ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2011 EU QUERO ASSIM...


(imagem google )
Sempre tenho gratas surpresas. Incrível como as pessoas gostam de mim. Digo isso sem nenhum convencimento, é que algumas coisas me fazem até chorar. Não de tristeza eu nunca fui triste, é apenas emoção. É que vira e mexe eu fico sozinho, mesmo com tanta gente gostando de mim. No dia em que fui visitar a amiga que fez cirurgia, encontrei-me com outra amiga que tem um breve poema meu que eu mesmo não tenho. A gente estava numa mesa de bar,entre amigos no fim de ano de 2007. Ela disse. "Está todo mundo na mesa dizendo algo para 2008. E você,Carlos? Escreve algo aí pra gente. Você está tão calado". Simplesmente tirei um papel em branco do bolso, (sempre tenho papel em branco no bolso) e comecei a escrever, não demorando mais que cinco minutos. Perguntaram. "Como você consegue isso no meio de tanta gente e barulho?". Ela me disse no dia da visita à amiga que jamais esqueceu minha resposta. "Foi simples. Essas coisas, essas intenções e desejos precisam estar dentro da gente o tempo todo. Eu apenas passei para o papel o que sinto todos os dias". Ela ficou de me mandar e mandou ontem à noite Abri hoje o email e fiquei muito feliz.
/////////////////

EU QUERO ASSIM...
Fale-me qualquer palavra
em qualquer língua, estranha ou conhecida,
mas que celebre a vida.
Ou cante qualquer canção
Moderna ou antiga
que me faça uma noite tranquila e uma manhã amiga.
O tom, tanto faz,
mas que seja de paz
Conte-me qualquer história
de fadas ou real,
mas que seja do bem vencendo o mal
Fale-me de pessoas na praça
achando graça, se abraçando de graça.
fale-me de momentos, mas que tenham sentimentos
regados no jardim dos bons pensamentos.
Fale-me filosofias, profecias, poesias
que toquem os anseios meus
e plantem em mim definitivamente o amor.
Fale-me de algo superior,
mas que me lembre Deus.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

VOANDO...


Olá,amigos. Volto em breve. Não pensem que estou parado, estou preparando coisas bem legais para o blog. Todo ano, como todos vocês, faço uma reciclagem, um balanço. Eu já não tenho mesmo o hábito de reclamar da vida e estava só esperando notícias boas de minha amiga para eu dizer que meu 2010 foi perfeito. Agora posso dizer. 2010 foi um ano muito bom para mim, não só pelas conquistas, pelas novas amizades, mas também pelas portas que ele abriu para 2011. É assim que eu vejo. O hoje é semeadura. Como diz certo provérbio. A semeadura é opcional, a colheita não. Por enquanto fiquem com messa bela música do grande Elton John. FELIZ ANO NOVO A TODOS! UM GRANDE ABRAÇO!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

TIAU!


Como não ando muito inspirado, ou meio desanimadinho, hoje deu vontade de recordar. O poema abaixo foi meu primeiro. É igual ao comercial do sutien, o primeiro poema a gente nunca esquece. Só não me lembro direito com que idade. Meus cabelos ainda não eram de prata e eram mais longos, quase cobrindo os olhos. Todo jovem é assim, pensa que é meio Sansão. Acho eu estava mais era para Davi. Todo dia um Golias a derrubar. Meu alento é que na minha mira também sempre teve uma estrela.

O SONHO DAS ESTRELAS.

Eu queria ser uma estrela,
aliás sou... e que brilha até.
Mas nesse céu de estrelas sou apenas mais um,
pois há outras no céu além de mim;
então passo a ser uma estrela comum.
Eu queria ser uma estrela, mas uma estrela única .
Tão maior, tão melhor...
não por egoísmo, vaidade ou poder,
apenas para todo o universo ver
o brilho que posso fazer.
Eu queria ser uma estrela única...
tão brilhante que iluminasse as outras estrelas,
que meu brilho tirasse o mundo do escuro.
Brilharia pra clarear pensamentos
para nesse clarão aliviar os tormentos.
Eu queria ser uma estrela, mas uma estrela única.
Tão estrela a ponto de ser amado pelas próprias estrelas.
que todas elas me vissem, me sentissem.
Êta sonho difícil, impossível talvez
porque as pessoas não têm muito tempo de olhar para o céu ,
pois estão todas preocupadas em serem estrelas.
/////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////
Esse blog vai dar um tempo. Uns 15 a 20 dias. Não, não são férias, quem dera. Preciso redirecionar algumas coisas, dar uma ajeitada na bússola. Sim, bússola mesmo, não tenho GPS. Mundo tão digital, coração analógico. É uma coisinha que fica num 'tum tum tum poético' dentro do meu peito e que norteia minhas ações. Coração de poeta não bate, declama.
FELIZ NATAL! No verdadeiro sentido da palavra. Que a Estrela que brilhou no oriente ilumine o caminho de todos.
TIAU!

(Em tempo.Darei uma passadinha aqui para dar notícias de minha amiga)

domingo, 12 de dezembro de 2010

SÓ ELA SABE


Mais uma vez é ela quem me acode
Só ela sabe, só ela pode.
Em dias escuros e noites frias,
só ela deita em minha cama
só ela me traz alegria.
Só ela me inflama quando pareço gelo
Só ela me desperta sonhos e me livra do pesadelo.
Ela senta-se à minha mesa, fala comigo da vida, da beleza
quando a certeza por entre meus dedos escorre.
Só ela me socorre.
É ela quem me entende
quando minh’alma se rende a uma dor sem fim.
Eu nasci para ela e ela para mim.
Ela é meu tudo, meu escudo, amparo na solidão.
É assim que eu brinco de ser feliz...
recolho-me à minha poesia,
meu coração é quem diz
ela é minha melhor ilusão.

sábado, 4 de dezembro de 2010

UMA SEMANA EM VÊNUS- QUANDO EU TE ENCONTRAR


( imagem fotos_net_oo6- google )
Não. Não peguei nenhuma espaçonave, nem fui abduzido por algum disco voador. Embarquei na minha imaginação que voa mais longe que qualquer cometa, que vai aonde se esconde a última estrela e que vai até a curva do vento. Foi assim que conheci Vênus. Não o planeta, mas a deusa e ela me disse algo especial. “Para amar uma deusa é preciso se portar tal qual”. Quando eu quis dizer “eu não sei me portar tal qual”, ela disse logo. “Simples. É só despir-se”. “Despir-me? Simples assim?”, pensei. Ela disse. "Despir-se não de roupas, mas de preceitos, de medos, é preciso ser intenso". Então eu tentei, digo, continuo tentando. Vez em quando faço uns poemas sensuais como esse, foi ela quem me ensinou.

QUANDO EU TE ENCONTRAR

Quando eu te encontrar
serás rainha...
do meu dia,da minha noite
só beijos como açoite.
Também serei teu dono
Amarei-te sem perdão
ficarás trancada em meu coração.
Quando eu te encontrar
serás amada,serás amante
como nunca foste antes.
Serás menina mimada
alucinante e alucinada.
Vou pousar em tua flor
como passarinho atrevido que busca o mel,
o néctar do seu amor.
Quando eu te encontrar quero tudo.
Quero boca,quero olhos
quero teu corpo e teus cabelos .
Serás deusa... e eu obediente
atenderei teus apelos.
Quando eu te encontrar
vou ser gigante domado
vou ser menino em desatino,
deliciosamente perdido
entre braços e pernas
com tal afã
que nem veremos nascer a manhã.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

CASAIS MODERNOS (Vamos brincar um pouco, essa vida está muito séria))


O marido cheio de “más” intenções abraça a mulher por trás dizendo.
-Amor, vamos trocar de posição hoje?
E ela responde.
-Vamos. Eu fico deitada no sofá vendo futebol e você vai pro tanque.
//////
Essa é antiga, quase todos sabem.
O casalzinho de namorados sentado na praça, a menina olha pro céu e pergunta, toda romântica.
-Mozinhooooô... por que será que a lua se escondeu?
E o cara ainda mais romântico, cheio de tato, responde.
-Ora, minha princesa. Com certeza a lua está com inveja de sua beleza.
Vinte anos depois, casados, sentados na varanda, ela pergunta.
-Benhêêê. Por que será que a lua se escondeu?
E ele sem nenhuma paciência, responde.
-Não está vendo que vai chover, sua burra?
//////
No leito de morte, o marido olhando a esposa sentada ao lado na cama. Ele começa
-Mulher. Estive pensanndo aqui nessa cama para morrer. Em todos esses anos você sempre esteve comigo. Nos piores momentos.
E ela interrompe.
-Ora, marido. Não fale disso agora. Eu estava no meu papel
E ele.
-Que nada. Preciso falar tudo o que sinto. Não posso morrer sem dizer isso, é importante para mim.
Ela acaba concordando
-Pois bem, se lhe fará bem, fale.
Ele continua.
-Lembra quando fiquei desempregado e quase passamos fome? Você estava comigo.
E ela humildemente.
-Sim, eu estava.
-E quando capotei o carro dando perda total? Você também estava ao meu lado.
E assim foi. Ela sempre concordando com a cabeça, ou dizendo “sim, eu estava”.
-Quando me meti na política, arranjei empréstimo, não fui eleito, fui à falência... e você estava ao meu lado.
A esposa se emocionando deixando cair lágrimas.
-Quando abri uma lojinha de calçados e ela pegou fogo... você estava ao meu lado.
Ela cada vez mais emocionada
E ele completou.
-Depois de tudo isso, mulher, cheguei à uma conclusão.
Olhando nos olhos dele, esperando uma declaração de amor, ela pede.
-Fala, meu amor. Fale tudo que seu coração sente. Diga a que conclusão chegou.
-Cheguei à conclusão de que você me dava um azar do caramba.
/////
Situação parecida, o marido no leito de morte, resolve se penitenciar à esposa.
-Amor, sei que vou morrer e preciso lhe confessar uma coisa.
Ela sabendo do estado do marido tentou lhe poupar.
-Não. Não quero ouvir confissões no estado que está. Vai se martirizar pra quê? Seja o que for já lhe perdoei, meu bem.
- Mas, eu insisto, meu amor.
Já que era importante para ele, ela consente.
-Pois bem, fale, sou toda ouvidos.
Segurando firme na mão dela, ele começa.
-Lembra da Ritinha da mercearia?
-Claro que lembro- responde a esposa.
-Pois me perdoe. Aquele corpo foi meu.
A esposa perdoou, não fazia mesmo mais diferença. E ele prosseguiu.
-Lembra da Joana, professora particular do nosso filho? Aquele corpo também foi meu. Perdoe-me por favor.
-Claro que perdoo.- Disse a esposa. Só que ele tinha mais.
-Até sua prima Luzia. Desculpe, mas aquele corpo foi meu.
Minutos de silêncio e ele retoma a conversa.
-Mulher, já que vou morrer mesmo e estou fazendo confissões e nada vai mudar mesmo entre nós, diga-me ... e você, ao longo dessa vida, já me traiu também?
E ela.
-Lembra quando a gente morava perto do Corpo de Bombeiros? Pois é. Aquele corpo também foi meu.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

COISAS DE POETA II


Esse também é um caso recente. Já cheguei à conclusão de que tudo que faço meticulosamente, dá errado, e claro, tudo que deixo acontecer espontâneo, as coisas que nem estou aí para elas, que nem lembro, saem melhor. Parece que a vida me permite ser um pouco moleque. Acho mesmo, pois ainda tenho muita sorte, mesmo não ligando muito de abraçar as coisas. Estou vivendo em outra cidade, trabalhando com outras pessoas, tudo muito diferente, e é natural que eu tente me adaptar ao novo que se faz em minha vida, qualquer um faria assim. Só que “pau que nasce torto, morre torto”. Melhor, poeta que nasce torto, morre torto. Vez em quando emerge o poeta, superando o profissional, o cidadão comum. Até já ouvi por aqui que sou ‘voado’. Gozado, acho que já ouvi isso antes... algumas vezes rs rs. Ora, eu não posso ser voado no trabalho, e não sou mesmo. Sou voado no que a maioria das pessoas se concentram. O importante é que as pessoas que me chamam de voado, tanto do passado como de agora, também me chamam de inteligente, de bom rapaz, de bom funcionário... e até de bom partido he he. Como eu rio dessas coisas. Vamos ao fato.
Acordei cedo, alías já havia dormido cedo, ia trabalhar antes do horário. Viram como no trabalho sou responsável? Fui chamado à uma festa e não fui porque precisa madrugar. Sentei-me ne cama, fiz pequena oração. Procurei chinelos, calcei, fui direto à escova. Rosto lavado, dentes escovados, tomei um gole de água levemente gelada.. Tenho esse hábito. Toalha limpinha para tomar um belo banho. “Não, sabonete comum hoje não. Vou pegar aquele de aromas”. Um banho de vinte e cinco minutos. Só de água no rosto foram uns dez. Cantarolei umas canções antigas enquanto sentia a água acariciar meu corpo. “Ô banho gostoso”. É verdade, eu falo em voz alta comigo, é um jeito de não me sentir muito sozinho. Enxuguei-me cuidadosamente, entre os dedos dos pés, atrás da orelha . Perfuminho bom. “Onde está meu uniforme?”. Dobradinho no guarda-roupas, calça e camisa cheirosos e macios. Peguei só a calça, pois ainda faria um café e não queria vestir ainda a camisa, era uma chance a menos de amassar ou sujar. “Quando for sair visto camisa. Só de calça e chinelo portanto enquanto esquentava leitinho para tomar com achocolatado, acompanhados com meio pão com manteiga. ”. Por quê tudo isso? O chefão vinha para dar uma reunião geral, com instruções gerais, novidades na empresa, etc. Sem contar a esposa e o “Tiarlie”, o cachorro que pensa que é gente, lembram? Agora meu check-list. “Já desliguei fogão? Já. Já desliguei ventilador? Já. Janelas dos fundos, já fechei? Já. Abri a toalha para enxugar no varal do meu pequeno apê? Abri. Tv desligada. Água na geladeira. Guardei a manteiga. Passei água no copo. Tudo certinho. Se mamãe visse agora ia ficar orgulhosa”. Ou então com muita raiva, pois quando era pequeno não fazia nada disso. Coitadas das mamães. Olhei as horas na parede. 06:20h. Eu estava adiantado, o carro passaria às 06:40h. Fui andando devagar , porém uma sensação estranha me acompanhou até o ponto de pegar o carro de que estava me esquecendo de algo. Busquei e rebusquei na memória e nada. Caso me lembrasse teria tempo de voltar em casa. “Ah, não deve ser nada importante, as coisas essenciais eu cuidei”. Vem de lá o carro, entrei, dei bom dia e todos responderam bom dia, rindo ou tentando não rir. Uns até com a mão na boca. Um disse. “Bom dia Carlos. Dormiu bem?”. Respondi na maior naturalidade. “Claro. Dormi demais. Rapaz, acho que dormi antes de dez horas”. Outro completou. “ Pode ter dormido bem, mas foi no mato. Você nem penteou o cabelo”. Risada geral. “O quê?”, falei espantado. “ Ah , então era isso, esqueci o cabelo”. Olhei rápido no espelho. Eu parecia um ouriço. Quando chegamos, a menina me emprestou um pente e me arrumei . Já me aconteceu isso, há muito tempo na juventude, quando meu cabelo era bem maior e mais encaracolado. E a cena foi pior naquele tempo. Felizmente agora está bem menor. Imaginem se fosse como na foto acima. Pois é, foi nesse tempo a primeira vez.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

COISAS DE POETA- PARTE I


( imagem google )
Fiquei chateado porque quase ninguém leu meu texto sobre alcoolismo. Os que vieram abrilhantaram muito.
Vou mudar o rumo hoje. É assim que é bom, a inconstância nos alimenta mais. Somos movidos mais pelas incertezas que pelo óbvio.
///
Dia desses parei mais cedo no trabalho e pensei em fazer uma comida. Sou meio fraquinho na cozinha, me viro no básico. Tanto que preciso de tempo para que fique boa a comida, e tempo eu tinha. Apesar do tempo disponível, não quis comprar os complementos como verduras, por exemplo. Teria que andar meio longe e eu já tinha chegado da caminhada. Preparei tudo ordenadamente. De um lado, panelas, pratos, talheres. Do outro, os temperos, óleo, alho, sal, etc. Tudo separado numa sequencia lóica, é um cuidado que tenho para não esquecer nada, sabendo de minhas limitações como cozinheiro. Afinal, um poeta precisa se virar sozinho. Estou dizendo de minhas limitações como cozinheiro, mas também afirmo que acerto umas comidas saborosas. E nesse dia não tinha motivos para dar errado, eu estava tão feliz. Nem sei o porquê, mas estava feliz. E começou a arte. Sim, cozinhar é uma arte. Enquanto afogava o arroz, peguei um gostoso feijão com linguiça na geladeira, esse era só esquentar. Não resisti e peguei uma linguicinha na panela, mesmo gelada, eu estava com fome. Só pensando no arroz que estava quase pronto. De vez em quando levantava a tampa da panela para contemplar o arroz que estava ficando bonito. Parecia que era meu dia de comer arroz. Se eu não comesse daquele arroz eu ia morrer. Certo momento, depois de desligar o feijão, verifiquei que a panela secou. O tão esperado arroz estava pronto. “Hummmm... deve estar uma delícia”, pensei. “Agora vou me fartar dessa gostosura”. Olhei de lado e não vi ninguém do lado para eu tirar onda. “Pôxa, quando eu faço um arroz tão bonito não tem ninguém para eu tirar onda”. E o arroz estava mesmo bonito, todo branquinho, tão soltinho que parecia que eu havia cozido grão por grão. Eu mesmo me surpreendi com tal delicadeza. Sim, o arroz não estava só bonito, estava também delicado. Bem, lamentei não só não ter ninguém para eu tirar onda, mas também para dividir comigo um momento de jantar. Paciência, um poeta tem mesmo que se virar sozinho, em todos os sentidos. O que importa é que ia degustar um arroz que nunca havia feito antes. Pensei. “Antes de por feijão vou comer umas três colheres só de arroz”. E coloquei uma por uma. “Hummm... é agora”. E pus na boca. E aí a decepção. Esqueci de colocar sal. Foi o arroz mais insosso que pus na minha boca. Felizmente, olhei de lado de novo e não tinha ninguém para me gozar. Poeta é atrapalhado, dizem, imaginem um poeta morando sozinho... e achando que sabe cozinhar. Ai, ai.
Melhor eu continuar escrevendo. Cometo menos falhas.

domingo, 28 de novembro de 2010

ESSES BÊBADOS ( PARTE II )


( imagem google )
Como já disse, Duquinha era o bêbado tipo intelectual. Nas poucas horas sóbrias, nos dava verdadeiras aulas de história geral, civilizações antigas, gostava de filosofia, tinha ideias futuristas e gostava de frases de efeito. Tinha bom português também, mas gabava-se mesmo era de ser bom em matemática. Falava de Pitágoras como se fosse um amigo dele. Jurava ter sido professor e eu acreditava, pois sei quando alguém está enchendo linguiça e ele pegava nossos cadernos e resolvia as questões. Tinha frases amarguradas também. “As únicas coisas exatas nessa vida são a matemática e a morte. Só que a matemática não me pega. A morte quando chegar, que me pegue dormindo, pois não quero ver a cara dela”. Talvez já estivesse vendo e não sabia.
No final do bairro, havia um abismo, depois desse abismo a uns cinco kilômetros, tinha o rio e depois a floresta. Era de lá que a lua saía e sempre proporcionava um bonito visual, principalmente se era lua cheia. Numa noite, vindo da aula umas onze e meia, a lua estava tão clara, chuveirando raios sobre a floresta que dava para ver mesmo de longe, algumas silhuetas de árvores. Avistei Duquinha, em pé, de braços abertos na beira do abismo. No princípio pensei no pior: suicídio. “Não. Ele é inteligente demais para fazer isso”. Parei, dei um tempo. “Nunca se sabe, vou lá”. Cheguei de mansinho, dei boa noite, ele respondeu. Não estava tão bêbado. Sentei-me na intenção de induzi-lo a sentar-se também e sentou-se mesmo, o que me deixou aliviado. Não era um abismo tão alto, mas cheio de rochas lá embaixo, além de ser bem íngreme. Perguntei. “Pensando na vida, Duquinha? Está fazendo o quê aqui, amigo?”. Olhando reto para a mata, respondeu. “Estou vendo uns satélites, umas espaçonaves, asteróides, cometas”. Prossegui. “E já viu algum?”. Olhou para mim rápido. Ah, é você, ‘Carlim?. Vi vários. Nada é mais poderoso que a imaginação. Podem lhe tirar de tudo na vida, menos a sua imaginação”. Falou de um jeito como se tivesse perdido muitas coisas na vida. Percebi que estava tranquilo, apesar de amargurado, e para mim já era tarde. “Preciso ir. Ainda vou jantar e acordo às cinco para trabalhar”. Sempre olhando para a mata, disse. “É isso mesmo, meu rapaz. Trabalhe muito, pois o trabalho é sua honra. Sem seu trabalho você não faz história”. Já de pé, tentei levá-lo junto. Fica aí não, está frio. Vai pegar uma pneumonia”. Ele disse. Você não está preocupado com pneumonia, eu sei. Obrigado por isso, mas não se preocupe, estou bem. E cantarolou uma música do Fagner. “Sem o seu trabalho, o homem não tem honra, e sem a sua honra, se morre, se mata. Não dá pra ser feliz, não dá pra feliz”. O “não dá pra ser feliz”, repetiu umas vinte vezes, até eu me afastar e não ouvir mais. No caminho, pensei. “Um dia vou escrever sobre isso”. Hoje escrevi. Duquinha, que era o mais novo dos velhos, foi o último a morrer da turma, e talvez por isso, mais solitário e mais bêbado. Se ainda morasse lá teria ido ao seu velório, não para comer salgadinhos com café ou ouvir piadas, mas para talvez falar com alguém que o tivesse conhecido no passado que pudesse me explicar por que um matemático acaba daquele jeito. Desde então, nunca mais contei piadas de bêbados. Alcoolismo é coisa séria. São cenas tristes travestidas de engraçadas.

sábado, 27 de novembro de 2010

ESSES BÊBADOS (PARTE I )


(imagem google- Muito boa essa imagem do bêbado falando com Drummond. E o Drummond parece que está prestando uma atenção danada)
Dividi esse texto em duas partes por dois motivos. Um, para não ficar grande demais. Outro, porque são partes distintas de um mesmo tema. Na primeira tem um pouco de humor, já na segunda, não. Já questionei com amigos de onde vêm as piadas já que nunca têm autoria declarada. Eu mesmo respondo. As coisas engraçadas vão acontecendo, correndo de boca em boca, cada um aumenta um pouco e assim se formam as piadas. Vou contar algumas piadas reais de bêbados acontecidas no meu antigo bairro, onde cresci. Adianto que nunca mais contei piadas de bêbados, mas isso vocês só vão saber lendo a segunda parte.
Caratinga (apelido referente à sua cidade de origem) era meio chato, falador e ainda por cima falava muito rápido e ninguém entendia nada. Nequinha, era o bebedor calado, sentava-se à mesa com seus companheiros por horas, sem dar uma palavra. Seu Jaime era o gozador. Desse eu gostava mais, pois era pai de um amigo meu, além de ser divertido. Certa vez, lá vinha ele da esquina com garrafa de cachaça na mão, sugando através de dois canudinhos ligados um no outro. Tomei um susto. Que é isso, seu Jaime? Pinga já faz mal e ainda por cima no canudinho? Com cara mais safada, respondeu. “Ordens médicas. O doutor mandou eu me afastar um pouco da bebida”. E nos velórios? Ele era o rei do velório. Eu também gostava de ir, só não gostava de ver defuntos, me sentia mal. Gostava comer salgadinhos com café e ouvir piadas a noite toda. No velório do seu Geraldo, seu Jaime tentava a todo custo acertar a cabeça dele que teimava em pender prum lado. E ele dizendo. “Ô véio safado. Para quieto com essa cabeça. Já me encheu o saco a vida toda, vai me encher agora também?”. E nada da cabeça parar. “Já sei por que está olhando de lado. Procurando mulher, né? Bem que você falava que ia por chifre na mulher até depois de morto”. Até a viúva que chorava, riu na hora. E o Balança? Tinha esse nome porque balançava, balançava e nunca caía, nem mesmo de bicicleta. Catava os quatro cantos da rua e a gurizada torcendo. “Vai cair, vai cair”. Ele descia gritando. “Vai cair é o chifre do seu pai de tão grande que é”. Uma vez entrou no Bar do Salomão, pediu água e um sonrisal. Em vez de jogar no copo, jogou na boca e o comprimido enorme entalou em sua garganta, começou a queimar, ferver, tirando-lhe o ar. Ele rodopiou pelo bar todo pedindo socorro fazendo gestos com a mão mostrando a garganta. Até que veio alguém, deu-lhe um soco nas costas e um copo d’água. Sentado, ainda se refazendo, soltou essa. “Depois dizem que bebida faz mal. Bebo há mais de trinta anos e nunca me aconteceu isso. Hoje fui tomar remédio e engasguei. Põe uma pinga pra mim aí, Salomão”. A rapaziada ficava apostando qual deles morreria primeiro. Nequinha foi o primeiro. Nunca me esqueço da cena. Caratinga e Duquinha, abraçados frente ao caixão, mais para se escorarem do que propriamente por solidariedade, diziam. “É. Cachaça levou nosso amigo Nequinha”. O outro. “Pois é, cumpádi. Acho bom a gente parar de beber”. Ficaram ali uns minutos e um deles disse. “Vamos ali tomar uma no Salomão?”. Eu interrompi. “Mas vocês não falaram agora que vão parar de beber?”. Duquinha respondeu. “Vamos sim, mas não hoje. Hoje vamos celebrar nosso amigo, se a gente não tomar uma por ele, ele vai ficar chateado”.

Termina aqui essa parte. Na segunda, vou falar de Duquinha, um bêbado intelectual, e aí vocês vão entender porque nunca mais contei piadas de bêbados.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

CABELOS BRANCOS




Meus cabelos estão ficando prata.
Daqui estarão brancos como a cascata
onde eu costumava brincar;
brilhantes como as estrelas
que eu gostava de contar.
Cabelos brancos.
Quantos trancos! Quantos barrancos!
Não faz mal que mude meu visual.
Cabelos brancos são histórias, nem sempre glórias,
mas são experiências e memórias...
de um tempo juvenil
de tudo que meu coração fez e viu.
De quando eu via o mundo como um parque de diversões
Do meu jeito moleque
quando a vida era um enorme leque na palma da minha mão
e nela eu abria um sem fim de doces ilusões.
Tenho andado assim... com saudades de mim.
Que fiquem brancos meus cabelos
já tive piores pesadelos
eu vejo em cada fio um pouco de minha poesia nata,
esse sim meu verdadeiro tesouro,
não me importo que eles virem prata
desde que meu coração seja ouro.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

QUANDO O POETA SE CALA


( imagem google )
Quando o poeta se cala
por dentro gritam queixumes.
É como a flor que não mais exala
o melhor dos perfumes.
Quando o poeta se cala não há vida,
felicidade faz despedida.
Não há sol nem lua que embeleze o dia.
Quando o poeta se cala, cala até a poesia
Cabisbaixos ficam os rouxinóis, os girassóis,
murcham orquídeas e jasmins.
Choram até os anjos e querubins.
Mas é culpa do próprio poeta que imagina tudo em flor
e ele se cala vendo que o deserto de hoje já foi um jardim de amor.
A boca que lhe dava mel
foi voar em outro céu
deixando das flores,só o espinho e a dor.
Quando o poeta se cala tudo chora nessa hora;
Choram o homem, o menino...
e o beija-flor.

domingo, 21 de novembro de 2010

NUNCA MAIS VOU FALAR DE AMOR


Revirando gavetas encontrei esse texto antigo.
////
Nunca mais vou falar de amor. O amor tão falado, cantado, proseado, versejado por cantores poetas e escritores. Por quê? Porque ele não existe. Ah, como eu gostaria do amor platônico das poesias, das novelas e filmes. Ah,como eu gostava de contos de fada. Mas ele, o amor tão lindo e eterno, acho que nunca existiu. Poetas não merecem o amor, por isso vivem sozinhos. Digo sempre que as melhores coisas nem sempre são palpáveis e também por isso vivo num mundo abstrato. Ou melhor, vivia. Porque agora não vou mais falar de amor. Vou falar de filosofia, política, natureza, Deus, qualquer assunto que não seja amor. A não ser o amor irmão para irmão, amigo para amigo, mãe para filho, Deus para a humanidade, mas o amor homem/mulher, não. Estou de saco cheio de ler sobre o amor. Vou jogar fora minhas antigas estorinhas de contos de fada.
Vou ser SÓ UM POETA SÓ.
///////////////////////////////

Puxa,como eu estava mal, hein?

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

É PRECISO SABER TOCAR UM CORPO DE MULHER


( imagem google )
É preciso saber tocar um corpo de mulher...
não é um instrumento qualquer.
É preciso ter carícia, malícia
para ouvir a delícia dos melhores sons.
Hummmm... sussurros bons.
Há que se saber afagar, dedilhar
como a mais fina lira
um toque bem dado e ela se inspira
e acende a pira no seu corpo de mulher.
Não, não é um instrumento qualquer.
Quando o ritmo se faz
não para mais
e a dança de quadris é o melhor sinal
de que o toque foi feliz.
É preciso saber tocar
de todos os jeitos
boca, mãos, dedos.
As vibrações saltam pelos poros,explodem no peito.
A melodia do amor não tem segredo
uma mulher bem tocada é pura emoção.
Toque nela toda,
mas comece pelo coração.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

MEU CRUZEIRO FOI ROUBADO!!!


Imagem google )
Não sou bitolado com muita coisa ou com quase nada na verdade. Talvez eu seja com a poesia, mas aí não chamo de bitolação, chamo de amor. Com futebol sou menos ainda, embora não possa dizer que não torço, que não acompanho, nisso estaria mentindo. Mas sou do tipo do torcedor que desligo a tv e vou dormir normalmente, nem nunca fui a aeroporto para ver jogador. Não ligo de perder quando o jogo é honesto. A torcida corinthiana não tem culpa de nada, não tem nada a ver com isso, apesar de que tenho restrições ao famoso "quero que meu time ganhe aos 45' do segundo tempo com gol roubado". Eu não. Quero que meu time ganhe com gols limpos, corretos, de maneira honrada. O que se viu domingo foi um assalto. Tivemos quatro impedimentos inexistentes, marcados contra o ataque do Cruzeiro. Tivemos três pênaltis em favor do Cruzeiro não marcados, fora inversão de lances e faltas não marcadas prol Cruzeiro. Aí aos 43' do segundo tempo, veio o que o juiz esperava. Ronaldo, de quem sou admirador, só esperou o defensor do Cruzeiro tocar-lhe numa disputa pelo alto, normal de um esporte onde o contato físico é inevitável, se estatela no chão, gordo que é e por isso com facilidade de cair... e o juiz marca pênalti. Vão perguntar. "Todos dizem que juiz é comprado, mas por que ninguém nunca prova?". Respondo com outra pergunta. Será que há interesse de se provar? E emendo. Corrupção não significa apenas dar dinheiro, não quer dizer necessariamente que houve pagamento em dinheiro, mas pode muito bem resultar numa indioação a uma copa do mundo, num emprego de comentarista nas grandes tvs. E ainda. Há uma presão natural, psicológica do juiz em marcar algo contra o Corinthians, num estádio daquele lotado, ele sabe que sua carreira acaba, por isso, é melhor estar bem com a mídia dos grandes centros esportivos. Mais uma emendinha: No Brasil, um dos campeões de corrupção, será que o futebol ficaria isento?
Só sei que meu Cruzeiro foi roubado!!!

Ah, aos que perguntaram, achei carne de bode uma delícia

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

MENINO CRESCIDO... OU ADULTO TEIMOSO?


( imagem anittabaroc.sapo.pt- google)
Essa é das músicas que mais ouvi na infância/adolescência e me identificava com ela. Você vão ler e entender porque eu disse isso. Meu irmão, desempregado na época, tocava ( e toca) violão muito bem) e essa era uma das preferidas dele. Ele gostava muito do Erasmo Carlos, até parecia um pouco com ele, que além da parceria com Roberto Carlos, sempre lançou uns discos solos bem interessantes. Quando meu irmão não tocava, eu mesmo cobrava. “Toca aquela do Erasmo” . Por quê? Porque eu era um pré adolescente e já tinha um sem fim de responsabilidades em casa, já me sentia um adulto quando precisava, embora jamais tenha deixado de ser feliz como criança. Nunca deixei de brincar só porque tinha obrigações. Sinceramente, eu era muito inteligente, pois conduzia as duas situações com muita tranquilidade. Era um Carlos conduzindo o outro Carlos. Vocês vão ler a letra e vão entender porque eu ficava pensando ouvindo a música: “Hoje sou criança e pareço um adulto. Será que quando eu crescer, vou parecer criança?”.

SOU UM CRIANÇA,NÃO ENTENDO NADA ( ERASMO CARLOS )

Antigamente quando eu me excedia Ou fazia alguma
coisa errada
Naturalmente minha mãe dizia: "Ele é uma criança, não
entende nada".
Por dentro eu ria satisfeito e mudo — Eu era um
homem e entendia tudo
Hoje só, com meus problemas Rezo muito, mas eu não me
iludo
Sempre me dizem quando fico sério: "Ele é um homem e
entende tudo"
Por dentro com a alma atarantada — Sou uma criança,
não entendo nada.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

MEU CANTO


Se meu canto não causa mais encanto
Vou ficar no meu canto
Vivendo do meu próprio canto.
Ainda que ele não seja santo
é tudo que tenho para conter meu pranto.
Mesmo que seja narcisista, intimista
ele é meu acalanto.
Quem sabe um dia ele ecoa por todos os cantos?
E quem não ouvia se arrependa tanto
de não ter percebido meu encanto.
Ah, como é triste esse canto que eu canto
reservado nesse canto
que me faz chorar tanto.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O QUE FAZER?...


( imagem google )
Quando todos os sonhos foram negados.
Quando o amor parece impossível.
Quando lhe disseram as piores palavras.
Quando você já foi condenado.
Quando os amigos somem.
Quando lhe falta o chão.
Quando sente a corda apertando o pescoço.
Quando a poesia não presta.
Quando o horizonte fica negro.
Quando falta um abraço.
Quando falta uma palavra.
Quando a lágrima não cessa.
Quando a rua está escura.
Quando a fonte seca.
Quando o deserto se agiganta.
Quando todos estão surdos.
Quando todos estão mudos.
Quando todos estão cegos.
Quando tudo parece perdido.
O que fazer?...
Fazer como uma velha águia, que com dificuldades voa até o topo da mais alta montanha, num sofrido autoflagelo, numa demorada automutilação, começa a tirar as penas e garras velhas e podres, para que novas penas e garras nasçam para assim realizar outros voos. E ela se renova. Quando tudo dá errado? Simples. Fazer tudo de novo! Uns dizem que esse procedimento de renovação da águia é real, outros dizem que é lenda. Já nem sei se essa vida é real. Às vezes penso que é tudo uma grande lenda. Por isso eu não fico procurando muito o chão para pisar, pois não confio muito nele. Se tenho asas, se sou uma velha águia não me importo de fazer o voo do autoflagelo. Se eu um dia não conseguir voltar, se não tiver forças para me renovar, vou morar no topo da montanha, com minhas feridas e penas caídas. Solidão não é tão ruim assim.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

QUEM VAI PARAR A CHUVA EM MIM?


Não sei por que fico assim
nesses dias fico a esmo.
Parece que chove dentro de mim.
Escuto “November rain”,
“Hwo’s stop the rain”
e traduzo para mim mesmo
“quem vai parar a chuva”… nesse novembro?
Queria escutar com alguém.
Sol? Já nem me lembro.
Não que eu não goste quando chove,
mas parece que o céu está chorando
meu peito se comove, eu acabo imitando
e fico triste também, soturno, noturno, vazio.
Hoje o dia está tão frio.
É solidão demais.
Tão escuro nunca vi.
Tenho medo de ficar aqui.
Chuva e lágrimas são iguais
embaçam a vidraça, o olhar
deixa o dia sem graça.
A chuva é fria, as lágrimas são cálidas.
A esperanças são muitas, as certezas são pálidas.
Em dias de chuva fico assim.
E torno a cantar...
Quem vai parar a chuva dentro de mim?

Nta: Achei legal citar músicas de duas bandas de rock de épocas diferentes: Guns n' roses e Creedence, para falar dos dias chuvosos aqui. Claro e porque gosto delas.

sábado, 30 de outubro de 2010

O MAR E O AMOR


(imagem papeldeparede.etc.br)
A lágrima é salgada, o mar também.
Será que o mar representa as lágrimas choradas de alguém?
Se for verdade, que tamanho de dor.
Dizem que é assim, o sofrimento é do tamanho do amor.
O mar assusta, mas nada custa tentar
Eu ainda não sei nadar,
mas de vez em quando arrisco
Amar estou aprendendo,
É assim que vou vivendo
se não tento, não petisco.
Adianta ficar à margem apenas a contemplar?
Se um barco lindo me chama à viagem
por que não navegar?
Depois lançar âncora nalguma ilha
a centenas de milhas de tudo que é dor.
Se o mar é grande, não me assusta
meu coração se ajusta
muito maior é o meu amor.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

BOM FINAL DE SEMANA A TODOS...


(imagem google )
Trabalhando e estudando, mas feliz. Desculpem a ausência. Divirtam-se, abracem, beijem, amem, brinquem, orem, celebrem, comemorem, sorriam, conversem, enfim... sejam felizes!!! Um abração do tamanho do mundo a todos!!!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O DIA EM QUE FIZ VOCÊ CHORAR



Foi lindo. Talvez uma das cenas mais lindas e gostosas que já vi. Ver você chorar foi o máximo. Eu poderia ter o triplo de inspiração que mesmo assim não conseguiria descrever a cena. Nem se eu fosse o maior pintor do mundo, conseguiria pintar cena tão magnânima. Um esplendor de emoção você chorando como uma menina. Mas é isso que você é: uma menina. Você apenas se veste de mulher para cuidar de mim, mas no fundo é uma adorável menina. Acho que também completei essa cena bonita, todo atrapalhado, beijando sua lágrimas, afagando sua face, todo preocupado se havia lhe feito algum mal ou dito algo que não gostou. Que tolinho eu! Não sabia que você estava chorando de felicidade e que você estava nada mais nada menos, não no mais alto patamar de alegria e euforia, lá no último andar, foi além disso, digamos que você foi logo ao terraço... para contemplar estrelas. Quantas estrelas! E que estrelas! E quantas estrelas esse amor nos dá! Eu diria mais... ele nos faz estrelas um do outro no nosso céu particular. Sabemos que a vida é feita de dois lados: dia e noite, sol e lua, cara e coroa, preto e branco, genialidade e loucura. Tudo se divide em dois, separados por uma linha tênue, invisível, são antagônicos, mas muito próximos. Com você eu pude transpor a linha do riso e do choro. Só o amor pode proporcionar essas viagens que transpõem os limites da compreensão humana. O bom de tudo é que rimos muito depois disso. Estou rindo até hoje Nunca mais vou esquecer essa cena que entrou na minha retina e se alojou no meu coração que é o melhor lugar para armazenar boas lembranças. Foi lindo o dia em que fiz você chorar.... de alegria. É a única forma que pretendo fazer você chorar... de alegria. Espero ir ao terraço com você outras vezes para a gente ver estrelas.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

UM DEUS VAGABUNDO - BUBUSKA


Esse foi o primeiro disco solo de Bubuska, em 1980. Um cantor pernambucano que faz a linha de estilo independente, individual, não preso a nenhum grupo musical, apesar da rica e misturada música nordestina, e talvez por isso não seja muito reverenciado. Mas um grande compositor. E essa música tem muito a ver comigo.

Nota: Em tempo, apenas para esclarecimento, "Ferrugem" ( 'quero ver o meu filho chamado Ferrugem') que ele cita na música, era um astro mirim dos anos 70.

"Vou roer o metal da maldade a brincar"

terça-feira, 19 de outubro de 2010

QUE MENINA!


Que menina!
Que me nina
e me faz dormir, sonhar
acordar para a vida e sorrir.
Doce sina
fui conhecer uma menina
que me ensina a voar, a amar
e depois, me nina.
Que menina!
Seu jeito inocente me fascina
e tudo que ela quer eu já sei
a lição guardei de cor
de tudo que ela me ensina
não existe coisa melhor
do que ter alguém que me nina.
Tão bom quanto dormir, é acordar sob o olhar da menina
que me fala de amor sem dizer uma palavra sequer
que é meu arrimo, minha rede
conhece bem minha sede
porque é minha mina.
Que venha essa mulher, como vier,
mas sempre será minha menina
que me nina.
Que menina!
//////////////
Em 16-10-2010

sábado, 16 de outubro de 2010

ESTÓRIAS E HISTÓRIAS NORDESTINAS


( imagem google )
O título tem nome dúbio porque o pernambucano que me contou jura de pés juntos que aconteceu. Realmente alguns dos causos que os antigos contavam até se confundem com a história do país. É por isso que gosto das culturas mineira e nordestina, pois são meio parecidas. Rurais, engraçadas, tristes, místicas, algumas absurdas que parecem ter um fundo de verdade, todas oriundas sempre de pessoas simples, mas que não gostam de mentiras. Podem até aumentar um pouquinho, mas mentir jamais. Dizem que lá pelos anos 30, 40 no agreste do Pernambuco existia um tal Coronel Chico, daqueles, cheios de terra, de gado, que mandavam no padre, no prefeito e até no delegado. O delegado, claro, era nomeado por ele. O prefeito também não tem porque não dizer que era eleito por ele já que a maioria dos eleitores ou eram seus empregados ou lhe deviam dinheiro e favores. Era o início do famoso voto de cabresto. Pensando bem, voto de cabresto existe até hoje em todas as esferas da sociedade. Não é um ‘privilégio’ somente dos humildes. E o padre, tendo as ‘generosas’ doações para a igreja, fazia vistas grossas para tudo e sempre dizia “amém”. Era aniversário da cidade e ia ter um jogo de futebol contra a cidade vizinha. Era um estádio bonitinho, com arquibancadas e tudo. O coronel não sabia nada de futebol, não entendia pra quê “aquele monte de homem correndo atrás de uma bola”. O assessor, digo, jagunço, foi explicando. “Vestem uniformes diferentes para não confundirem os times. Aquele negócio formado por três paus se chama trave e aquele vestido de camisa 1 é o goleiro. Os times tentam chutar a bola lá dentro e quando conseguem, é gol. Quem faz mais, ganha o jogo. E aquele homem vestido diferente, de camisa preta (antigamente os juízes só vestiam preto), é o juiz. É ele quem manda, a autoridade é ele”. O coronel resmungou. “Já não fui com a cara dele”. Claro, ele não aceitava alguém tomando decisões dentro de suas terras. A partida ia chata, sem grandes emoções. Até que aos 45 minutos do segundo tempo... pênalti! O coronel pergunta ao jagunço. “Que empurra empurra é aquele? Parecem que querem brigar com o homem de preto”. O jagunço respondeu sempre com jeito. “É que foi pênalti, coroné. O jogador derrubou o outro dentro da área, dentro daquelas riscas de cal”. O coroné já desconfiado de encrenca, perguntou. “E isso é ruim, é? Como chama mesmo... ‘pênuti’ é esse o motivo da confusão, num é?”. Prevendo confusão também, o jagunço corrigindo, respondeu. “É pênalti, coroné. Muito ruim, coroné. Ainda mais que é contra nosso time. Fica só o nosso goleiro, sem ajuda dos companheiros esperando o atacante deles chutar. Só os dois”. O coronel torceu o bigode e já tirou o chapéu, levando a mão à cintura. “Oxe! E quem aprontou uma daneira dessa?”. “Foi o juiz, coroné”. O poderoso levantou-se de arma em punho. “Pois vá lá embaixo e diga que eu quero que vá cobrar esse tal de ‘pênuti’ do outro lado, no goleiro deles”. O coitado do jagunço, sempre pronto, ainda tentou retrucar. “Mas coroné... e o juiz? Ele não vai deixar”. “Pois diga a esse juiz, aquele cabra da peste, filho duma égua, que se ele é o juiz, eu sou o dono da cidade, então eu mando mais. E você já está demorando”. Pronto, o homem desceu logo, falou falou e falou com o juiz e depois de pequeno tumulto, o pênalti foi cobrado no gol adversário. Enfim, o time da cidade ganhou de um a zero. E as pessoas na rua comentavam. “O coroné estava certo. Nosso time não podia perder justo no dia do aniversário da cidade. E à noite teve uma festona na praça, claro, bancada pelo coroné.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O QUE É BOM REPETE


( imagem google )
Já repararam que tem coisas que a gente não consegue fazer só uma vez? Ou comer só um? Ou só um pouquinho? Vamos aos exemplos. Menino quando joga bola, gosta de jogar o dia todo. Ele não para enquant o a mãe não chama ou arrasta. Você consegue comer só uma pipoca? Você se satisfaz com um só picolé? Da mesma forma o sorvete. Jabuticaba. Uva. Você fica satisfeito chupando só uma manga? E aqueles salgadinhos chips que muita gente fala que não gosta, mas quando começa não sobra um no saquinho? Chocolate engorda... e daí? Vai comer um só? Duvido. Ah, eu poderia citar muitos exemplos de delícias da vida que a gente pede bis... mas vou parar na principal. Mais que o picolé, que o salgadinho, que a manga e a pipoca... é o amor. Alguém quando está na plenitude do amor, consegue fazer amor apenas uma vez? Claro que não, porque o que é bom repete. Agora me deem licença que vou ali comer umas pipoquinhas he he.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

OBRIGADO A TODOS...


( imagem daniel-na-cova-dos-leoes/ blogdejesus.wordpress.com)
Amigos, sinto-me confortado, encorajado e muito grato pelas palavras de todos. Sinceramente, me emocionei ao ver que se preocupam. Legal isso. Foram mesmo minutos de terror que não desejo a ninguém, mas Deus estava lá. Vou me cuidar sim e orar mais. Ainda não estou podendo visitá-los tanto, pois além de trabalhando muito também estou estudando porque serei submetido à avaliação escrita, oral e prática. E ainda não pude comprar um notebook, haja vista que ainda estou me estabelecendo. Vez em quando dou uma ida numa lan, mas não é mesma coisa de em casa,né? Vou comprar sim, em breve ,fica até sendo uma maneira de eu não sair tanto, fico cuidando de minhas poesias que é o que mais gosto. Sobre o fato horroroso, confesso que ainda fico pensativo, assustado até tive dois pesadelos, mas Deu vai tirar isso de mim. Obrigado mesmo, de coração, pelas palavras, dicas, conselhos e orações. Vocês são 1.000!!! Um abraço do tamanho do mundo para todos.

sábado, 9 de outubro de 2010

EU SOU O AMOR


O que me leva, o que me traz
O que me eleva e satisfaz.
Que me chama à viagem
Que me dá coragem por qualquer caminho que eu for...
é o amor.
Dele eu nasci.
Vivendo dele, cresci.
Com ele e por ele, sonhei.
Nem me importa se às vezes chorei,
mas sempre acreditei num recomeço,
pois desde o começo foi assim:
eu nasci para o amor,
o amor nasceu em mim.
É por ele e com ele que eu vou contente
rompo barreiras, cruzo fronteiras
levando no peito e na mente
o amor é meu princípio, meio e fim,
ele esteve na minha fonte
está no meu presente,
e o vislumbro no horizonte.
Eu sou o amor!
Ah, o amor!

DESEJO A TODOS UMA SEMANA CHEINHA DE AMOR

sábado, 2 de outubro de 2010

CAMINHOS DE UM POETA




Dias desses li sobre a Lei de Murphy. Aliás nem quero saber quem foi, pois de gente negativa quero distância. A lei diz o seguinte: "Se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará. Se algo está ruim com certeza pode e vai piorar". Ainda bem que não tive muito tempo de praticar essa lei, ao contrário, fui a vida toda a antitese dela. Fui arrimo de família muito cedo, embora não fosse o mais velho e isso me tomou muito tempo de minha vida. Estava tomando conta dos sonhos e do conforto de outras pessoas. Sobre os meus, eu dizia. "Meus sonhos não estão perdidos, estão só guardados. Um dia eles vão acontecendo aos poucos. Tenho paciência. Vai dar tudo certo". Realmente, alguns foram mesmo acontecendo. Hoje eu digo que aquele foi o melhor tempo de minha vida, pois foi quando amadureci, cresci. Era um menino tentando ser homem. E hoje, um homem tentando ser menino. Eu estava fazendo minha base e não sabia. Fácil nunca foi, mas meu pai já dizia aos meus irmãos. "Você é cobrado pelo que vale. Não se incomode de ser cobrado, é sinal de que tem valor. Se nunca lhe cobram nada, é porque é inútil e não há nada pior para um homem do que sentir-se inútil. E Deus não dá a cruz mais pesada que os ombros". Parecia que ele estava adivinhando. De tempos em tempos, as coisas mudam. Na cidade, no país, no mundo... e em você. Algumas mudanças, radicais, umas duras, outras boas, algumas forjadas e outras simplesmente acontecem. Eu já passei por todas e hoje afirmo que gostei de todas. As duras aceitei e enfrentei com paciência. As boas, não tive muito tempo de comemorar, minha vida era em alta rotatividade. Forjei algumas porque foi necessário. E as que vieram naturalmente, lembrei-me que a cruz não é mesmo mais pesada que os ombros. Disse que gostei de todas porque nunca deixei que nada me impedisse de ser o Carlos. Nunca deixei de brincar, de jogar bola, de namorar, de beber, de comer o que eu queria, de gandaiar, de trabalhar e estudar. Estou passando mais uma transformação e me preparando para uma outra talvez já breve, mas mineiramente falando, é uma escalada, precisa ser aos poucos, até porque uma depende da outra. Vejo um camponês feliz olhando a plantação bonita, mas imagino o que ele trabalhou para que ficasse assim. A vida também é assim e não há nada mais belo que você olhando para trás, ver a recompensa de tudo que foi feito. Os frutos e as flores estão aí. As minhas recompensas são ligadas sempre ao coração. Por exemplo. Despedir-me da copeira do trabalho foi muito difícil. Coitada, quase chorou. Ela que propositadamente fazia o café do jeitinho que eu gosto. Isso para mim é recompensa, a gente saber que deixa saudades. Acabei me lembrando de outros anjos bons, de outras mudanças de outras eras. Dona Sebastiana, Mundica, Fátima, Lenir, Marcos, dona Luca, dona Maura e tantos e tantos. Lei da vida. Tudo tem recompensa. Enquanto eu cuidava de pessoas, outras pessoas sempre cuidaram de mim. Outro exemplo. Domingo último, estava numa festa de noivado, meu fone tocou. Era de Vitória. Quem era? Minha irmã mais nova, a mais bem formada da família, que esteve sob a proteção de minhas asas, dizendo. "Hoje o assunto aqui o dia todo é você. Todos só falam em você. Estamos ouvindo as músicas que você gosta. Nós te amamos muito". Engasguei, claro. E respondi. "Música para mim é ouvir você dizendo isso num momento tão importante de minha vida". Eu não sei o que vai ser amanhã, ninguém sabe. Todos os dias o sol nasce e se põe, repetidamente, mas nunca é igual. Assim é a vida, ficar parado é que não dá. Estou pronto. Espero ter tempo para o restante de meus sonhos, sobretudo os ligados ao coração.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

SAUDADES...

SAUDADES DAQUI. LOGO LOGO ESTAREI POSTANDO. NÃO ME ABANDONEM. FIQUEM COM DEUS

domingo, 19 de setembro de 2010

BOM DOMINGO



OLÁ, AMIGOS. DESEJO BOM DOMINGO A TODOS .SINTAM-SE ABRAÇADOS E FIQUEM COM DEUS

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

DESCULPAS AOS AMIGOS








Amigos, não os estou visitando por estar cuidando de minha transferência, não posso deixar pendências, tanto pessoais quanto profissionais, e para olhar depois, fica complicado. Então pensei... ficar postando, sendo visitado sem poder visitar os amigos também não acho justo. Por isso vou ficar uns dias sem postar. Estou com muitas saudades dos blogs, mas o momento exige. Já tenho boas ideias de textos, tenho novidades para contar, os dedos estão coçando, mas prefiro com mais calma e dando a devida atenção a todos. Sei que gostam de mim, a recíproca é verdadeira e agradeço muito cada comentário e a compreensão de todos. As fotos acima, algumas são dentro de uma loja lindíssima só com mobília e decoração artesanal vindas da Indonésia. Um show de loja... caríssima. Sobre a foto da praia, vão dizer. Mas e esse mineiro que não tirou nem a camiseta para tirar a foto? Claro, né. Cheio de mulheres lá, eu não podia mostrar meu físico senão ia tumultuar a praia. Imaginem então com roupa de banho. E eu não queria ser o culpado de causar confusão. Minha grande vantagem é que sou muito modesto. Lembrei agora de uma amiga que dizia: "Carlos, você é o único cara que pode ser 'metido' que a gente não briga. Você tira onda, sei lá, mas tira onda de uma forma diferente". Claro, porque sabia que era tudo brincadeira. E eu tenho culpa de me amar? FIQUEM COM DEUS!!!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

ECLESIASTES, EU E O TEMPO


(imagem redentor.org )
Podem copiar o texto abaixo sem temor. O "Autor" não cobra direitos autorais.

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de se arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora; tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz. (Eclesiastes 2,3)

Tão bonito quanto verdadeiro. Todos conhecem esse trecho sábio da Bíblia. Eu também conhecia a leitura, mas só hoje eu posso enfim atestar que tudo na vida tem seu tempo.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

EXPLICANDO O POEMA ANTERIOR- ENCANTADO PELA VIDA


Explicando por que postei poema anterior ( DESENCANTO de Manuel Bandeira), sei que os amigos sabem como exponho e pode parecer que tenha postado num momento frágil. Pelo contrário, estou num momento muito forte. Postei porque Manuel Bandeira é um dos poetas que me fazem sonhar e eu trouxe uma coletânea dele enorme para me fazer companhia e estou descobrindo muito mais desse grande autor. Vi nesse poema, claro, guardadas as devidas proporções, um pouco de mim. Não na qualidade literária, quem sou eu, mas na intensidade que ele faz questão de frisar ... “escrevo versos como quem morre”. Porque escrever é isso. Como disse acima, estou num momento muito forte. Eu pareço até medroso, mas só pareço. Só que minhas armas são diferentes. São a humildade, simplicidade, paciência e até a displicência e com isso faço com que as pessoas gostem de mim. E com elas venci mais uma batalha, fui escolhido para ficar aqui, depois de uma concorrência com no mínimo umas cinco pessoas que vieram antes de mim. Me citaram os motivos pelo quais os outros não ficaram, coisas que eu jamais pratiquei ou praticarei, como arrogância, inércia, malandragem. Eu nem sabia, pensei que eu era o único candidato convidado e fui elogiado por isso. Eu fui apenas eu. Se não agradasse também, receberia os dias trabalhados, “fiquem com Deus”, e ia embora, mas não me corrompo no jeito de ser. O que tem a ver o poema DESENCANTO com isso? Tem muito porque na sequencia , li “À Sombra das Araucárias”, que manda aproveitar as oportunidades da vida, colher as frutas na beira da estrada, mas com sapiência. E depois, “Eu quero a estrela da manhã”, muito própria para a transição que estou passando e vou passar. O próprio autor desmente o título (DESENCANTO), ele só frisa o tempo todo o quanto intenso e verdadeiro ele é, o quanto a poesia lhe é importante. ‘Se for para não escrever nada, que se feche o livro de minha vida. Mas eu escrevo como quem morre. Eu escrevo em gemidos e é assim que eu sei viver’. Ela faz isso nas entrelinhas e eu modestamente “peguei” esse poema para mim. Porque eu também sou assim.
Não sei como essas coisas acontecem comigo. Alguns não acreditam, eu respeito, mas preciso contar, pois não é a primeira vez que algo do tipo acontece. Só hoje me lembrei que na semana retrasada, agora na verdade, não me lembro com muito detalhes, se sonhei, se li, ou se ouvi de alguém, mas uma mensagem voltou à minha mente hoje. A mensagem é essa: ‘Na semana que vem você se encontrará com alguém e esse encontro será muito importante para sua vida’. Só hoje, me dei conta disso e estou até agora rebuscando onde vi,ou li,ou ouvi ou se sonhei com isso. Para adiantar, não leio horóscopo. Nunca busquei coisas materiais como prioridade, pelo contrário, perdi algumas oportunidades, mas com o tempo elas foram acontecendo, foram caindo no meu colo sem eu pedir, eu até me esqueci delas. Vou repetir uma frase que eu repetia às pessoas nas fases mais difíceis de minha vida: “Alguém lá em cima gosta muito de mim”. Por isso peço que não me entendam mal na postagem anterior porque eu não estou em desencanto. Eu sou permanentemente encantado pela vida. Agora entendo porque minha mãe dizia quando eu ainda era pequeno. “O Carlos é um menino abençoado!”. Devo ser porque tive um tal sarampo preto ficando internado desde 1º mês de nascimento até os dois anos de idade, e dos quatro aos seis anos sofri com pneumonia e desinteria crônica e os médicos já estavam desistindo. Não é para estar encantado? Tudo que veio depois não foi nada, porque eu mesmo pequeno olhava minha mãe com fé e tinha fé também. E essa fé sempre veio junto a mim. Um texto mei o confuso, mas é um desabafo, um jeito diferente de dizer que estou feliz, porque eu também “es crevo versos como quem morre”.
Volto para GV na quarta e devo retornar para aqui talvez no dia 1º de outubro. Obrigado a todos!!!

DESENCANTO- MANUEL BANDEIRA


(imagem google )
Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

Eu faço versos como quem morre.

domingo, 12 de setembro de 2010

NOTÍCIAS DE CÁ, COM SAUDADES DE LÁ- PERO VAZ DE "CALZINHO"



Calzinho sou eu, he he. Ontem passei um pouco mal, me desidratei. Bem que me avisaram. “Cuidado com os temperos”. Mas eu sou muito teimoso. Tomei um litro de soro e outros sucos e líquidos e já estou bem.
Estou quase no final dessa primeira estada aqui e adianto que foi muito bom, tirando o impacto inicial, mas ao trabalho já me adaptei. As condições de trabalho são muito boas. Difícil ainda é não conhecer muita gente, isso só com o tempo, então bate um vazio sim. Lá no meu bairro me sinto um reizinho de amigos. Ando descalço, todo domingo é um churrasco, estou sempre visitando e sendo visitado e eu sinto falta disso. Isso também é com o tempo. Sobre o lugar, é mesmo bonito, bastante aprazível, clima gostoso, vento no rosto o dia todo e não tem a pesada maresia de outras praias. O que achei muito importante é que ao contrário do que vemos em outros grandes e famosos litorais do Brasil é que próximo à praia não existem edifícios, shopping centers, supermercados enormes, que nós, erroneamente pensamos que embelezam as praias. Quem embeleza a praia é a própria praia. Aqui é tudo é muito rústico, natural, prioriza-se muito a madeira nas construções e são sempre casas baixas. Assim a cidade fica bonita naturalmente. Evidentemente diferente de Pero Vaz, não encontrei só as índias e as belezas naturais. Existe o progresso, mas percebo boa preocupação com o meio ambiente. Achei as praias limpas, um trânsito tranquilo apesar do feriadão que prioriza o pedestre, os carros param pra gente passar. Os nativos são muito receptivos, não só os comerciantes, mas a população em si. Parece que há uma mentalidade geral de receber bem o turista. Tem que ser, não é? Gostam de dar informações, dão dicas para visitação, dicas de onde se compra mais barato, etc. Falando nisso, o custo de vida é meio alto, embora eu esperasse pior. Ah, as comidas são mesmo muito temperadas. De Porto Seguro a Arraial da Ajuda (onde estou) a travessia tem que ser de balsa e é uma delícia. Alguns malucos questionam, ‘por que não construir uma ponte ligando os dois pontos?’, mas fazer isso vai acabar com o charme do lugar e muita gente vive dessas balsas. E o turista adora esse passeio. É o mesmo que proibir vender santinhos em Aparecida do Norte ou visitação ao Padre Cícero em Salvador. Isso já está inserido no contexto da história do lugar. Ônibus não vi muito, motoristas de vans e taxistas ganham muito dinheiro. Aliás parece que todos aqui ganham dinheiro e eu acho isso bom. As pessoas precisam do dinheiro. Como não? O pescador, as donas das barracas do mercado, o moleque e os não tão moleques que ficam ajudando à beira da balsa. O que achei bem confortável que não fui abordado por nenhum desses vendedores chatos ou por outros insistentes para lhe prestar algum serviço. O produto está lá, se você se interessa, ótimo, mas ninguém fica no seu pé... “compra isso, compra aquilo”. Os bares são uma delícia para se estar e as ruazinhas são simpáticas.
A cidade vive pela praia e da praia e por isso acorda cedo. Logo de manhã a gente vê o movimento, mas nada de movimento estressante, é um movimento gostoso de uma rotina de trabalho e lazer que souberam conciliar. Aqui tem um povo com boa qualidade de vida. Há tempos vi reportagens de gente que veio aqui para passear e acabou ficando de vez. Achei um exagero na época, mas agora entendi.
Só lamento ainda não ter conhecido o centro histórico onde ainda existem antigos canhões de onde os portugueses estrategicamente protegiam o lugar de possíveis invasores. Dizem que é lindo e eu simplesmente adoro essas coisas. Gosto de lugares por onde passa a história do Brasil. Conheço bem Diamantina, um pouco Ouro Preto, um pouco também de Congonhas terra do espetacular Aleijadinho e ainda quero visitar com tempo os pontos históricos do Pernambuco.
///
( FOTOS TIRADAS DENTRO DA ÁREA DO AEROPORTO PARTICULAR ONDE ESTOU. A carcará mamãe cuidando do bebê. Amor de mãe é tudo, não é? )

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O DIA EM QUE CONHECI PRÍNCIPE "TIARLIE"


( imagem seligabrasil.com - google )
Parece que meu destino é presenciar algumas cenas engraçadas para depois escrever. De vez em quando presencio umas tristes também, mas nessa balança felizmente tenho levado vantagem. O pior é que eu tenho uma tendência muito grande para entrar nelas.
Chegou o avião do chefão, eu e meu amigo ficamos dentro da sala observando da janela o desembarque da família. Corre corre geral dos funcionários. Natural, afinal eram os donos chegando. Ninguém quer dar mancada. E quem foi o primeiro a descer da aeronave? O dono? A esposa? Uma das filhas? O filho? A avó? Nenhum desses. O primeiro a descer pela escada do avião foi um cachorrinho, desses de raça pequena, mais perfumado que “Jacques Leclair” e mais enfeitado que drag queen. Achei bonitinho, eu gosto de cachorro. Pois o danado desceu de nariz empinado e se posicionou ao lado de um dos carrões que aguardavam no pátio meio próximos ao avião. Depois dele, a avó, o filho, as filhas e seus namorados ou maridos, algumas crianças, a esposa do dono, e por último... o dono. O dono, homem simpático, porém muito sério acenou para todos. A a esposa , cinquentona bonita, bem cuidada, de óculos escuros sorriu brevemente para todos. E nós dois lá dentro da sala vendo o movimento. Meu amigo me cutucou. “Repare, Carlos”. O motorista abriu a porta dianteira do carro e o “Jacques Leclair” do mundo animal pulou na poltrona e lá ficou de nariz empinado. Sim, nariz empinado, não é focinho empinado. O cachorro já se sente rico. Eu falei. “Que cachorro folgado! Ele vai na frente e as pessoas vão atrás?”. Meu amigo logo me repreendeu. “Vocè é doido? Não repita isso jamais. Ai de quem chamar aquele cachorro de cachorro. A dona demite na hora e o dono nem se mete, ele não dá um palpite nesse caso”. Perguntei baixinho . “E vou chamá-lo como? Macaco? Esquilo? Rinoceronte? Ele é um cachorro, não é?”. O amigo em tom de aviso respondeu. “Tem que ser pelo nome. ‘Charlie’. Mas com essa pronúncia (Tiarle). Evidentemente concordei, sou funcionário e ainda por cima um novato. Graças a Deus que meu amigo me avisou senão eu ia bater o recorde do demitido mais rápido do mundo, pois eu ia querer agradar a madame dizendo: “Que cachorrinho lindo a senhora tem. Eu tenho um igualzinho!”. Adivinhem onde eu ia parar.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

À SOMBRA DAS ARAUCÁRIAS- MANUEL BANDEIRA


Não aprofundes o teu tédio.
Não te entregues à mágoa vã.
O próprio tempo é o bom remédio:
bebe a delícia da manhã.

A névoa errante se enovela
na folhagem das araucárias.
Há um suave encanto nela
que enleia as almas solitárias...

As cousas têm aspectos mansos.
Um após outro, a bambolear,
passam, caminho d'água, os gansos.
Vão atentos, como a cismar...

No verde, à beira das estradas,
maliciosas em tentação,
riem amoras orvalhadas.
Colhe-as: basta estender a mão.

Ah! Fosse tudo assim na vida!
Sus, não cedas à vã fraqueza.
Que adianta a queixa repetida?
Goza o painel da natureza.

Cria, e terás com que exaltar-te
no mais nobre e maior prazer.
A afeiçoar teu sonho de arte,
sentir-te-ás convalescer.

A arte é uma fada que transmuta
e transfigura o mau destino.
Prova. Olha. Toca. Cheira. Escuta.
Cada sentido é um dom divino.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

UMA ESTRANHA NO MEU NINHO


Quando você não está eu fico com ela.
Mas ela me usa, me abusa, pensa que sou escravo dela.
Deita em minha cama como se fosse minha mulher
me envolve, me faz submisso, faz de mim o que quer.
Todas as noites ela bate em minha janela.
Essa é minha queixa, você me deixa, eu fico com ela.
E ela vem sem dó, me amarra com um nó que não se desata... e me maltrata, desacata
desarruma meu coração, desnorteia meus sentidos
joga meu ego no chão, desperta meus gemidos.
Ai que dor,
o amor é bom, mas como doi o amor,
essa é uma grande verdade.
E eu fico assim... entre a alegria e a maldade
porque quando você não está
eu namoro com a saudade.

domingo, 5 de setembro de 2010

NOTÍCIAS DE CÁ... COM SAUDADES DE LÁ


( IMAGEM GOOGLE )
Bem, amigos. Devido à falta de tempo só consegui acessar a net hoje. Pensam que já fui à praia? Passei hoje na orla fazendo caminhada apenas. Sair um pouco à noite só ontem, mas fui dormir cedo. Trabalho demais, disso eu já sabia. Estou dormindo na casa de um amigo de trabalho que viajou, casa enorme. Durmo com ela toda acesa. Medo? Não. Um pouco de vazio apenas. Como eu disse na postagem passada, ainda não é definitivo, apesar de ser uma proposta quase irrecusável, eu disse "quase", pois a gente não pode colocar sempre o dinheiro à frente. Estou me sentindo um pouco preso, andando com 04 celulares no bolso, sendo 03 de trabalho e 01 meu e eu não gosto muito disso. Não estou mais nessa idade. Também não estou descartando, a gente acaba se acostumando. Além do mais, esses primeiros 12 dias que passarei aqui acabam servindo de uma experiência de ambas as partes(empregado/empregador) mas vim mais mesmo para atender o amigo que precisava viajar e assim ele acabou me indicando à chefia. Aproveitei para conhecer não só o lugar como também o trabalho. Vamos aguardar. Sobre o lugar, é mesmo muito bonito.

NOTA TRISTE:
Nessa falta de tempo acabei ficando alheio aos blogs, mas não sem saudades e hoje passando por algumas páginas tive a triste notícia do falecimento do HOD. Fiquei muito triste com isso. Uma pena mesmo. HOD era de poucas palavras, dizia tudo em duas linhas de comentários. Um cara inteligente, amável, delicado. O único consolo, se é que existe consolo para isso, é ver mais uma vez a união dos blogueiros nas belas homenagens a ele que vi nas páginas. Isso aqui não tem nada de virtual mesmo, a emoção e solidariedade correm soltas. Tenho certeza que o próprio HOD da dimensão onde agora se encontra, com certeza mais pura que a nossa, está agradecido e aplaudindo nossas poesias e ideias. Desculpem-me, ainda não tenho como visitá-los. Um abraço a todos!!!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

AGRADECIMENTO

Olá, amigos (as). Viajo hoje. O destino é Porto seguro ( vida ruim, hein?). Como disse antes, ainda é temporário, volto em uns 12 dias, mas já bem adiantado para ir definitivo. Muito trabalho me espera, mas vou fortalecido pelas manifestações de apoio que recebi. Agradeço a todos que deixaram comentários. Os que não puderam ou não tiveram tempo ou meios de se manifestar, entendo. Ninguém é menos amigo por isso. Mas preciso fazer justiça aos que puderam vir. Então, muito obrigado:

Felina... Chica... Priscila... Valéria... Wanderley... Sandra Freitas... Sandra Botelho... Mara... Chris... Edna Lima ( conterrânea lá do meu Iapu)... Maria ( Cantinho Poético)... Fátima... Everson Russo... Rose... Eduardo Medeiros... Irlene... Xanele... Talita... Carla Fabiane... Caio (Um homem apaixonado).

Dificilmente vou conseguir postar algo de lá. Enquanto isso recordo um poema antigo que tem muito a ver com o momento. O poema é antigo, mas as emoções se renovam. A diferença é que desta vez, mesmo com um pequeno aperto no coração, fui eu quem escolhi partir, enquanto nas vezes passadas, fui obrigado. Portanto, parto feliz.

CONTEMPLANDO HORIZONTES

Mostre-me o horizonte,
mas não me impeça de voar.
Pra quê um céu tão lindo se for só para olhar?
Mostre-me a estrada,
mas não queira me dizer onde termina ou começa.
Se a estrada é comprida e estreita, eu tenho pressa,
é o que me resta.
Se a viagem não for perfeita
ainda assim farei dela uma festa.
Só cale minha boca se for com um beijo...
porque tudo em mim é desejo.
Dê-me dois desenhos do mundo
um colorido e outro por colorir
que eu ficarei com o segundo
para pintar conforme meu juízo.
Dê-me lápis e papel que lhe mostrarei o meu céu.
Borracha não preciso,
não tenho nada que deseje apagar.
Se escrevi linhas tortas foi assim que cheguei
como um rio sinuoso que busca o mar.
Não me cobre exatidão... porque tudo em mim é emoção.
Minha poesia não é uma ciência,
é resistência,
escudo contra os dragões desse mundo de terror
é meu jeito de ir para a guerra,
é meu jeito de falar de amor.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

ATÉ BREVE


( imagem- eu e minha bolsinha )

A vida é uma grande travessia. Pode ser árdua ou divertida. Ou até mesmo as duas coisas juntas. É ela que nós temos e é ela que devemos comemorar. Não, não é papo de poeta. Não vou repetir aqui o que venho dizendo em quase três anos de blog. Esse blog que me apresentou pessoas e ampliou meu universo de amizades. Todos aqui compartilham emoções e é baseado nisso que venho pedir aos amigos que torçam por mim numa nova empreitada, num novo projeto de vida. Poucas pessoas sabem disso. Com minhas irmãs nem falei, nem sei como ainda, pois sei que vão se preocupar, pensam que sou menino, mas eu sei que é porque gostam de mim. Eu não sou tão menino assim e tenho juízo sim. E também não sou tão frágil. As piores coisas passei sozinho. Só sei que é necessário partir. Estou no meio de uma ponte. Olho para trás e vejo conquistas que foram muito mais emocionais que materiais e isso talvez me tenha facilitado nessa travessia. A emoçao sempre me conduziu. Vejo tropeços também, aprendi com eles.Vejo gente querida. Puxa, como eu fui e sou amado. Semana passada, um amigo me disse. "Você mora aqui no bairro há 20 anos. Lembro-me do dia em que você chegou no bairro. Eu fiquei seu amigo no primeiro dia. Bati o olho e gostei". Claro que alguns não gostam da gente. Não tenho mágoa, mágoa é ferrugem na alma. Sò queria saber por quê. Mas eu preciso ir. Porque eu preciso das coisas materiais também, embora não esteja partindo especificamente por causa delas. Mas uma coisa que um passarinho não aceita é ter as asas tosadas, nem o coração oprimido. E só pede carinho e consideração. Sim, um poeta, mesmo profissionalmente falando, exige carinho e consideração. Não dá para separar homem e poeta. Estou mais uma vez mudando de cidade e agora até de estado. Morar sozinho para mim não é novidade, mas no início é sempre meio traumático e não tenho mais vinte anos, sei que vou ter mais dificuldades. Mas eu preciso partir. Recebi uma proposta praticamente irrecusável, eu até desejei e busquei isso, portanto não posso me queixar, mas cadê a droga dos meus vinte anos? Não vou usar a velha máxima que diz... "por que não aconteceu antes?". Pois sei que tudo acontece na hora devida. É a tão falada "segunda chance" que falei o tempo todo aqui no blog que a vida sempre me deu. E eu preciso partir. Porque o outro lado da ponte está me chamando me mostrando horizontes. De tempos em tempos a vida pede decisões e mudanças. Pequenas decisões a gente toma todo os dias. Falo das grandes decisões, as radicais, que dão uma guinada. Não estou assustado porque já dei outras guinadas importantes, mas é que está faltando ainda algum detalhe para essa guinada, que pela idade deve ser a final, seja 100%. Quem sabe eu consigo ainda essa porcentagem ( que não é dinheiro) para que eu seja totalmente feliz no lugar em que vou estar.
Bem, não estou indo ainda definitivamente, viajo na quarta-feira, vou passar doze dias fora numa espécie de estágio e ao mesmo tempo experiência que farei comigo mesmo. Após esses doze dias, eu volto e aguardo nova chamada. Adianto que verbalmente já está tudo acertado para em breve a mudança ser definitiva. Quando tiver melhores informações e com tudo realmente efetivado, darei detalhes ao amigos do blog. Só peço encarecidamente que torçam por mim. Não tenho medo do trabalho, só de de me sentir sozinho.

Dessa vez vou ter que encher a bolsinha.

ATÉ BREVE. FIQUEM COM DEUS. ESTOU INDO COM ELE.

domingo, 29 de agosto de 2010

ONDE ESTÁ MINHA ESTRELA?


( imagem google )
O dia é chato, um desacato
à minha essência, à minha inteligência, à minha paciência.
Os semáforos são sinais para a correria.
Desligo o rádio, as buzinas sufocam a melodia
e a poesia que a natureza faz todo dia.
Ainda bem que meu coração é surdo a esses tantos absurdos diurnos.
Pois, ele é noturno.
É de noite que eu falo com o silêncio.
É de noite que escrevo, que eu penso.
Meus semáforos são as estrelas
guias para minhas poesias
e ninguém pode detê-las
até que amanheça o dia.
Com elas conquisto minha melhor estrela.
É debruçado nessa janela
que eu toco nela.
A lua que vive de fases me diz que a vida é cíclica,
respondo que a saudade é crítica.
Ela acena e me sorri:
- Vou ali. Volto amanhã.
Pronto. Amanheceu o dia, já sinto o cheiro de hortelã.
Pergunto ao clarão do dia
onde ele escondeu minha estrela.
Gosto tanto da noite
que durante o dia fecho os olhos para vê-la

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

CONQUISTANDO UMA MULHER


“Mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo. Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar. Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir. Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, ELES estão errados . Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar, aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore. Têm uns que se acham capazes, valentes, alcançam o topo e descobrem que é preciso mais do que coragem para conseguir a maçã perfeita. Descobrem que é preciso que ele continue acreditando que depois de colhida a maçã é homem suficiente para manter e proteger sua maçã e, principalmente, que não é porque a maçã estava no topo da árvore que ela é inalcançável e precisa ser colocada num pedestal.... o caminho é muito grande, do tamanho talvez da coragem que precisa resgatar em si mesmo, para se acreditar capaz de voltar a conquistar o que está em um patamar acima; ou seja, voltar a buscar a maçã do topo da árvore, que jamais aceitará qualquer coisa, ou deixará seu nível de exigência, uma vez que já teve ou sempre terá o melhor para si, não aceitando nada menos daquele capaz de proporcionar-lhe sua felicidade.” (Machado de A ssis)
Obs: Reduzi um pouco o texto para a postagem não ficar muito longa
///////
Machado de Assis em 1930 era rapaz e em 1950, um quarentão. Muito mais que isso, um grande escritor, o maior de todos os tempos do Brasil. Nem gosto de falar muito dele, pois para falar de Machado de Assis, é preciso entender sobre ele. Alguns acham que ele escrevia complicado, clássico demais, mas existiam outros escritores clássicos, porém não tão “complicados”. A verdade é que não alcançamos mesmo seu grau de inteligência poética. Mas o assunto é outro. Essa foi uma época sabidamente romântica, de cavalheirismo e gentilezas. E curiosamente e paralelamente, a mulher ainda era muito submissa. Vejo uma contradição, não no texto evidentemente, mas nas relação homem/mulher na época. Se os homens eram mais românticos e gentis e a mulher, submissa, a conquista deveria ser mais fácil, seja por causa do romantismo do homem, seja pela submissão da mulher ou pelas duas coisas em conjunto. Reparem no texto que o monstro Machado de Assis (até ele), com certeza já muito famoso e respeitado, fala da dificuldade do homem entender e conquistar a mulher. Na minha humilde opinião a mulher nunca foi submissa. Legalmente falando foi sim, não podia votar, etc, mas quando se trata de encantos, de relacionamentos, sempre exerceu domínio sobre o homem. Ou então era um falso romantismo dele e a mulher sabia disso. O domínio do homem também era falso, ele controlava a mulher, mas não a tinha, isso é muito diferente. Não é pela força física, por autoridade de leis, poderio econômico e até mesmo com falso cavalheirismo que se conquista alguém. Esse é um tema sem fim. De qualquer forma não é de hoje que “sofremos” com elas, mas o “trem é bão, uai?”. Vai entender.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O AMOR SEMPRE VENCE


( imagem clubekazam.atrativa.com.br- google )
Tinha tudo para ser uma viagem perfeita, programada meses antes. Alto verão, iam para uma casa de praia. Tudo tranquilo até então, vento no rosto, música, conversando, quando de repente, um estouro. "Ah não. O pneu", ele falou. "Desce, meu bem, preciso trocar". Desceram, ele foi até o porta-malas, virou, revirou. "Meu amor, o macaco não está aqui. Você não pegou na garagem?". Ela respondeu. “Ora, eu não. Estava ocupada preparando bolsas. Carro é com você. Você mesmo não diz 'deixa comigo'?". Ele retrucou. "Mas eu pedi para você pegar. E agora? Nessa estrada, sem conhecer ninguém". Indignada, ela falou. E agora, 'senhor' motorista? Estamos a pé e a viagem acabou". Ele não deixou por menos. "Culpa sua. Que arrumando bolsa nada. Se não ficasse arrumando esse cabelo por mais de uma hora, teria me ouvido". A discussão foi se acirrando sob o sol escaldante. " E daí? Não implica. Arrumo cabelo sim, gosto de andar é bonita mesmo". "Sim, bonita e a pé. Olha o tanto de gente vendo sua beleza", ironizou mostrando mato e árvores "Em vez de fazer piadinhas, podia pensar numa solução, senhor motorista. Eu sou a dama aqui", ironizou também. "Só se for a dama de ferro... rá rá rá. Dama da encrenca". "E você, o gênio dos motoristas. Fica ouvindo futebol e esquece do macaco. Homens! Quando vão usar o cérebro?". "Mulheres! Quando vão parar de se maquiar um pouco e pensar mais? Tomara que o sol derreta essa maquiagem toda, vai virar um 'espanta neném', rs rs". Ela riu com raiva e desdém. ". Meu problema se resolve com uma nova maquiagem. E você está se achando um gatão com essa barriguinha, com esse fisico de jogador... de purrinha. Quer saber? Não fale comigo para eu não ficar mais nervosa". Por fim, ele ponderou, abraçando-a. "Olha, meu amor, calma. Não vai adiantar a gente ficar brigando. Só estamos nós dois aqui, se a gente não se falar, vai ser pior. Vamos tentar uma carona, pedir ajuda a alguém". Deu um beijinho no rosto dela. "Te amo". Palavrinhas mágicas. Ela concordou com a cabeça em seu ombro."Também te amo. Nâo foi culpa de ninguém. Ansiosos pela viagem, um deixou pro outro e esquecemos do 'pequeno' detalhe do macaco". Ele desculpou-se. "Desculpe-me, fui áspero com você". E ela. "E eu fui uma dondoca mimada. Desculpe-me também". Mas a estrada era deserta demais, os poucos carros que passavam, passavam em alta velocidade. Horas e horas na tentativa, fazendo sinais para alguém parar. Ele pediu. "Meu amor, estou com sede, pega água pra gente?". Ela respondeu. "Boa ideia. Também, estou numa sede danada debaixo desse sol". Outra surpresa. "Ah, não acredito. Esqueci a vasilha com água em cima da geladeira. Só faltava essa". Antes que ela terminasse, ele pediu. "Silêncio. Está ouvindo?". "Ouvindo o quê?". "Um barulho de água lá embaixo. Tem um rio ali. Menos mal". Ela fez uma cara de nojo. "Vamos tomar água do rio?". Ele explicou. "Meu bem, não temos escolha. Além do mais, há varias horas não passamos por uma cidade sequer, então deve ser um rio limpo. Vamos? Me dê a mão para não escorregar". E desceram. Enfim uma bela surpresa. Ele foi logo falando. "Ora, que lugar bonito, meu amor. Nâo é só um rio, é uma pequena cachoeira. Água limpinha ". Ela se entusiasmou. "Isso é um pequeno paraíso. Vou tomar até um banho. Vamos". Trocou de posição, puxando a mão dele. Tomaram água e foram para o leito da cachoeira. Água na altura das cinturas. Divertiram-se brincando de jogar água no outro e disseram juntos, frente à frente. "Eu te amo". Alisando suas costas, ele disse. "Sabe por que tudo isso aconteceu? Pra gente parar aqui e fazer amor nesse lugar lindo". Ela sorriu sensualmente, cabelos molhados e boca chamativa. "É mesmo, meu Don Juan esquecido? Quais as suas intenções comigo?". Beijando seus lábios, ele respondeu. "As melhores possíveis. Duvido que você vá reclamar". E ela, mais provocante ainda. "Confesso uma coisa. Sempre quis fazer amor assim no mato". “Então o dia é hoje e a hora é agora’ respondeu beijando-a. E se amaram sobre as pedras. As cenas a seguir são proibidas para menores de dezoito anos e como eu não sei me expressar 'mais ou menos', melhor não começar. Já era noitinha e dormiram dentro do carro. E lá fizeram amor de novo sob o olhar da lua cheia. Logo de manhã, levantaram-se e com mais sorte, conseguiram ajuda. E partiram. Acabou sendo uma viagem perfeita.Porque o amor venceu mais uma vez.