ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

UMA SEMANA DE CRIANCICE- "MEU PAI" e "DORME, MENINO"


( imagem senado.gov.br/saude )

MEU PAI

Nunca falei muito de meu pai em meus escritos. Deve ser porque convivemos pouco. Quando faleceu, eu era muito novo, tenros oito anos. Ele com sessenta e três. Mas o pouco que vivi vale ser lembrado. Sim, desde criança vivi tudo intensamente.Tenho uma memória afetiva incrível, sempre guardei tudo que vivi e ouvi. São tijolos na construção do meu ser. Acho que herdei algumas influências dele. A poesia, por exemplo. Ele gostava de fazer umas trovinhas e comprava muita literatura de cordel. Era pai à moda antiga, mas não posso me queixar, comigo não era. Pelo contrário, orgulhava-se de mim perante os amigos que reunia para beber, comer e tocar sanfona e violão. O fiel cachorro chamado ‘Famoso’, debaixo do sofá. Se gabava. “Ihhh, esse menino já lê qualquer coisa. Sabe rezar Pai Nosso e Ave Maria sozinho”. Mas isso não era o mais engraçado. Me colocava em sua perna esquerda, a sanfona na direita, e dizia. “Canta aquela do Roberto Carlos”. E eu cantava. “Eu te amo... eu te amo... eu te amo. uou uou uou uou”. Eu ainda punha os dedos apertando o nariz pra ficar fanhoso tentando fazer a voz do Roberto que tem o som bem nasal. Os amigos, e ele ainda mais, riam. Aquele cenário ficou na minha retina e no meu coração. E ele simplesmente detestava Roberto Carlos. Claro, porque gostava da música caipira de raiz. Outra influência sobre mim, pois fui lendo essas canções e fui vendo verdadeiras poesias, obras primas mesmo. Mas com tendência muito maior para o rock que era muito forte. Quando morreu, não tive de imediato a ideia exata do que era a perda. Uma semana após o sepultamento, andei a casa toda procurando por ele instintivamente. Não ouvi mais o estalar de chinelos pelo corredor. Vi a sanfona vermelha esquecida no canto do quarto. Na cama de minha mãe tinha apenas um travesseiro. Assim entendi, porque Famoso durante o velório uivou a noite toda. Ele estava chorando. A radiola, minha mãe só andou ligando para ouvir a missa aos domingos. Ninguém mais ligou a VOZ DO BRASIL, que minhas irmãs diziam que era chato demais. Eu não me importava, ora se era o gosto dele. Além do mais, era a certeza que ele estava ali, em casa. Era muito seguro sentir a presença de um pai. Com o correr das semanas, é que fui sentindo sua falta, fui percebendo o vazio, pois aquele momento de sentar na perna e poder agradá-lo me fazia bem também. Eu ia à sala, olhava o sofá e procurava aqueles tantos chapéus que os amigos penduravam numa espécie de cabide no canto. Não ouvia mais as gargalhadas de quando eu cantava. Eu gostava do Roberto Carlos, mas não daquela música, achava chata, repetitiva, era mais pela festa mesmo. Famoso nunca mais foi o mesmo. Ficava deitado na porta como se estivesse esperando a volta de alguém. Também já era velho e morreu não muito depois. Acho que se cansou de esperar. Um novo cenário se desenhava para mim... e meu pai não estava nele. Os anos passam e é da natureza humana, aceitar, se acostumar, inclusive com a morte, o mistério mais claro dessa vida. Entre tropeços e vitórias cheguei até aqui, mas gostaria muito de ter crescido ao lado dele. É muito difícil crescer sem um pai. Quem já cresceu e ainda tem o seu, cuide dele. Seja tolerante. Respeite seus cabelos brancos. Não ria de seus erros de português, foi graças a ele que você aprendeu a ler. Tenha paciência com suas pernas lentas. Elas já correram muito por você. Obrigado, meu pai. As coisas boas que sei, herdei de você. Valorizar as coisas na mão, não lamentar as perdidas. Chorar se preciso, mas levantar a cabeça. Ser humilde, não humilhado. Brincar, mas ter responsabilidade. Respeitar os mais velhos. As coisas ruins peguei do mundo mesmo. Continuo gostando de rock, mas ainda me encanto ouvindo uma sanfona bem tocada e quando estou numa roda de viola peço para tocar as suas caipiras. E as pessoas acham incrível como eu sei todas.
//////////

DORME, MENINO
Dorme, menino!
Desliga o mundo.
Que o sonho de um tempo melhor
seja mais profundo que o próprio sono.
Que não sintas abandono
que jamais te sintas só.
Que exista papai Noel
que a ilusão seja doce,
mais doce que o mel.
Que o céu vire chão.
Que o chão vire céu.
Que não sejam necessários super-heróis
porque todos, um ao outro se ajudarão.
Que não sejam necessários muros, nem prisão.
Que as nuvens sejam de algodão, não de guerra
que o ar seja puro nessa terra.
Que o futuro seja um lugar seguro para se brincar
com riachos cristalinos para se banhar.
Dorme, menino!
Sonha reinos encantados
iluminados pela poesia
pela fantasia de quem sabe sonhar.
Que o mundo seja um grande berço,
sem perigos, sem medo,
apenas brinquedos a te cercar.
Dorme, menino!
Embalado por essa canção de ninar.
Dorme, menino ...
mas, sem medo de acordar.

27 comentários:

(Carlos Soares) disse...

Desculpem amigos, mas hoje não tive como não chorar. Na verdade, estou chorando ainda. Sou bobo mesmo e nessas datas bonitas, como semana das crianças, natal, semana santa, meu aniversário, fico assim, meio fragilizado. Também não me envergonho de dizer que chorei. Muita gente me diz. “Como você se expõe!”. Não sei ser diferente, gosto de tudo no máximo. Vou dizer uma frase do Cazuza. “Eu sou mesmo exagerado”. Por isso vim aqui contar minhas historinhas de criança, que na verdade, não chegaram nem na metade. Mas não posso contar só as boas, né gente?

Solange Maia disse...

Desculpe amigo Carlos, mas hoje também não tive como não chorar... estou chorando ainda...

Carlos, você tem uma delicadeza e uma verdade raras... toca o coração da gente lá dentro...

Muito obrigada por ter proporcionado que meu dia começasse assim...

Um abraço forte, forte... desses que seu pai daria em você, e bom dia das crianças... pq sei da criança que mora em você, e que você nos entrega escrevendo.

muito lindo.

Solange

(Carlos Soares) disse...

Obrigado,Solange.Acabei chorando de novo,mas com suas palavras boas. Acho que hoje o dia todo vai ser assim.bjsssssssss

claudete disse...

Carlos, amigo, como não chorar ? sentir na sua carta para si mesmo a doçura de quem pode até ter crescido sem a presença física do pai, mas fixada na sua mente e convertida no homem-sensível que você é hoje. A autenticidade das pessoas e a coragem como elas se expõem é particularidade dos que sabem viver a verdade em todas as suas vertentes. Comovente a homenagem ao seu pai , cativante o seu poema. Obrigada por momento tão intenso e belo. Abraços, Claudete

Fatima disse...

Vc é muito lindo Carlos!
Bjs e um ótimo feriado.

(Carlos Soares) disse...

Valeu, amiga Claudete.bjs

(Carlos Soares) disse...

Obrigado,Fátima.Vocês são muito impoprtantes pra mim.Bjs e ótimo feriado

Everson Russo disse...

Não só voce meu querido, eu to aqui todo arrepiado, segurando a lagrima pra ela não cair ao teclado, falar de pai, de mãe é falar de amor, engraçado, voce me fez pensar, eu tambem não falei do meu, que quando se foi deixou uma saudade enorme, sempre severo, homem honesto que sempre falava que a unica riqueza que tinhamos era um nome, integridade e honestidade, homem de pouco sorriso, penso que pelas dificuldades da vida e pelo sofrimento de uma doença que o acompanhou parte grande da vida, tinha asma, lembro me dele no canto esquerdo do sofá, assistindo jornal nacional e ouvindo seu radinho com futebol, era atleticano roxo, e uma das decepções de sua vida, vamos por assim dizer, eu e meu irmão sermos cruzeirenses...rs..rs..., sei lá, são tantas coisas que podia falar tambem, uma vez, no meu endereço antigo de blog, postei um achado, uma poesia dele chamada solidão, em que ele fez e depois encontrou minha mãe, meu amigo, não se envergonhe de chorar, eu jamais me envergonharia, a lagrima talvez seja a nossa mais bela poesia, ela expressa o que tá na alma, o momento, o que doi, o que emociona, e muito menos tenha vergonha de ser um Cazuza, extremamente exagerado, eu tambem sou, e é muito gostoso a gente colocar nossas historias pra fora, exibir nossa alma, nossos sentimentos e coração....um forte abraço meu querido amigo, que essa sua paz invada todos que por aqui passam e com toda certaza saem mais sensibilizados e mais humanos....forte abraço e um belo feriadão pra ti...final de semana grande é sempre bom...

(Carlos Soares) disse...

Obrigado Everson.Você é um dos bons amigos dessa blogosfera. Gostei de sua análise da lágrima como nossa melhor forma de poesia. Nunca tive mesmo vergonha de ser bem extremo, mesmo pra chorar. Mas estou bem, não se preocupem e estou muito feliz de participarem comigop. Não estou muito bom de comentar hoje.Já molhel o teclado algumas vezes, mas engraçado, como isso me renova.Um abração. Feriado é mesmo uma delícia

Vem desfrutar do Amor de Deus disse...

Bom dia Carlos...
Nesse caso, eu e todos os seus amigos que comentaram aqui devemos pedir desculpas porque como li...todos choramos junto com você.
Falar da infância é sempre muito bom, principalmente quando tivemos uma feliz e ao lado dos nossos amores eternos que são os pais. Nessa manhã você me fêz recordar do meu querido pai que também já está junto com Deus e chorei Carlos, relembrando o quanto eu fui feliz ao lado dele..quanto ele foi meu amigo, meu heroi...como ele me ajudava em todos os sentidos. Eles ficarão eternamente em nossos coraçoes e cada vez que nos lembrarmos deles, um sorriso virá aos lábios, seguido de lágrimas de saudades...
Meus avós tambem tocavam sanfona e outros instrumentos e meu pai fazia o mesmo, me colocava no colo e pedia..."canta a música India"e eu cantava toda feliz porque sabia que ele gostava...ai...se pudessemos voltar nem que fosse alguns minutinhos ao passado e dizer pra eles o quanto os amamos e quanto sentimos a falta deles...
Mas é assim mesmo...um dia nos reencontraremos e poderemos dizer-lhes...
Ai deixa eu enxugar o rosto e ir trabalhar...
Bjs
Marcia
Ps: Carlos só responder a pergunta do post.. O que é necessário para fazer uma mulher feliz... e pronto já está participando
Bjs

(Carlos Soares) disse...

Obrigado,Máarcia. "Índia" era mesmo um sucessão.Lembrei também agora. Que bom,vejo que as pessoas que habitam este blog são muito sensíveis.Obrigado pelo carinho.bjs

marjoriebier disse...

Que lindo...

Leonor Lourenço disse...

Muito emocionante.
Felizmente ainda tenho o meu comigo, mas confesso, sinto medo... Q
uando penso na morte de meus parentes e amigos, meu coração salta. Nunca consiguirei imaginar , de certo, sem passar por isso. Respeito muito quem já sentiu de perto a usência. Um braço forte da Leonor.
Obrigada por ter visitado meu blog. Seja bem-vindo!

Elaine Barnes disse...

Chorei! Muito emocionante e triste. Que bom que teve um pai que em pouco tempo te passou tantos valores né?! Chorei porquê qualidade é muito melhor que quantidade. Tive um pai morando comigo por quatorze anos e me lembro da vontade que tinha de sentar no colo dele. Um dia criei coragem e sentei. Ele me disse: êh negrinha, "quanto" você está querendo. Foi o maior balde de água fria que levei.Ele ainda vive. Tem outra família, ainda tento sempre me aproximar, dizer que o amo,mas, em vão. Ele sempre foi ausente mesmo tão perto. Enfim...mais uma vez você me emocionou. bjs ammigo

Glória Müller disse...

Carlos, hoje foi danado... nossa, mexeu muito comigo.As lembranças cairam do céu feito chuva dourada... lembranças de uma mãe que foi especial, a mais pura poesia. Tão delicada, sábia... desculpe, foi ficar por aqui. Não dá mais para escrever.
Bonito, amigo, muito sensível!
Bj
Glória

(Carlos Soares) disse...

Obrigado,Glória. Que bom que teve uma mãe boa.Bjs

(Carlos Soares) disse...

Ai,Elaine. Que chato,hein?Mesmo assim cresceu uma grande mulhher.bjs

(Carlos Soares) disse...

Sim,Leonor. Na verdade,nenhum de nós está preparado para isso. Volte sempre,tá?bjs

Áurea disse...

Altamente comovente
Com um poema brilhante
Como se foi lembrar hoje
Desse tempo tão distante???

Quase não tenho palavras
P´ra comentar o que li
Escrito com tanta humildade
É maravilhoso assim

Fala de coisas tão lindas!...
De valores tão importantes
Às vezes sinto saudades
Das coisas que eram "antes..."

Claro, não digo tudo
Mas certa serenidade
Não a tanta correria
E havia mais lealdade

Meu pai morreu à dez anos
Mas minha mãe à dois
Deixou-me muita saudade
Não no dia, mas depois

Falando da MÂE honesta
Fiz poema ao enterrar
Não sei como consegui
Ler "tudinho," sem chorar

Mas a vida é mesmo assim
Temos de andar para a frente
"De cabeça levantada"
No meio de tanta gente!...

Bjo.

PS. Diz no blog da Leonor que não conseguiu entrar no meu. Ainda não tenho, talvez em breve...Tenho o meu tempo muito preenchido.

Áurea

(Carlos Soares) disse...

Que legal,Áurea. E você brincou inteligentemente com meu texto, falando de seus pais ao mesmo tempo. Bem,enquanto não tem lbog,venha aqui sempre que der tá? Amanhã publicarei outro texto. bjs e obrigado

Ariadne disse...

Benditas são as lágrimas que lavam alma e coração.
Se é pra chorar, que chorem as lágrimas que um dia te fez tão feliz. Beijos!

Ps. quando você era criança, colocava 5 ping-pong na boca, e mascava até doer o maxilar?

(Carlos Soares) disse...

rsrs .Ariadne. De chiclete não gostava muito. Eu gostava mesmo era de balas.beijos,amiga

Edna Lima disse...

Foi pouco tempo com seu pai ,mas foi intenso. Belas lembranças. E vc uma eterna criança. Bjs Edna.

Sonia Schmorantz disse...

Esta tua semana de criancices está um encanto!
Lindo final de semana, e um imenso abraço à criança que mora dentro de ti, neste dia 12 de outubro!
abraço

Jacque disse...

Obrigada por seguir meu Blog Novo, pelo comentário. Ainda não comecei a chorar, vaiser daqui a pouco rs... Desculpa, não estou rindo de você. Me aconteceu , pela segunda vez nesses Blogs, desilusão com uma pessoa. Por isso estou com vontade de chorar, porque é sempre no meu Blog de Poesias. Eu sou muito carente, quando ganho muita atenção de alguém me apego logo, sem conhecer direito a pessoa. Quando vejo estou fazendo loucurars pelos blogs, pedindo atenção, sentindo ciúmes. Desculpa Carlos, por falar de mim. Seu Blog está lindo. Apareça para ouvir umas músicas.

Beijo.

Jacque

(Carlos Soares) disse...

Fica assim não, Jacque.Mas vai passar.E pode contar comigo.bjs e ótimo final de semana

sandra Freitas disse...

Você só faz mostrar seu lado humano e lindo. E somos tão previlegiados por você compartilhar conosco essas coisas tão valiosas. Obrigada poeta..