ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

quinta-feira, 6 de julho de 2017

CHAMA!


Vem com tua chama,
me chama para a cama, inflama
engole-me em teu vulcão
quero me encontrar na tua perdição.
Num labirinto do qual não quero mais sair;
só entrar,
até chegar a hora de a gente sorrir
nesse abraço, nesse laço
num gozo fatal.
Vem, meu bem, me faz imoral.
Vamos brincar de gangorra, de cavalgar, de vai e vem,
de entra e sai,
cúmplices nessa zorra, só nós dois, mais ninguém,
e pela noite a gente vai
é o desejo que determina,
e quando a gente pensa que termina
faz tudo de novo depois
e pede mais.. e mais.
Ah! Deliciosa essa chama que incendeia nossos ais!

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( imagem  google )

quarta-feira, 28 de junho de 2017

NOS TRILHOS COM DEUS!


Eu gosto muito de viajar de trem, seja por segurança, seja pela paisagem que eu gosto de apreciar desde criança, embora hoje depois do que fizeram com o Rio Doce, não me dá o mesmo prazer de olhar para ele, evito até de olhar. Há uns dois anos antes do desastre ambiental eu ia de BH para Ipatinga, e no meio do trajeto, saindo de uma cidade, o trem atropelou e matou um mendigo, isso atrasou a viagem em pouco mais de duas horas, até chegar perícia, polícia, socorro, representantes da empresa etc. A maioria das pessoas ficaram nervosas, impacientes, umas tinham compromissos, outras já são nervosas por si mesmas, e como o trem ficou desligado, a água de beber ficou quente, crianças chorando, os funcionários pedindo paciência a todos, quando uma senhora já meio idosa, sentada ao meu lado, mas no corredor, disse com voz meio forte: “Calma, gente. Pensem no pobre coitado que morreu. Nós vamos chegar em casa, atrasados, mas vamos... e esse coitado que nem casa devia ter? Isso pode ter sido um livramento para nós”. Troquei algumas palavras com ela concordando. Pois bem, a viagem seguiu, quando estávamos chegando a Ipatinga, nova interrupção; devido à fortes chuvas e ventos, uma árvore gigante havia caído, tomando os dois lados dos trilhos. O chefe do trem, foi passando pelos vagões, pedindo silêncio e informando: “ Mais uma vez peço paciência a vocês. A árvore que caiu é tão grande que dois homens não conseguem abraçá-la, será preciso guindaste para retirar, não dá para cortar com motosserra, vamos demorar bastante ainda aqui. Nós precisamos levantar as mãos para o céu e agradecer, pois, estive fazendo as contas, se a viagem estivesse no horário, o trem provavelmente seria atingido e quase certo que iria se descarrilhar, e seria uma tragédia. A vida daquele coitado salvou as nossas”. Nessa hora arrepiei, senti um calafrio demorado, dos pés à cabeça, lembrei-me do andarilho que talvez tenha morrido por nós. Era segunda-feira, e no domingo eu tinha visto um folheto da igreja com uma imagem de um mendigo deitado na sarjeta com a seguinte frase: “ERAS TU, SENHOR? ”. Já no domingo a imagem havia me tocado, mas não imaginei que voltaria à minha mente na segunda-feira, e de uma forma tão real, tão impactante. Passado o minuto de calafrio, olhei para o lado, aquela senhora estava me olhando, não sei por que, mas estava. Sorriu para mim, e disse: “Não falei? ”.
Provavelmente o mendigo não fez falta para ninguém, nem devia ter família, mas penso que ele foi colocado ali para salvar a vida de dezenas de pessoas. O trem que deveria chegar às 16:00h chegou quase 21:00h. Já deitado, lembrei-me do mendigo atropelado, e perguntei: “ “ERAS TU, SENHOR? ”
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( IMAGEM internet- youtube )

sexta-feira, 23 de junho de 2017

A MIRAGEM.


Havia pouca luz no local, mal distinguia o ambiente em que eu estava: era meu quarto?... um bosque?... um pântano?... uma montanha?... ou mesmo uma rua escura qualquer? Um beco? Um labirinto? Não havia bichos, não havia ninguém, só eu naquele cenário, nem mesmo sons, nem vento. Nem sol, nem lua. Era como se eu estivesse num imenso vácuo. Só sei que não sei por quanto tempo eu estava ali, podiam ser minutos, horas, meses ou anos, minha mente estava tão sombria quanto o lugar. Também nada doía, afinal, nada sentia, apenas me intrigava a imagem que eu vi, ou quase vi, pois não consegui definir nem mesmo os contornos, a forma daquela sombra que passava ali. Por ora tive sensações, impressões, minha respiração acelerou, meu coração disparou quando tentou se aproximar de mim, mas me afastei arredio, aí sim, tive um pouco de medo mesmo sem motivo aparente, deve ser porque era algo estranho para mim. Fechei os olhos por segundos e abri para ver se conseguia focar no que via. Nada feito, parece que ficou ainda mais confusa a imagem, parece que meu ato de fechar os olhos a fez se desistir de se apresentar a mim... e foi se afastando... afastando, até quase sumir. Devagar, e sempre muito confuso, eu também dei de ombros, e quando estava a uma média distância, olhei para trás, e num flash foi quando consegui definir a imagem: a miragem que eu vi era a miragem do amor. Tentei acenar, pedindo que voltasse, mas a essa altura já se perdia na curva do tempo. Tudo bem, perdeu-se na curva do tempo, mas deixou a sensação de que poderá um dia voltar, e eu sei que o tempo é um círculo, ou um ciclo, e tudo pode acontecer a quem crê, quem sabe nesse dia estarei mais atento, menos arredio, e aquele flash vira luz permanente resplandecendo no meu olhar.
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( google )

quinta-feira, 15 de junho de 2017

COISAS LINDAS DE VER...


A gente não pode perder,
são coisas lindas de ver:
Mar balançando
beija-flor pairando
sol partindo
lua surgindo
sorriso de mulher
menino brincando
povo com fé
poesias num mural.
Jhonny abraçando o Zé
em amizade geral.
Existe algo mais bonito que uma joaninha num pé de ipê?
E um vaga-lume zombando do escuro?
A felicidade é real,
mas não está no óbvio, no concreto, em algum objeto.
O material é inseguro, morre triste,
o espiritual persiste.
Existe um mundo muito mais profundo,
não é porque é invisível que não existe.
Feliz o que vê,
mas mais feliz é aquele que antes dele crê,
pois, nas viagens que fez,
esteve lá primeiro,
e sorri mais uma vez,
ao ver que o abstrato é de fato
mais verdadeiro.

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( imagem 1wallpeper.net )

sexta-feira, 12 de maio de 2017

TEU SEMBLANTE




Sob teu semblante eu nasci.
Eu chorei e sorri.
Adormeci e acordei.
Adoeci e me curei
Caí e me levantei.
Sob teu semblante eu fui à escola
depois de penteares meus cabelos.
Sob teu semblante tornei-me um rapazola.
Não temi pesadelos
ampliei meus sonhos
superei desafios
corrigi desvios
venci obstáculos
desvencilhei-me dos tentáculos da vida
sob teu semblante sempre risonho
consegui fazer minha vida divertida.
Um dia sob meu semblante partistes
fostes para o jardim de Deus de onde saístes,
mas em mim ainda existe,
uma alegria que Deus me deu;
é que dizem por aí
que meu semblante se parece com o teu.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

NÃO ERA APENAS UM RAPAZ LATINO AMERICANO



Não posso deixar de homenagear esse grande artista, cantor e compositor de primeira linha. Um dos compositores preferidos, ou o preferido de Elis Regina, admirado por ninguém menos que Sivuca, um monstro como maestro e instrumentista. Fez parte  da trilha sonora da minha juventude, não é a toa que tenho no meu pendrive umas dez músicas dele. Gosto de artistas diferentes, e esse misturou rebeldia, blues,  folk, poesia, filosofia, com uma autenticidade como poucos.  É difícil ficar falando de um artista tão diverso, tão múltiplo, tão polivalente. A primeira vez que o vi na tevê,  em 1975 ou 76 por aí, minha mãe ( sempre ela ) correu ao meu quarto. “Vem cá, Carlos Vem ver um moço bonito cantando na televisão, uma música tão bonita”. Era o Belchior cantando APENAS  UM RAPAZ LATINO AMERICANO.
Belchior, não foi apenas um rapaz latino americano,  foi um dos maiores poetas latino americanos. Isolou-se como os gênios fazem. Como dizia Raul Seixas: "Os homens passam, as músicas ficam". Ainda bem que pelo menos as músicas ficam. Morrer faz parte da vida, triste e irônico isso, a gente até entende, ou finge que entende, mas o pior é o que está ficando pra gente. Estamos ficando órfãos.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

OS LOUCOS ME AMAM!





Dizem que loucura e genialidade estão muito próximas, se separam por um fio tênue, invisível, mas é fato sim, na própria história tivemos gênios que destoavam dos padrões da sociedade, alguns até excêntricos. Na vida comum conheci alguns também. Há uns dois anos queria contar isso, até deixei para lá, mas ao rever o personagem na semana passada, não resisti. Tem um rapaz, quase vizinho, pouco mais velho que eu, que transita facilmente nos dois lados, é muito inteligente, debate qualquer assunto, mas tem uns momentos extremados de loucura, afora isso tem vida normal, até trabalha fazendo seus bicos. De vez em quando para, e falamos por longo tempo, sobre cultura geral. As perguntas quase sempre as mesmas: “Tem escrevido muito? Quando vai publicar mais livros para nós? ”. Eu respondo, e ele emenda: “Isso aí! A cultura não pode parar”. Quando não pode conversar, passa numa bicicleta antiga, enorme, com corpo reto, nem me olha, apenas levanta o braço e diz: “Olá, poeta. Como vai? ”. Dei a ele, livros de coletâneas em que participo, e também meu livro solo de poesias; ele considera uma coisa do outro mundo ser meu amigo, já que sou “um poeeeta, um escritoooor”, como ele diz, até levantando a voz. Fica lendo meus poemas e interpretando em voz alta perto de mim. Certa vez, aconteceu um assassinato ali perto, o corpo ficou estirado na calçada por umas duas horas, até que chegasse polícia, perícia, rabecão etc, uma cena horrorosa, que eu, claro, não fui ver, mas vi a pequena multidão em volta. De repente chegou a imprensa local, e Edvaldo logo interceptou a repórter: “Ô moça... ô minha filha, vai filmar tragédia não, vem entrevistar o poeta aqui, um escritor. Melhor que ficar mostrando uma coisa feia dessa aí”. Ela ficou meio surpresa, riu um pouco sem entender nada, mas seguiu. Ele não se conformou, segurou no braço do cinegrafista: “Ô rapaz, faz isso não. Tem cultura aqui”. O cara riu: “Você tá doido? Me larga, tenho que fazer meu trabalho”. Pois Edvaldo foi atrás, a moça teve um pouco de dificuldade para fazer a matéria, pois ele falava ao lado quase aparecendo na câmera. Por fim, ele desistiu, e voltou indignado para perto de mim com o mesmo assunto: “É por isso que esse Brasil não anda, preferem mostrar tragédia do que cultura. Eu fico nervoso com essas coisas. Deixar de entrevistar um escritor para filmar uma porcaria dessas”. Eu falei consolando-o e controlando-o: “Liga não, Edvaldo. Nós sabemos que é assim, sempre foi assim, e não vai mudar”. E ele: “Tá bom... mas eu não me conformo”.
Nem estou falando de mim, ou por mim, mas pensando bem, até que ele não está errado.
Como eu disse acima, já conheci outros como ele, até mesmo na infância quando conheci um que tinha mesmo problema sério de cabeça, mas gostava de mim... dos meninos da rua, somente de mim. Acho que OS LOUCOS ME AMAM.