ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

sábado, 21 de agosto de 2010

O POETA E A FREIRA


Ele, distraído lendo o jornal andando pelo calçadão, não percebeu a presença da freira, saindo do supermercado com sacolas e esbarraram-se, indo ao chão todas as suas compras. Pediu mil desculpas, se prontificou logo a recolher tudo, abaixaram-se juntos e num trabalho mútuo, toda a compra foi reembalada. Quando de repente cruzaram os olhares. Era ela. Um grande amor do passado. Olhou a boca que tanto beijara. O invólucro, a redoma de freira, não escondeu sua beleza. Atônito, perguntou. "É você? Como vai?". Ela também o reconheceu. Pálida e trêmula, levantou-se. "Com licença, senhor. Estou atrasada". E saiu em disparada com os dois volumes nas mãos. Ficou observando-a se afastar num fio tênue de esperança de que no final da esquina olhasse para trás, como antigamente. Todas as vezes que brigavam ela olhava para trás. Mas ela não era mais como aquela estrelinha que voltava todas as noites. Foi morar em outro universo. Uma pergunta era inevitavél. "O que ela teria feito nesses doze anos passados?". A resposta lhe veio imediata. Com certeza, muitas orações, obras de caridade e devoção. Como se diz no meio popular religioso, 'casou-se com Jesus Cristo'. A pergunta voltou para si mesmo. E ele, o que teria feito nesses doze anos? Outra resposta imediata. Fazendo poemas para ela. Muitas vezes é assim. A musa é musa até sem saber. É incrível a força do amor. É mais forte do que a gente, por isso às vezes dá medo. Não podemos lutar contra uma força que não podemos conter. O amor nunca morre. Fica guardado no fundinho da última gaveta do coração. basta um simples olhar para explodir de novo. E não adianta jogar a chave fora, o coração tem porta automática. Parado em pé naquele calçadão, fechou os olhos e mergulhou num mundo de recordações. Lembrou-se do primeiro beijo no rosto dela, segurando suas mãos dentro do ônibus, depois de certificar-se de que ninguém estava olhando. Do primeiro beijo na boca. Dos pedaços de pizza que punha na sua boca. "Coma tudo. Você precisa ficar forte". Como se estivesse cuidando dele. Das longas conversas e das brincadeiras na praça. Do velho sentado tentando ouvir o que falavam e eles rindo disso. Do champanhe que ele todo atrapalhado derramou. Tudo aquilo agora estava sufocado sob uma vestimenta de freira. Não sei por que as pessoas gostam de sofrer caladas. É mais cômodo que lutar. Sufocam tudo dentro de si e saem rindo por aí. Eu não sei fazer isso. Posso até sufocar, mas não vou rir. Nâo sei sorrir sem motivos. A vida não é uma simples fotografia. "Vai graxa ai, doutor?". A voz do engraxate o interrompeu, trazendo-o de volta do mundo de lembranças, o mundo onde habitam os sonhos impossíveis. Olhou para o pirralho e viu de novo o mundo real à sua frente. Olhou mais uma vez para a esquina vazia. E penitenciou-se. "Para quê ficar recordando as coisas se elas não voltam? Que mania tola é essa de chorar duas vezes? Uma não foi o bastante?". As pessoas fazem opções, arrependam-se ou não, precisam ser respeitadas. Aquietou todas as lembranças, colocou-as de novo na gaveta e voltou-se para o engraxate.
"Quero sim. Capricha aí nos sapatos, porque à noite tenho um grande evento literário",
Ele também estava casado... com a poesia.

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VOCÊS FIQUEM AÍ NA CIDADE GRANDE QUE EU ESTOU INDO É PRA ROÇA. UM ABRAÇO A TODOS. BOM DOMINGO

12 comentários:

Chica disse...

Emocionante, de arrrepiar,Carlos! Fico imaginando a cena e viajo...abração,chica

ValeriaC disse...

Que linda história querido...é ...amor..que é amor de verdade, mesmo que não seja vivido, sempre será amor...sempre será sentido, mesmo que na maior parte do tempo fique escondido...
Ow beleza...você ir pra roça...a parte que mais gosto...além da beleza da natureza que envolve, é a comida...coisa boa...beijos amigo...
Valéria

Wanderley Elian Lima disse...

Oi Carlos
Que estória sensível, existem coisas realmente que apenas fingimos que esquecemos, ao menor sinal elas surgem com força total.
Grande abraço

Lou Alma disse...

Estou com o final da Anita :) , boa roça para os dois e muita poesia. Beijo

Anne Lieri disse...

Carlos,uma história muito bonita!Os desencontros que acontecem na vida...adorei o final tb:ele resolveu tocar o barco,afinal ela era o passado e a vida é agora!Muito legal seu conto de amor!Abraços,

Fatima disse...

Que texto bonito Carlos!
Bom descanso ai na roça viu.
Bjs.

Eduardo Medeiros disse...

Por acaso é autobiográfico? Parece...gostei muito. O amor de fato, nunca morre, mas quem tem amor, sempre pode deixar mais uma pessoa entrar nele, e deixar quem quer ir, que se vá, e que seja feliz.

abraços

HSLO disse...

Viajei na história...muito boa.

te desejo uma ótimo domingo amigo.

abraços

Hugo

garoto cientista disse...

Eiiii meninu, ta indo pra roça?? me leva junto? ai que saudade da minha rocinha!
Parabéns pelo texto, belíssimo.

Everson Russo disse...

Sempre gostosas historias de amor,,,abraços fraternos de bom domingo e uma bela semana pra ti.

Guida Rosa disse...

É lindo isso! e é realidade de muitos também..
um ótimo fim de semana na roça pra vcs.

Sandra Botelho disse...

Uma linda história amigo.
Bjos achocolatados