ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O ÚLTIMO PASSO





Há uns oito anos, uma amiguinha cursando jornalismo tinha um trabalho a fazer com tema livre. Dizia: Escolha alguém que você gosta ou admira, de preferência poetas, professores, psicólogos, pensadores. Ela me procurou e escolheu o tema: MORTE. Falei. “Que bom que você gosta de mim”. “Claro. Quem não gosta de você?”. Lisonjeado, respondi. “Ah, obrigado. Você que é muito doce. Pode começar”. Eu respondia e ela anotava. Foi mais ou menos assim a “entrevista do ano”... rs rs.
- Já vi muitos trabalhos seus. Já lhe vi recitando, participa de muitos concursos, mas não nunca li algo seu sobre a morte. O que você acha da morte? Por que nunca escreve sobre morte? Todos os grandes escritores já falaram e falam dela
- Assunto complexo. Assim rapidamente, a morte é o único momento que nivela todas as pessoas. Independe de cor, classe social, sexo. Não adianta currículo, empurrãozinho, poder, o destino é o pó. Por isso a gente precisa valorizar a vida. Por que não falo de morte? Acredito muito na autosugestão, por isso prefiro falar de vida, luta, amor, sexo, amizade, música.
- Isso quer dizer que você tem medo da morte?
- Da minha não. A das pessoas que me cercam, que eu amo, tenho sim. Tenho cabeça boa pra tudo, menos para isso. Ainda não sei aceitar
- Você acha que existe céu e inferno? Vida após a morte?
- Claro que sim. Não tenho ideia do formato físico do céu e inferno, mas creio haver uma compensação e uma cobrança. Deus não ia mandar pro mesmo lugar Hitler e Madre Tereza. Eu gostaria de ter esse poder, de morrer e voltar pra contar a todos como é lá.
- Como assim?- riu
- Ora, porque qualquer coisa que padres, pastores e ciência disserem sobre isso é especulação. Ninguém sabe de nada. É cada um defendendo sua facção. Igreja e partido político é a mesma coisa. E a ciência está no papel dela, investigativo, descobridor.
- Você fala muito de Deus. Mas essa não é uma declaração meio ateísta?
- Não. Porque creio muito em Deus. Eu não creio é no homem. Grandes benfeitores da história estiveram acima das religiões. Gandhi, por exemplo. Deus olha de cima para baixo e não vê igrejas, nem muros, nem quintais. Ele vê o homem. Ele vê como você vive com seu vizinho, com seu colega de trabalho. O cristianismo não é físico, é espiritual, interior.
- Mas a igreja é necessária.
- Evidente que sim. Eu também vou à igreja e isso me faz bem. Só que não adianta eu estar lá, se meu espírito não estiver.
- Agora você está falando como um pregador. Você sabia que têm pessoas que viram líderes sem querer?
- Não,longe de mim isso. Eu só prego poesias. Poesia não faz mal, só bem.
- Fale sobre Jesus Cristo
- Não sei falar de Jesus Cristo sem me emocionar. É o maior nome da história. Nem os o que O seguiram O entenderam direito. Jesus não veio ao mundo para matar a fome de ninguém.Veio combater a hipocrisia, a intolerância, a soberba. Todas as suas parábolas falam disso.
- Fale sobre o Diabo
- O pai da inveja. Lúcifer é um anjo rebelde, invejoso, que desceu à terra para aprontar. Mas ele só age onde deixam. As pessoas deixam a porta do coração aberta.
- Acabamos nos desviando do tema inicial. O que você gostaria que escrevessem em sua lápide?
- O título de um de meus poemas. AQUI JAZ UMA FLOR.
Ela já tinha terminado quando brinquei. “ De uma coisa pode ter certeza. Quando eu morrer, a primeira coisa que vou fazer quando chegar do outro lado, é escrever uma poesia. Mas não vá escrever isso aí, hein?”. E ela. “Claro que vou. Você acaba de dizer uma coisa linda”. Naqueles dias, deitado no meu divã, digo sofá, acabei escrevendo sobre a morte.

O ÚLTIMO PASSO
Cada poesia é uma flor que sai de mim,
que rego... e entrego. E que esse jardim seja fértil até o fim.
Que meu último suspiro seja um perfume de amor.
Quem sabe esse será o último passo para eu viver o verdadeiro SONHO DAS ESTRELAS
e alguém que tenha entendido escreva numa lápide fria: AQUI JAZ UMA FLOR .
Sim... o último passo é sempre triste.
E não sei se ainda existe algo tão certeiro nessa terra
Não importa a forma que virá...violento... dormindo... sorrindo
fazendo amor ou fazendo guerra.
A lápide é fria, mas a lágrima arde
assim como a saudade covarde.
Não chore por mim. A vida é assim. A morte também é assim.
Mas pior que ter saudade é não ter em quem pensar.
E ai daquele que parte sem deixar saudades.
Sinal que não valeu, não viveu.
Vão ficar os quadros na parede.
No terraço, a minha rede
Onde tantas vezes deitei sozinho
No chão, um copo esquecido com um resto de vinho.
Mas que eu não seja lembrado apenas pelo último passo, e sim
por todos os meus passos, pelo meu sorriso raro, mas sincero, meus abraços
minhas letras tortas do dia a dia.
E quando eu adentrar a porta que se oferece
farei uma prece em forma de poesia,
ainda que digam do outro lado: Que teimosia!
Ora, fazer o quê? Só sei escrever.
Todos têm seu dia de último passo
e o mais cruel é que não se sabe quando,
e às vezes não temos tempo pro perdão, pro abraço
por isso é bom dignificar todos os passos
que antecedem o último passo,
pois quando a lápide se fecha, cerrando a cortina, é o adeus.
fim do espetáculo que é a vida
que alguém superior nos deu... e tomou
mas que tenha sido , embora árdua... também divertida.

19 comentários:

Edna Lima disse...

Que texto mais real.Só amorte torna todos iguais.Grande bj. Edna

Everson Russo disse...

Mais uma vez voce me faz pensar, repensar e rebuscar no bau do Livro, eu tambem não falo de morte, sabe o que eu acho, a gente que tenta distribuir o amor, carinho, com nossas palavras, sejam elas poesias, textos, não devemos levar o peso de um assunto assim, eu penso assim, muitas vezes aqui estou eu metido nas madrugadas, escrevo algo super hiper megra ultra triste, penso assim no auge do momento, "vai ser o post de amanhã", quando esfria a coisa, o pensamento vai pro outro lado, "nossa, o pessoal que me le não merece ler isso", rs..rs..rs..é um conflito danado, e acredito eu que em relação a morte é a mesma coisa, claro que respeito quem o faça, talvez eu que nao esteja preparado pra tanto....quanto a Deus, ai já é diferente, falo muito Nele, agradeço muito a Ele por tudo, porque por mais que nós seres humanos sejamos egoistas a ponto de nos acharmos o maximo...rs..rs..rs...nossa inspiração vem de quem? Deus Nosso Senhor...já o outro lado, prefiro tambem não falar, de coisa ruim já basta as complicações da vida, melhor nem aprofundar tambem...rs..rs..rs...super legal sua entrevista, como sempre é muito bom te ler, a gente sai renovado, sai diferente, sai com o pensamento em outro nivel...abraços amigo, obrigado pela sua amizade...um belo dia de paz pra ti...

Ná! disse...

Carlos, é a primeira vez que visito o seu blog, e adorei. Agora estarei sempre aqui.

Beijos!!!

(Carlos Soares) disse...

Valeu,amigo Everson. Como disse,também não gosto desses assuntos ruins, mas era em colaboração com uma quase vizinha.Eu prefiro mesmo é viver. Acabei gostando. Depois ela me disse que o trabalho dela foi o melhor.Mas por mérito dela. É muito inteligente, já passou em vários concursos. Uma coisa ela me garantiu. Redigiu sim o texto, mas do que falei não tirou uma vírgula e disse que o professor, que é pastor( vê se pode?), gostou muito. Um abraço amigo querido. Vamos viver. Vamos nos permitir, como diz uma música do Lulu Santos

(Carlos Soares) disse...

Obrigado,Ná. Volte sempre.beijos

(Carlos Soares) disse...

Com certeza, Edna.Não tem melhor,nem pior.Beijos

Everson Russo disse...

Voltando, acabei de ir no Wanderley Lima, o Novas EStações, é esse mesmo né? tem um poetrix, comentei normal, só que ele, assim como voce aqui, usa o aprvar primeiro, não seria isso? mas foi normal,só aguardando aprovação e inclusive, já tinham dois...abraços...

Cristiano Contreiras disse...

Parabens pela proposta e conceito do blog! me agrada! cativa!
serei seu novo seguidor!

(Carlos Soares) disse...

Obrigado,Cristiano. Bemvindo aqui.Um abraço

sandra Freitas disse...

Oi poeta,
Agora deu pra ver um pouquinho mais de você. Gostei do que vi.Eu sou evangélica mas temos pensamentos parecidos, em texto meu antigo do blog, falo sobre como Deus está acima de todas as religiões, inclusive do próprio cristinismo e todos os "ismos" que o homem inventa.E sobre a morte, falei dela em alguns textos mas foi em momentos de terrível deprê, quando ela parecia ser a mais suave das escolhas.Pra mim ela até pode parecer uma bela dama com a qual todos iremos valsar um dia, mas quando penso nela para as pessoas que amo fico extremamente desiquilibrada.Que bom podermos compartilhar essas coisas ...
um abraço..

Mariana disse...

Este é um assunto q todo mundo quer fugir, mas ele é implacável e muitas vezes cruel.
Tenhas uma bela tarde cheia de vida.
bjs

Armando Maynard disse...

Uma coisa tenho como certa,
Que para todo poeta,
Apesar de cultuar a vida,
Falar da morte é mais fácil,
Ao escrever de quem parte,
Faz poesia da morte.

Olá Carlos, estou treinando para ser poeta. Está vendo aí! e o responsável vai ser você. Um abraço, Armando

(Carlos Soares) disse...

Que bom,Sandra. E assim vamos nos conhecendo. Fico feliz.Beijos

(Carlos Soares) disse...

Obrigado,Mariana.Vida pra todos nós.beijos

(Carlos Soares) disse...

rs rs, que bom Armando. Já começou bem. O primeiro passo e ter sensiblidade e isso sei que você tem, além de ser muito culto.Tá sumido,hein? Um abraço

HSLO disse...

Você consegue me envolver demais com seus textos...amo demais.

Parabéns.


abraços

Hugo
Nosso-Cotidiano

Kotta1947 disse...

Olá Carlos como tudo que escreve me agrada este texto foi um pouco fora do habitual. Falar da morte porquê e para quê se ela é certa na nossa vida. Quando vier veio, e nessa altura será falada pela sua chegada não desejada.Bjo amigo.

Elaine Barnes disse...

Uma entrevista muito boa. respostas belas e sentidas. Seu sentimento realmente é digno de aplausos. A poesia é divina. Nada sabemos além da morte mesmo,mas,ela é realmente a única certeza da vida. Então, fazendo poesia aqui ou lá é o seu melhor e quando fazemos o nosso melhor Deus nos recebe aplaudindo. Muito lindo! bjs amigo

Vem desfrutar do Amor de Deus disse...

Oi Carlos...
dá uma passadinha lá no meu blog...
depois volto aqui pra comentar seu post
Bjs
Marcia