas do amor onde estiver escuro, e chama todo mundo para fazer uma corrente. Título, OS TRILHOS”. Sorri: “É um de meus favoritos”. Ela disse: “Sabe por que imaginei que fosse? Porque ele parece uma profissão de fé, um compromisso, um lema de vida. Você não põe dúvidas nele, você diz “eu vou ser assim, eu sou assim”. Respondi: “E é um lema de vida, você acertou”. Ela deu uma pausa, parecia estar tentando formular uma pergunta dentro de si, e enfim, disse: “Posso fazer uma pergunta?”. “Todas”, respondi. Ela soltou essa: “Considere como um grande elogio. Fico observando os outros rapazes, e é inevitável ler tudo isso no seu caderno, e não te perguntar: você não faz mais nada senão poesia? Carlos, você não fala nem palavrão”. Eu não sabia se ria, se me emocionava, ou ficava tímido, mas consegui responder: “Obrigado mais uma vez. Eu faço a maioria das coisas que as outras pessoas fazem, só que de uma forma secundária. Eu preciso das outras coisas, mas não são prioridades, a poesia para mim, em primeiro lugar. Mas eu falo palavrão sim, de vez em quando eu falo “merda” com uma raiva”. Ela gargalhou: “Merda, até minha vozinha fala. Se “merda” fosse palavrão, o mundo tava salvo”. Já havia tocado o sinal de fim do recreio, mas ela fez a última: “Você existe mesmo?”. Brinquei esticando o braço: “Belisca pra ver se eu existo”. Ela beliscou suavemente: “É... existe sim! Que bom que você é de verdade! Glória a Deus, o mundo tem jeito”. E entramos para a sala.
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( imagem papolie.com.br )

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

MUITO ANTES DO NEYMAR EU JÁ CAÍA.


Uma das coisas mais gostosas da infância era jogar bola na chuva. Bastava o céu escurecer, os amiguinhos saíam para as casas dos outros chamando para jogar, eu era um dos principais a fazer isso. As mães sofriam com as roupas enlameadas. Pensando bem, não sofriam muito não, basta para a mãe que o filho esteja feliz, lavar as roupas daqueles moleques era só um detalhe. Bravas mesmo ficavam quando a gente, lá pelas dez horas ou mais, depois de passar o dia todo na rua, queria dormir com os pés sujos de poeira ou lama, e tome chinelo rs rs. No campinho de terra, eu era o que mais caía, caía de propósito, quanto mais lama melhor. Tinha um senhor muito sério, chamado Mário, homem de poucas palavras, mas comigo ele brincava sempre que eu passava com lama até no meu cabelo batendo no ombro: “Tô vendo um palito cheio de lama” ... rs rs eu era magrelo. Ou então me provocava: “Jogador que cai demais é porque não é bom jogador”. Eu retrucava: “Engano do senhor. O craque é sempre perseguido em campo, sofre muita falta”. Acho que eu fui o primeiro “Neymar” da história rs rs.
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IPATINGA, BAIRRO BOM RETIRO -
Saudades da "Vital Brasil"... aquela rua.

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( imagem FUTEBOL BH )

sábado, 10 de novembro de 2018

SÓ ME RESTOU A POESIA!


E se depois do caos, da escuridão, do trovão,
do dilúvio, da explosão do Vesúvio
te restares somente a poesia
que semeastes um dia?
E se quando chegar a idade
e a tempestade não trouxer a bonança
partindo o último fio de esperança,
não oferecendo à tua íris nem o arco-íris, nem o tesouro?
E se prevalecer o mau agouro?
Homem dos versos, responde ao universo;
o que farás ao olhares para trás
e na peneira dos teus dias
te restares apenas a poesia?
Certamente responderei:
A semente que Deus me deu, eu semeei.
Não foi à toa, nem a esmo,
ela brotou dentro de mim mesmo,
floresceu alegria, abrandou os meu ais.
Só me restou a poesia,
afinal, do que preciso mais?
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( imagem Top List vn - google )

terça-feira, 6 de novembro de 2018

MEU CORAÇÃO NÃO É DIGITAL!


Nesse tempo tão digital,
meu coração tão analógico.
Não muito lógico, mas com toda razão.
Nem apológico...
Apológico, talvez só da liberdade,
vivo as coisas como elas são.
Acredito numa verdade:
Não se prenda à rotina,
pois, não há lógica maior que a lógica da emoção.
Fotografo essa vida com a retina
e armazeno no coração;
é onde faço minha analogia
transformando em poesia, em emoção
o que chamam de real, de razão.
O mundo pode até ser digital,
mas, eu? ... eu não!