ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A MULHER E A ÉGUA


( imagem photobucket- google )
Bem amigos. Voltei um pouco antes. Motivos? Vários. Os tantos comentários que recebi, com certeza estão entre eles, sabem que sou grato. Alguns não sabem quem é o Jeca. É um carroceiro do bairro. O nome dele nem é Jeca, mas ele próprio incorporou o pseudônimo. Vejam essa.
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MAIS UMA DO JECA

Mais uma vez vinha eu de caminhada pelo bairro quando vi quase o mesmo grupinho de pessoas na frente casa do Jeca. Ele logo me chamou. “Ô Carlos, venha cá. Essas mulheres querem me bater”. Lá vou eu de novo como mediador. Pensei. “Podia rolar outra galinhada, isso sim”. Cheguei, dei bom dia. “Que foi agora, rapaz? Aprontou de novo?”. Arrumando as calças que não param de cair, respondeu. “Estão me xingando, quase me depenando só porque eu falei que para mim, mulher e égua são a mesma coisa”. “O quêêê?”, dei quase um grito. “Você está maluco, cara? De onde tirou isso?”. Nisso a sogra falou rapidamente. “Vê se pode isso, Carlos? Se fosse meu marido eu quebrava um pau nele. Dá licença que deixei a panela no fogo. Mas eu volto”. E saiu apressada. Voltei-me para ele. "Não diga isso, meu camarada. Mulher se ofende com isso”. Mas ofender por quê se estou elogiando?”. Cada vez não entendia mais nada. “Elogiando, chamando a mulher de égua?”. Puxei-o e pelo braço. "Vamos sentar aqui neste toco e me explica que não estou entendendo nada". A esposa à frente numa cadeira de pau com menininha no colo, injuriada, vez em quando resmungava algo. Ele começou a explicação. "De onde eu tiro meu ganha pão? Da minha égua. Essa panela no fogo, tirei a carne de onde? Do trabalho de minha égua. Remédio pra minha filhinha. Roupinha. Tudo vem da minha égua. Eu não falei que a égua é igual ou melhor que minha mulher. É que eu preciso da égua pra cuidar de minha mulher. Eu só quis dizer que trato as duas com mesmo carinho e atenção, porque preciso das duas. Por isso eu falei que pra mim elas são iguais, mas só nesse sentido. Preciso dar remédio para a égua não adoecer, comprar veneno pra carrapato, vacina. Porque só posso cuidar bem de minha mulher, se minha égua estiver boa, não acha? Eu amo minha mulher, mas gosto de minha égua também”. Bem, eu entendi, ri um pouco da forma simples e engraçada dele ver as coisas, do paralelo estranhíssimo que fez, porém puro, sem maldade, mas baixei a cabeça e fiquei pensando. “Como vou explicar isso para elas, que são duas cabeças duras também?”. Ao lado tinha uns dois senhores amigos deles, dois primos que entenderam a história menos ainda e tomavam suas pinguinhas com tira-gosto. Falei. “Se quer elogiar sua mulher, existem outras formas. Essas coisas não se diz. No primeiro momento eu também fiquei contra você. Qualquer um entenderia como algo machista, e olha, do tempo de nossos bisavós, se não for mais”. Respondeu. “Eu tentei explicar, mas elas não deixaram e eu não tenho muita facilidade para falar também, assim como você. Eu não soube explicar”. Quando a sogra voltou me dando um pedaço de carne, pedi que sentasse, expliquei para ela, com maior cuidado e demoradamente. Na terceira vez ela foi entendendo, mas como mulher, repetiu o que eu disse: “Há muitas maneiras da gente dizer as coisas, não é?” Concordei com a cabeça. A sogra saiu de novo para a cozinha. Não demorou muito a esposa já estava de carinha feliz, acabou entendendo. Veio sentou-se com a menininha, no colo dele. “Pronto”, pensei. “A paz reina”. Fiquei até orgulhoso de mim por semear a paz ali, embora não estivessem brigando tanto, era apenas uma pequena peleja. A mãe chamou lá dentro, ela se levantou. Ele ficou olhando-a se afastar e falou entre os dentes, com a cara caipiramente safada. “Adooooro essa eguinha”. Não contive a gargalhada. “Pôxa, cara. Você é f... se ela ouve, começa tudo de novo”. Tinha compromisso, acabei recusando o convite pro almoço. No pé do morro, olhei para trás e falei. “A gente precisa fazer outra galinhada”. E ele. “Deixa com ‘nóis’ “. E ficou escovando o pescoço da égua.

25 comentários:

FERNANDINHA & POEMAS disse...

OLÁ QUERIDO CARLOS, BELÍSSIMO TEXTO... FELICIDADES PARA O REGRESSO, VOTOS DE UM MARAVILHOSO FIM DE SEMANA,
ABRAÇOS DE CARINHO,
FERNANDINHA

Everson Russo disse...

Bom saber que voltou,,,que teve lá seu puxão de orelha...rs..rs...viu? fazendo coisa errada...nós homens meu amigo, precisamos delas pra nos dar um puxão de orelha e aquele toque feminino em nossas vidas...que seria de nós sem o cor de rosa delas....viva a Anita que nao deixou nosso poeta fugir....abraços amigo e uma bela noite pra ti,

Lou Alma disse...

LOL! Ele estava mesmo a pedi-las, engraçada a história. os homens ás vezes complicam, =)

Fatima disse...

E ele volta com a corda toda!
Bjs querido.

Sonhadora disse...

Meu querido amigo
Como poderiamos passar sem as suas maravilhosas histórias.
Ainda bem que voltou.

Beijinhos
Sonhadora

Felina Mulher disse...

éguaaaaaaaaaaa.....kkkkkkkkk...só tu mesmo pra escrever tao bem um Causo desses.Eita povinho porreta esse povo mineiro.Aqui em Belém, égua é uma palavra muito usada, mas como significado de espanto.Agora ser comparada com uma égua...sei não...kkkkk.
Amigo seja bem vindo, Anita tem razão o cantinho tava triste sem vc.

Um grande beijo Paid'egua!

Edna Lima disse...

Bem vindo Carlos!O Jeca na sua falta de argumentos, tinha a sabedoria do amor. Grande bj. Edna Campos

Louise Oliveira disse...

Legal a história verídica. rss
Po, imaginei as ruas da cidade da minha avó enquanto vc narrava o causo.rss
Mulher não é igual a égua vc falou bem!!!
Mas gostei de ver alguem valorizando o trabalho de um animal. Pq muitos trabalham para o dono e ainda assim, são maltratados.
Bjs! Lu

Marliborges disse...

Muito bom, muito bom!!! Leve e sadio. Perfeito!!!
Belo texto.
Beijo grande.

Chris Amag disse...

Olá, Carlos!

Que bom que voltou a postar e uma história engraçada, deu até para imaginar tudo, parecia que eu estava lá, ouvindo a discussão...

Acho que a emenda saiu pior que o soneto não acha? Ainda bem que você foi o mediador, senão essa história poderia acabar com alguns "coices", só não sei se da égua...

Um grande beijo!

Chris

(CARLOS - MENINO BEIJA - FLOR) disse...

Puxa.Já volto com 14 comentários? Trem bão sô!
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Obrigado,Fernanda.Idem.Beijos
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Pois é,caro Everson. Essas mulheres nos entendem direitinho.Nóòs é que não entendemos elas. Tem um mistério que a gente não consegue chegar.Com cereza precisamos delas.Um abraço e obrigadão.
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Ei,Lou. Beijos.
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Valeu,Fá. Beijos
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Beijos,Sonhadora.Senti falta daqui sim
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Obrigado,Felina, pela participação efetiva em tudo, inclusive no retorno.Foi muito importante.Aqui em Minas acontece muito disso ainda, essas coisas engraçadas, e moro num bairro bem suburbano, me delicio disso e tiro causos pra contar.Beijos
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Oi,Edna,conterrânea. Você, mineira que é, sabecomo o mineiro da roça exalta o amor da forma simples,né?Beijos
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Oi,Solange.Firme e forte aqui.Obrigado,hein?Beijos
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Sim,Louise.O mais legal nesse causo foi a valorizaçao do animal, o não aos maus tratos.beijão
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Oi,Marli Borges.Tomei alguns cuidados para ficar memso um texto leve,pra não mal compreendido.Só quis retratar a pureza do mineiro de raiz. Aquele que ama a esposa, mas não deixa de olhar pro animal. Acho que deu certo.Beijos
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Oi,Bandeiras. Antes de tudo feliz que o problema de saúde aí acabou. Graças a Deus. É, menina. Como diz uma música: "O amor tem feito coisas, que até mesmo Deus duvida...". Essa Anita é uma fada
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Oi,Cris Amaq. Alguns coicinhos verbais saíram sim. Só que eu encurtei. Beijosss

IT. disse...

Bravo! Carlos Soares.
Bravo! Jeca.
O "Jeca" é sábio!até na arte de amar. A "Égua", o fio condutor, de regalo da vida, do sábio e astuto 'amigo Jeca'.
Viva o Jeca! Ele, é o "cara" a paixão, o amor e sobretudo a inspiração, de um Poeta.

Um olhar de admiração....
Bem vindo Poeta.

Everson Russo disse...

Um forte e fraterno abraço de otimo final de semana pra ti amigo,,fico muito feliz por voce nao ter aguentado ficar de fora...rs..rs...

Ana Cristina Cattete Quevedo disse...

hahahahahah, voltaste em grande estilo, heim!
Adorei a historinha!

Os homens complicam tanto as coisas...se enrolam kkkkkkkk

Beijo

=)

Fabrício Santiago disse...

Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Fabrício e cheguei até vc através do Blog O Livro dos Dois Dias do Everton Russo, cuja literatura adoro. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir meu blog Narroterapia. Divulgar é preciso! Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado, além sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. Estou me aprimorando, e com os comentários sinceros posso me nortear melhor. Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs



Narroterapia:

Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.


Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.


Abraços

http://narroterapia.blogspot.com/

Felina Mulher disse...

Um beijo meu querido, vou esperar as postagens das serestas...o que será que vem por ai?

♥*♥(franciete)♥*♥ disse...

Oi querido que bom te-lo de volta já tinha saudades não sei se de você se do jeca, mas lá que tinha tinha.
Bem amigo eu conheço uma histórinha meio parecida, um fulano que ia atravessando uma ponte velha a cair em pedaços, e ia dizendo: Deus é bom, mas o diabo também não é mau, ao chegar no outro lado da ponte a ponte caiu.
Então ele vira para traz e diz: tão bom é um como o outro eu ainda não vi nenhum.
Então esse dai com a égua e a mulher na volta é primo ou coisa que o valha.
Bom fim de semana, e tenha muita iluminação em seu coração, te deixo ainda os meus beijinhos de luz e paz.

Mahria disse...

Que bom que voltou. Mas não gostei do texto, so de imaginar minha classe sendo comparada a uma égua rsrs

Bjs
Mah

Chica disse...

Muito legal e engraçado esse texto e voltar com alto astral é muito bom! um abração e já coloquei a imagem do pico de tua cidade lá no "trenzinho"...chica

Valvesta disse...

QUE ESTORIA...


Urgencia de amor e paz, ao irmão um abraço na comunhão.
Bom fim de semana, no amor e na paz, beijos no coração.

Tenho um selo pela paz mundial prar vc e todos do seu blog, repasse se for do seu agrado e gosto.

Chris Amag disse...

Que lindo este seu texto, menino beija-flor!

"A BRISA QUE HAVIA TOCADO MEU CORAÇÃO FRACA E SEM JEITO deu a volta no universo, ganhou forças e voltou como um furacão no meu peito."
Carlos Soares

Lice Soares disse...

OLá Carlos!
Segui o teu voo do WAF até aqui, porque te entitulas beija-flor(quanto bom gosto!), por que temos, coincidentemente o mesmo sobrenome (soares de oliviera), porque gostei dos teus textos...
Bem, a verdade é que o teu espaço é muito bom e eu espero voltar mais vezes, como também espero uma visita tua.
Parabéns!
Um grande abraço!

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Vim desejar Boa Noite, amigo. Não sei se a encontro amanhã, porque estou um tanto adoentada.

**********

HOMENAGEM AO *25 DE ABRIL* DOS POVOS DESTES E D´ALÉM-MARES

Do jeito da Renata M. P. Cordeiro

Surdo murmúrio do rio,
a deslizar, pausado, na planura.
Mensageiro moroso
dum recado comprido,
di-lo sem pressa ao alarmado ouvido
dos salgueirais:
a neve derreteu
nos píncaros da serra;
o gado berra
dentro dos currais,
a lembrar aos zagais
o fim do cativeiro;
anda no ar um perfumado cheiro
a terra revolvida;
o vento emudeceu;
o sol desceu;
a primavera vai chegar, florida.

ANUNCIAÇÃO

Miguel Torga

Tags: Primavera, Liberdade, Solidariedade, Amor.

Muito obrigada
Beijossss

Chris... ჱܓ disse...

Rsrs...
Lindo o post da volta!!
Amei!
gargalhar faz bem, é um remédio pra alma...
Tem mesmo que volta com muita alegria.

E estou sorrindo de alegria e gargalhando pelo post...
kkkkkkkkkkkkkk

Bjos mil...

JoeFather disse...

É, assim como chamar mulher de fofa, esse tipo de elogiou tinha tudo para não dar certo! hehehe

Ainda bem que o amigo tem um coração de ouro! Se não a encrenca estaria armada mesmo!

Abraços renovados!