ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

domingo, 11 de abril de 2010

A PROFESSORA, O PAI E O MENINO


Estou sempre falando de professoras aqui. Na quarta série tinha a dona Estefânia. Brava, mas ela gostava daquela molecada. Não sei por quê, gostava de ficar me observando. Aí mesmo que fazia tipo fingindo que não percebia. Toda semana, já na sexta-feira ela escolhia um aluno para ser o líder da sala na semana seguinte. A função do líder era tomar conta da turma quando ela não estava, apontar quem fazia bagunça, quem conversava, verificar quem fez os deveres, quem tinha as unhas cortadas, ou seja: o dedo-duro. Ela nunca me escolhia e eu achava até bom, não tinha vocação para dedo-duro. Verdade que no fundo fica uma sensação leve de estar ficando de lado, apesar de que não dava muita bola para isso também. Além do mais, eu ser líder? Eu era um liderzinho sim, nas brincadeiras, nas gincanas e disputas colegiais, mas era algo natural, não mais que isso. Eu mesmo era muito bagunceiro. Mas nunca levei bomba. Muitas vezes fui flagrado de pé no meio da sala. Uma vez, estava cantando ‘conheci um capeta em forma de guri’, todo mundo rindo, eu pensando que estava arrasando e era ela atrás de mim com uma régua de pau cutucando meu ombro e eu nem aí. Tomei um susto. “Hoje você não tem recreio”. Supliquei. Dá outro castigo ‘fessora, menos ficar sem recreio. Eu quero brincar”. Ela aceitou e mandou copiar um texto enorme em casa. “Ai de você se não fizer”. Esse eu tive que fazer. Sobre o dever de casa, confesso que não era muito chegado. Quantas vezes copiei de alguém, minutos antes de entrar pra aula, sentado no meio-fio. O contraste é que ler, eu gostava. Um dia ela me surpreendeu me nomeando. Gostei e pensei. “Por quê não?”. E não perdoei ninguém. Acho que bati o recorde de deduragem. Se alguém, levantou, anotei. Falou, anotei. Riu, anotei. Andava entre as cadeiras tipo professor, cheio de pose. Dever de casa incompleto, caderno sujo. “Precisa caprichar mais no seu material, rapaz.”. Ou. “Que letra horrível”. E “você aí, corte as unhas pra amanhã”. E também. “Que cabelo mal penteado. Sua mãe não estava em casa hoje?”. As meninas cheias de frescura aí que não perdoei mesmo. Eu tinha uma ‘raiva’ daquelas meninas riquinhas metidas. “Que mal gosto esse esmalte, hein? Muito berrante”. Enfim, anotei tudo. Enchi quase duas folhas. Ainda não se usava a expressão ‘pagar mico’, mas paguei um King Kong na época. Não pensei que depois da professora conferir os apontamentos do dedo-duro, digo, líder, ela conferia o caderno do próprio. E cadê que eu fiz o meu dever? Cinco páginas de perguntas sem respostas. Ela riscou tudo de vermelho. “Por que não fez o dever?”. Ah, ‘fessora. Estava difícil demais”. Comentou. “Mas na sexta-feira, me lembro que você gritou que sabia todas as perguntas”. Eu com minha mania de achar que tudo ‘vai se resolver’, tentei brincar. “As perguntas eu sei, só não sei as respostas”. Ela ficou brava demais. “Se você brincar assim de novo, vou te mandar pra diretora. Estou falando sério e você zombando”. Fiquei calado. Tinha medo da diretora, ainda mais depois que fui flagrado imitando-a, andando como uma pata choca. Dona Estefânia não deixou barato. Disse bem alto pra todos com meu caderno na mão. “Vejam só. O líder não fez o dever de casa”. O difícil foi aguentar a turma no meu pé, me dando tapas na cabeça e me gozando. Além de levar o dever atrasado no outro dia, tive que fazer também o dever do dia, o que me tomou a tarde toda. Nesse dia nem joguei bola. O pior, meu pai teve que ir lá e falou barbaridades na minha cabeça, mas não bateu. Meu pai nunca me bateu. Gosto de lembrar disso. Cheguei no dia seguinte, destituído do posto de líder e mesmo que não fosse não ia querer mais, aquilo não era para mim... ficar dedurando os outros. Mostrei o caderno, em pé perto da mesa. “Minha mão deu até cãibra, ‘fessora. A senhora quer apostar que não tem nem uma errada?”. Não mesmo. Sorriu e parece que ficou com dó. “Escondendo a capacidade, né menino? Podia ter evitado tudo isso. Por que não fez o dever no dia?”. Falei. “Porque eu pensei que o líder não precisava, que não era obrigado”. Ela disse uma frase que me serviu pra vida toda. “Aí é que você se engana. O líder precisa dar o exemplo”.
Hoje em dia, se a professora aplica um castigo, os pais são os primeiros a irem para a porta da escola fazer panelaço. Meu pai, pelo contrário, ficou o tempo todo do lado correto. O lado educador.

13 comentários:

Louise Oliveira disse...

Ai, nem me lembre dos meus professores de infância, ainda tenho traumas. rss
Tem selo p vc no meu blog!
Bjs! Lu

Lou Alma disse...

Hoje as prioridades andam todas do avesso ,não é Carlos ? Há que saber ter bom senso para se conseguir ser justo. Beijinho e bom domingo.

Everson Russo disse...

Sabe, voce falando,,,eu me lembrei,,,houve um tempo em que eu tive duas professoras,,,por coincidencia geografia, uma materia que eu odiava,,,não sei porque,,,era capaz de tirar nota maxima em matematica e errar tudo em geografia, mas tive esses dois anjos maus...rs..rs...uma chamava Ivone, era gorda, transmitia uma antipatia de mestra, a outra Nancy,,,tambem não passou na fila da simpatia,,,nossa, como eu sofri,,,elas viviam chamando meus pais pelas notas ruins,,,a Nancy foi anterior,,,,dia ruim era dia de aula de geografia,,,por idade acredito, ela saiu,,,,pensei comigo,,,obaaaaaaaaa,,,,ai veio Ivone...essa mulher era encarnada em mim, teve uma vez que ela mandou tanta cartinha pra minha mae, que a unica solução foi abandonar as aulas,,,serio,,eu saia pra escola e ficava longe do colegio...rs..rs...resultado, perdi o ano,,,mudei de escola, e nunca mais vi nenhuma das daus,,,e pasme,,,minhas notas em geografia melhoraram...rs..rs....traumas,,,,rs,,,rs,,,abraços amigo e uma belissima semana pra ti.

Gilson disse...

Carlos

Essas nossas lembranças são muito boas, hoje em dia os pais não dão mais apoio aos professores, se esquecem de que educação se aprende em casa e que a escola é uma continuidade e que para melhorar o aprendizado da criançada é necessário o apoio dels.

Abs

Kotta1947 disse...

Quando os professores tinha alguma autoridade e davam uns castiguinhos os pais normalmente estavam do lado deles. Hoje professor que castigue tem pai ou mãe à perna e é o que se vê... criança pequena diz vou dizer ao meu pai ou mãe e eles vem cá e partem-na toda. Má educação.Sou contra castigos violentos mas um raspanete
não faz mal a ninguém quando, é justo.Bjo

Sandra Botelho disse...

Ô meu querido, obrigado pelas doces palavras...
Você é realmente uma pessoa especial.
To sem net. Mas assim qie tiver, lerei todos os posts atrasados e comentarei. Bjos mil

Ana Cristina Quevedo disse...

Gosto muito das suas postagens sobre as reminiscencias de sua infancia.
Como voce se lembra de tanta coisa, eu não sei!
Me lembro pouco de meus professores antes dos 13 anos.
Acho que pode porque tive que cuidaar de maus 3 irmãos menores meus irmãos mais novos (3), pq minha mãe tinha depressão e era bipolar. Muito sufoco em casa, até "descobrirmos" qual era o problemas dela.
Naquela época era difícil fechar um diagnóstico desses. Mas depois do tratamento ela ficou ótima! Foram 15 anos de terapia e medicação.

O mais difícil foi quando descobrimos que ela tinha cistos nos rins, figado, ovario, baço...Ficou anos fazendo hemodiálise, mas não resistiu.
Mas veja só como são as coisas: no ápice da doença renal dela, foram os melhores anos, já curada da depressão. Estava ótima, fazia de um tudo , nos dava força em qualquer situação. Chegou a assistir o meu casamento. Mas não viu os dos meus irmãos nem o nascimento da única neta, minha filha (descobri que estava gravida 10 dias depois do falecimento dela).

Ai, nem sei o porque do desabafo, acho que as lembranças voltaram com tudo!


(sou eu na caricatura do Edu sim kkkk Eu achei bem parecida, mas obrigada! kkk)

Beijo, Carlos.

Pelos caminhos da vida. disse...

Tenho saudades dos meus professores(quer dizer alguns...).

Para você amigo de Internet

Nós temos sentado dia pós dia,
compartilhando nossas vidas, nossos sonhos, nossos medos, nossos erros.
Continua me assustando como você
que um dia foi um estranho, tenha se transformado em um de meus mais
querido e estimado amigo.
Você é tão importante para mim como qualquer de meus amigos pessoais,
minha família ou vizinhos.
Você me faz sorrir,
quando compartilha suas brincadeiras.
Me faz rir quando conta suas histórias.
Me faz sentir sozinh@ quando se vai.
Você esta em meus pensamentos cada dia.
Para você...meu melhor amig@ da web!
Te Adoro!!!
Fique aqui onde eu possa te ver, te falar, compartilhar com você, suas brincadeiras, seu sorriso, seus sentimentos...
Obrigado por ser meu
amig@ de Internet!

(texto da net).

Uma semana de muita saúde, paz, amor e gdes realizações.

Beijooo.

Sandra disse...

parabéns pelo post, eu sinto saudades de alguns professores...


saudade daqui tbm

beijos

Wanderley Elian Lima disse...

Oá Carlos
Você era muito parecido comigo no tempo de escola. Hoje a papel se inverteu , sou professor, mas os meus alunos gostam muito de mim. Não conto nunca com os pais tento me virar com os meninos mesmo.
Abração

lili laranjo disse...

um beijo e bom Domingo

DOMINGO


O acordar é cedo...
Acordar de gente...
Que quer aproveitar...
Quer ver...
Quer desfrutar...
E então...
A cama fica vazia...
E eu vou...
Vou observando...
Apreciando...
Prados e montes...
Árvores e riachos
Casas e animais...
E assim escrevendo...
Vou sentindo...
Que olhando e rabiscando...
Vou sentindo...
A grandeza do criador!...

LILI LARANJO

IT. disse...

"Escola X família"
Trabalhei anos no ensino regular e especial, sempre existiram dificuldades de parceria entre ambos, escola e família.
A parceria da família, com a escola sempre será fundamental para o sucesso da educação e formação do indivíduo. Pais e educadores,
necessitam ser grandes parceiros nessa nobre caminhada a beneficio do aluno.

Carlos Soares, aqui eu aprendo, aqui eu escrevo(do meu jeito)
sempre entre erros e acertos.
Seus últimos textos, de certa forma foram, instigantes. (gosto muito)

Parabéns!

Sonhadora disse...

Carlos
Como sempre um belo texto, que nos leva para as nossas recordações.


beijinhos
Sonhadora