ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

quinta-feira, 5 de maio de 2016

COISAS DA VIDA!



E assim a gente vai ficando mais órfão...
mais vazio
desnudo
mais frio
mais só
bem diminuto.
E contudo,
de repente o choro invade
de repente é saudade
de repente é luto
de repente um nó.
De repente a gente cala
a flor não exala.
é folha que cai
é amigo que vai.
De repente é despedida.
De repente é inverno.
Da fragilidade das coisas  da vida
só o sentimento é eterno.
=

Para meu cunhado falecido, Sebastião Rosa, vulgo Fiúta. Uma espécie de irmão mais velho, um protetor. Uma pessoa que jamais levantou a voz, que jamais disse um palavrão, que jamais recusou ajudar alguém. A pessoa mais mansa que eu conheci. Vá na paz, irmão, pois é a paz que você distribuiu a vida toda, e agora a terá no colo de Deus.

terça-feira, 3 de maio de 2016

FALA LÁ FORA!


Parece que o Brasil não se cansa de lances ridículos. Dessa vez foi a vez do investigado /julgador de impeachment ( mais um) Senador Ronaldo Caiado desafiando o Lindbergh Farias, chamando-o pra porrada lá fora. Quando era pequeno, era normal o menino falar dentro da sala pro outro: “Vou te pegar lá fora”... “Lá fora você vai ver”. Aí a gente ia, tinha sempre uma turminha incentivando: “Oba, vai ter porrada”.... “Pedra não, só na mão”... “Quem for homem cospe aqui primeiro”. Então a gente rolava na terra, batia, apanhava, sob os gritos da “plateia” em volta.
Puxa vida, eu torci muito para que eles fossem para a frente do Senado e rolassem na grama para acabarmos de virar piada lá fora. Imaginem a cena, mais de setenta Senadores da República gritando “porrada, porrrada” e os dois marmanjos rolando na grama: “O Lula é ladrão”... “Não é não, o Aécio que é”... “toma, coxinha”... “toma, petralha”.
Vou usar as palavras do ex Ministro Exmo Joaquim Barbosa, assistindo o circo do julgamento do impeachment na Câmara, referindo-se às dedicatórias dos deputados durante o voto. O Joaquim Barbosa disse: “É de chorar”.
==
Comparando meus tempos de criança com esse “fala lá fora” de agora, destaco três coisas. A primeira, assisti muitas brigas dos amiguinhos, embora eu só tenha brigado uma vez, mas se falasse mal de minha mãe, aí o bicho pegava, eu não queria nem saber se o outro menino era maior. E a outra coisa é que a gente brigava, mas na outra semana já estávamos jogando bola juntos. E no caso dos políticos, depois do impeachment em breve estarão fazendo falcatrua novamente, o impeachment é um mero detalhe, é um desvio de foco, é um boi de piranha para o restante da boiada passar... e tem cada boi graúdo. No meio dessa boiada estão passando despercebidos, a reforma política, a revisão do código penal e os verdadeiros e maiores corruptos. E a terceira é a mais triste, a sensação de que o voto da gente não vale nada.
=
( imagem monografias.brasilescola.uol.com.br )

sábado, 30 de abril de 2016

MINHA VISÃO SOBRE " O ROUXINOL E A ROSA " - DE OSCAR WILDE


Haveria um grande baile, um rapaz estudante enamorado por uma moça, pediu-a que no grande dia do baile dançasse com ele, todavia ela impôs uma condição: “Danço contigo, se me trouxeres uma rosa vermelha”. Desesperado, mas levado pelo amor que sentia, ele procurou muito a tal rosa vermelha, e não encontrando, prostrou-se em lágrimas no chão. “Nossa felicidade depende de coisas tão pequenas. Já li tudo dos grandes sábios, sei todas as filosofias, mas hoje estou infeliz porque não tenho uma rosa vermelha”. O Rouxinol, do alto das árvores, compadeceu-se do rapaz: “Finalmente, eis um que ama de verdade. Aquilo que eu canto, ele sofre; o que para mim é júbilo, para ele é sofrimento. Sem dúvida, o Amor é uma coisa maravilhosa. É mais precioso do que as esmeraldas, mais caro do que as opalas finas. Nem pérolas nem romãs podem comprá-lo, nem é coisa que se encontre à venda no mercado. Não é possível comprá-lo de comerciante, nem pesá-lo numa balança em troca de ouro".
O estudante continuava seu drama: "Os músicos no balcão, tocarão seus instrumentos, e meu amor dançará ao som da harpa e do violino. Dançará com pés tão leves que nem sequer hão de tocar no chão, e os cortesãos, com seus trajes coloridos, vão cercá-la. Porém comigo ela não dançará, porque não tenho nenhuma rosa vermelha para lhe dar”. O Rouxinol disse-lhe: “Terás a tua rosa vermelha”, e saiu em busca, de jardim em jardim, de roseira em roseira, mas nenhuma tinha rosas vermelhas, uma sequer, eram todas brancas e amarelas, e respondiam a mesma coisa: “Vá mais adiante, quem sabe minha irmã pode lhe atender”. Finalmente uma lhe disse: “Minhas rosas são vermelhas, mas um inverno impiedoso congelou minhas veias e queimou meus brotos, não terei rosas esse ano”. O Rouxinol insistiu: “Uma rosa vermelha apenas, é tudo o que preciso”. A roseira respondeu: “Só tem uma maneira. Terás de cria-la com teu próprio canto, tingi-la com o sangue do teu coração. Terás de cantar para mim, apertando o peito contra um espinho, a noite inteira, até que o espinho perfure teu coração e teu sangue penetre em minhas veias, tornando-se meu”. O Rouxinol por instantes ficou triste: “A morte é um preço alto por uma rosa vermelha, mas o amor vale mais do que a própria vida. E o que é o coração de um pássaro comparado ao coração de um homem?”. Voou de volta ao estudante: “Não chores mais, terás a tua rosa vermelha, vou criá-la com minha música ao luar e com meu sangue. Tudo o que peço é que ames de verdade, pois o Amor é mais sábio que a Filosofia, por mais sábia que ela seja, e mais poderoso que o Poder, por mais poderoso que ele seja”. Com a lua já alta o Rouxinol voou até a roseira e apertou o peito contra o espinho, cantava e apertava, cantava e apertava, o espinho cada vez mais cravando, o sangue lhe fugindo das veias, enquanto isso a rosa se abria linda, ganhava o tom vermelho de seu sangue. Absorvendo a vida do passarinho, a roseira exclamava repetidamente: “Aperta-te mais, pequeno Rouxinol, senão o dia chegará antes que esteja pronta a rosa". Quanto mais cantava, mais ele apertava, até que deitou-se totalmente sobre o espinho, seu canto soou mais alto em despedida, e por fim, nasceu a flor e morreu o passarinho. Em nome do amor. Tão logo amanheceu, o estudante abriu a janela e lá estava no quintal uma linda rosa vermelha, uma só, mas era a única que precisava. Colheu com carinho e foi até a pretendida: "Dissestes que dançarias comigo se eu trouxesse uma rosa vermelha. Eis aqui a rosa mais vermelha de todo o mundo. Tu a usarás junto ao teu coração, e quando dançarmos ela te dirá o quanto te amo". Ela repudiou: “Não vai combinar com meu vestido. E além disso, o sobrinho do Tesoureiro enviou-me joias de verdade, joias custam muito mais do que as flores". "Ora, como és ingrata", disse o Estudante, jogou a rosa na rua, a flor caiu na sarjeta, e uma carroça passou por cima. Antes de entrar, a moça ironizou: “Quem és tu? Apenas um Estudante. Creio que não tens sequer fivelas de prata em teus sapatos, como tem o sobrinho do Tesoureiro". Enquanto se afastava o estudante concluiu: "Que coisa mais tola é o Amor!". É bem menos útil que a lógica, pois nada prova, e fica o tempo todo a nos dizer coisas que não vão acontecer, e fazendo-nos acreditar em coisas que não são verdade. No final das contas, é algo muito pouco prático, e como em nossos tempos ser prático é tudo, vou retomar a Filosofia e estudar Metafísica".
===
===
Esse conto de Oscar Wilde é o mais perfeito e lindo que já li, e proporcionalmente o mais triste também. Gostaria de postá-lo inteiro, mas como as pessoas não gostam de textos longos, tentei resumir, espero não ter ferido a obra. Na verdade, resumir já é ferir.
Nesse resumo talvez tirado um pouco da beleza do conto, ele é muito mais intenso do que o que postei. Minhas observações são: O amor vale tudo isso? Vale a pena sangrar o peito no espinho por causa do amor? Existe o amor dos poemas, das canções, dos filmes, das serenatas? Até posso acreditar que sim, mas o mundo prático e materialista em que nos aprisionamos, talvez nos afaste das possibilidades. O amor não é mais sábio do que a filosofia, tampouco o amor é o mais poderoso dos poderes, ele é apenas o mais singelo, isso deveria fazer com que ele fosse o mais importante. Uma coisa é verdade, triste verdade, joias valem mais do que flores, as flores perecem, as joias não. O que devia ser eternizado na mente de quem recebe flores é a dedicação no ato do outro que lhe deu as flores, mas o brilho do ouro ofusca as boas intenções. Mas àqueles que buscam o ouro eu aconselho, cuidado, pode ser ouro de tolo. Eu não quero estar na moça que debochou do amor, e também não quero ser o rapaz que desistiu do amor, no fundo, eu acredito no amor que o Rouxinol acreditou, mas eu não sangraria o meu peito..
==
( IMAGEM http://thoughloversbelostloveshallnot.blogspot.com )

quinta-feira, 28 de abril de 2016

A POESIA É MEU CASTELO!




Tudo o que me serve
é essa verve
que dentro de mim ferve.
O rio que corre em minhas veias
deságua no mar do meu coração
que de volta bombeia
formando ondas de uma doce ilusão.
Meus castelos são tão belos... mesmo que sejam de areia.
Não importa,
eu tenho o dom da reconstrução.
A poesia é meu castelo,
é nela que eu quero morar.
É meu tudo, meu escudo
meu verbo, meu andar
meu canto e meu pranto,
meu jeito de lutar.
Tudo o que me importa
é  o que meu peito comporta,
abro as comportas e deixo jorrar...
rios de ternura,
ondas de doçura dessa  arte  tão casta.
Ainda que algo me faça triste ou me enerve,
a poesia  que em mim existe é o que me basta,
é  o que me serve.
==
Eu nunca perco o sono às 4h da manhã à toa. É a poesia me sacudindo: “Acorda, acorda... está na  hora de escrever”.
////


 ( imagem pt.forwallpaper.com )





segunda-feira, 25 de abril de 2016

SONHO OU UTOPIA?


Não dá para separar sonho e utopia.
Ambos são do dia a dia, 
da mesma querência.
A diferença é que a utopia
é o sonho elevado à última potência.
O único problema, é que se a utopia é um sonho maior,
a dor também pode ser maior.
Aprendi com os pombos:
Quanto mais alto voamos,
maiores são os tombos.
Mas aprendi também com a águia
a fazer o voo do recomeço.
Não que os sonhos devam ser medidos, eles não têm preço,
é que às vezes são tolhidos
pelos donos da incoerência , da maledicência.
Qual o tamanho do seu sonho? Só você sabe
e a ninguém cabe
dizer ou desfazer.
Seu sonho só você pode viver.
Se às vezes fui pombo atingido,
noutras, fui pássaro Fênix reerguido.
Fui águia renovada,
de plumagem velha arrancada.
Na minha peneira separei o joio do trigo
Fiz do sol meu amigo
para não ter meu sonho derretido.
Sou Ícaro atrevido!
///////////////////////////////////////////////////////////////////

Utopia é um termo mascarado que as pessoas usam como desculpa para tolher nossos sonhos.
=
A pior utopia que se pode ter é pensar que podemos ser felizes nesse estado de coisas, sem fazer algo diferente para mudá-las.
=
Acalente seus sonhos e ele o acalentará. É recíproco, você não vive sem seu sonho, ele não vive sem você.

“ As maiores transformações na história da humanidade nasceram de utopias”. ( Entre aspas porque a frase não é minha )
////////

( imagem barbafeita.com )

sábado, 23 de abril de 2016

EU TIRANDO ONDA DE SHAKESPEARE - UM “ROMEU E JULIETA" DIFERENTE.





( Quebrando meu silêncio para homenagear o grande Shakespeare e ao mesmo tempo recordar um de meus textos favoritos e que inclusive está no meu livro )
===

Dona Zelina era uma alegre professora de educação artística na sexta série. Ela adorava pintura. Sua frase
preferida era: “Vocês cansam minha beleza”. Eu gostava muito daquelas aulas coloridas, todo mundo falando ao mesmo tempo. Eu nunca soube desenhar direito. Meus desenhos eram basicamente, uma casinha com chaminé, um riacho, uma nuvenzinha rindo, um sol surgindo por trás dos montes e uma vaquinha pastando. A professora falava: “Você está sendo repetitivo. Tente criar outro tipo de desenho”. Um dia, de brincadeira, fiz o mesmo desenho, porém com duas vaquinhas. Ela disse: “Não estou vendo nada de diferente”. Retruquei: “Tem sim, agora existem duas vaquinhas, a fazenda está crescendo”. Ela
riu: “Pelo menos no humor você foi criativo. Vou te dar um sete por isso”. Na semana das crianças, foi organizada uma gincana cultural entre as salas, e teria apresentação de palhaços, teatrinhos, dança, coisas regionais, folclore etc. Nem éramos tão crianças, tínhamos entre 13 e 16 anos. Eu, 14. Tinha um rapaz, que deve ter virado artista, pois na época era muito bom no que fazia. Ele faria teatro de bonecos, fantoches, marionetes, desses que se fica escondido manipulando e fazendo vozes. Nossa sala seria a última na sexta-feira e depois o encerramento. O rapaz escolheu Romeu e Julieta, mas teve um pequeno acidente e não
poderia representar. Dona Zelina, endoidou: “E agora, gente? O que faço? Vai ser feio cancelar. Colocar o quê no lugar?”. E assim, cada um ia dando sugestão, umas engraçadas, outras malucas, outras boas, mas nenhuma se aproximava da intenção da festa. Dona Zelina preocupada: “Nada disso serve. Tem que ser o teatrinho ou algo parecido, pois foi anunciado assim. Vocês não conhecem alguém que saiba fazer? Eu pago. Está tudo prontinho, o cenário, vai ser uma pena não ter”. E começou a andar pela sala, mãos nos quadris. Ela amava o que fazia. Senti certa tristeza em seu olhar e talvez isso me tenha feito dizer uma loucura, numa atitude impensada: “Eu sei quem faz”. Ela levantou a cabeça. “Quem? Apresenta para mim”. “Eu”. Entre feliz e surpresa, perguntou: “Sabe mesmo, Carlos? Espero que não esteja zombando de mim”. Sei sim, ‘fessora’, é só decorar o texto, mudar as vozes. Só preciso treinar a manipulação. Sou bom de
memória”. Ritinha, uma menina magrinha, disse: “Ele deve saber sim, ‘fessora’. Ele é poeta, né?”. Dona Zelina veio se aproximando devagar, olhando-me, apontando o dedo. “É verdade, tem a ver, arte é arte. Tem certeza mesmo, Carlos, que pode salvar a pele da professora mais querida e linda da escola?”. “Deixe comigo, ‘fessora’”, piscando para ela. “A senhora é linda mesmo. De boniteza nessa escola, a senhora só perde pra mim”. Riso geral, com direito a algumas vaias. Sentada ao meu lado, falou: “Menino, você merece um beijo”. E estalou um beijão na minha bochecha. Adoro ganhar beijo na bochecha. Passei dois dias decorando, manipulando na frente do espelho, treinando vozes. Não vou negar que fiquei preocupado. Era coisa nova para mim, nunca tinha feito e era muita responsabilidade. A escola inteira estaria lá. Felizmente
deu tudo certo. Meu teatrinho ficou legal. Só que mudei o final. O romance termina com drama. Pensei: “Dia das crianças terminar em drama? As pessoas vão estar ali para sorrir e não para chorar”. No meu texto, fiz o amor dos dois reconciliando as famílias. Antes perguntei à professora se podia alterar daquela forma. “Você pode tudo, menino. Com uma pequena observação. É um tipo de plágio, hein?”. Balancei o dedo. “Não, é uma alternativa. É um direito de sonhar que as coisas vão terminar sempre bem. Quem sou eu para plagiar Shakespeare, um gênio, mas não gosto de Romeu e Julieta, porque morrem no final. Prefiro um ‘viveram felizes para sempre’. Custava as famílias fazerem as pazes e deixarem o casal namorar? Então o ódio venceu?”. Ela ponderou: “Mas foi esse toque de tragédia que fez a obra ficar tão famosa”. “Eu sei,
tragédias vendem mais. A maior obra literária de todos os tempos é uma tragédia”. Ela riu, mas aconselhou: “Cuidado com esse mundo que você visualiza dentro de você. O desengano pode ser grande”. “Fique tranquila, eu manipulo esse mundo melhor do que fiz com as marionetes” Ela finalizou: “Não vou discutir com meu geniozinho poeta, o que importa é que ficou muito bom”. No ano seguinte, eu iria para o turno da noite. No fim do ano, quase saindo no portão, me chamaram. Olhei e era ela: “Vai embora assim, sem me dar um abraço?”. “Desculpe ‘fessora’, é que não gosto de despedidas”. Segurando meu rosto, fixando nos meus olhos, falou: “Desculpo não. Não tive a felicidade de ter um filho rapaz. Tenho três moças que amo. Mas se tivesse um filho rapaz e eu pudesse escolher, ele seria você. Pode ter certeza que você é sim, o mais lindo da escola”. Abaixei a cabeça, pois fico tímido nessas situações. Com muito custo consegui falar: “Mas a senhora também é pessoa boa”. “Sou nada, sou uma velha chata. Ser bom não é para qualquer um. Ser bom é muito difícil. Seja sempre esse rapaz reto, conciliador, culto, interessado pelas pessoas que você vai
ser muito feliz”. Levantou meu queixo pedindo: “Dá um sorriso pra mim”. Tentei... mas não consegui. Nos abraçamos demoradamente. Sua última frase antes de eu sair foi: “Você não precisa aprender a desenhar, você já é uma pintura, Deus te abençoe sempre”.