ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

sábado, 20 de setembro de 2014

QUEM SERÁ A RAINHA DA PRIMAVERA?



Os meses que mais gosto, não exatamente nessa ordem, são: Março, porque é meu aniversário, claro rs rs. Adoro fazer aniversário, mesmo com essa ideia de que a gente está ficando velho. Não ligo muito para isso. Maio, por ser o mês das noivas e das mães. É um mês romântico, maternal, é outono, quando as coisas se desfolham, uma etapa necessária, dando sempre a ideia de um novo tempo por vir. Gosto dessa simbologia inteligente da natureza dando-nos exemplos de vida. E setembro... porque começam aparecer as sabiás nos galhos das árvores cantando toda a sua fragilidade e beleza ao mesmo tempo, não sei se tristes ou felizes, não consigo distinguir isso ainda como poeta, mas estão lá cantando, e eu acho lindo demais. Às vezes parece lamento, às vezes, parece um grito alegre dizendo: " Eu estou aqui ". Gostaria de poder pegá-las nas mãos. Gosto também por ser aniversário de minha mãe, dia 22, e por ser a entrada da primavera. Lembram do outono lá atrás se desfolhando, preparando a renovação? Pois é... a primavera dá a ideia de que o novo tempo chegou. É só olhar as ruas, os jardins, os ipês... as acácias. Mais uma vez a natureza dando-nos dicas de bem viver. Bom seria se fosse assim também em nossos corações. Mas me lembro de algo especial. Gostava quando chegava setembro, tinha toda uma campanha pró natureza, incentivos de " plante uma árvore e seu filho terá uma sombra", eu me sentia engajado junto com os colegas. Lembro-me de duas passagens bem marcantes. Numa, a professora colocou sobre cada carteira, uma folha com desenhos de árvores, sol, rios, pássaros, tudo em branco, e no topo, tinha uma pergunta : "É num planeta assim que você quer viver? Ela leu a frase em voz alta, e depois de respondermos numa só voz que não, fechou dizendo mais ou menos assim: "Então, podem colorir do jeito que vocês quiserem, mas façam do planeta que está nas mãos de vocês, um lugar bem bonito. Essa folha é o planeta.". Aquilo foi bem emblemático para mim. E a outra passagem... eu gostava de escrever meu nome nas árvores usando pregos. A professora me disse que as árvores também sentiam dor, fiquei arrependido e nunca mais fiz. Inesquecível mesmo era quando ia ter a festa da primavera, nós alunos saíamos às ruas para conseguir donativos, prendas, alimentos não perecíveis, doações enfim, para festa do grande dia da escolha da RAINHA DA PRIMAVERA, tinha bailinho, e tudo mais. Para mim era excelente, além de ganhar pontos no boletim já que eu não era um primor de aluno aplicado, sair andando pelas ruas, sendo útil e me divertindo com os colegas ao mesmo tempo. Eu sempre com a camisa no ombro, ou na cintura. muito suado, as maçãs do rosto vermelhas de sol, falando o tempo todo ( como eu falava ), tocando as campainhas, às vezes vinha gente bem humorada atender, às vezes nem tanto. Mas eu não estava nem aí. Teve um dia que um cachorro quase me mordeu, cheguei muito perto do portão que era baixo... puxa, foi um susto. Tinha um escorregador numa praça que eu tinha que passar lá, nem que fosse para dar pelo menos uma escorregadinha, e os amigos gritando: "Anda, Carlos, tá ficando tarde, tá atrasando a gente". Quando chegávamos  com as mãos cheias, víamos que as professoras ficavam felizes, e aquilo para nós alunos, era tudo. E no dia da grande festa, no palanque, as mocinhas bonitas, bem vestidas, enfeitadas, desfilando no palco, embaixo a torcida, das mães principalmente... meninos assobiando, outros comendo. Uma algazarra do bem. E no final, como uma miss a vencedora do ano anterior passava a faixa à vencedora atual. MÁGICO! Um dia numa dessas festas, alguém escreveu uma faixa assim: A PRIMAVERA É A RAINHA!
Meu Deus! Como conseguiram acabar com tudo isso?

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

A FADINHA E O BRUXINHO - DANÇANDO NA PRAÇA

(imagem quararema.sp.gov.br )

No último conto, o Bruxinho e a Fadinha foram designados a se mudarem para o mundo dos humanos, pois, esses estavam destruindo a natureza de seu planeta, e sua missão era fazer  com que despertassem para a consciência da preservação. Um dia o Bruxinho percebeu a Fadinha meio tristinha:  "O que houve meu bem? Parece incomodada". Ela respondeu: "Sim, querido Bruxinho! Há anos viemos para esse mundo para tentar ao menos tocar o coração dos humanos, sobre a própria vida deles. No entanto, tenho saudades de nosso Reino Encantado. Sinto falta de tudo de lá". O Bruxinho disse: "Eu também, minha Fadinha. Mas nossa missão ainda não terminou, aliás, nem sei quando vai terminar. Veja lá fora quanta destruição". Ela entendeu em parte: "Sim... parece que não adiantou muito, mas a missão não terminou não por nossa culpa, fizemos a nossa parte. Andei lendo sobre a história daqui, e vi que um grande líder (Gandhi), desses que vêm do céu para deixar boas mensagens, disse que se você conseguir levar a paz ao coração de pelo menos uma pessoa, você terá melhorado o mundo. Assim é nosso caso, não conseguimos convencer a todos os  humanos, mas vários nos ouviram e cuidaram da natureza, e tenho certeza de que melhoramos esse planeta sim. Vamos falar com o Grande Mestre, talvez ele nos entenda, e nos deixe voltar". Ele concordou rapidamente, não discutia muito com ela: "Vamos tentar, meu bem". Sentados  em posição de yoga, de frente para o outro, de mãos dadas, mentalizaram e se sintonizaram com o Mestre, que os atendeu: “Pois não, meus amados. O que desejam?”. “Queremos fazer um pedido, Mestre”.  “Prossiga”, disse ele. O Bruxinho usou os mesmos argumentos que a Fadinha lhe havia exposto  anteriormente. O Mestre pensou, e respondeu:  “Tenho acompanhado o empenho de vocês, sei que não estava fácil, e não é justo passarem suas vidas distantes de seu Reino Encantado, esse sim, muito bem cuidado por vocês, e é lá que vocês são realmente felizes. Estão autorizados”. Depois de agradecerem , despediram-se do Mestre, e se abraçaram, mas sem perda de tempo, pegaram as crianças, deixaram  tudo para trás, e se dirigiram ao portal imaginário que só eles podiam ver, e que levava ao mundo mágico, onde se conheceram, se amaram, lutaram juntos e se casaram. Quando lá chegaram, viram que o Reino Encantado ainda estava lindo, muito bem zelado pelos duendes, pelos elfos e pelos súditos. Não podia ser diferente, foi grande alvoroço em torno deles; borboletas, passarinhos, outros animais, os duendes, súditos, todos enfim com grande alegria. Os filhinhos deles então, mais felizes ainda. O Bruxinho entusiasmado, falou:  “Isso merece uma festa no castelo". A Fadinha, meio discordando, levantou o dedinho ( nunca vi gostar de ser mandona assim), e decretou: "Eu não quero festa no castelo. Essa vai ser na praça central". O Bruxinho não entendeu nada: "Na praça? Como assim? Todas as festas foram no castelo". Ela reafirmou: "Pois vamos mudar dessa vez pelo menos, é uma ocasião especial. Vi uma festa assim lá no mundo dos humanos, e gostei. E nada de música clássica, balé, valsa, nada disso". É a libertação da mulher até no mundo encantado. O Bruxinho continuou sem entender, mas não era hora de discutir com a amada: "Bem... você sabe o que faz né, Fadinha?". A festa começaria na sexta-feira e duraria até domingo. E assim foi. Mas no decorrer da festa, a Fadinha estalou os dedos, e uma música diferente começou a tocar, e somente a Fadinha dançava com o Bruxinho meio atrapalhado, enquanto todos assistiam aquela dança diferente, engraçada para eles porque não conheciam, até que algumas amigas perguntaram:  "Fadinha amiga... de onde trouxe essa dança estranha? Parece gostosa de dançar". Sem largar o Bruxinho e muito assanhada, ela respondeu: "O mundo dos  humanos pode ser complicado, mal cuidado, mas tem umas coisas boas também... o forró  é uma delas. Essa dança se chama forró. Venham... peguem seus pares e dancem também". De repente a praça se transformou num grande salão ao ar livre, era um tal de bate  coxas, rebolados, uns aprenderam fácil, outros atrapalhados, o que importava era a alegria geral.  A Fadinha quase matou o Bruxinho de dançar...  e ainda tomaram umas caipiroscas nas barracas para namorarem mais tarde. E assim foi o retorno da Fadinha e o Bruxinho ao Reino Encantado.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

CONVERSANDO COM UM BEST SELLER



Esse é William Paul Young respondendo meus emails, sobre um texto que fiz inspirado no seu livro A CABANA. O texto é UM NOVO JEITO DE VER DEUS.  A CABANA é um livro controverso, cheio de polêmicas, principalmente religiosas. Pelo menos num ponto concordo de imediato com o livro, sem pestanejar: Deus pode estar numa mulher negra, num mendigo, ou seja, nas formas simples e improváveis. Para mim essa é a real visão de Deus.
Resolvi postar para vocês nossas falas por email, poderão ver que não foram, principalmente a última, respostas frias ou desinteressadas. Elogiado por um best seller. Show para mim. Coisas aparentemente pequenas, mas que nos deixam feliz. Logo  abaixo, os emails: 

==
On Thu, Jul 24, 2014 at 9:37 AM, CARLOS OLIVEIRA <gvpoeta@hotmail.com> wrote:

Hi As I said, I'm a Brazilian poet and did the text below inspired by his book THE SHACK. Congratulations on all success. I hope you enjoy the text. Leave a hug. 

You can answer in English, I translate
Thank you very much!
===

Tradução:
Oi Como eu disse, eu sou um poeta brasileiro e fez o texto abaixo Inspirado por seu livro A Cabana. Parabéns por todo o sucesso. Espero que goste do texto. Deixo um abraço.

Você pode responder em Inglês, eu traduzo
Muito obrigado!

----------------------------------------------------------------------
Thanks Carlos...just home and incrementally recovering from jet lag.
Blessings rich and full of grace
 Paul=
Tradução:
Obrigado, Carlos ... apenas em casa e gradativamente recuperando da fadiga de viagens por diversos fusos horários.
Bênçãos ricas e cheias de graça
  Paul
=

On  01-09
Dear Carlos,

Thank you for such a beautiful piece. Obrigado!!
Apologies that it took so long to respond...I have been on the road and my stacks are quite large upon my return.

I am going to print this and put it among my 'special' treasures.

Again, thank you!  You matter!
Grace sings your name

Paul
Tradução: 
Caro Carlos,

Obrigado por uma peça tão bonita. Obrigado !!
Desculpas por ter demorado tanto tempo a responder ... Eu estive na estrada e minhas atribuições são bastante grandes no meu retorno.

Vou imprimir isso e colocá-lo nos meus tesouros "especiais".

Mais uma vez, obrigado! Você é importante!
Graça canta seu nome
Paul

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

RECITANDO - NÃO CONTO MAIS ESTRELAS

video

Ainda criança contava estrelas pra brincar.
Se passava uma cadente
vinha logo na mente
um desejo pra pensar.
Coisas de menino
que desde cedo aprende a sonhar.
O tempo passou.
Meio criança,meio homem, andei contando estrelas pra esquecer
anseios e devaneios,afins e afãs.
Quantas vezes vi nascer as manhãs
contando estrelas pra esquecer!
Coisas de homem que não aprendeu a crescer.
Mas as lembranças eram tantas
que se confundiam com as tais,
por isso não conto mais.
Se passa uma cadente
não olho para o céu.
A poesia é meu único véu,
talvez resquício de uma infância
que insiste à porta bater
minha redoma contra ilusões.
Ilusões... pra quê tê-las?
Hoje não conto mais estrelas.
Nem pra brincar,nem pra esquecer.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

DAS MUITAS FORMAS DE DIZER “EU TE AMO”






( imagem  significados.com.br )

Mal surgiram os primeiros raios de sol, ele já estava de pé. Abriu a janela ouvindo passarinhos que já abriam o dia em coro, anunciando o início da jornada, uma repetição diária que nunca é igual, por isso é tão mágica, respeitando o relógio de Deus... e os controles de Deus. Depois da oração, espreguiçou saudando o sol à janela aberta, fez o café, preparou o alforje, pôs as coisas no cavalo que já estava preparado desde a véspera. “Vamos lá, amigão”, com tapinha carinhoso no lombo do animal. Antes de sair, voltou ao quarto, contemplou o rosto da amada que dormia em paz. Não quis despertá-la, disse  “eu te amo” em silêncio... e partiu, a viagem seria longa. Após algumas horas sentiu uma leve coceirinha atrás da orelha. Passou a mão, mas não achou nada. Mais alguns minutos e de novo a coceirinha. Passou a mão... e nada. Pensou: “Algum mosquito deve ter me picado”. E foi assim, por horas e horas a coceirinha voltava, ele passava a mão e nada. Por fim, apeou  do cavalo, tirou do alforje um vidro de álcool, passou e voltou à viagem. Mas de nada adiantou, a coceirinha voltava. Quando anoiteceu, parou para descansar, armou barraca, e deitado à beira de um lago, enquanto contemplava a lua cheia rodeada de estrelas coadjuvantes compondo um romântico cenário noturno, sentiu saudades da amada. Enviou à ela mentalmente um beijo e teve a sensação de que ela correspondera. E a coceirinha voltou atrás da orelha. Curiosamente, era uma coceirinha gostosa, não incomodava mais, mas queria saber de onde ela teria surgido, não havia um carocinho, nem sinal de picada. Por fim, entrou para a barraca e adormeceu... com a coceirinha. Mal começou outro dia, outra oração, outros pássaros, o mesmo sol obedecendo o relógio e os controles de Deus, e ele partiu novamente. Durante todo o dia a coceirinha não parava, ia e voltava. Quase no final da tarde chegou à  cidade, tão logo terminou seu trabalho, procurou uma farmácia. Entrou cumprimentando: “Boa tarde!”. “Boa tarde”, respondeu o farmacêutico. “Em que posso lhe ajudar?”. “O senhor tem remédio para coceira?”. O homem respondeu: “Tenho, mas preciso saber que tipo de coceira o senhor tem, senão posso lhe vender remédio errado. Posso dar uma olhada?”. Ele disse: “Pode sim. É  aqui na orelha.”, já virando as costas para o atendente. O homem examinou, examinou, passou a mão e disse: “Olha, moço. Aparentemente, sua orelha não tem nada. Tenho um remédio aqui. Quer levar assim mesmo? Pode não resolver”. Ele aceitou assim mesmo, procurou uma pousada, utilizou o  remédio várias  vezes, mas a coceirinha ia e voltava, a noite toda. Mais uma vez partiu muito cedo, e durante todo o retorno à sua morada, a coceirinha o acompanhou. Chegando em casa, abraçou e beijou a amada longamente, e depois de matar um pouco da saudade, comentou com ela: “Meu bem... viajei por quase quatro dias, com uma coceirinha atrás da orelha que nada fazia parar. Passei álcool, óleo, planta do mato, até na farmácia eu fui.. e nada adiantou”. Abraçada de ombros com ele, ela disse beijando seu rosto: “Seu bobo... essa coceirinha remédio nenhum tira”. Ele estranhou: “Como assim?”. Ela sorriu: “É uma coceirinha de amor. Enquanto você dormia, dei um beijinho atrás de sua orelha e falei: Esse é pra você não me esquecer”. Ele olhou no fundo de seus olhos: “Como vou esquecer se você faz parte do meu ser?”. E fizeram amor ali mesmo... no sofá... no tapete... na cozinha... no banheiro... na cama... foi amor espalhado pela casa toda. E adormeceram abraçados até que os passarinhos voltassem para anunciar um novo dia.