ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

UMA SEMANA DE CRIANCICE- RÁPIDO NO GATILHO


( imagem google)
Eu e os amigos resolvemos brincar de faroeste. Duas turmas de cinco ou seis, como se fossem dois times. A vitória consistia, em qual dos times rendesse primeiro o outro um por um dos adversários. A prisão se dava assim. Quem via o outro primeiro tinha que falar: “MÃOS AO ALTO”. Pronto, o inimigo estava dominado e era levado preso. Era uma brincadeira super gostosa e emocionante. Usávamos pequenos revólveres de pau que fazíamos. Lá no bairro tinha uma imenso matagal que separava de outro bairro. Hoje não.Está tudo cheio de casas. Nem campinho tem mais. Ô saudade! Na turma adversária, tinha um menino que era gaguinho de tudo, coitado. E mais novo. Quando criança, três anos de idade de diferença, é muita diferença. O coitado não falava quase nada. Palavras começando com M, P,B eram piores, não saíam mesmo, mas no geral era difícil. Difícil mesmo eram as gozações. Menos de minha parte, nunca fui disso, nunca gostei de apelidos, brincadeiras de por a mão. Meu negócio era brincar. Tínhamos de nos embrenhar no mato para sair à caça dos inimigos. De vez em quando até topávamos com algum amigo no mato e estrategicamente nos espalhávamos. Eu ainda não havia prendido ninguém, mas pelo que senti e vendo que o movimento do matagal ia diminuindo, percebi que estava perto do fim. De repente, pisei mal e acabei rolando pelo morro por uns metros. Até me arranhei um pouco. Perdi meu revólver e fiquei deitado procurando, passando a mão no mato. Quando me virei, o tal gaguinho, Wendell, estava de pé me olhando e apontando a arma. Pensei. “Perdi”. Só que ele não conseguiu dizer “MÃOS AO ALTO”. Ficou MMMM. MMM. Foi rápido no gatilho, mas não na fala. Então fui mais rápido e o prendi. Não tinha como não rir. Só que o coitado chorou, pois os meninos já o deixavam constrangido com as piadinhas, imagina se soubessem do caso. Ele já era complexado demais. Fiquei com dó e deixei ele ganhar. Afinal, ele tinha me visto primeiro. E nós éramos os finalistas. Todos já estavam rendidos. Depois disso virou um grande amiguinho meu, só ficava do meu lado. Onde eu ia, lá estava ele. Já estava até me incomodando. Dizia com a dificuldade de sempre . “Você é meu melhor amigo”. Mas não ficou muito tempo no bairro. O pai arrumou emprego bem longe. Ele, além da gagueira, tinha problema sério de respiração e a cidade era muito poluída. Tinha mesmo que se mudar. No dia da mudança, despediu-de todos na campinho e para mim ele disse. “Não sei direito nem pra onde estou mudando, mas vou falar de você para meus novos amigos. Quem sabe eu volto aqui um dia... sem gaguejar”. Pena, mas não voltou. Espero que tenha se curado.

21 comentários:

(Carlos Soares) disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Solange Maia disse...

Carlos,

Essas lembranças são para sempre nosso tesouro...

que a gente tenha amadurecido, é claro, mas que saibamos conservar a meninice do lado de dentro !!!

Beijo grande

Everson Russo disse...

Good times, tambem ja brinquei de faroeste, mas engraçado, nao tive revover de pau, tinha uns que comprava nas Lojas Americanas, que eram parecidos com os do Agente 86, e ainda vinham cartelas de espoletas, que faziam parecer mesmo com tiros...rs...rs...bons tempos que nao voltam mais...abraços amigo, otimo nosso dia,,,rs,,,rs,,,otima semana....

Carlos Albuquerque disse...

Amigo Carlos.
Outro conto do fantástico da nossa meninice. Também brinquei de faroeste (na minha terra dizíamos de "índios e cowboys" - eu sempre era índio, está vendo o que me acontecia...!).
Seu amigo gaguinho não voltou! Mas, caro xará, ele levou para os novos amigos a Humanidade e solidariedade que aprendeu com vc. Ninguém vai-lhe tirar essa medalha!
Um forte abraço

Secreta disse...

Olá, passei para visitar-te.
É sempre agradável ler-te.

graciete disse...

Olhe amigo hoje me surprendeu, não sei se comente a sua postagem que está linda, se comente os seus comentários com a sua esposa. Pois para mim também está o maximo qualquer das manreiras os dois valem bastante.
Beijinhos de luz para os dois.

HSLO disse...

Eu passei ontem e hoje lembrando da minha infância com minha mãe....rsrrs....é tao bom.


abraços


Hugo

CARLA FABIANE... disse...

AMIGO...
" Toda vez que olhar para uma criança eleve seu pensamento à DEUS. A criança é a esperança de Hoje, na realização do Amanhã. É a certeza de que a Terra está sempre a renovar-se recebendo cada dia novos habitantes, que vem trazer seu trabalho e sua capacidade para melhorar o mundo !!!"

FELIZ DIA DAS CRIANÇAS...

BITOCAS

Áurea disse...

Mais uma história envolvente
De ternura e tradição
Nesse tempo a brincadeira
Era saudável e de animação

Das brincadeiras de campo
Eu também tenho saudade
Brincava e gargalhava
E sempre em liberdade

Lindo o que fez ao "gaguinho"
Pois foi uma boa acção
Ganhou amizade dele
Bem dentro do coração

Se lendo esta escrita
Se lembrar desta história
Entre em contacto com o Carlos
Que ele tem-no na memória

Mesmo que não tenha curado
Isso não é importante
O que fica é amizade
Desse tempo tão distante

BJO.
Áurea

Princesa disse...

Obrigado pela visita sempre com muito carinho

De todas as flores que colhemos nos campos, a Amizade é o único sentimento que os ventos podem soprar, mas, suas pétalas jamais cairão *

Tenha uma boa noite e amanhã um bom dia
Beijinhos

EDUARDO POISL disse...

Não sei quantos anos voltei no tempo lendo este texto, obrigado.

Entre o Passado, onde estão nossas recordações e o Futuro, onde estão nossas esperanças, fica o Presente, onde está nosso dever. (Sueli Phigucci)

Devido ao feriado e com a ilha e o hotel lotado nao pude estar presente no teu blogger, mais agora com tudo mais calmo vim te desejar uma linda semana com muito amor e carinho.
Um grande abraço

(Carlos Soares) disse...

Valeu, Eduardo.Obrigado e ótima semana também.Um abraço

(Carlos Soares) disse...

ok Princesa. Carinho merecido, amiga.Gosto mesmo de ir lá.beijinhos e bom dia

(Carlos Soares) disse...

Obrigado,Áurea.Vocêe sempre faz um poeminha gostoso com meus textos.Beijos

(Carlos Soares) disse...

Sim,Carla.Não tem como dissociar Deus da criança;.bjs

(Carlos Soares) disse...

Claro, Hugo.Para elas seremos sempre meninos. Um abraço

(Carlos Soares) disse...

rs rs Graciete.Esposa não, namorada ainda. bjs

(Carlos Soares) disse...

Secreta,você anda muito sumida. Tá secreta demais.Some não ,viu?Sinto falta. bjs

(Carlos Soares) disse...

Valeu, xará. Ele tinha uns trêes anos menos e tinha uma carinha engraçada. Pelo menos levou uma boa lembrança.Obrigado.Um abraço

(Carlos Soares) disse...

Poxa Eversoon.Cowboy sofisticado, hein? Um abraço

(Carlos Soares) disse...

Disse tudo, Solange.Ninguém precisa ser adulto dia todo. bjs