ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

MEU AMIGO INVISÍVEL


( na falta de imagem, vai eu mesmo)
Sei que existem blogueiros(as) que são psicólogos(as) e talvez tenham uma opinião específica sobre o texto, mas quero também, claro, a opinião dos poetas. Falei dos psicólogos porque acho que envolve mente humana, não só emoção. Dia desses vi um filme em que o menino projeta ou imagina um amigo invisível. Que fala com ele, que dá opiniões, etc. Muitos meninos já fizeram isso e eu também. Só que no filme, o amigo imaginário leva o menino a fazer coisas más. No meu caso não, mas ele me incomodou um dia. Não me lembro agora o nome que pus nele.Vamos chamá-lo de Zezinho.
No meio da turma, até mesmo entre família, sobre qualquer assunto, eu olhava de lado e dizia. “O que você acha, Zezinho ?”. Quando me chamavam para fazer algo ou ir algum lugar, eu dizia. “Espera. Vou perguntar meu amigo”. Quando a professora me pedia silêncio, justificava. “Desculpa, ‘fessora. Meu amigo não me deixa quieto”. Olhava de lado e falava pro amigo imaginário. “Se ficar fazendo isso, não trago você mais”. Alguns parentes e amigos diziam. “Ihhhh, lá vem o Carlos com isso de novo”. Eu não estava nem aí, me divertia.
Até que um dia, cheguei da aula cansado, nem almocei, adormeci no sofá. Contaram que dormindo, falei muito com Zezinho... e mais... mudava a voz, como se fosse ele respondendo. Meu irmão perguntou se eu estava fazendo hora, eu disse que não, mas eu gostava sim de brincar e acabei fingindo uma ironia, porém, por dentro falei sério. “Esse Zezinho já está me perturbando,vou me livrar dele”. Por causa de meu espírito brincalhão não ligavam, mas eu senti sim que o amigo imaginário tomava um espaço meio perigoso. Eu o manipulava, só que ele foi se agigantando e ficando sem controle.A gente cria o monstro e depois não domina. Por causa do Zezinho, não estudava para a prova. “Devo fazer isso, Zezinho?”. Se alguém, contava uma piada, eu perguntava ao Zezinho se ele havia gostado. Fazia coisas boas também, mas estava meio demais...e parei.
Já bem rapaz, até já trabalhava e tinha uma namoradinha. Um dia brinquei com ela. “Você sabia que tenho um amigo invisível, que vai à toda parte que estou?”. “Como assim?”, perguntou assustada. “Um amigo que só eu vejo, me dá conselhos, que brinca comigo, briga, fica do meu lado quando tenho problemas. Meu parceiro”. Ela pediu. “Ah, para com isso, Carlos.Tenho medo dessas coisas. Isso é coisa do mal. Cruz credo!”, fazendo o Nome do Pai. Entre assustada e brincando, perguntou. “Mas quando a gente está namorando ele não fica, né?”. Ah, como eu ri. “Claro que não. Ele é muito discreto, eu peço, ele sai”. Um dia quando seus pais não estavam, deitei a cabeça no colo dela. Gostava de passar a mão no meu cabelo e acabei dormindo. Não sei por quanto tempo, mas acordei numa sensação boa. Dizem que o subconsciente, às vezes aflora quando estamos dormindo e libera sensações. Com a palavra, os entendidos, sou leigo. Ainda com preguicinha, permaneci deitado. A namorada disse. “Você quase me matou de medo, mas tomei coragem e fui deixando para ver até onde ia, até porque pensei ser brincadeira sua. Você falou umas coisas estranhas, como se estivesse conversando com alguém. Falou de tristezas, frustrações, seu sonhos e desejos, suas alegrias, sua poesia. Teve um momento que parecia que ia chorar. De uma parte eu gostei. Disse que gosta de mim e lamentou não poder me dar muitas coisas. Não sei por onde começo. Não quero muitas coisas. Só uma. O que está aqui dentro do seu coração”, pondo a mão no meu peito. “Seu sentimento. Quero sua transparência, seu jeito cristalino de ser. Sua forma explícita de viver, de falar, de mostrar o que você é. As pessoas disfarçam o tempo todo, mas você não.Você é exatamente isso que a gente vê. Quem te ama, te ama com suas qualidades e defeitos. Nunca vi alguém mostrar tanto seus próprios defeitos. Tem um jeito menino, mas é cheio de responsabilidades. Se adapta a qualquer ambiente e à qualquer pessoa. Se sua alegria contagia, quando está triste também, dá vontade de pegar no colo. Fala umas coisas sem nexo, mas é muito inteligente.
Fica feio quando está bravo, mas é tão cavalheiro. Não sei se ficaremos juntos ou até quando, mas eu não quero mudar você. Você nasceu pronto”. Pensei muito e emocionado falei. “Sabe por quê gosto de você? Porque você me entende. Zezinho foi algo que eu criei para ter com quem falar nas horas ruins. E partir de hoje, não precisarei mais dele. Vou pedir que vá embora. Se eu criei, também posso desfazer”. A namorada mudou-se para São Paulo.. Foi embora chateada comigo. Não consegui ser o grande amor da vida dela. Seguramente foi a que mais me amou, mas não foi a que mais amei ( na época). A vida tem disso. Talvez se eu tivesse pedido conselhos ao Zezinho... mas ele estava contando coisas minhas enquanto eu dormia.

25 comentários:

Gilson disse...

Carlos

Obrigado pelas palavras e por estar lá junto de mim no Blog. Vamos sim partilhar muitas coisas juntos, pensamentos, idéias e poesias.

Abraço

Everson Russo disse...

Meu amigo, voce sempre nos coloca a pensar e sonhar, sabe de uma coisa? Penso que todos nós temos anjinhos rodeando nossos dias, nossos momentos e principalmente nossos sentimentos, penso tambem, alias esse eu acredito mais, respeito todas as profissões, sei das dificuldades de atingir os objetivos nessa vida, dos estudos e coisa e tal, mas na minha humilde opinião, psicologos são tão doidos quanto nós mesmos, então, serã que eu, por exemplo, não me entendo, não sei o que to sentindo, disparo minha metralhadora de letras pro mundo tentando entender, será mesmo que um psicologo pode me dar as respostas pra tudo, sendo ele tão humano quanto eu? tão cheio de erros, misterios e conflitos quanto eu? acredito que não, não por desacreditar na pessoa, nada diso, por achar o interior humano uma infinidade de sentimentos que só Deus pode explicar, acredito ser uma das coisas que Deus não nos permitiu entender por inteiro, ou talvez, voltando ao Zezinho, sejam esses amigos imaginarios que nos façam entender um pouco de nós mesmos, quando eu era mais novo tambem tinha meus monstrinhos, eu já fui narrador de futebol de um estadio imaginario, com atletas nas mesmas condições..rs..rs..rs...e até hoje me lembro o nome do danado do estadio era Cornelio Machado Lima...rs..rs..não me pergunta porque, não faço a menor ideia de onde tirei isso, e tinham os atletas, artilheiros e tudo mais, e numa mais recente, digo que isso começa de pequeno mesmo, outro dia pra conter uma birrinha de criança do meu sobrinho de 4 anos, desenhei no menor dedo da mão uma carinha, e por coincidencia coloquei o nome de Zezinho.rs..rs..rs..meu amigo, meu braço doeu de tanto dialogo com o Gabriel meu sobrinho...rs..rs..rs..tá vendo? quando a gente sonha a gente ve e as crianças veem muito mais alem...tudo fruto da nossa alma sensivel e sonhadora....forte abraço e uma bela quinta feira pra ti....acho que não fiquei parecendo louco nesse comentario né? rs..rs..rs...

(Carlos Soares) disse...

Pareceu louco só um pouquinho, Everson.Isso é bom. Não gosto de gente muito certinha.Que bom saber que não era só eu a criar esses mundos fantásticos.A gente estava fazendo poesia... sem escrever. Um abraço
//
Valeu Gilson.Vamos sim,pode crer.Um abraço

lia disse...

O nome "Zézinho" faz-me rir... (Zézinho aqui é mesmo o alter ego irrequieto que faz rapazinho dizer bobagem... mas não peças explicação!!!)

A ideia de ter com quem falar é verdadeiramente bem melhor do que falar sozinho...

Não sei porque não inventei uma "mariazinha" para carregar as culpas das minhas brincadeiras mal sucedidas...

Marjorie Bier disse...

O meu amigo invisível era o Joshua... até hj tenho medo dele! rsrsrs...

Obrigada pela visita.

(Carlos Soares) disse...

Ahhh. Estou vendo que todo mundo tinha uma amiguiho(a) invisível para aprontar das suas.Agora são Marjorie e Lia. Fico feliz.

Majoli disse...

Pôxa, que história gostosa de se ler.
Não me lembro de ter tido amigos imaginários, mas que até hoje eu converso com as estrelas, ah isso eu faço sim, e muitas vezes em voz alta.

Bom te ler Carlos.

Beijos meu amigo.

Fatima disse...

Ah Carlos!
Minha filha tem um monte de amigos invisíveis.
Legal sua história. Vou mostrar pra ela.
Bjs.

BANDEIRA disse...

Quem já não teve um Zezinho em suas fantasias ?
Acho até importante se ter esse amigo invisível, só assim temos com quem falar .
A psicologia diz que toda criança fantasia uma amiguinho.
Eu tive várias personagens qdo criança, ora homens, ora mulheres.
E vou te contar um segredo, ainda muito pequena já fantasiava com namorados - rsrsrsr
Sonhava com beijos e abraços...sexo !!!!
Eu despertei muito cedo para essas coisas e ainda tenho isso a flor da pele.
Xiiii ! acho que falei demais.!!!

Bjs

(Carlos Soares) disse...

Ah,obrigado Fátima,quanta honra.Diga a ela que a considero muito inteligente e que continue lendo.Beijos

(Carlos Soares) disse...

Bandeira... rs rs. Estou rindo até agora. Mulher corajosa. Mas é isso aí. Respeito posições, mas prefiro gente que se solta, que fale as coisas, sem hipocrisia. E que bom que ainda está à flor da pele. Eu também despertei muito cedo. Obrigado.Beijos

(Carlos Soares) disse...

Majoli.Eu também ainda falo com estrelas,amiga.Beijos

Edna Lima disse...

Dizem que de poeta e de louco todos nós temos um pouco. Grande bj. Conterrâneo.Edna

Ariana disse...

Carlos, certamente que o Zezinho te entende melhor do que ninguém.
Olha, eu não tenho nenhum Zezinho na minha vida, mas adorei a ideia de criar um porque o que eu converso comigo mesma em voz alta não é pouco, não.
Quando estou sozinha, falo o tempo todo comigo mesma, eu pergunto e eu mesma respondo.
Taí, vou pensar em adotar um Zezinho pra mim.
Como dizem: "olhando de perto, ninguém é normal"... Então, voi-là, vamos adotar um amigo assim. nesse dá pra confiar.

Beijos! Adorei o texto!

Roberto Rizzo disse...

"MEU AMIGO INVISÍVEL"
Fui o 100 a seguir este espaço cultural,
sucesso,
Roberto Rizzo

Elaine Barnes disse...

Qdo minha filha era pequena, tinha uma amiga vizinha lá da rua que tinha uma amiga imaginária, dava banho(pedia pra mãe dela dar), dividia a cama e ficava num cantinho pra caberem as duas,brigava... Na brincadeira de roda sua mão ficava solta, dizia que estava de mãos dadas com a aninha.rs...A psicóloga que a mãe levou disse que era normal até os 7 anos ter amiguinhos imaginários, depois sumiam e os espíritas disseram que era criança desencarnada que precisava brincar...Enfim,sua história foi envolvente como sempre.Adorei amigo! bjs

Coisa Frágil disse...

olá Carlos...
acho que toda criança tem um amigo...imaginário, que somente elas entendem...elas vão embora qdo começamos a crescer e ter outros interesses...em que a inocencia dá a vez para o amadurecimento....é uma "pena"...
Grata pela visita...adorei.

bjus e lindo final de semana

Wanderley Elian Lima disse...

Meu querido amigo Carlos, não esquente a cabeça, Freud explica. Gostei da observação quanto à imagem ficou ótimo.
Um grande abraço

Úrsula Avner disse...

Olá meu caro amigo e poeta, como psicóloga posso lhe dizer que ter amigos imaginários na infância é algo plenamente saudável e que faz parte do desenvolvimento infantil e como poetisa, posso lhe dizer que seu texto fala, através do recurso da escrita e do devaneio poético, de um desejo que habita todos nós- o de voltar ao encantamento e segurança da infância, voltar áquele tempo primoroso onde a vida era só o imaginário... Bj.

EDUARDO POISL disse...

Conte a sua história ao vento,
Cante aos mares para os muitos marujos;
cujos olhos são faróis sujos e sem brilho.

Escreva no asfalto com sangue,
Grite bem alto a sua história
antes que ela seja varrida
na manhã seguinte pelos garis.

Abra seu peito em direção dos canhões,
Suba nos tanques de Pequim,
Derrube os muros de Berlim,
Destrua as cátedras de Paris.

Defenda a sua palavra,
A vida não vale nada se você
não viver uma boa história pra contar."

(Pedro Bial)

Hoje passando para desejar um lindo final de semana com muito amor e carinho
Abraços

Everson Russo disse...

É mesmo, a gente já estava fazendo poesia,,,louca poesia...meu amigo, forte abraço e um belo final de semana pra ti...paz e poesia na alma.

Secreta disse...

Por acaso não me lembro de ter tido um amigo imaginário...
Talvez nunca tenha tido muita imaginaçãp :p
Beijito.

Vem desfrutar do Amor de Deus disse...

Oi Carlos,
Olha eu penso que amigos imaginários na infância seja muito normal e saudavel, até porque eles fazem o que queremos, ouvem o que queremos dizer e respondem o que queremos ouvir, coisa que no mundo real nao acontece né amigo?
Eu não tive um amiguinho invisível, mas acho que deveria ter tido viu!!! hoje, eu falo muito comigo mesma... e em voz alta, discuto, reclamo, elogio, enfim, mas isso porque existe uma solidão dentro de mim, por viver longe da minha familia, amigos, meu filho fora de casa, marido que nem sempre ta afim de papo...então,busco soluçoes em Deus e em mim mesma.
Gostei muito de voce ter abordado esse assunto .
Estou te seguindo viu???
Beijos e lindo final de semana
Marcia

Mariana disse...

Carlos, adorei tua his´toria, eu nunca tive amigo invisível,Mas o filho de uma amiga, ele tem 5 anos.Tem um grande amigo invisível.E conversa,brinca,poxa, só ele vê.
Desejo-te um ótimo fim de semaa.
beijos

Kotta1947 disse...

Que lindo o seu texto. Eu acho que toda a gente tem alguém com quem falar nem sempre será um zezinho mas inconscientemente falamos nem que seja em pensamento com um zezinho, toninho ou o que quer que lhe queiramos chamar. Bjo.