ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

quarta-feira, 10 de março de 2010

O CARLOS VOLTOU!


( imagem lifesbook.files.wordpress.com )
Foi exatamente no dia do meu aniversário. Estávamos num churrasquinho, eu
e os dois irmãos Jonas e Josué, com quem eu morava num pequeno, mas aconchegante barraco. Ah, se aquele barraco falasse. Só faltavam uns dias para receber meu acerto e zarpar. Falei pro Jonas. “Nunca mais vou voltar à essas cidade”. Ele não deu muito bola. “Duvido. ‘Nunca’... é distante demais”. Insisti. “Sério. Aproveite para olhar pro seu amigo nesses dias, pois não o verá mais. Talvez daqui uns trinta anos, se voltar”. Estava magoado, algumas decepções, cidade de poucas oportunidades. Hoje não, cidade em progresso constante, em plena evolução. Também isso não é mais da minha conta. Ele, por fim entendeu. “Pelo menos telefona pra minha tia aqui ao lado”. Não fiquei trinta anos, tampouco a eternidade, mas dezesseis anos fiquei sim. Um dia, traumas vencidos, tomei coragem e voltei. Ao meu bairro de origem. Fui à casa do Marcelo que já estava nos EUA, conversei longamente com sua mãe. Encontrei Amarildo, craque de bola. Fui à casa de Dona Maura, essa não podia faltar. Esperando Jaiminho, seu filho, acabei almoçando lá. “Puxa, Dona Maura, a senhora está cozinhando do mesmo jeito”. “ Você pra mim é como um filho. Se você não comesse ia ser maior desfeita”. Visitei dona Maria Preta, que velhinha custou a me reconhecer. E assim vi outros. Luizinho. Walter. Zezé. Mas o ponto mesmo de encontro era na última rua, onde tinha o bar do Sinval. Todos iam pra lá após as peladas. Quando virei a esquina, tive que parar porque uma lágrima desceu. Todos estavam lá. Ou quase todos. Vi de longe Ademir, Beba, Edmilson, Manuel, Salvador, Lobão, Everaldo irmão do Quita, Waltinho, Fernando. Com calma enxuguei os olhos, estacionei e fui. Andando ouvi um dizer. “Gente, não acredito no que estou vendo. É o Carlos. O Carlos voltou”. E começou um grande alvoroço, todos vindo a mim. Parecia que chegava um grande ídolo. Não. Mais que isso. Um grande amigo. Fiquei perdido entre tantas perguntas, não sabia a quem responder. Sinceramente, fiquei surpreso com tamanha recepção, e feliz, claro. Senhor Nelson, veio de trás. “Uai, Carlim. Não fala mais com velhos?”. Virei-me. “Claro que sim, seu Nélson”. E dei a mão, ele se afastou. Não, não. Você mesmo me disse uma vez que amigos não dão a mão. Amigos se abraçam. Eu quero um abraço”. Claro que dei. Senhor Nelson é um caso à parte. Não gostava da rapaziada, mas modéstia à parte, eu o trouxe pro nosso lado. Fiz ele ver que a rapaziada era boa. E nunca mais deixou a gente. Um velho no meio de jovens e pelo jeito não perdeu o gosto pela coisa. No meio de tanto blá blá blá, ele mesmo disse. “Isso merece uma comemoração, isso é um acontecimento, um churrasco cai bem”. Todos responderam quase em coro. Churrasco armado. Lembramos de tudo, desde a infância mais remota. Do nosso timinho. Fatos da escola. Do dia que derrubei o muro com o carro. Do dia em que a bola voou sobre o muro, passou pela janela e jogou o prato de Dona Maria Preta no chão. Ela saiu no portão de faca na mão, com a bola picada em mil pedaços. A bola era de Juninho, um menino mais novo, que ganhara a bola no aniversário naqueles dias. Ele chorou demais. Chamei a turma, fizemos uma vaquinha e compramos uma bola igualzinha pra ele. Foi nesse dia que fiquei sabendo que Mirtes e Robson haviam morrido. Lamentei muito. Sempre que a gente perde um amigo, é como se fosse uma flor a menos no jardim da gente. Falamos de quando eu cantava no ônibus. Eu cantava de Amado Batista a Frank Sinatra. Era metido a imitar alguns artistas. A voz tremida do Fagner. A voz possante do Zé Ramalho. A que eu tinha mais facilidade era com a do Belchior. Na voz do Roberto Carlos, eu exagerava de propósito, só para as pessoas rirem. Lembramos do bairro aonde íamos e às vezes voltávamos correndo dos rapazes enciumados por causa das meninas de lá. E o dia em que inventei de imitar Elvis no clube? Se fui bem não sei, mas rimos muito. Falamos das meninas sempre à minha volta. Eu não pegava ninguém. Gostavam de mim porque eu era divertido. E meus amigos também. Todos se encorajavam a partir de mim, mas sempre aprontações do bem. Minha casa vivia cheia. Todos vinham ouvir música na minha radiola, linda, marca ABC. Eu ficava explicando as letras das músicas pra eles. Todos gostam de ouvir elogios e eu também. Só que quando exageram, fico sem graça, fico tímido mesmo. A frase que mais ouvi. “Quando você foi embora, esse bairro não foi mais o mesmo”. Teve de tudo. Até quebraram ovo na minha cabeça. Tomei banho de mangueira. Como pude ficar tanto tempo sem ir ali? Muitas vezes criamos barreiras dentro de nós mesmos, nos impomos limites, afastamos de pessoas queridas só porque uma terceira força quis. E isso é um erro. Pelo menos, um dia quebrei a barreira, quando entendi que uma cidade é muito mais que usinas, edifícios, bancos e avenidas. Uma cidade é feita de pesssoas, especialmente... de amigos. Foi por isso que eu voltei.

21 comentários:

Wanderley Elian Lima disse...

Olá Carlos
É muito bom voltar, toda nossa vida vem à mente e os amigos parece que ficaram a vida toda nos esperando. Por mais tempo que leve, por mais distância que se percorra nunca nos esquecemos quem amamos.
Abração

Ana Cristina Cattete Quevedo disse...

Adorei saber um pouco mais de sua história.
Voltar as origens , e ainda por cima por causa (principalmente) de amigos tem gosto mega especial.

Beijo

Felina Mulher disse...

Eu fico imaginando o filme que passou pela sua cabeça nessa sua viagem....cada vez que te leio mais eu gosto de vc, do teu jeito de ser...não é qlq pessoa que sai de um lugar e qdo volta é recebido pelos amigos como vc foi...é preciso ter conquistado tudo isso.O tempo não fez eles te esquecerem e nem vc à eles.Vc é um menino de ouro.

Um beijo da amiga Felina.

Pelos caminhos da vida. disse...

Olá! Dei uma passadinha por aqui,

só para ver como você estava

e te desejar um

ÓTIMO DIA!!!



Lembre-se, hoje é um dia muito especial,

Melhor que ontem e muito melhor que amanhã,

Hoje você têm a oportunidade de fazer as coisas diferentes.

Bom Dia!!!

beijooo.

Everson Russo disse...

Meu amigo,,,voltar é preciso,,,raizes, historias, alma,,,muita coisa a gente vai deixando jogada pelo caminho, espalhada pela vida,,,,e voltar pra ir catando nossa poesia de volta é muito bom,,,é resgatar a essencia de tudo,,,do amor,,,uma vez eu disse nunca,,,e posso te dizer outra apenas com essa palavra,,,eu nunca mais digo nunca...rs..rs..rs....abraços e um belo dia pra ti....

(CARLOS - MENINO BEIJA - FLOR) disse...

Sim, caro Wanderley. Celebrar os amigos e celebrar com os amigos. nada foi em vão. Um abração
///
Si,Ana. Quando precisei daquela gente, eles estiveram comigo. Por isso, eu voltei. Foi mega. Beijos
///
Eu também,amiogo, Everson. Nunca mais a palavra nunca, palavra chata.Um abrção
///
Oi, Felina. Gostei de me chamar de menino de ouro. Talvez não de ouro, mas menino acho que sim. Gostei porque é assim que gosto de me portar. Beijos e obrigado por tudo.

Silvana Nunes .'. disse...

Bom dia, meu querido amigo.
Obrigada pela visita, gosto das suas intervenções.
Com relação ao seu post, bela analogia. Vez por outra criamos certas resistências e por conta delas deixamos de viver momentos de felicidade.
Gostei.
Beijo grande.

Maria Bonfá disse...

adorei a historia.. vc deve ser uma pessoa especial. vejo nas suas escritas o carinho que tens e quantos recebe.. somente pessoasa especiais são assim.. adoraria te conhecer.minha admiração por ti é imensa.. e sou sua fã de coração mesmo.. lindo dia pára ti ..beijão

Sandra Botelho disse...

Quando volto a Lavras, sinto vontade de nunca mais sair de lá.
É lá que estão minhas amigas, meus amigos , lá esta escrita minha história, é pena que a vida nos afaste dos a quem amamos e desejamos estar perto. Mas sempre combinamos que quando nos aposentarmos voltaremos. Meu marido ama aquela cidade e eu tbem.
Afinal foi lá que nos conhecemos e nos apaixonamos e lá se vão 23 anos juntos sem nunca nos separarmos, nem brigarmos acredita?
Poucos acreditam mais é a mais pura verdade.
É o meu amor, meu unico e eterno amor.
E seu texto me fez relembrar de tanta coisa.
Obrigado por dividir momentos tão ternos e especiais com todos nós .
Enfim acho que já somos uma grande familia blogueira.
Bjos no coração e na alma.

Ná! disse...

Carlos,
É sempre bom voltar e o melhor ser recebido por amigos.

Acho que a amizade é uma das formas de amar mais verdadeira que existe.

Bjs!

Anne Lieri disse...

Carlos,que legal essa sua atutude de sempre prestigiar os amigos e voltar a ve-los,mesmo estando distante.Um texto muito emocionante e desejo que continue sempre assim,pois amigos são fundamentais em nossa vida!Abraços,

~~º~~ Leonor~~º~~ disse...

Oi amigo, as sua histórias de vida sempre um encanto, acredita que eu hoje estive a ver o canal odisseia, e vi uma senhora, já de idade bastante avançada talvez para mais de setenta anos. Nas margens ribeirinhas da Amazónia, a fazer partos e tratar dos bebés e das mães, eu chorei. Que coisa mais linda, coisas tão verdadeiras que maravilha, e que feliz eu fico de ler estes testemunhos de vidas. Eu também tenho tantos para contar mas falta-me muitas vezes coragem para o fazer.
Obrigado pela sua visita, e sua amizade sempre constante no meu cantinho, um grande abraço fraterno e acredite eu gosto tanto de você como se o conhece-se de sempre.

Lúcia Amorim: disse...

Meu menino beija flor,
Obrigada pelo carinho sempre deixado em meu espaço.Sim,bom ter anjo para descansar os olhos que sempre ficam abertos.Carinho e ternura sempre para você.
Abraços Lúcia Amorim

~*Rebeca e Jota Cê*~ disse...

Carlos,

Suas histórias criam vida dentro de nós.

Que sua quarta seja de luz, querido amigo.

Rebeca

-

Sonhadora disse...

Carlos
Voltar às origens é uma coisa maravilhosa, faz-nos voltar no tempo, lembrar coisas ,já esquecidas, rever amigos.
É muito bom.
O seu texto está lindo e real.

Beijinhos

Layara disse...

...tao bom voltar e sentir-se amado e querido, sinal de que valeu a ausencia...

besitos!

Elaine Barnes disse...

Tudo está certo como está,assim as histórias se iniciam,tem um meio e no fim que não existe,outras histórias vem se juntar,mas,a amizade verdadeira sempre ocupa seu lugar." No coração das pessoas nas quais a plantamos".Amizade verdadeira é isso,continua sempre jovem, cheia de viço, alegria e amor de sobra pra comemorar. Pude sentir o cheirinho do churrasco e ouvir as risadas. Montão de bjs e abraços

Solange Maia disse...

Carlos,

na verdade acho que você nunca partiu... seu coração sempre teve um lugarzinho reservado para aquela gente, para aqueles amigos...

sua história me emocionou....

linda, como todas, aliás...

beijos !!!!

e beijos para a linda Anita também....

"Cantinho Poético" disse...

Passando para agradecer o carinho da sua visita.
Bom dia com amor & poesia!

Beijos M@ria

Tatiana disse...

Quando nos envolvemos muitas vezes agimos de uma forma diferente do que achamos sero o certo. E quando acaba percebemos que existem portos seguros para os quais poderemos sempre voltar!

Tenha um dia maravilhoso!

Beijos

Everson Russo disse...

Um forte abraço pra ti amigo e um belo dia de poesia e paz.