ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

RECITANDO - NÃO CONTO MAIS ESTRELAS

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Ainda criança contava estrelas pra brincar.
Se passava uma cadente
vinha logo na mente
um desejo pra pensar.
Coisas de menino
que desde cedo aprende a sonhar.
O tempo passou.
Meio criança,meio homem, andei contando estrelas pra esquecer
anseios e devaneios,afins e afãs.
Quantas vezes vi nascer as manhãs
contando estrelas pra esquecer!
Coisas de homem que não aprendeu a crescer.
Mas as lembranças eram tantas
que se confundiam com as tais,
por isso não conto mais.
Se passa uma cadente
não olho para o céu.
A poesia é meu único véu,
talvez resquício de uma infância
que insiste à porta bater
minha redoma contra ilusões.
Ilusões... pra quê tê-las?
Hoje não conto mais estrelas.
Nem pra brincar,nem pra esquecer.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

DAS MUITAS FORMAS DE DIZER “EU TE AMO”






( imagem  significados.com.br )

Mal surgiram os primeiros raios de sol, ele já estava de pé. Abriu a janela ouvindo passarinhos que já abriam o dia em coro, anunciando o início da jornada, uma repetição diária que nunca é igual, por isso é tão mágica, respeitando o relógio de Deus... e os controles de Deus. Depois da oração, espreguiçou saudando o sol à janela aberta, fez o café, preparou o alforje, pôs as coisas no cavalo que já estava preparado desde a véspera. “Vamos lá, amigão”, com tapinha carinhoso no lombo do animal. Antes de sair, voltou ao quarto, contemplou o rosto da amada que dormia em paz. Não quis despertá-la, disse  “eu te amo” em silêncio... e partiu, a viagem seria longa. Após algumas horas sentiu uma leve coceirinha atrás da orelha. Passou a mão, mas não achou nada. Mais alguns minutos e de novo a coceirinha. Passou a mão... e nada. Pensou: “Algum mosquito deve ter me picado”. E foi assim, por horas e horas a coceirinha voltava, ele passava a mão e nada. Por fim, apeou  do cavalo, tirou do alforje um vidro de álcool, passou e voltou à viagem. Mas de nada adiantou, a coceirinha voltava. Quando anoiteceu, parou para descansar, armou barraca, e deitado à beira de um lago, enquanto contemplava a lua cheia rodeada de estrelas coadjuvantes compondo um romântico cenário noturno, sentiu saudades da amada. Enviou à ela mentalmente um beijo e teve a sensação de que ela correspondera. E a coceirinha voltou atrás da orelha. Curiosamente, era uma coceirinha gostosa, não incomodava mais, mas queria saber de onde ela teria surgido, não havia um carocinho, nem sinal de picada. Por fim, entrou para a barraca e adormeceu... com a coceirinha. Mal começou outro dia, outra oração, outros pássaros, o mesmo sol obedecendo o relógio e os controles de Deus, e ele partiu novamente. Durante todo o dia a coceirinha não parava, ia e voltava. Quase no final da tarde chegou à  cidade, tão logo terminou seu trabalho, procurou uma farmácia. Entrou cumprimentando: “Boa tarde!”. “Boa tarde”, respondeu o farmacêutico. “Em que posso lhe ajudar?”. “O senhor tem remédio para coceira?”. O homem respondeu: “Tenho, mas preciso saber que tipo de coceira o senhor tem, senão posso lhe vender remédio errado. Posso dar uma olhada?”. Ele disse: “Pode sim. É  aqui na orelha.”, já virando as costas para o atendente. O homem examinou, examinou, passou a mão e disse: “Olha, moço. Aparentemente, sua orelha não tem nada. Tenho um remédio aqui. Quer levar assim mesmo? Pode não resolver”. Ele aceitou assim mesmo, procurou uma pousada, utilizou o  remédio várias  vezes, mas a coceirinha ia e voltava, a noite toda. Mais uma vez partiu muito cedo, e durante todo o retorno à sua morada, a coceirinha o acompanhou. Chegando em casa, abraçou e beijou a amada longamente, e depois de matar um pouco da saudade, comentou com ela: “Meu bem... viajei por quase quatro dias, com uma coceirinha atrás da orelha que nada fazia parar. Passei álcool, óleo, planta do mato, até na farmácia eu fui.. e nada adiantou”. Abraçada de ombros com ele, ela disse beijando seu rosto: “Seu bobo... essa coceirinha remédio nenhum tira”. Ele estranhou: “Como assim?”. Ela sorriu: “É uma coceirinha de amor. Enquanto você dormia, dei um beijinho atrás de sua orelha e falei: Esse é pra você não me esquecer”. Ele olhou no fundo de seus olhos: “Como vou esquecer se você faz parte do meu ser?”. E fizeram amor ali mesmo... no sofá... no tapete... na cozinha... no banheiro... na cama... foi amor espalhado pela casa toda. E adormeceram abraçados até que os passarinhos voltassem para anunciar um novo dia.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

" PRA VARIAR, ESTAMOS EM GUERRA ".


Assim , Elis Regina cantava nos anos 70, e hoje eu repito,  " pra variar, estamos em guerra ". Não falo da guerra  da Ucrânia, ou de Israel e Palestina, as atuais bestialidades humanas, eu falo das guerras  travadas todos os dias pela sociedade. Estamos no meio de muitas guerras...  simultâneas. As guerras que nascem dentro de cada um, e que em vez de destruir  o opositor, destroem os dois lados... ou melhor todos os lados, pois nossa metralhadora da ignorância não escolhe alvos, deseja detonar a todos, e no final, somos detonados também,  somos atingidos de volta, ou atiramos no próprio pé. Alô, alô, Marciano, venha rápido, faça alguma coisa, porque para variar, estamos em guerra. Brancos contra negros... sulistas contra nortistas... muçulmanos contra ocidentais... católicos contra protestantes... partido político contra partido político... filhos contra pais... irmão contra irmão... heteros contra homos e vice-versa... polícia contra bandido...  tem até polícia contra polícia... qualquer um contra qualquer um... todos contra  todos... e ninguém por ninguém. Dizem que o homem é um animal que só consegue viver em sociedade. Que sociedade, se somos regidos pelo egoísmo? Se somos movidos pela frieza de sentimentos? Que sociedade, onde o “ter”  está acima do “ser” ? Sinto muito, tenho outro conceito de sociedade, e vai além da materialização da felicidade. Instauramos uma selva de pedra, selva lembra animais, mas não gosto de citar os animais quando falo do homo sapiens. Os animais não têm nossa “inteligência”, agem por instinto, matam somente para comer, isso é da cadeia alimentar, por mais que nos impressione ver um tigre devorando uma gazela. Simbolicamente falando, tantas vezes vemos um homem devorando o outro na rotina do dia a dia, e não nos impressionamos mais… Por quê?  Porque já é normal no modelo de sociedade que construímos, fazer o mal, ver o mal, fechar os olhos para o mal e seguir em frente pelas avenidas, mesmo que o luxo e o lixo passem pela mesma esquina. Lixo mental, lixo espiritual, lixo social. As guerras armadas, as que derramam sangue, nada mais são que as guerras de egoísmo de cada um, potencializadas, afloradas, levadas às vias de fato. As guerras já existem dentro da gente, gostamos de guerras, infelizmente. Gostamos de guerras desde os primórdios dos tempos. Caim matou Abel já naquele tempo, e não havia carro do ano, telefone celular, avião, tevê por assinatura, posses enfim, e o irmão matou o outro por inveja. Abel foi a primeira vítima da inveja na história da humanidade. Começamos ali e nunca mais paramos, e nessa Torre de Babel, só há uma certeza:  a sociedade não é para todos... mas o abismo é um só.  “Alô, Marciano. Down down down na high society”.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

PEQUENAS COISAS QUE FALAM AO CORAÇÃO




Uma joaninha matando a sede,
numa gota de orvalho em uma folha qualquer.
Um olhar de criança.
Um velho deitado na rede falando de esperança.
Um sorriso de mulher.
Um casal de pardais no alto da árvore se beijando.
Uma mãe orando
e o filho olhando com fé.
Amigos que chegam, apertos de mão.
Ah... como são grandes as pequenas coisas!
Cabem na palma da mão,
mas preenchem o coração,
são elas que nos trazem calma

nos aconchegam, apascentam a alma.
Olho no espelho, e ele me diz:
A grandeza das coisas não está na quantidade,
mas na intensidade.
Meus Deus! Como é fácil ser feliz!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS - O FILME... O MEU FILME,

SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS- O FILME   ( recordando junho/2010 )
Esse é um filme no qual sempre estive inserido , mesmo sem nunca ter assistido. Assisti agora há uns três meses, mas passei anos procurando em locadoras, tentando baixar na internet, pedindo amigos... e nada. Como digo sempre, a poesia que sempre é boazinha comigo, um dia me proporcionou a dádiva de ver esse filme. Chamo de dádiva, sem exageros, ou com exageros, como queiram, porque o filme é tudo que penso. Quem me acompanha com atenção, entende porque o exagero e porque estava inserido nele. Acabei assistindo num momento improvável, olha o improvável aí de novo. Foi numa noite de insônia, exatamente quando liguei a tevê, vi lá.  "Sociedade dos poetas mortos". No elenco ninguém menos que Robin Williams, que já fez outros filmes belos como "Patch Adams, o amor contagia" ( esse também é de chorar), "Bom dia, Vietnam" e outros tantos, mais de cinquenta.
Um professor (Robin Williams) nada convencional, na contramão do ensino ortodoxo, austero, padronizado como viseira de burro, começa a ensinar aos alunos, jovens ávidos por novidades, um novo jeito de se fazer poesia. Mais que isso... viver a poesia... ser a poesia na acepção da palavra. De cara, ele põe sobre cada mesa um livro de um grande autor, totalmente padronizado literariamente, clássico, que não dá direito ao leitor de pensar. Manda que abram em certa página, onde está ressaltada justamente essa limitação de pensamentos, o não à liberdade de se expressar, conforme seu coração deseja. Pede que leiam alto e quando terminam, diz:  "Rasguem". Depois dos olhares estupefatos, os alunos começam a gostar da ideia e... rasgam mesmo. O professor diz mais ou menos assim:  "A partir de hoje, a poesia mudou. Nada de convencional. A poesia é você. É muito mais que se sentar atrás de uma mesa e colocar coisas no papel. Poesia é jeito de ser. De se movimentar. Poesia se faz toda hora. E ela não tem regras, a não ser a sua própria sensibilidade". Levava os alunos para o pátio e mandava que andassem até certo ponto". Os alunos caminhavam. Depois, o professor dizia: "Agora caminhem, da forma como vocês gostariam de caminhar". O alunos iam de novo, e todos caminhavam diferentes um do outro, mais soltos, desinibidos, e por isso mais felizes. Por quê? Porque até o direito de andar é padronizado, é preciso andar certinho, corpo alinhado, seguir modinhas". Um dos alunos, que resistia ao método, resmungou algo baixinho. O professor pediu que ele expressasse sua desaprovação, sua raiva, com o novo método, mas de voz alta. Oaluno disse em voz alta. Mas o professor, insiste: “É pouco, fale com mais raiva. Cadê a sua raiva, sua expressão?". Com certeza, houve grande resistência da diretoria da escola e até dos pais e da sociedade em si, porque quando há um poder dominante, as viseiras são gerais. O final, não foi exatamente com eu queria, pois devido à resistência da sociedade, vi a arte sendo assassinada. E tudo que o rapaz queria era representar. Lá em cima, falei que sempre estive inserido no filme, porque quem me conhece, sabe que sempre pratiquei o ensinado pelo professor, o CARPE DIEM, que é viver o momento, aproveitar as coisas, o que se tem na mão, viver o hoje e acima de tudo, não fazer só poesia no papel, mas vivê-la. Passei e passo minha vida dizendo isso às pessoas. Sei que sou retórico, meus poemas e textos, estão sempre falando de liberdade, não da liderdade física que também é importante, mas também da liberdade do pensamento, de expressão, principalmente se você tem um dom. E acho que todos têm. A imaginação é a única coisa que ninguém  pode nos tirar. Quando tiram é porque você deixa.  Entendo , se vejo uma placa “entrada proibida”, compreendo e acato, respeito esse limite físico, mas a liberdade de pensamento não, essa é só sua, repito... ninguém pode lhe tirar. Ah, já ouvi tanta coisa boa por isso: "Por isso é bom falar com poeta, a gente sempre sai com astral pra cima". Já ouvi críticas também, fazem parte, mas minha consciência a quem devo primeiro satisfações, essa está sempre tranquila. Há uns meses, teve apresentação poética em praça pública e como outros amigos poetas, fui convidado. Chegando lá, não avisado de que seria um sarau, vi que recitavam poemas  de grandes mestres da literatura. Muito numa boa, eu não quis recitar. Questionado, respondi:  “Carlos Drummond de Andrade e Mário Quintana não precisam de mim. Já são grandes por si. Eu quero dizer o que eu tenho a dizer. Eu tenho material e opinião a mostrar. Eu tenho minha poesia e é ela que eu quero recitar. Se não puder, prefiro não participar”. Mas fiquei ali assistindo, achei tudo muito bonito, essas coisas não me chateiam. Aproveitei para bater bons papos na praça que estava linda, noite agradável. Afinal dou sempre um jeito de extrair algo de bom de qualquer momento. Sigo meu CARPE DIEM. E por mais que haja resistência, os poetas não estão mortos, porque eles sim... são a verdadeira resistência.
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Nota do autor: Esse texto acaba sendo hoje uma homenagem a esse grande ator ROBIN WILLIAMS.  Puxa vida... como a arte tem perdido esses dias!

domingo, 10 de agosto de 2014

AURA


Eu tenho uma aura em mim
Que me protege, que me rege
Que me veste, me reveste,
me contorna,
e me adorna,
tornando-me tão belo assim.
É tão resplandecente o brilho violeta que essa aura faz.!
Eu tenho em mim uma aura de paz!

Aonde vou com essa aura

a harmonia se instaura,
não há conflito, nem atrito
tudo de negativo se desfaz.
Eu carrego comigo uma aura de paz.!

Eu tenho uma aura que me acompanha
do alvorecer ao adormecer
que me faz capaz de subir a montanha
para que o horizonte eu possa ver,
e assim, melhor entender
o verdadeiro brilho da cruz
de um certo Messias chamado Jesus.
Eu tenho em mim uma aura de luz!