ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

MEU MUNDO


Amigos. Acredito que alguns de vocês esperavam que eu fizesse um texto de fim de ano. É normal, é legal fazer, já até fiz no ano passado. Todos fazem. Mas não quis fazer, acho que seria repetitivo falar de planos, sonhos, etc. Acontece que os anos que não planejei foram melhores que aqueles em que me enchi de planos. Num resumo geral, o ano de 2009 foi muito bom para mim. Alguns percalços sim, uns tropeços, uns vacilos, mas pior que perder é não tentar. “A pior luta é a que não se luta”. Por isso aprendi ao longo dos anos deixar as coisas fluírem mais, acontecerem mais naturais, ao invés de tentar mudar o curso delas e assim, enfrentá-las tal qual elas se apresentam. Para isso a gente tem que estar forte. Muito pior eu já passei, sem perder o bom humor e a fé, embora muitas vezes tenha corrido pro quarto. Muito mais importantes que o que colhi, foram as sementes que joguei para o ano que se anuncia. Aí vão me perguntar. “Mas você disse que não planejou. Está maluco, poeta?”. Planejei algo sim. Não de forma material. As pessoas não acreditam quando falo ou até pensam que minto e isso me magoa muito. Hoje estou um pouco triste, talvez seja coisa de fim de ano. É impossível não fazer uma pequena reciclagem nessa época. Eu não planejo um ano. A minha vida é toda planejada emocionalmente ao longos de meus quarenta e poucos anos. E parece que em 2010 vou colher tudo que plantei, não só em 2009, mas também... 2008... 2007... 90... 80.. 75...70. Bem... acabei fazendo um pequeno texto . Esse EU, esse meu mundo esquisito sem deixar de ser divertido, esse jeito que às vezes eu mesmo não entendo e que permite pessoas que nunca se viram ou que nunca me viram, de épocas distintas, me dizerem: “Você é diferente”. Ontem mesmo ouvi isso de uma mulher quase desconhecida, com quem até então havia trocado no máximo umas três ou quatro palavras, um “olá” na rua. Nem sempre ser diferente significa ser melhor, nunca almejei isso. Talvez a minha diferença seja que eu não tenha meio termos, não sei esconder ou fingir sentimentos. Estou sempre tentando amenizar situações. Mas ser diferente é bom, a gente é mais visto, mais falado, mais procurado. Se estou nas rodas como estive neste fim de ano, fica um monte de gente à minha volta, e eu dando verdadeiras “entrevistas” sobre meu trabalho e poesia. Me perguntam se isso me incomoda e eu digo que é um prazer.Gosto que falem comigo, gosto de ouvir as pessoas, até sinto falta disso. Ah, eu gostaria de viver uns trezentos anos. Esse é meu mundo, complicadinho... mas amo. E necessito ser amado a todo instante.
Meu coração está dizendo: FELIZ ANO NOVO A TODOS! FIQUEM COM DEUS!
///
MEU MUNDO

Meu mundo é simples, mas é composto...
de versos e diversos.
Por trás de minhas lentes
não há somente meus olhos e meu rosto
há todo um universo, controverso sim
e me dá gosto desafiar os “NÃO” que dizem pra mim.
Meu mundo...
que sabe ser melodia, harmonia
sem seguir nenhum ritmo a não ser o da emoção.
Ainda que não bata direito
o que trago no peito não é um relógio, mas um coração...
impulsivo, abrasivo... e compreensivo.
Meu mundo é único, mas nunca exclusivo,
cabe tanta gente.
Se mente, não é por mal.
Arranco a semente do que é banal.
Parece irreal...
mas é palpável, tocável
apenas gosto de brincar com o abstrato,
me cansei da selva de concreto
e faço do meu sonho... um fato.
Meu mundo é completo, repleto
parece um parque de diversões
muito embora, às vezes se feche
se perca em desilusões.
É por isso que eu brinco de Fênix, de Ícaro e de Narciso
pra recomeçar, pra de novo voar
ainda que corra o risco de derreter a cera sob o sol
ou de me afogar nesse lago
em busca de um simples afago,
mas não desisto de um arrebol.
Ainda bem que meu mundo tem muitas faces
por isso todo dia ele renasce.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A VERDADE SOBRE A FÉ


( imagem ulnxlabs.files.wordpress.com)
Vamos terminar o ano rindo para começar o novo ano também rindo. Recordando mais um texto. Até a vaquinha riu... rs rs
///
Quando criança, havia no bairro um senhor chamado Bemvindo. Mentirooooso! Dizia que já tinha lutado com onça e ainda mostrava os arranhões. Que já segurou uma sucuri na mão. Que rolou num barranco com uma criatura que nem sabia o que era. Ele tinha certeza que acertou o tiro quando a fera corria, pois jamais errara um tiro, mas a bala não lhe fez nada. Um dia contou que viu um objeto estranho brilhando no céu quando se barbeava no quintal. Eu falei: “Será que não era sua careca refletindo no espelho?”. A molecada riu. Ele riu também, me dando um cascudo leve. “Me respeita, menino”. Hoje penso que ele só gostava mesmo de ficar fantasiando essas coisas para as crianças e se divertia, e nós também. Os meninos sabiam que eram mentiras. Era normal alguém dizer: “Vamos lá no Bemvindo ouvir umas mentirinhas?”. Quando ele morreu um menino disse: “Você sabia que o Bemvindo morreu?”. Alguém respondeu: “Mentira!”. Mas gostava de contar casos também, bem à mineira. Um dia ele contou esse... sobre a fé.
Um viajante, exausto por cavalgar por vários dias, avistou uma belíssima fazenda e resolveu pedir pousada. Chegou à porteira, bateu palmas várias vezes, até que um senhor que parecia ser o dono e era, veio atender. “Pois não”, disse com cara de poucos amigos. Ele tirou o chapéu. “Boa tarde. Senhor, estou cansado, cavalgando há dez dias, tenho fome e sede. Preciso de um banho, um prato de comida e umas horas de sono. Não aguento mais um minuto em cima desse cavalo. Parto antes que o galo cante”. O fazendeiro respondeu: “Sinto muito. Acho que não posso ajudar. O senhor não veio num bom momento. Minha melhor vaca está para parir... e vai morrer. Já recusei proposta alta por ela e hoje pagaria o dobro do que recusei, para salvá-la. O estranho perguntou: “O senhor tem fé?”. “Como assim? Claro que tenho fé. E o que tem a ver uma coisa com a outra?”. Ele respondeu: “É que sou um rezador, conheço orações poderosas e estou certo de que posso salvar sua vaca”. O fazendeiro se enfureceu: “Olha aqui, forasteiro. Se pensa que tem bobo aqui e quer me enrolar em troca de pernoite, o senhor pode dar meia volta”. Meio assustado, segurou as rédeas, mas insistiu: “Calma, vou embora. Mas pense bem... o senhor tem escolha? O que custa me deixar tentar? Se a vaca morrer, além dela, só vai perder um prato de comida, o que não é nada para quem tem uma fazenda tão grande”. O fazendeiro coçou o queixo, a cabeça e disse: “O senhor espere um pouco aí”. Foi lá dentro, falou com a mulher e filhos e voltou minutos depois. “O senhor tem razão. Não tenho muita escolha e resolvi lhe dar um crédito de confiança. O senhor pode apear e entrar”. Descendo do cavalo, foi logo falando: “Mas é preciso ter fé”. Passando a porteira, pediu logo feno e água para o cavalo. O empregado que ouvia, providenciou logo. Chegando na sala, cumprimentou a todos, discretamente é claro, pelo clima de velório. Depois de tomar muita água, perguntou: “Onde está a vaca?”. “Me acompanhe”, disse o dono. Toda a família foi junto. Chegando no celeiro, lá estava a pobre vaca agonizando. Não tinha mesmo muitas horas de vida. Ele pediu: “Preciso de um pedaço de pano, tesoura, agulha e linha. E também um pedaço de papel e uma caneta”. De imediato o homem falou: “Vamos logo, mulher. O que está esperando?”. Rapidinho ela foi e voltou com o material. O estranho sentou, escreveu algumas linhas, dobrou o papel, colocou num saquinho que fez com o pano, e costurou a boca do mesmo. Depois de pendurar o tal saquinho no pescoço da vaca, pediu licença: “Agora gostaria que saíssem, pois tenho uns rituais e preciso ficar sozinho”. Prontamente atendido. Ficou lá dentro uns dez minutos e saiu: “Bem, agora é esperar. Mas é preciso ter fé. Se não se importa gostaria de tomar um banho, comer um pouco e dormir, pois parto bem cedo. Atendido. Tomou um longo banho, comeu como um rei e dormiu como criança. Partiu tão cedo que ninguém o viu. No raiar do dia, ouviu-se um grito: “Pai, pai. A Estrela pariu e está salva. Ela está boa. Corre pai”. Todos se levantaram às pressas, mal vestiram as roupas, se acotovelaram para entrar no celeiro. Lá estava Estrela. Bela e imponente como sempre, branquinha, cheia de manchas pretas, sendo uma no meio da testa, lambendo, dando os primeiros tratos de carinho ao seu bebê. “Que maravilha”, um falou. “É um milagre”, exclamou outro. O fazendeiro abraçou a vaca: “Como eu gostaria de pagar àquele moço pelo que fez, mas como não posso, que Deus o acompanhe sempre”.
A partir dali, todas as mulheres grávidas da região, principalmente as que tinham complicações, pendurava o saquinho no pescoço e os partos corriam normais. Até mesmo quem não tinha complicações, usava, só de precaução. O saquinho milagroso ganhou fama mais e mais. “Engravidou? Manda buscar o saquinho”. Andavam léguas e léguas com ele. Porém saquinho pra lá, saquinho pra cá, saquinho viaja, saquinho volta, saquinho ganha beijo... com o tempo foi estragando, abrindo, rasgando, até começar a aparecer a ponta do papel. Pois um curioso (sempre tem que ter um curioso, quis ler a poderosa oração.
E leu. Eis a ‘milagrosa’ oração: “Tendo água e capim pro meu cavalo. Cama e comida para mim, quem pariu, pariu. Quem não pariu, vá pra puta que o pariu”. Ou seja. Era a fé daquelas pessoas que salvava suas vacas, suas cabritas... e suas mulheres. Não um pedaço de papel contendo uma baboseira. Independente se o forasteiro queria apenas dormir e comer e não estava nem aí para a vaca, ele acabou dando a eles um bom conselho: “É preciso ter fé!”.
Esse texto cabe muitas interpretações, religiosas, filosóficas e claro, de humor. As idéias são livres e respeito, mas eu me centralizo em uma: A fé é uma coisa muito pessoal.
Desculpem pelo palavrão, mas não tinha outro jeito de contar sem perder o sentido.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

EM SUAS GARRAS




( imagem gooble )
Ah, mulher!
Que as suas garras me arranhem
me assanhem.
Que tuas pernas sejam amarras
me prendam,me ganhem
Que o teu vão onde docemente me encaixo acenda meu facho.
Que atice em mim meu jeito sagaz
Que desperte meu desejo mais voraz
Que teu seio seja minha sede e minha rede.
Não seja apenas mulher... seja felina.... e seja menina.
Não seja apenas uma chama... seja vulcão
incendeie a cama com seu tesão.
eu também não serei apenas um homem,
mas um turbilhão de doces sensações
e todas as vergonhas somem
quando os quadris ditam as vibrações
Ah, mulher!
Fale tudo que quiser,
faça tudo que é gostoso
eu lhe dou, você me dá
e a gente se mistura nesse gozo

MEU NATAL

Vou fazer um agradecimento conjunto aos amigos. É que dei uma desligada desde o dia vinte e quatro. Mas li todos os comentários com atenção e carinho. Meu natal foi um dos mais tranqüilos e com boas surpresas. Meu irmão que havia passado por uma cirurgia delicadíssima em janeiro, finalmente foi liberado para viajar após longa recuperação e veio pra cá. Encontrei uma senhora que posso dizer que foi minha mãe aqui na cidade, me amparando e acolhendo em sua casa logo que cheguei. Felizmente, quando tive condições, conforme prometido, pude ajudá-la a melhorar sua casinha. Hoje já é um casa ótima com terraço e tudo. Revi também seu filho Josias, um amigo com quem morei juntamente seu irmão antes de vir pra cá. Não o via há uns quatro anos. Lembro até hoje. “Mãe. O Carlos está indo para Valadares. A senhora deixa ele ficar lá na casa da senhora até ele se acertar?”. E ela. “Claro, amigo de meu filho, trato como filho”. E dentro do possível sempre foi assim. No mais algumas visitas de amigos , algumas festas e confraternizações quase todos os dias. Mas tudo bem moderado. Desta vez não tomei anticoncepcional. Nem fui tosquiado. Feliz por estar de volta. Um grande abraço a todos. Saudades dos amigos blogueiros

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

A ESTRELA BRILHOU...


( imagem raizculturalblog.files.blogspot.com )
A estrela brilhou no oriente!
Anunciem a toda a gente
que é uma estrela diferente
tão brilhante, soberana e altiva
que todos podem vê-la.
Vamos seguir a estrela.
É a estrela de um Deus-menino
de um menino-Deus.
É o brilho de um rei manso, sem espadas
que vem irmanar, igualar
carregar pecados e dores e ainda perdoar.
Rendam homenagens do oriente ao ocidente
tragam perfume e incenso
para celebrar o brilho intenso da estrela.
E ainda que outros reis não queiram,
é a força de um Deus...
ninguém pode detê-la!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

UMA PÉROLA NEGRA

Recordando mais um texto, em clima de natal.
///
Uma de minhas qualidades é a memória, principalmente afetiva. Lembro-me de coisas de minha tenra idade que meus familiares e amigos mais velhos até se assustam com a riqueza de detalhes. E assim...como esquecer de Dona Maura? Lá em Ipatinga, cidade até então, pode-se dizer, começando a nascer, minha família foi a segunda a mudar-se para o bairro. A família de Dona Maura foi a primeira. Eu ainda era bebê de colo. Mas quem é Dona Maura? Uma negra, gorda demais, simpática, sorridente, com uma família tão numerosa como a nossa. E pobre também, mas nem por isso, menos feliz. Ah... e com uma voz afinadíssima. Como esquecer... ela batendo o pedal da velha máquina de costura, cantando...” como é que papai Noel, não se esquece de ninguém. Seja rico, seja pobre, o velhinho sempre vem...” . Logo ela tão pobre. Eu, com minha cabeça de poetinha ficava tentando entender e ficava até torcendo para que ela cantasse, não só essa, mas também... “se essa rua, se essa rua fosse minha, eu mandava, eu mandava ladrilhar...” ou “ o cravo brigou com a rosa, debaixo de uma sacada...”. Incrível o tom lírico-triste-romântico que ela impunha àquelas cantigas.
A casa dela era uma festa da garotada. Não bastassem os seus tantos filhos, entre eles, Jaiminho, meu amigo até hoje que anda sumido, mas não esquecido, a garotada espalhada, sentada no chão, assistindo desenho animado. Como esquecer o dia em que ela tentando passar no meio da gente disse: “Quantos meninos! Que meninada, bonita! Quem dera se fossem todos meus! Como esquecer, quando alguém lhe perguntava: “Puxa vida, Dona Maura, como a senhora aguenta todos esses pirralhos o dia todo aqui?”. E ela, com suas bochechas negras, rechonchudas e brilhantes, respondia: “Deixe os meninos. Que mal eles podem me fazer? São apenas crianças. Melhor uma casa bagunçada que uma casa vazia”.
Como esquecer dos doces que ela fazia. Quebra-queixo. Doce de mamão. Doce de cidreira. Adorava comprar jabuticaba que acabava num piscar de olhos. Eu lambia os beiços quando chegava sentindo cheirinho de alguma delícia. Fazia deliciosas comidas salgadas também. Quando alguém dizia que comer isso ou aquilo fazia mal ou era pecado, ela respondia na calma. “O mal é o que sai da boca do homem”.
Eu costumo dizer que o tempo é covarde, mas nas coisas do coração o tempo não me venceu, pois ainda guardo na memória essas passagens. Guardo tanto que voltei à velha casa de Dona Maura, agora mais velha, mais gorda, igualmente negra, igualmente pobre e igualmente feliz. Lá não mudou muita coisa. Algumas paredes sem reboco, umas flores na frente, portãozinho de madeira, o mesmo muro meio quebrado. A velha máquina de costura, encostada num canto, parece cantar sozinha... “se essa rua, se essa rua fosse minha...” Claro que as crianças não são as mesmas, mas a sala dela ainda está cheia. Agora são netos, bisnetos e outros meninos. Os antigos, de meu tempo, cresceram. Eu, talvez nem tanto, pois me vi ali sentado de novo no meio daquela meninada.
Abraçado a ela, perguntei-lhe se se lembrava de tudo aquilo e ela me soltou mais uma pérola: “Claro que me lembro. Vocês são meus eternos meninos”.

Se recordar é viver... hoje estou mais jovem e mais vivo.
/////////////////////////////////////////////////
Carlos Soares de Oliveira 29/03/2008.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O AMIGO DO PATETA


( imagem google )
Já que é natal, vamos falar de amizade. Estou repetindo este texto de 2008.

Conheci Marquinhos em 1988, quando foi trabalhar no aeroporto, mas não ficou muito tempo lá, talvez um ano. Fez cursos de radiologia e foi trabalhar num hospital onde está até hoje. Era amigo de todas as horas. Das gandaias, do futebol, dos problemas. Moleque que só ele, ria até de velório, mas quando precisava, puxava a orelha também. Apesar de eu ter muitos amigos, era o único pra quem eu deixava minha mãe me acordar. Se bem que não adiantava muito. Alguns outros invadiam meu quarto, desobecendo minha mãe e me acordavam. Éramos tão inseparáveis que alguns nos chamavam de Mickey e Pateta. Eu, mais alto, era o Pateta. Desligado, despretensioso, atrapalhado, mas bonzinho. Além disso, ele vivia dizendo que eu só o colocava em enrascadas, lembrando o Pateta das estorinhas, que se mete em confusões e não está nem aí, segue a vida. Só que eu não era tão sonso como o personagem. Lembro de um dia em que sentados no meio-fio de minha casa, me disse: “Estou bêbado demais, não sei como vou montar nessa moto. Eu disse tomando a chave dele. "Você não vai sair daqui de moto. Pode ficar com raiva, até me bater que não deixo". Ele custou a responder, mas tropeçando nas palavras, pediu: "Então você guarda aí pra mim. Mas você podia ir até em casa comigo que estou muito mal". Eu disse. "Claro". Depois de guardar a moto nos fundos fui acompanhá-lo. Passavam das 3 horas da manhã. Demoramos a chegar, morava num morro terrível, asfaltado, mas bem a pique. Cheguei em casa umas quatro horas, nem podia deitar, pois teria que levantar às cinco para pegar a kombi às seis.Se deitasse, não acordaria. No outro dia, no trabalho, me agradeceu, não só por tê-lo levado, mas principalmente porque lhe tomei a chave. Respondi. "Não precisa agradecer. PRA QUÊ SERVEM OS AMIGOS. TENHO CERTEZA DE QUE VOCÊ FARIA O MESMO".
Desde que mudei de cidade, eu só o tinha visto por duas vezes. A terceira foi em 2.004, quando fui passear na casa de uma de minhas irmãs. Acordei com uma leve dor de cabeça, tomei um remédio, mas eu não imaginava que era alérgico. Comecei a sentir meu olho meio inchado, mas seria normal, já que acordei tarde. Senti um formigamento nos lábios também. Deu vontade de deitar de novo, dormi mais de uma hora. Quando acordei, percebi meu olho esquerdo totalmente tampado. Meus lábios também incharam muito. Vendo no espelho uma imagem grotesca, gritei minha irmã. Ela se desesperou, correu comigo para o hospital.
Chegando lá, o caos fazia minha cabeça doer mais. Gente esbravejando contra o atendimento, criança chorando, gente chegando na maca. Comentei com minha irmã. “Está piorando”. Aí ela foi mais uma a brigar no balcão, mas não adiantou muito. Tinha que esperar, não teve jeito. Encostei a cabeça no colo dela de olhos fechados. Quando de repente ela disse. “Cal, aquele ali não é o Marquinhos? Com dificuldade abri o olho que me sobrava e disse: “É ele mesmo”. Minha irmã não pensou. Correu até ele, “Marquinhos, Marquinhos. Você lembra de mim?”. “Hummm... deixa ver. Você é Adélia, irmã do Cal?”. “Sim, graças a Deus encontrei você aqui”. Respondeu pronto. “Se eu puder ajudar. E ele? Está tudo bem com ele?”. Ela. “Que nada, por isso que estou aqui. Ele está ali encostado na parede”. Chegando perto ironizou como sempre: “Cara, onde você tomou desta? Aguenta a mão aí”. Foi lá dentro, trouxe uma cadeira de rodas e me levou.
Deram-me duas injeções e um comprimido na boca, e me deixaram duas horas em observação. Quando a doutora veio me checar, tirar pressão, olhar fundo de olho e tudo mais, Marquinhos já estava lá. Como se fosse um enfermeiro, ajeitando meu travesseiro, me oferecendo água e perguntando como estava minha vida. Ela encostou. Talvez vendo o carinho e atenção com ele me tratava e o empenho para que eu fosse atendido rápido, emendou ao meu amigo. “Ele é seu irmão, Marcos?” Marquinhos me olhou fixo uns 5 segundos e respondeu olhando pra ela, de forma bem frisada: "Sim ele... é meu irmão". A doutora deu um sorrisinho de ternura, de canto de boca, achando bonito ele chamar de irmão o velho amigo. “Pronto, irmão do Marcos. Você está liberado. Só não pode dirigir”. E saiu.
Depois que me vesti, apertei a mão dele com minhas duas mãos e agradeci. “Obrigado por tudo, cara”. E ele. “PRA QUÊ SERVEM OS AMIGOS? TENHO CERTEZA QUE VOCÊ FARIA O MESMO. E vê se não me dá mais trabalho, seu Pateta”.
No final do corredor dei uma última olhada para trás, lá estava ele me olhando. Fiz um aceno de mão, dando tiau para meu irmão.Desses irmãos que o destino nos arruma.

sábado, 19 de dezembro de 2009

HOMENS

Homens fazem a história
com vergonha ou com glória
com sangue e paz.
Meio Criador,meio criatura.
Presa e predador.
Guerra e amor.
Acima de tudo sonhadores.
E jogando a moeda do cara e coroa,
do bem e do mal...
veja tudo que eles fazem:

Adão
Caim
Pilatos
Guevara
Napoleão
Lennon
Mozart
Nero
Bush
Saddam
Salomão
Evita
Gandhi
Hitler
Judas
Tiradentes
Jesus Cristo…

...e entre eles por que não?...Carlos.

Lá vão eles mundo afora
desde os tempos de outrora
semeando bombas e amores
colhendo feridas e flores.
Ora precisos, ora indecisos
Ora santos, ora nem tanto
Ora risos, ora pranto.
Compondo sua história,
fortes e fracos,
mas,ainda não sabem dizer
se são homo sapiens ou simples macacos

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

DIAMANTE


( imagem thumbs.dreamstime.com )
Se até os diamantes precisam ser lapidados,
se até a flor mais linda tem espinhos,
por que eu seria perfeito?
Se o rio corre torto pro mar,
eu também posso chegar, não importa o jeito.
Então me deixe ser assim.
Buscar a perfeição é o maior defeito.
O arco-íris é lindo, mas apenas enfeita o céu;
não existe pote de ouro, o maior tesouro está em amar .
Seja o que tiver, eu aceito, mas só quero o que mereço,
pois, também só ofereço o que posso dar.
Perdoe meu coração mais noturno que a própria noite.
Obscuro, soturno nesse açoite de timidez.
Que me aquieta. E me inquieta.
Entenda minha forma doce de egoísmo
de querer ser o centro de você... de tudo... do universo.
Repare nos versos que ando a escrever;
falam de mim, mas nas entrelinhas está você.
Desculpe meu olhar perdido, distante
Desculpe meu jeito menino,
talvez a alma seja gigante.
Desculpe se eu choro, se demoro
pra chegar, pra sorrir.
Talvez eu seja um diamante
e o melhor brilho ainda esteja por vir.

Desejo para mim e meus amigos a verdadeira lapidação, a melhor evolução, a da alma, o rejuvenescimento espiritual, sem os quais toda e qualquer discussão para melhorar o mundo, será inútil. Que todos viremos bebês.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

GRÁVIDO, EU?


( imagem google )
Lá vem o Carlos de novo.Mas eu gosto de contar essas coisas. Ainda estou pensando se conto outras. Eu não parava, gente. Todo dia tinha um fato.
Havia uma funcionária da cantina de nome Nice, acho que se mudou para São Paulo. Forrozeira até a última raiz do cabelo. Já era quarentona. A maioria das pessoas que iam às festas em sua casa tinham essa faixa de idade. Sendo assim, eu e Marquinhos, novinhos, éramos os galãs. Claro, tinha menininha também. E que festas! Saía barato, todo mundo levava algo. Chegávamos lá sábado de dia e só voltávamos no domingo já bem à noite. Um dia comi e bebi demais. Calorão doido, churrasco, vaca atolada, cerveja e caipirinha, não podiaM dar certo, né? A festa ficava melhor quando a maioria ia embora, aí só restavam umas dez ou doze pessoas. Modéstia à parte eu era o centro, era um bom contador de piadas. Certa hora comecei a sentir febre. Avisei Marquinhos no meio do bate papo, no terreiro, ele não deu bola. “Que nada.Você não é menino pra ter febre. Isso é cachaçada. Passa água no rosto, molha a cabeça”. Peguei a mão dele e pus na minha testa. Ele preocupou um pouco e mandou que Nice arrumasse um colchão pra eu descansar um pouco. Ela atendeu. Adormeci e um tempo depois todos estavam à minha volta, batendo no meu rosto para acordar. Nice falou. “O Cal está ardendo em febre”. Aí começaram as especulações. “Está é de ressaca”. O outro grita. “Vamos levar pro hospital que o cara está mal”. O outro, que com certeza tinha conquistado alguém, não concordou. “Ah, não. Hospital vai acabar com nossa noite. Õ Cal, deixa de ser ‘empata ’. Levanta daí”. ‘Empata’ pra quem não sabe, dependendo da região alguns não conhecem a expressão, é quando alguém está atrapalhando algo, principalmente um namoro. Um outro ainda grita. “Toma mais uma que sara”. Nice disse. “Eu tenho remédio pra febre. Se não melhorar, levamos ele ”. E me deu. O tempo passou, mas a febre não. E começaram a me dar vários remédios. Só diziam: “Abre a boca”. Eu abria e jogavam lá dentro. E nada de melhorar. Dá um banho frio nele. Deram de mangueira lá fora. Nada. “Passa álcool na testa”. Um engraçadinho brincou. “Não. De álcool ele está cheio”. Alguém me defendeu. “Não é nada disso. Comeu demais. Eu falei para ele parar de comer”. Nice resolveu. “Tem jeito não.Vamos levar pro hospital. Até que Carmem que estava calada até então, interferiu. “Deixa comigo.Tenho um remédio aqui que é tiro e queda . É levanta defunto. Bom pra tudo. Dor de cabeça, febre, indisposição, stress, insônia. Não dou quinze minutos e ela vai estar bom. Eu não ando sem esse remédio”. E me deu. Eu já estava agonizando. Mas estava gostando também, não nego. Dengo é comigo mesmo. E foram para fora. Dormi talvez uns trinta minutos. E não é que ela estava certa? Todos lá fora tocando violão, cheguei à porta com braços abertos. “Cadê o churrasco, cambada?”. Todos gritaram de início, mas perguntaram surpresos. “Você está bem mesmo, Carlos? Porque do jeito que você estava. Ô Carmem, esse remédio é milagroso mesmo, hein? Qual nome dele?”. Ela respondeu. “Tem um nome quase inglês, não sei falar, vou pegar aqui na bolsa”. E enfiou a mão procurando. “Uai. Cadê o remédio? Uma cartela cheia. Será que perdi? Perdi não, tenho certeza. Ainda no quarto, eu pus na bolsa”. E vasculhou a bolsa mais umas três vezes, tirou aquele monte de coisinhas que mulher leva na bolsa e tirou a cartela. Ficou contando uns buraquinhos da cartela numerada de 01 a 30. E começou a rir. Riu. Riu ... e riu. Ninguém conseguia fazê-la parar. Não aguentava mais rir. Quando finalmente conseguiu recuperar a respiração me abraçou de ombros. “Cal. Eu não lhe dei o remédio que pensei. Você tomou anticoncepcional, amiguinho”. Claro, gozação geral, piada em cima de piada. Tive que aguentar zoação a noite toda. Mas não sou bobo, levo na esportiva, senão piora, e falei. “Dizem que ‘de bêbado não tem dono”. Pelo menos se aconteceu algo, eu não fiquei grávido”. Na verdade aquilo se espalhou por toda a semana no trabalho e pelo bairro todo, porque Marquinhos deu um jeitinho de espalhar. As pessoas chegavam, punham a mão na minha barriga e diziam. “Deixa eu ver se engravidou. Não. O remédio era bom mesmo”.
Simples coincidência. O coquetel de remédios que foram me dando deve ter me sarado e não o anticoncepcional.
Para os amigos não se preocuparem, hoje só tomo cerveja, pouca e quase sempre nos finais de semana. Vaca atolada também moderada. O pique já não é o mesmo.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

HÁ UM FOGO EM MIM


( imagem escritasvermelhas.files.wordpress.com )
Há um fogo em mim
que não se acende sozinho
é preciso o estopim
para incendiar meu caminho.
Há um fogo em mim meio carente
ansioso por ser reluzente.
Eu sou um facho de luz que precisa de toque,
com um choque ele vira clarão.
Preciso acender meu coração,
iluminar meu peito
que não aprende direito
não perde o costume de ser vaga-lume,
brilhando de qualquer jeito,
que não domina seu medo.
Ah, o amor tem um segredo
que eu ainda não sei desvendar.
É isso que torna tudo tão escuro.
E se eu bater de frente com o muro?
Quem poderá clarear?
Mas eu não sou tão triste assim
porque a minha esperança
é justamente o fogo que há em mim.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

POEMA DE EXALTAÇÃO À MUSA


( imagem zecarlosmanzano )
Bem amigos, neste final de semana, andei lendo um pouco de poesia cláasica, medieval, poemas de exaltação à musa, bem teatral, shakesperiana, de platonismo mesmo e resolvi "brincar" com isso( no bom sentido) e tentei fazer algo parecido. Me corrijam por favor


Oh, musa adorada!
Doce namorada.
Já tens morada no meu sonho vindouro.
Na cor verde dos olhos teus
encontrei a esperança, a bonança, meu tesouro,
vieste lapidada das minas de Deus.
Mataste o passado estando ao meu lado
És presente, és amanhã.
Tens o toque mais fino
que a mais fina lã.
Se a musa ama o poeta,
o poeta é teu fã.
Oh, musa adorada!
Minha alma enamorada te canta
exalta, agiganta
espalho poesias aos teus pés
e por mais que te conheça
ainda não sei dizer quem és.
Mas sei que és...
mais que Joana D’arc, Mona Lisa ou Helena.
És mais que Madonna! És minha dona.
Com teu jeito de menina serena
tornas tudo claro numa noite confusa
por isso elevo-te
porque o poeta não é maior que a musa.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

FUI BUSCAR LÃ... E VOLTEI TOSQUIADO


( imagem google )
Gosto de observar as pessoas simplórias. Acho que são mais felizes. Eu também gostaria de não pensar muito. Digo que são mais felizes porque não veem a maldade ao seu redor, não percebem ambição, nem inveja. Ah! A inveja: prima irmã do ódio. Mas vamos falar de coisas engraçadas. Já citei aqui um ex chefe, mas não falei do seu lado extremamente gozador. Era sagaz, nos pegava sempre desprevenido com charadas e pregava várias peças, como interceptar a Kombi lá na curva, com almoço dos funcionários, cujas marmitas eram personalizadas, mas ele trocava as etiquetas com nomes. Vez em quando alguém ligava para fornecedora. “Pôxa. Já falei mil vezes que não gosto de quiabo”. Fora que de vez em quando comia a carne de alguém. Eu sabia que era ele e mesmo sabendo, eu também caía nas suas. Um dia entrei na cantina, fui fritar um ovo pra comer com pão e enquanto eu flertava com ZEZÉ, funcionária, ele perguntou. “Posso temperar o ovo pra você?”. Respondi que sim, ele saiu, esperei esfriar um pouco e quando fui comer... argh. Ele tinha colocado açúcar. Fui até a sala dele pra “xingar”, o danado trancou a porta e ficou lá escondidinho. Às vezes olhava-o afastando pelo saguão, imitandi o andar da pantera-cor-de- rosa ( tem hífen?). Um dia me pegou totalmente envolvido datilografando coisas( poesia como sempre) e veio com ar sério. “ É, poeta. Já sou cinquentão. A gente pensa que já viu de tudo na vida, mas vai vivendo e aprendendo. Vi uma cena ontem que jamais havia imaginado”. Parei tudo já impressionado. “Que foi? Conta logo”. Continuou. “Não sei se devo”. Apelei. “Ah não. Começou, termina”. Fez mais um leve suspense. “Vi seis policiais tentando algemar um cara e não conseguiram”. “Nossa”, admirei. “O cara devia lutar kung fu, karatê”. E ele. “Não, seu pato. Não tinha os dois braços, era deficiente”. Depois de me zoar, disse. “Pega a Mundica”. Mundica era uma das faxineiras, essa sim, simplória de tudo. Solteirona, morava sozinha com a mãe doente. Tinha uns problemas de nervos, depressão e quando estava assim, modéstia a parte, só eu e Zezé, podíamos falar com ela. Brincava assim com ela. “Mundica, você anda muito nervosa. Namora comigo que vai ficar bem calminha. Eu já moro sozinho mesmo”. Fez logo o Nome do Pai. “Você está doido, menino? Primeiro que você já tem namorada, que é a Zezé e gosto muito dela. Segundo, que é muito novinho e não sou papa anjo. E depois, que é muito enrolado. Pra arrumar enrolado, fico sozinha”. Algumas vezes ia das noites direto pro trabalho, punha mão no nariz dela, dizendo. “Cheira minha mão, Mundica”. Aí eu podia correr porque o rodo vinha nas pernas. “Sai pra lá, seu porco”. Era só brincadeira, a mão estava limpa. Quando Zezé terminou comigo, ela tentou interceder numa conversa entre elas. Disse que eu era moleque, mas um “moleque adorável”. Que minha inconsequência não fazia mal a ninguém. Que gostaria de ser igual a mim, pois deixara muitas coisas passarem na vida. Coitada, ela não sabia que eu também deixei. Zezé me falou isso depois, foi um término sem traumas e ficamos bons amigos. E eu também não era assim tão inconsequente. Nunca faltei a um dia de trabalho. Só era meio inconstante com a vida, porque ela também foi comigo, por isso de vez em quando esnobei mesmo essa roda gigante.... ou seria montanha russa? Bem, cheguei até ela. “Mundica. Se eu contar uma coisa você ai ficar de queixo caído. Estou chocado!”. Estressada como sempre, pôs logo a mão no coração. “Fala logo, menino. Dando susto na gente”. Enrolei um pouco e depois de deixá-la bem nervosa,
falei. “Ontem vi oito policiais ( aumentei o número) tentando algemar um rapaz e não conseguiram”. A reação foi igual à minha. “Nossa! Então ele era bom de briga, hein?”. Respondi no ato. “Não, bobona. Era deficiente, não tinha os dois braços”. E quando me preparava pra gargalhar, me cortou. “Que covardia! É por isso que não gosto de polícia. Não perdoam nem um pobre dum deficiente”. Fui desfazendo meu sorriso, meio perdido, ficando sem graça. Acabei rindo de mim mesmo. Até hoje uma dúvida me acompanha. Será que ela na sua simplicidade não entendeu a piada e assim desmontou minha astúcia? Ou foi mais esperta do que eu pensava e me deu o troco? Ou ainda... será que o tal chefe já não a havia prevenido de que eu faria a pegadinha? Contei pra ele, ele me zoou demais, mas jurou que não. De qualquer forma, fui buscar lã e voltei tosquiado.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

AMOR & SEXO


( imagem google - incommunseries.com )
Hoje vou atender a sugestão de uma amiga: Claudete ( viaspercorridas.blogspot.com). Aproveito e agradeço a ela por me confiar um assunto tão complexo e já tão falado. Não sei se vou acrescentar alguma coisa. Adianto que não sou especialista didaticamente falando, não sou um sexólogo, portanto não sou autoridade no assunto. Então se não sou, acabo sendo livre para dar minha opinião, não é mesmo? Claro que vou tomar alguns cuidados, primeiro para não parecer prepotente, afinal não sou nenhum Don Juan, sou muito normal, e segundo, para não ficar piegas demais. Ela sugeriu isso a partir de minha postagem anterior, “DE TODAS AS FORMAS DE AMAR...”, da relação e diferenças entre fazer sexo e fazer amor. Como ela mesmo disse e acho que todos concordam, muita gente confunde e mistura. Misturar até pode porque no ato se misturam , só não pode confundir. Até os insetos fazem sexo. Vez em quando vejo um mosquitinho agarrado na mosquitinha. Os animais agem por instinto e assim fazem somente sexo. Eles não fazem amor. Mas tem muita gente, gente mesmo, pessoa, homo sapiens que fazem só sexo e não amor. Com o agravante de que não agimos por instinto como os bichos. Temos juízo para discernir, pensar, amar, considerar. Ou seja, se fazemos sexo de qualquer jeito é por frieza mesmo, imediatismo, falta de sensibilidade. Para mim, friso de novo, é apenas minha opinião, fazer amor começa logo de manhã, não necessariamente com o ato, claro, se tiver o ato melhor ainda, mas começa num “bom dia”, num afago, num gesto simpático com a pessoa amada, tratando-a com bom humor, dando a preferência para escovar os dentes, enfim pequenos gestos que vão se repetindo durante o dia, na hora do almoço, no café da tarde, mutuamente, homem e mulher se ajudando em busca de um prazeroso ato sexual à noite. Pronto. Estamos no ato sexual. Os homens, alguns, têm tendência ao egoísmo e se preocupam apenas em se aliviarem. Não se preocupam com a amada, se ela será e foi feliz durante o ato. Se ela sentiu dor. Se naquele dia ela estava à vontade. Deitam por deitar. Transam por transar. Eu não imagino um ato sexual sem um monte de carícias antes. Assim como a mulher, o homem precisa gostar de ser tocado, descoberto. Fazer amor é brincar debaixo do chuveiro. É deixar cair o sabonete de propósito e os dois rirem juntos. É inventar coisinhas, mas respeitando os limites do outro. Fazer amor, em todos os dias tem que ser como se fosse o primeiro dia. Como se o corpo da pessoa amada, fosse sempre uma ilha a ser descoberta, explorada e agora essa ilha é só sua. Tem que ter entrega e que nessa entrega haja uma balança igual de querer, de estar, de ser do outro ao mesmo tempo escravo e dono. Sim, escravo e dono na acepção da palavra. Ali o mundo se resume em duas pessoas. Não há nada mais incrível e mágico do que um casal fazendo amor em sua plenitude. E que se misturem suor, perfumes e sorrisos. Eu chamo isso de um “empate” de tesão. Tem que haver esse empate. E o êxtase? O momento final? É o topo. É como a descida final de uma montanha russa. Só que esses calafrios são bons. No momento do êxtase acontece uma energia química sem medidas, algo quase elétrico. Um turbilhão de sensações. Nenhum sexólogo ou poeta saberá descrever. Mas tudo isso tem que ser com amor, porque fazer amor, tem que ser pra deixar saudades. Tudo isso sem amor deixa uma sensação de algo mal realizado, incompleto, um vazio. Fazer amor é uma das formas mais sublimes de celebrar a vida, de gozar a vida. O trocadilho foi de propósito. E o tesouro maior, a melhor conquista do homem é olhar no rosto dela e ver um sorriso de satisfação. Sinal que valeu. Que foi bom. Que em cima dela não tinha um troglodita. Tinha um homem apaixonado. Fazer amor é portar-se como um leão na cama e quando terminar deitar no ombro dela como um gatinho. Delicadeza não é só para mulheres, o homem se engana muito com isso. Não vou falar muito senão acabo sendo repetitivo e o assunto é complexo e vasto, eu poderia ficar o dia todo aqui falando disso e não acabaria. Mas que fique claro, tudo falado acima serve também para as mulheres. Então façamos amor. Sexo, deixemos para os insetos ou para os que se comportam como eles.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

NÃO VOU DIZER QUE TE AMO


( imagem coramaria.com.br )

Hoje não vou dizer que te amo.
Nem que necessito de ti
que grito por ti
que te respiro, que suspiro
de saudade, de vontade.
Não vou dizer que és pra mim
que nem tatuagem
que olho no espelho e vejo tua imagem
que te sinto mais do que sinto a mim mesmo.
Não vou dizer que vivo a esmo sem teu sorriso
que sem ti, tudo é igual nada
minutos viram horas e eu agonizo
que viro criança pedindo colo
que perco o rumo da estrada
que não sinto o solo sob meus pés
Não, não vou dizer-te o quão importante és
se todo o meu corpo já está a falar.
Minha boca não precisa dizer nada.
Apenas mostro o meu olhar.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

DE TODAS AS FORMAS DE AMAR...


Das perguntas que me fazem
nem todas uso a razão
porque não sou dono da verdade,
apenas do meu coração.
Quando eu faço amor?
Quantas vezes faço amor?
Onde eu faço amor?
Como eu faço amor?
Melhor jeito, melhor clima?
Papai-mamãe, mamãe em cima
beijando de frente, olhando por trás.
Eu respondo: Tanto faz!
Não sei pra quê tantas perguntas.
Quando duas pessoas estão juntas
não importa coisa nenhuma,
todas as noites merecem bodas,
por isso minha resposta é sempre uma
de todas as formas de amar...
eu prefiro todas.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

SOMBRAS SOBRE MIM


O sol vai ficando tímido no horizonte.
Parece olhar pra trás, pede licença
e se perde atrás dos montes,
deixando que a noite venha, envolvendo, engolindo
em cumplicidade com a lua,
fazendo meia-luz no meu quarto.
Projetando sombras sobre mim...
de desejo e ansiedade.
Daria muito gosto
se fossem os cabelos dela cobrindo meu rosto
nessa meia-noite, nessa meia-luz
onde de inteira só tenho a saudade
que desatina, domina, me açoita covarde assim
Pergunto o que é que eu fiz pra tanta maldade
dessas sombras sobre mim
nessa cama, meio divã
onde me afago,
divago até de manhã.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

MAQUIAGEM


( imagem google )
Foi assim na grande arena que ocorreu a triste cena.
Quando o palhaço adentrou o palco chorando
de pé, toda a platéia sentiu pena.
E vendo tão amarga imagem
de uma lágrima sobre a inocente maquiagem,
todo mundo se pôs a perguntar:
- Quem foi que fez o palhaço chorar?
Quem foi tão cruel, derramando fel naquele sorriso
que mais parecia um paraíso de bonito que era?
Quem transformou em inverno aquela vida de primavera?
A platéia, também triste, não parava de questionar:
- Quem foi que fez o palhaço chorar?
Hoje não tem piadas, nem piruetas
nem cambalhotas, nem caretas.
E a platéia insistia em indagar:
-Quem foi que fez o palhaço chorar?
E eis que alguém se levantou e gritou:
- Acredite quem quiser...dizem que foi um adeus de mulher.
É que o palhaço brincava tanto que imaginava tudo em flor
E não sabia do encanto, nem do desencanto do amor.
Dizem que até hoje anda por aí,
tentando fingir, pintando o rosto, desenhando uma imagem
mas, nem mesmo a maquiagem pode esconder tal desgosto.
E a platéia insiste em indagar:
- Quem foi que fez o palhaço chorar?
Acredite quem quiser...dizem que foi um adeus de mulher.


Baseado em fatos reais. O palhaço é simbólico, mas aconteceu no grande circo da vida









.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

UM CORPO NU


( imagem google)
Um corpo nu fala tanto!
Palavras pra quê?
É lindo de se ver.
É desejo, é encanto.
Um corpo nu num quarto tem brilho farto
tem seios e anseios.
Emana sensações, irradia vibrações.
Tem delícias, tem curvas sinuosas
mãos e pernas ansiosas.
Um corpo nu pede beijos, caricias, malícias,
pede toques.
Não precisa de retoques
pois fala por si só
porque já está vestido de amor.
Um corpo nu numa cama
inflama, explode um vulcão,
mas com a delicadeza de uma flor
que não quer mais ser botão.
Um corpo nu canta...
“Dio come ti amo”, “Besame mucho”,
Je t’aime, “Me and you”
não precisa de muita coisas
apenas de um outro corpo nu.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

CURVAS PERIGOSAS


Nem sei pra quê contar isso. Mas é engraçado. Pronto, sendo engraçado já é um motivo para publicar. Este blog está muito sério ultimamente. Eu e mais três amigos, Salvador, Walter, e Jaiminho, sendo dos quatro maior de idade só Salvador, resolvemos comprar um carro velho. Tínhamos entre 15 e 17 anos. Todos trabalhavam em pequenos empregos: bares, lava-jatos, oficina mecânica. Eu, numa oficina de usinagem. Um dia, chega Salvador dando notícia de que um freguês da oficina onde trabalhava, estava vendendo um Maverick,74. E propôs. “A gente podia comprar, fica indo a pé pro clube,volta de madrugada pra trabalhar no outro dia. Fora as meninas que vão cair em cima de nós”. Nem tanto, mas que agitávamos no bairro, isso sim. Eu gostava mais de ir a pé, convencia os amigos de que era mais divertido. Quando íamos de ônibus eu sentava atrás no ônibus e ia cantando. As pessoas gostavam. Quando eu não ia o motorista perguntava. “O cantor não veio hoje por quê?”. As meninas de lá gostavam de nós, diziam que éramos divertidos, que os rapazes de lá, eram bobões. Isso até dava umas confusões. Vez em quando a gente não podia ir, pois preparavam briga. O legal é que as meninas ligavam pra gente avisando. “Vem hoje não que eles querem brigar”. Resumindo, compramos o carro. Hoje concordo que foi grande irresponsabilidade, mas vai dizer isso na época. Gastei o pouco que tinha, além de pedir patrão para adiantar dinheiro das férias. O carro estava razoável. Alguns amassados, arranhados, uns podres embaixo da porta que nem apareciam muito por causa da cor preta. A maçaneta do vidro do motorista dura pra danar, poltronas meio acabadas, mas funcionava até bem. Era possante e poçante. Onde parava deixava uma poça de óleo. Também por aquele preço, não dava para comprar uma BMW. Salvador, por trabalhar em oficina já sabia dirigir, eu não sabia nem o que era câmbio. Todos sabiam um pouco, menos eu. Com muita dificuldade e riscos me ensinaram aos poucos. Subia no meio-fio, tirava as velhas da calçada. Tinha um senhor que gostava de ficar debaixo da árvore de sua casa, não ficou mais. Na época não tinha tanta fiscalização. Alguns mais velhos diziam: “Esse carro ainda vai dar problema”. Incrível como os mais velhos acertam. Andávamos pelo bairro dia todo nos finais de semana, sempre devagar, não só pelo risco, como também para curtir. Eu falava pro Salvador. “Se gente passar correndo, as meninas não veem a gente, não tem graça”. E o Marcelo. “Gostei. Falou a voz da experiência”. Para o clube, só Salvador dirigia, pois pegava um pouco da BR e era mais experiente, apesar de não habilitado. Eu gostava de fazer tipo. Cabelo grande, óculos John Lennon, bracinho do lado de fora e um sonzinho velho tocando I WANT TO BREAK FREE, do QUEEN. Fazia umas caras de mau olhando de lado.O carro cheio de homem. É que ninguém saía do carro. Tinha uma menina chamada Rosângela, que acho que me dava bola, não parava de rir quando me via. Eu era doidinho pra chegar nela e agora de “carrão”, eu ia arrasar. Numa dessas voltas, pensei em “passar na rua dela”. Quando virava a esquina, quem estava lá? Rosângela. Num bustiê pretinho, com aquele shortinho vermelho apertadíssimo, coxas quase negras com pelinhos pintados de água oxigenada. Que visual! E ela ainda dá um tiauzinho. “Ei, Carlos. Quero dar uma voltinha, hein?”. Fiquei olhando pra ela de boca aberta e não fiz a curva na esquina... e derrubei o muro de uma senhora, quase entrando na sua cozinha. Ela servia almoço, cozinhava numa varanda no quintal e a panelada foi quase toda pro chão. Quase morreu de susto. Quase mesmo, tinha pressão alta, diabete e tudo mais. Eu fiquei meio em choque. Walter, com uma tampa de panela abanava a mulher no sofá. Jaiminho, que não ligava com nada aproveitava e comia uns pedaços de frango. Salvador acalmava os parentes. Para evitar problemas com polícia, concordamos logo em pagar. Tivemos que vender o carro para o próprio dono da oficina onde Salvador trabalhava, muito mais barato do que compramos, mas deu para pagar o muro. A sorte maior é que o cara tinha dinheiro e pagou à vista, para ajudar a gente e abafar logo o caso. Felizmente ninguém se machucou. Eu fiquei como culpado. “Culpa desse Carlos, metido a conquistador barato Esse John Lennon fajuto”. Passados uns vinte dias vemos o Maverick rodando de novo. O dono da oficina consertou e passou pra frente. Pena. Só oito meses de curtição. Salvador, vendo o carro passando do outro lado da rua, não se conformava. “Eu te mato, Carlos. Agora a gente tem ir a pé ou de ônibus pro clube”. Brinquei. “Preocupe com isso não. Eu posso ir cantando John Lennon pra vocês”, e cantarolei., “..imagine there’s no heaven”. “Pois é”, respondeu rindo, “essa é a pior parte”.

Salvador, infelizmente não está bem de saúde. Walter, mora em Coronel Fabriciano, não vi mais. Jaiminho, vejo quando visito sua mãe quando coincide de ele estar lá. Marcelo mora na Austrália e me liga de vez em quando.

sábado, 28 de novembro de 2009

SEMANA DA REFLEXÃO- O PROFETA DO NOVO


( imagem blogcancaonova.com )
Esse menino está muito religioso esses dias. Acho que vai pro céu.
Não sou muito bom de citar versículos exatamente, onde ficam, quais páginas ou parte da Bíblia. Leio e pronto e acho que isso é o bastante, que a leitura entre na gente. No Antigo Testamento, as profecias dizem que “O Messias não virá para mudar as leis, mas para fazer cumpri-las”. Pensando bem, de certa forma Cristo mudou sim as coisas. Claro, nunca disse, “não cumpra essa ou aquela lei”. Ele mudou foi a maneira das pessoas verem as coisas, sob um novo olhar. Um olhar que não permite a hipocrisia. Cristo além de tudo era um Homem muito inteligente e usava sempre a psicologia embutida em suas parábolas para tocar as pessoas. Vou citar só algumas para não alongar muito. Os doutores da lei e os soldados, tentando uma forma de prendê-lo como subversivo, pressionando-o, mostraram uma moeda com o rosto de César e perguntaram. “É justo pagar impostos?”. Ele respondeu com outra pergunta. “De quem é o rosto na moeda?”. Responderam. “De César”. E Ele. “Então a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Ele simplesmente desarmava os hipócritas com tiradas e palavras inteligentes. Uma das passagens mais fortes da Bíblia é de Maria Madalena, que seria apedrejada conforme as leis de Moisés por praticar adultério. Sim, era lei apedrejar até a morte, pecados como adultério. Cristo perguntou. “O que fez essa mulher?”. Os hipócritas e os abutres de plantão responderam quase em coro. “Ela é adúltera, Senhor e conforme Moisés merece apedrejamento”. Cristo em nenhum momento disse “não façam isso”, ou “a lei está ultrapassada, Moisés estava errado”. Pelo contrário, Jesus tinha maior respeito para com o grande patriarca bíblico, homem de confiança de Deus. Elo entre Deus e os homens.
Apenas tocou na hipocrisia de cada um, dizendo, calmamente, desenhando com o dedo na areia. “Aquele que nunca pecou que atire a primeira pedra”. Um a um, foram saindo de fininho, nos termos de hoje, com o rabo entre as pernas, porque sabiam que eram cínicos, piores do que quem julgavam. Não havia um sequer com moral para atirar a primeira pedra. Jesus levantou o rosto e perguntou à mulher. “Onde estão os que te acusavam?”.
Vivo repetindo. Como a Bíblia é atual! Quanta gente pratica “apedrejamento” hoje em dia, faz pré-julgamentos, massacra quem não tem defesa. Felizmente para Maria Madalena, ela teve o maior defensor.

Bem amigos, encerrei a semana de reflexão. Que bom que muita gente veio comigo. Um abraço a todos e ótimo final de semana

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

SEMANA DA REFLEXÃO- EM NOME DOS JUSTOS


( imagem 3bp.blogspot.com)
Como eu disse à amiga Ná(Pensamentos da Ná),que escreve muito bem, essa postagem combina muito com a dela de ontem, quando pergunta se Deus tem culpa no que anda acontecendo com o mundo. Bem, essa não é uma resposta à pergunta que ela fez, mas é um bom paralelo. E eu gosto dessas coincidências de texto.
/////

Não sou teólogo, mas sou teórico. Leio a Bíblia de forma aleatória, abro qualquer página porque sei que de qualquer uma delas posso tirar alguns exemplos. Como ela se mantém atual! Li uma dia desses, um pouco de Gênesis. Tendo Deus anunciado a destruição de Sodoma e Gomorra, Abraão, humildemente tentou interceder pelos justos. Não era possível, na visão dele, que não houvesse uma pessoa sequer que prestasse nas duas cidades. Perdindo perdão a Deus pela ousadia, ainda argumentou. “O Senhor matará juntos ímpios e justos? Bons e pecadores? O justo merecerá o mesmo tratamento que o mau? O senhor não pouparia as cidades, se porventura houver 50 pessoas boas? ”. Deus respondeu: “Se houver 50 pessoas boas, não destruirei as cidades”. Abraão insistiu. “Perdão, Senhor. E se houver apenas 45 pessoas boas, o Senhor poupará as cidades?”. Deus respondeu mais uma vez. “Garanto-te que se houver pelo menos 45 pessoas boas, não destruirei as cidades”. “Perdão por minha audácia, Senhor. E se houver apenas 20 pessoas?”. Deus respondeu no mesmo tom de garantia, que pouparia as cidades, ainda que fossem apenas 20 pessoas boas. E assim, Abraão, sempre pedindo perdão, foi fazendo uma contagem regressiva, tentando interceder pelos justos.... e Deus o atendendo.. Bem, o final todos sabem. As duas cidades arderam em fogo e enxofre. Sinal que não foi encontrado ninguém bom por lá. No caso da Arca de Noé, foi parecido. Deus ordenou que reunisse sua família e os animais e deixou o restante morrer afogado.
Vamos para os dias de hoje. Quando menino, ouvia os antigos dizerem, que na primeira vez a Terra arrasou em água e na segunda seria em fogo. Eu morria de medo quando ouvia, principalmente quando diziam: “1.000 chegará, 2.000 não passará”. Eu virava e revirava a Bíblia procurando esses dizeres e não achava. Minha mãe dizia. “Procura direito que está lá”. Bobagem pura, mas essa não é a questão. Sabemos também que se Deus quiser, ele acaba com tudo em minutos. Esse mundinho é muito frágil. Não preciso dizer que vivemos num mundo cruel, cada vez mais capitalista, egoísta e violento, com valores invertidos, crianças jogadas pela janela, o luxo e o lixo habitando a mesma esquina. Ninguém está aqui discutindo como será o apocalipse, como deve ser e se deve ter. Como disse, não sou um especialista, mas com direito a opinião. Humildemente como Abraaão, mas não com a moral dele perante o Criador, faço nos dias de hoje a pergunta meio invertida. Pelo que andamos fazendo, estamos merecendo esse planeta? E por que Deus não acaba com tudo? Deus não acaba com tudo porque existem... Gandhi, Madre Tereza, Chico Xavier, Irmã Dulce, Luther King, Zilda Arns, Chaplin e muitos outros. Só para citar esses conhecidos, mas sei que existem e conheço pessoas anônimas praticando boas ações. Felizmente. Enfim, pessoas que estiveram sempre acima das religiões e se preocuparam com o ser humano, com a fome, com a cultura e com a liberdade. Por causa dessas pessoas, eu acho que Deus anda poupando o mundo.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

SEMANA DA REFLEXÃO- PEDRAS E PALAVRAS


( imagem cavernadezion.files.wordpress.com)
O sujeito era o bambambam do bairro. Alto, musculoso, praticava esportes pesados. Lutava até alguma arte marcial. Andava com aquelas camisetas apertadas para mostrar o peito estufado. Contava umas piadas sem graça e ele mesmo ria antes de todos. Até aí tudo bem, não fosse seu estilo grosseiro, ameaçador, sempre bravo. Não tinha muitos amigos. Os poucos que tinha, eram por conveniência, tinham medo dele. Apesar de tantos predicados negativos, namorava uma menina linda. Loirinha, cabelos abaixo dos ombros, olhos azul piscina, além de muito simpática. Ninguém entendia o porquê de uma moça tão doce namorar aquele fanfarrão. Falastrão. Gosto e nariz cada um tem o seu. Mas um dia a menina começou a olhar para um outro rapaz. Magricela, cabeludo, sempre ensimesmado. Também não tinha muitos amigos. Não que fosse gente ruim, era por timidez mesmo. Gostava de música, cinema, artes em geral. Estava sempre com um livro na mão. Exatamente o contrário do outro. A moça foi se aproximando e se apaixonando. O problema seria contar ao troglodita. Qual seria sua reação? Violenta com certeza. Aconteceu que não foi preciso. O bairro todo percebia, pois ficavam horas se falando nas esquinas e mulher quando ama, não consegue mesmo esconder. E assim acabou chegando aos ouvidos do brigador e este começou a perseguir, hostilizar o rapaz, no bairro, no colégio, no futebol. Ele nunca respondia, apenas se afastava evitando o conflito. Só que um dia não teve jeito. A moça ainda segurando as pontas de seus dedos, ao se despedir, deu-lhe um beijo no rosto... e o tal namorado viu. Viu e chegou cuspindo fogo como um dragão, com punhos fechados para a briga. Rápidamente a rua se encheu. A menina pediu ao brutamontes para não brigar e ele respondeu. “Saia daqui, senão sobra até para você”. Entre nervosa e chocada com o que ouviu, afastou-se uns metros, chorando pedindo aos outros que separassem. Ninguém deu ouvidos. A rapaziada gostava de uma briga. O massacre ia começar. Era uma luta de Davi contra Golias. O pequeno Davi se afastou, avistou uma pedra enorme e pegou. Golias foi chegando perto. Mas Davi de propósito deixou a pedra cair no chão. E disse. “Se você quer me bater pode começar porque eu não sei brigar. Mas antes que me mate, tenho uma sugestão. Por que não pergunta primeiro à menina se ela te ama? Se ela disser que ama, prometo sair agora da vida dela. Mas se disser que não ama, você vai me matar e vai continuar sem ela. Porque além de não te amar, ela vai te odiar”. Trinta segundos de silêncio. Até mesmo na “platéia”. O grandalhão ficou perplexo, sem ação, olhando para ele de forma curiosa. O semblante de raiva foi dando lugar à vergonha. Foi abrindo os punhos. Baixou os olhos. Virou-se e foi embora. A menina foi correndo, abraçou o pescoço do novo namorado e disse. “É por isso que eu te amo”.
Nem sempre precisamos de pedras para derrotar alguns Golias. As palavras também têm um peso enorme.

BASEADA EM FATOS REAIS

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

SEMANA DA REFLEXÃO- AS APARÊNCIAS ENGANAM?


( imagem www.espada.eti.br/images)
Tem uma fábula muito antiga, cujo autor não me lembro que é mais ou menos assim.
“Um ratinho, ávido por conhecer a rua, a vida, pede à mãe ratazana para dar umas voltas sozinho. Sabendo que o filho é tão pequeno e indefeso, ela libera, mas alerta para os perigos da rua recomendando muito cuidado. Coisas de mãe mesmo. Lá vai o ratinho feliz. Anda ali, anda acolá, vê um bichinho de pelo macio, dormindo preguiçosamente sobre um tapete. Tinha uma carinha muito boa. Ronronava tranqüilo. Ele achou bonito e se aproximou. Pensou. "Vou acordá-lo para brincar comigo". Fez cócegas na patinha dele. Acariciou,puxou seu bigode.. e nada. "É... esse aí não acorda mesmo.Vou embora". E seguiu a jornada. Logo adiante viu um bicho colorido, diferente, que só tinha dois pés, um monte de penas, uma coisinha vermelha sobre a cabeça , uns fincos dos lados dos pés e um grito de guerra assustador. Um tal de cocoricó estridente. "Eu,hein? Vou chegar nem perto", pensou. E voltou para casa. Chegando lá contou à mãe sobre os bichos que viu, especialmente esses dois. A mãe levou a mão à cabeça. Meu filho, meu filho. Não sabe o risco que correu. As aparências enganam. Aquele bicho espalhafatoso era um galo, totalmente inofensivo à nossa vida. Mas o tal que dormia sobre o tapete,era o gato. Nosso mais terrível inimigo”.

Eu até concordo que as aparências enganam.Tem uma expressão bem antiga muito usada que é 'lobo em pele de cordeiro'. Por isso digo sempre, não nos deixemos levar pela casca, pelas falácias, pelo externo, pelas pompas, na roupagem, porque se o lobo usa pele de cordeiro para nos enganar, então olhemos nos olhos dele, pois o olhar não mente. As aparências enganam... somente a quem não sabe olhar.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

SEMANA DA REFLEXÃO- O SÁBIO PEDIU SABEDORIA


( editorasalomao.com.br)
“ Em Gibeão, apareceu o Senhor a Salomão, de noite, em sonhos.Disse-lhe Deus: Pede-me o que queres que eu te darei.Respondeu Salomão: De grande benevolência usaste para teu servo, Davi, meu pai, porque ele andou contigo em fidelidade e em justiça, em retidão de coração, perante a tua face.Agora, pois, ó Senhor, tu fizeste reinar teu servo, em lugar de meu pai, Davi; não passo de uma criança, não sei como conduzir-me. Teu servo está no meio de teu povo que elegeste, tão numeroso que não se pode contar. Dá, pois, ao teu servo, coração compreensivo, com sabedoria e justiça, para discernir entre o bem e o mal.
Essas palavras agradaram ao Senhor, por haver Salomão pedido tal coisa. Disse-lhe Deus: Já que pediste estas coisas e não pediste longevidade, nem riquezas, nem a morte de teus inimigos; mas pediste entendimento para discernir o que é justo, eis que faço segundo as tuas palavras. Dou-te coração sábio e inteligente, de maneira que antes de ti nunca houve igual, nem depois de ti haverá. Também até o que não me pediste eu te dou, tanto riquezas como glória, que não haja teu igual entre os reis, por todos os teus dias. “( REIS CAP 3-VERSÍCULOS 3 A 13 ).
OPINIÃO PESSOAL:
O sábio pediu mais sabedoria. Mesmo com toda sua sapiência considerou-se não mais que um menino e pediu o dom do discernimento, da justiça, da moderação, do equilíbrio na hora de ponderar entre duas partes. Normalmente tomamos decisões que agrada um lado e desagrada outro. Mas Salomão, não. Pediu uma balança justa em seu coração, e isso, só com sabedoria. Sabedoria dos grandes mestres, que ao contrário do que pensamos, ser humilde não é ser pequeno. Um amigo já me disse que a cada passo que damos rumo à humildade, estamos evoluindo, atingindo um estágio de perfeição espiritual. Humildade não é humilhação. Salomão não quis riquezas, nem longevidade. Quis o SABER. E saber está muito além de nossos diplomas, de falar idiomas, que são necessários sim, mas que nunca devem se sobrepor à sabedoria íntima, ao domínio do ego. Salomão, podia pedir o que quisesse, pois DEUS, estava muito satisfeito com a retidão de Davi, seu pai e com ele próprio, tanto que o próprio Deus na sua imensa fidelidade disse: “Pede o que quiseres”. Mas não. O sábio Salomão, do alto de sua sabedoria, mas colocando-se em posição de criatura, respeitando o Criador, pediu o quê? Mais sabedoria. E o mais importante disso tudo, é que Salomão acabou sim, sendo um homem muito rico, teve longevidade e governou por muitas gerações sendo muito querido pelos súditos e respeitado por outros reis. Não pelo poder bélico ou econômico, mas pela sua maior riqueza: a sabedoria. E tenho comigo a certeza de que até sua riqueza material aconteceu em consequência dessa riqueza íntima, porque não é fácil administrar tesouros materiais. É preciso ser sábio, para não deixar que nosso ouro nos afaste das outras pessoas. Outro dia vi um filme em que o menino diz a um velho muito rico: “Não sei pra quê tanto dinheiro se o senhor não gasta nunca?”. O menino só queria ir a um parque de diversões.

sábado, 21 de novembro de 2009

UMA SEMANA DE REFLEXÃO- FECHE OS OLHOS


Feche os olhos!
Mergulhe no abismo da escuridão, da solidão que às vezes é bemvinda.
Não fale nada...só escute o silêncio, o som do íntimo...
de dentro para fora, não de fora para dentro.
Deixe fluir qualquer coisa de seu coração, há tempos ele não fala.
Porque nunca fecha os olhos pra falar consigo mesmo.
A visão nos cega, o óbvio escraviza.
Nós mesmos preferimos assim, criamos tudo isso.
E se criamos, podemos desfazer... é só fechar os olhos.
Você consegue ouvir a folhagem das árvores... o vôo da borboleta...
percebe até os insetos.
A brisa suave acaricia seu rosto... há tempos não sentia isso.
Veja como tudo ficou calmo.
Suas antenas naturais, seus instintos estão ligados, despertos.
Sinta à sua volta todas as coisas que não percebe de olhos abertos.
Não, não tente voltar atrás para recuperá-las.
São como as ondas do mar... vem e vão... vão e vem.
Apenas se prepare para a próxima onda.
Você agora é um barco... sua bússola é o sentimento.
Puxa, como é grande o oceano!
Seria assustador se não fosse lindo.
Agora você é um pássaro... altivo, festivo, voando alto olhando os seres lá embaixo.
Perde-se no horizonte, pousa nos montes, cruza o arco-íris, bebe das fontes.
Como é grande o céu!
Seria assustador se não fosse lindo.
Agora você é uma poesia, ou uma canção, cheia de notas e rimas, abertas ou em falsetes.
Dentro de você agora há um perfeito concerto.
Puxa, como é grande a inspiração!
Seria assustadora se não fosse linda.
De olhos fechados você é tudo, pode tudo num instante.
Pode ser flor... pode ser folha ao vento.
Pode ser palhaço, pode ser Peter Pan.
Pode ser menino, pode ser gigante.
Puxa, como é grande a imaginação!
Seria assustadora se não fosse linda.
Você abre os olhos... agora é um ser comum.
Na multidão, apenas mais um
que não escuta, só grita, que não afaga, só bate
que não planta, só arranca com mão destruidora
que buzina e acelera pra lugar nenhum.
Volta à vida normal,
que seria linda...se não fosse assustadora.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

SEMANA DE DECLARAÇÃO DE AMOR À POESIA- A FONTE QUE NUNCA SECA


Uma fonte deliciosamente estranha.
Quando penso que secou... ela se assanha.
Às vezes fica quieta, despretensiosa.
De repente vai à forra, jorra generosa
e me dá um banho de emoção,
regando, tornando fértil meu coração.
Quando penso que já vi tudo,
vivi por tudo, ou morri por tudo,
ela se renova, e põe à prova o que preciso dizer
do meu jeito dúbio de ser.
Cada vez que ela brota e desliza
tudo em mim se ameniza.
Mostra uma aura que me acompanha desde que nasci,
não fui quem escolhi.
E a poesia habita em mim.
Estou falando da inspiração,
da fonte que não tem fim.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

SEMANA DE DECLARAÇÃO DE AMOR À POESIA- FRASES MINHAS SOBRE A POESIA



Algumas frases e pensamentos meus sobre a poesia. Algumas vocês já conhecem.
//////////

Ele escrevia tanta poesia que um dia misturou: Era o homem fazendo poesia ou a poesia fazendo o homem?
///
Já me disseram que meus olhos brilham quando falo de poesia. Gostaria muito de poder ver meus olhos nessa hora
///
Não tenho muitos dons. Não sei fazer o que a maioria das pessoas sabem. Mas Deus me aliviou me dando o dom da poesia
///
Quando escrevo me sinto em êxtase, em transe total.
///
Me criticam por falar de poesia o tempo todo. Pior são eles que brigam o tempo todo.
///
Se eu fosse Presidente por um dia? Colocaria a poesia como matéria escolar
///
Dizem que “viajo” muito, como um balão no vento. De vez em quando é preciso que alguém puxe a cordinha, senão vou embora
///
Me perguntam, quando, onde ou em quê me inspiro. Ora, a poesia acontece todo tempo à nossa volta
///
Não sou bonit,sou impaciente, teimoso e às vezes, chato. As pessoas gostam de mim por causa da poesia. A poesia é meu charme.
///
tenho dois nomes:CARLOS e POETA.É muito bom ter duas identidades
///
Eis a nova versão de Gênesis: Deus no sétimo dia, vendo tudo pronto, antes de descansar, pensou:Está faltando alguma coisa... disse:Faça-se a poesia. E a poesia se fez e Deus viu que a poesia era boa e chamou aquilo tudo de paraíso.
///
A poesia me deu os melhores amigos e as melhores namoradas
///
Essa não é minha, eu ouvi de uma senhora de oitenta e oito anos:”Deixem que te batam, que te xinguem, que zombem, mas não deixes jamais que lhe tirem a poesia.Ela é tua essência
///
Tem poesia minha espalhada por todo canto. No meu bolso, nas minhas gavetas, na minha parede. E nas paredes de muita gente. Acho bonito isso
///
Não uso muitas regras na poesia. A única regra irretocável na poesia é a da emoção
///

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

SEMANA DE DECLARAÇÃO DE AMOR À POESIA- A POESIA ME TROUXE ATÉ AQUI


( imagem revnilsonjr.files.wordpress.com )
Toninho, professor de português, gostava de poesia e assim ficamos amigos, tanto que era normal às sexta-feiras sairmos com outros alunos a bares. Numa dessas rodadas de cerveja, ele atuou meio na contramão. Justo num dia em que fiz quase toda a sala chorar com um texto sobre as mães. Texto que nem eu mesmo tenho mais. Era meu primeiro dia das mães em quartos de pensão e consegui externar aos amigos o que sentia, mas extendendo a todos. Afinal mãe é um tema geral. Ele disse. “ Não preciso dizer que gosto do que escreve. Só que hoje você se superou. Nunca li algo tão lindo sobre as mães. Mas isso é coisa de juventude, os ânimos afloram na gente. Quando tiver seus quarenta anos isso passa, a veia poética diminui”. Discordei na boa. “Você está me subestimando. Não a minha inteligência, mas minha sensibilidade. Pode-se medir o QI de alguém, mas sensibilidade não. Você não sabe da minha relação com a poesia. Para mim é muito mais que sentar à mesa e escrever. É meu estilo de vida. Tudo que passei e que passo, tanto de bom quanto ruim, foi através da poesia que superei. Porque aprendi através da poesia e da fé, tirar proveito de todas as situações. Foi a poesia que me trouxe até aqui”. Tirei do bolso um papel e o dei. “Veja que boa coincidência. Escrevi hoje algumas frases sobre o que penso da poesia”. Lá estavam entre outras. ‘A poesia é como um outro corpo que fala por mim quando meu corpo não consegue se explicar’. ‘Se o planeta tem 2/3 de água, meu corpo tem 2/3 de poesia’. ‘70% de meu tempo são de poesia, os outros 30%, não vejo passar’. ‘A poesia é minha espada do bem, meu escudo contra os dragões desse mundo de terror’ Depois de ler e parecer impressionado, tentou mudar de assunto, mas inconscientemente não mudou, pois sem querer mexeu de novo na minha teimosia, ops... digo, essência. “Sinto você meio centralizador, um certo egoísmo, uma convicção exagerada. Em tudo que escreve, mesmo falando de temas alheios, a gente percebe o CARLOS, embutido no texto e no contexto. Isso não é perigosamente repetitivo?”. Ri. “Você é muito inteligente. Acertou. Acontece que não existe o Carlos, sem o Carlos dos textos e vice-versa. E não temo ser repetitivo, pois eu não sou apenas um Carlos, sou vários dentro de mim. Tenho uma fonte inesgotável aqui dentro de sensações e se eu não colocar pra fora, eu explodo. Só não me peça para não falar de mim, porque aí sim, eu vou parar de escrever, até mesmo antes dos quarenta. Temer o quê da poesia, que mal ela pode me fazer? Só estou tentando dizer: Eis minha impressão digital. Eu estou aqui!”.
Dezenove anos depois, sendo desses dezenove, treze sem voltar à cidade, mas nunca deixando de participar de concursos de um clube de escritores, hoje referência no estado, que vi nascer e frequentei, estava eu no Salão do Livro, que sempre que posso eu vou. Era lançamento simultâneo de coletânea que estava atrasada, de autores do estado. A premiação tinha sido no ano anterior e eu também estive, pois ficara num honroso oitavo lugar. A gente participa no Brasil inteiro, mas quer ganhar algo na cidade da gente. Enfim consegui.
Alguém tocou meu ombro. Virei-me e era Toninho, já cabelo grisalho, óculos caindo no nariz. “Você é o Carlos, não é?”. “Sou sim. Tudo bem, Toninho?”. Empolgado respondeu. “Agora melhor. Folheei uns livros aqui, vi seu nome e fiquei me perguntando se era você”.
Aproveitei para cobrar. “Sou eu mesmo. Não falei que não ia parar?”. Me abraçou de lado. “Você não sabe como fiquei feliz de saber que não parou. No dia seguinte àquela nossa conversa, passei um remorso grande, pensando que havia desestimulado um jovem. Logo eu, um professor. Meu alívio foi que alguém me falou. ‘Desestimular o Carlos? Então você não o conhece’. Fiquei com um pouco de vergonha de mim mesmo e por isso não lhe pedi desculpas. Agora estou muito contente de ver você aqui”. Tranquilizei-o. “Que nada! Não me chateio assim fácil, somos amigos. E eu também estou contente de ver você aqui. Não só o amigo, mas o professor também”. Feliz, ele disse. “Estou aposentado, mas como você eu não parei de gostar. Embora não tão intensamente como você, eu também amo esse mundo literário. Foi a poesia que me trouxe até aqui”. Levantei a mão. “Epa, essa frase é minha.”. E ele. “Sei que é. Mas ela ficou tão viva na minha memória. Gosto dela. Quando a gente não tem uma frase pede emprestado ao poeta”.
Depois me chamou para tomar algo, mas eu não podia,voltaria dirigindo.
Por isso digo que mais do que a vida me dar uma segunda chance, eu dou à ela uma segunda chance. Ela apronta comigo e anos depois, vem se redimir. Graças a Deus e à poesia por isso.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

SEMANA DE DECLARAÇÃO DE AMOR À POESIA- QUANDO ACENDE O FAROL


Luzes não brilham à toa
Elas vêm coroar um momento bom
ou clarear um outro ruim
e tantas coisas acontecem
quando o farol se acende pra mim.
Quando acende o farol
iluminando mais que o sol,
revela uma identidade secreta
fazendo-me poeta
declarando o que a alma não pode guardar.
Nessa hora, eu cresço,
nessa hora apareço,
pois, é hora do espírito falar.
Quando o farol se acende
minha alma se rende
num instante gigante
retratada num papel,
nem todo mundo entende,
mas compor poesias é como estar no céu.
E é de lá que vem essa fonte ou essa luz
seja lá qual for o nome
que nunca se consome,
que me conduz,
fazendo-me um homem eterno
em poesias que vão ficar
provando que a morte leva,
mas não pode nos apagar.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

SEMANA DE DECLARAÇÃO DE AMOR À POESIA- MUITO PRAZER, MEU NOME É POESIA


( imagem deltacat.blogs.sapo.pt )
Olá você, que acabou de nascer.
Muito prazer, meu nome é poesia.
Um Ser superior mandou seguir você.
A partir de agora, em quase todo seu tempo
vou estar com você... por todos os dias
Não se importe se alguém criticar,
muita gente vai gostar.
Nesta união que se instaura
vou ser sua segunda pele, sua aura
seu encanto, seu manto, seu véu.
Seja qual for a cor do céu, nevoento ou azul
vou cobrir você de norte a sul.
A partir de agora, sou seu som, seu dom, seu tom.
Na euforia, na tristeza e no medo.... vou ser seu enredo.
Vou estar na sua cama, na mulher que ama.
Vou ser a sua chama!
Estarei no seu silêncio, no seu grito, nos trejeitos.
Pincelando seus defeitos, realçando sua beleza.
Vou ser a sua força... e sua pureza.
Vou ser seu mistério e sua clareza
Vim para ser sua ponte, sua fonte, sua rede.
Vim ser o seu nome, sua fome, sua sede.
Vou ser o seu escudo e sua espada.
E quando pensar que não tem mais nada...
Sorria! É novo dia!
Você terá a poesia.

sábado, 14 de novembro de 2009

SEMANA DE DECLARAÇÃO DE AMOR À POESIA- EU TENHO UMA ÁRVORE

Olá amigos e amigas. Vocês já fazem parte do meu dia a dia. Essa vai ser uma semana de declaração de amor à poesia. Vou começar com: EU TENHO UMA ÁRVORE

Eu tenho uma árvore que cuida de mim.
Debaixo dessa sombra, nada me assombra.
Seus galhos são os braços que me envolvem,
me absolvem de qualquer coisa ruim.
As folhas são os amigos que fiz
Que me leem, que me veem, que me creem
e isso me faz feliz.
Tantos frutos tirei.
Amor só quero um,
mas que seja além do comum.
Nesse tronco namorar, um coração desenhar.
Desilusões, podei.
Emoções colhi aos cachos,
quanto mais eu colho, mais eu acho.
Que ela cresça, floresça no dia a dia.
O nome de minha árvore...
é poesia.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

FALANDO ÀS NUVENS


( imagem vale1.clique.com)
Nuvens mudam de lugar,
desenham figuras estranhas,
às vezes lindas montanhas,
outras, nem sei explicar.
Algumas assustam, outras se ajustam ao meu olhar.
Como uma criança, me encanto...e fico a pensar:
Por que as nuvens mudam tanto?
Talvez não gostem de ficar no mesmo lugar.
Meu coração também é uma nuvem inconstante
que muda a todo instante.
Às vezes, carneirinho, às vezes,um leão.
Às vezes, tempestade.
Às vezes, de algodão.
Algumas vezes tão passageira que mal faz sombra,
em outras, assombra
com um poderoso trovão.
Revela tantas faces que também não sei explicar.
Sim, meu coração é mesmo uma nuvem.
A diferença é que ele é fácil de tocar.

UMA SEMANA MUSICAL- LA BAMBA - QUANDO O ROCK FAZ CHORAR


(imagem wikipedia )
Meados dos anos 50. Juventude transviada. Lambretas e brilhantina. Elvis era o grande nome. O branco que cantava com voz de negro, diziam. Imbatível. Era a época do rockabilly. Mas o rock ganharia outro personagem além de Elvis, Little Richard, Bill Halley. Richard Valenzuela, descendente de mexicanos, jovem sonhador como tantos influenciados pelo grande Elvis. Ritchie vivia tendo pesadelos. Seu irmão mais velho dizia que era falta de mulher, que devia sair mais e largar a guitarra que não saía de suas costas. Uma noite o levou a uma zona boêmia onde viu um grupo mexicano cantando LA BAMBA da forma folclórica, tradicional. Ele disse ao irmão que olhava as mulheres: “Eles estão cantando essa música de maneira errada”. O irmão ficou bravo: “O quê? Um tanto de mulher aqui e você está ouvindo esses caras cantarem?”. Pois depois ele imprimiu um ritmo rock na música que estourou rapidamente nas paradas. Estourou ainda outros sucessos como COME ON LET’S GO, que fez 60 exaustivas tentativas num estúdio, até conseguir dar um ritmo e uma entonação final na música. Mas isso não era nada para o jovem abnegado. E ainda “DONNA”, canção que apresentou à namorada proibida, rica, pelo telefone público. “Ouça o que fiz pra você”. Pelo telefone porque os pais dela não aceitavam o namoro. Rock era meio coisa de bandido .Elvis era considerado pornográfico com seus movimentos de cintura. DONNA, foi segundo lugar nas paradas, ficando atrás apenas de ninguém nada menos que o rei do rock. O próprio Elvis se interessava e procurava informações e notícias sobre o novo cantor.
Diante do empresário ele não quis alterar seu sobrenome em respeito à família, mas acabou aceitando e passou a se chamar: Ritchie Valens. Um nome mais sonoro, mais roqueiro.
Nos pesadelos que tinha, sonhava sempre morrendo de avião. O sonho repetitivo parecia premonição... e era. Com o estrondoso sucesso, os shows aumentaram e a partir daí só mesmo de avião.
Certa noite de muita neve, num avião que só cabiam 4 pessoas, sendo o piloto e mais 3, eram em total de 5, portanto haveria um sorteio para decidir quem iria de carro. Estranhamente, já que ele tinha medo, poderia optar por ir de carro, porém entrou no sorteio... e ficou entre os que voariam.
No dia seguinte, a notícia no rádio de que o avião que transportava a banda do jovem cantor Ritchie Valens, havia caído sem sobreviventes, chocou o país. Uma carreira promissora, mas curta. Artistas da época nomearam aquele 3 de fevereiro de 1959, como o “ dia em que a música morreu”.
Uma bela e triste história de rock’n roll.

Eu conhecia parte da história, mas me baseei também no filme LA BAMBA que assisti algumas vezes, um dos melhores que já vi.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

UMA SEMANA MUSICAL- O MONSTRO MÍDIA


( imagem de MOZART- google )
O tema não é musical, mas fala de arte.
Algumas das funções e obrigações da tv, segundo a constituição são: informar, entreter, divulgar, educar, fomentar bens sociais, promover cultura, imparcialidade, etc. Já disse em vários textos que a ditadura tem muitas faces e sou repetitivo de propósito, pois existe entre elas, a ditadura do “MONSTRO MÍDIA”. Há uns vinte anos, vi uma entrevista de Oswaldo Montenegro, respondendo sobre sua música não ser comercial. Disse mais ou menos assim. “Não é comercial porque alguém lá em cima fica definindo para o povo , o que é e o que não é comercial. Não é como uma prateleira de supermercado, onde você escolhe o que quer para comprar e comer. Precisa engolir o que eles lhe dão”. Glauber Rocha, disse nos anos 70, que os anos 90 seriam os anos da idiotice. Acho que acertou. Aguentar as tardes de domingo na tv brasileira, está difícil. É concurso de piadas, de dancinha das crianças, dancinha de artistas, de mágicos, de paródia, etc. E quando pegam um certo ritmo musical ou determinada dupla para fazer sucesso, é pior. Pode trocar de canal que eles estão lá. Já ouvi à boca miúda, que tem gente que paga não, só para tocar sua música, mas também para não tocar de algum outro artista que esteja despontando. Olha a ditadura musical aí. Por isso Chacrinha é o que é até hoje, imbatível. Era um programa democrático, todo mundo cantava lá. Todo artista se sente meio apadrinhado pelo Velho Guerreiro. Há uns dois anos, vi Raul Gil, que tem um programa manjadíssimo, mas até mantém algum sucesso, face às poucas boas opções que temos, falando sobre jabá em seu programa. Pelo menos foi honesto. Mais ou menos assim. “ Claro que cobro jabá porque televisão não é de graça.Tem todo um aparato por trás que eu preciso bancar. E mais... o artista vem aqui, de repente se projeta e sai ganhando milhões e as gravadoras mais ainda. E desafio qualquer apresentador, seja Gugu, Faustão e das tv’s fechadas a dizerem que não cobram jabá.”. Bem, ainda sobre o domingo, às vezes temos que ver o jogo de outro estado na tv, porque a tv que pagou, manda e pronto. Ditadura até no futebol. Deixando o domingo, há poucos meses tivemos acidente com Felipe Massa . O povo inteiro, inclusive eu, rezou, orou, fez corrente, torceu para que o piloto se saísse dessa. Quando saiu a boa notícia, a esposa chamou a rede Globo para agradecer à população pelas orações. Agora monopolizam até minhas emoções? Não seria mais bonito convocar uma entrevista coletiva para isso? Na semana, convivemos com as novelas. Agora eu apanho. Novela vê quem quer, eu não sou noveleiro, apesar de já ter visto algumas como Tieta, Rei do gado... e Salvador da pátria. Que estória linda entre o boia fria (Sassá Mutema) e a professorinha! Só que no geral, os temas são os mesmos. O cara namora uma menina, transam até metade da novela e depois descobrem que são irmãos. Ohhh! Comoção nacional. Mas aí para não cair na mesmice de baixa audiência, nos últimos capítulos, descobrem que não são mesmo irmãos e se casam e são felizes para sempre. Afora isso, sempre que a audiência está baixa, colocam uma cena quente de sexo, um encontro fatal e bate nos 80 pontos. Alías, gostaria de saber mais a fundo esse negócio de medição de audiência. E por aí vai ,desrespeitando religiões e família. Mas repito, vê quem quer. Voltando ao início, os programas de auditório promovem concursos e disputas citadas acima. Por que não um grande concurso de poesias a nível nacional no Domingão do Faustão? Ou no Gugu? Ou na Band? Ou na Record? E aí o ganhador passaria no horário nobre,.daria entrevista no jornal e teria seu livro lançado para todo o país. Talvez a resposta seja simples: “Porque não dá dinheiro”. Não concordo. Primeiro que poesia não é pra dar dinheiro. E isso é fácil, existe a Lei de Incentivo à Cultura, é dedutível de imposto de renda. Se pensam assim, então senhores Gugu’s e Faustões, vocês que são, embora sem nossa autorização os porta-vozes do povo , não venham debater violência na tv. Não venham dizer que o povo não sabe votar, que o povo é alienado, porque vocês tem o canal na mão e a falta de cultura é um dos ingredientes para a violência no país. E para não terminar este texto assim de forma tão pessimista, conto duas lindas declarações de amor à arte. Numa madrugadassem sono, comecei a ver um filme cujo cenário era início da segunda guerra. Lógico, Hitler eram o monstro a ser batido. O sargento dava instruções à tropa, com aqueles brados de guerra, que os soldados vão respondendo. Um desses brados era: “EU ODEIO MOZART” ( que era austríaco como Hitler). Um dos soldados não gritou, o sargento percebeu e aproximou-se aos berros. “Você está surdo, soldado?”. E ele. “Não senhor, senhor”. O sargento. “E por que não respondeu com a tropa, soldado?” . “Por que eu não odeio Mozart, senhor”. E por que não odeia Mozart, soldado?”. E o soldado respondeu agora com voz amena. “Por que Mozart é um gênio, senhor. E os gênios precisam ser respeitados”. E a outra, vi um grande ator de teatro respondendo, se após cinquenta anos de carreira, ele ainda sente um friozinho na barriga, antes de entrar pro palco e ele disse. “Claro que sim. Para mim todo dia é uma estreia. Quando eu não sentir mais isso, posso encerrar a carreira e morrer”. É isso que me alegra.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

UMA SEMANA MUSICAL- 30 ANOS DE MÚSICA- DE GONZAGÃO A RENATO RUSSO




( imagens google )
Acho que a melhor fase da música, tanto nacional quanto internacional foi dos anos 60 a 80. No Brasil nos anos 60 e 70, tempos difíceis, escuros, de renúncia e suicídio de presidentes, golpes militares, ditadura e opressão. O poeta escreve melhor sob pressão. Daí o surgimento de tantos bons cantores brasileiros e o interessante, de estilos muito diferentes. Nos anos 60, a Jovem Guarda com seus rocks inocentes seguia bem a linha Beatles. Não dá para falar mal da Jovem guarda, foi um tempo legal sim. Não vivi, era muito criança, mas me lembro de muita coisa. Comecei a gostar de música a partir dali.
Meados dos anos 60, época dos festivais, onde surgiriam grandes nomes. Quase 70, a guerra do Vietnam corria solta. Jovens americanos em protesto à guerra, saíam de suas casas, viviam como mendigos para serem dispensados do serviço militar, dando assim origem ao movimento hyppie. Era o movimento PAZ E AMOR, ganhando o mundo. Início dos 70, surge Secos&Molhados, de figurino estranho à época. Ney Matogrosso de rosto pintado a la Alice Cooper, porém rebolante, dava um show com ROSA DE HIROSHIMA, poema musicado, lindo, de Vinícius. Não demorou e Raul Seixas, com figurino igualmente estranho à época, fazia sua carreata OURO DE TOLO, pelas ruas de São Paulo, arrastando dezenas de pessoas. Acabava de pousar a Mosca na Sopa da música brasileira, que misturava o início da fase romântica de Roberto Carlos, com Tropicália, Fagner, Belchior, Tim Maia (Barry White brasileiro). Vinculam nome de Raul somente ao rock, isso até o incomodava, pois tem canções lentas belíssimas. Seu protesto nem era tão político, era mais social. De cada um tirar de dentro de si, o melhor. Sem essa gincana da vida, de que “ minha antena parabólica é melhor que a sua”, “ meu carro corre mais que o seu”. Pedia atitudes às pessoas e não alienação. Que vissem as coisas espirituais. Eta a ideia de uma "Sociedade Alternativa" no ar. Raul seixas soube misturar baião e rock, filosofia e música. Protesto com poesia. Raul foi o tapa na cara da hipocrisia brasileira que apresentava um “ belo quadro social”. Dizia que Gonzagão e Elvis eram iguais. E eu não podia deixar de falar de Gonzagão. Da mesma forma que penso que todas as vertentes do rock vieram pós Elvis, me arrisco dizer que vários estilos musicais brasileiros vieram de Gonzagão. Baião, xaxado, lambada, forró, até mesmo esse tal de axé. Alguns ritmos evidentemente já existiam, mas foi com o Velho Lua, que ganharam notoriedade. O próprio Gonzaguinha dizia que o pai era melhor que ele. Ninguém cantou melhor que Luís Gonzaga, a saga do agreste nordestino. E ele fazia isso, a gente percebe, com melancolia e humor, sentimentos típicos daquele povo. Gonzagão era gênio. Os anos 70 foram duros para juventude brasileira. Gil cantava “amigos presos, amigos sumindo assim pra nunca mais..”, numa clara alusão aos exílios e sumiços de artistas, impostos pela ditadura. Chico cantava “ apesar de você amanha há de ser outro dia”, na esperança de que “o estandarte do sanatório geral”, ia passar.
Início de 80, foi feita a abertura, acabou a ditadura militar Raul Seixas parecia passar o bastão à turma que chegava: “eu já ultrapassei a barreira do som, fiz o que pude às vezes fora do tom, mas a semente que ajudei a plantar já nasceu... eu vou me embora apostando em vocês. No testamento deixo minha lucidez, vocês vão ter um mundo bem melhor que o meu. Quando algum profeta vier lhe contar que o nosso sol está prestes a se apagar, vocês ainda têm a velocidade da luz pra alcançar”. Havia e ainda há uma outra ditadura, a ditadura musical que fica definindo para o povo o que é e o que não é comercial. Falarei disso no texto seguinte. No underground, bandas como “Aborto Elétrico”, “Paralamas”, “Asdrúbal trouxe o trombone” (num misto de música e teatro)”, iniciavam nova fase do rock brasileiro. Uma espécie de nova jovem guarda... só que com mais conteúdo. Fazendo o rock alegre, surgiram Blitz, Ritchie, Leo Jaime Kid Abelha, etc. De protesto, não muitos. “Camisa de Vênus”, “Heróis da Resistência” e alguns mais. Todo grande movimento musical tem seus líderes, embora nem sempre queiram isso. Essa coisa de liderança acontece naturalmente. Quando o artista olha pra trás, vê um monte de jovens esperando que ele diga as coisas para eles. Um desses líderes de toda uma geração era Cazuza. Grande poeta, grande letrista. Não era um grande cantor, acho que era meio “exagerado”, como ele mesmo dizia. Rasgava a voz demais, mas nas letras era muito bom. Não gosto de ficar citando músicas para não cometer injustiça com o próprio artista quando este tem uma grande obra, mas minha preferida dele é “Codinome Beija-flor”. Acho um poema lindo. “Exagerado”, também gosto muito, porque tem a ver comigo, quando diz: “Só um pouquinho de proteção a um maior abandonado”. Bem ao meu estilo, não? Porém, inconfundível era Renato Russo que colocou com toda ternura, o amor no rock. Tinha também seus protestos, como “Que país é esse?” , mas seu grande tom, seu grande fervor, calor, era o amor, cantado com pureza, mas sem deixar de doer na gente. Todo roqueiro antes de Renato Russo, tinha cara de mau, mas Renato tinha olhos tristes, parecia pedir colo o tempo todo. Era um ídolo solitário, gostava ( ou não?) de autoexílio. Não andava beijando a mão da mídia , o grande líder não precisa muito disso.O recado estava dado nas ruas e foi virando uma verdadeira Legião Urbana, onde tudo se resumia em: “amar as pessoas como se não houvesse amanhã ”. Dizem que os ídolos se perdem, são confusos, controvertidos. Será que não é por que olham em volta e parece às vezes que o recado foi inútil? Não por partes dos fãs, mas de quem comanda, domina e toma decisões, gente que pode mudar as coisas. E assim se deprimem, se exilam, sei lá e morrem cedo. Só sei que são pessoas à frente deseu tempo compreendidos ou não. Prefiro o que um amigo me diz. Que os grandes ídolos vêm à terra, dão sua mensagem e vão embora. Quem pegou, pegou. E não posso deixar de citar minha preferida do Legião Urbana: “Tempo perdido”.