ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

MINHA INICIAÇÃO


( imagem google )
Quando escrevi meu primeiro texto realmente poético, cursava a terceira série e me rendeu também minha primeira nota 10 na escola. Se não me engano, talvez a única, pois eu era um aluno mediano, meio largado. Só estudava mesmo na reta final, aí sim, queimava as pestanas para passar de ano. Foi no dia que a professora Dona Jandira, colocou nas carteiras, uma estorinha iniciada por ela e o dever de casa era, cada qual, terminar com sua própria imaginação. A estorinha dizia de um veadinho, perdido na floresta, sem sua mamãe. Terminada a aula, cheguei em casa e vi minha mãe, no tanque, concentrada nas roupas e nos problemas. Ela não notou minha presença. Fiquei ali vários minutos olhando-a e naqueles momentos, lembrei-me do veadinho e fiquei pensando. Nunca me imaginei sem minha mãe.Como eu me sentiria de repente sem ela? Ela... que cuidava de minhas doenças. Que colocava comida no meu prato. Que penteava meus cabelos para eu ir para a escola.Que me ensinou Pai Nosso e Ave Maria. Quem iria fazer aquilo tudo para mim? Logo me imaginei chorando perdido, igual ao veadinho da estória, porque o mundo, afinal era uma selva perigosa. De repente ela se virou e disse: “Você está aí, meu filho? E por que está me olhando assim?”. Então me aproximei e abracei sua perna dizendo: “Porque eu gosto muito da senhora!”. No que ela agachou, me abraçou com o avental molhado e deu umas alisadinhas no meu rosto, respondendo: “Ah... meu filho! Só você mesmo para animar meu dia. Pra que vou ficar triste se tenho um filho tão bonito e tão doce? Vem, vou colocar comida pra você”. E foi puxando minha mãozinha esquerda, que mais tarde escreveria meu primeiro texto poético. Claro que não me lembro dele todo, mas me lembro de como o terminei. A mamãe do veadinho, quase tão frágil quanto ele, mas abnegada, voltou, enfrentou perigos, fugiu das feras, passou fome e sede, mas encontrou o filhinho e assim, “viveram felizes para sempre”(eu adorava essa frase dos contos de fada, e menino que era, ‘plagiei’ rs rs). Ainda pus uma nota no final que dizia que nenhum filho merece ficar sem a mãe e que nenhuma mãe merece ficar sem o filho. E que o amor de mãe é o que mais se aproxima do amor de Deus. A professora não corrigiu os trabalhos no mesmo dia que entregamos. Passaram-se alguns dias, até que ela me chamou: “Carlinhos, venha aqui na frente, por favor”. Ai, ai, ai.
Professora chamando na frente não deve ser coisa boa. Menino sempre está com impressão de que aprontou alguma, mesmo não tendo aprontado. Só não fui com muito medo porque Dona Jandira era uma professora muito carinhosa. Poderia no máximo repreender, sem muita briga. Ela disse: “Adorei sua estorinha. Parabéns, ganhou 10! Muito linda! Onde você buscou inspiração, menino?”. E eu respondi: “Na minha mãe. Porque nunca havia me imaginado sem ela. Acho que eu ficaria igual ao veadinho da estorinha”. “Que gracinha”, disse ela.
Pois bem, fez mais alguns elogios, leu para a classe toda e disse que levaria para outras professoras lerem nas outras salas. Eu não tinha a dimensão exata do que aquilo representava, só queria curtir meu "10" e contar pra minha mãe, afinal ela foi minha primeira musa. Acabei ganhando uma caneta toda brilhante como prêmio por ter sido a melhor da escola. Foi um grande incentivo para mim, não só para ser poeta, mas para vida em si, pois meu pai havia morrido há poucos meses, eu estava meio sem referência, mais perdido que cachorro que cai de caminhão de mudança. Lembrei algumas coisas que ele falava, às vezes não diretamente a mim, mas eu ficava ouvindo-o dizer coisas como: “Dicionário não é o pai dos burros. É o pai dos inteligentes. Burro é quem não pesquisa”. “Fazer as coisas sem fé é o mesmo que dar murro em ponta de faca”. “Um homem tem que saber o que diz. A maior qualidade do homem é a palavra”. Dizia. E o fato de ele estar sempre rodeado de gente também me influenciou muito. Ele não tinha dinheiro, mas vivia alegre. Por isso digo que ganhar aquela caneta foi muito bom. Foi minha primeira alegria depois da morte dele e comecei a ver que a felicidade não dependia exclusivamente de dinheiro. Porque naquele momento eu estava muito feliz e não era por dinheiro. Era porque escrevi um texto que foi elogiado por todos, até pela diretora que tinha uma cara feia. Me senti importante, um idolozinho. E fui muito sincero no que escrevi. Falei às pessoas, sem ter vergonha, dos meus medos, do meu maior medo que era ficar sozinho na grande selva. Eu... que já estava sem pai. Foi a partir daí que senti que a poesia podia ser minha parceira. Foi a partir daí que aprendi que poesia tinha que ser com o coração, pois o texto saiu do meu coração. Não existe nenhuma forma de poesia que não seja do coração. A poesia é uma coisa muito real, o que acontece dentro da gente é muito real. Foi a partir daí que comecei a ser explícito. Não concordo que “o poeta é um fingidor”, me perdoe o grande mestre. Ninguém é mais explícito que o poeta.
E assim tudo começou. A poesia é minha espada do bem. Não faço poesia para mim. Faço para as pessoas. Gosto de dar poesia a elas.

27 comentários:

Maria Bonfá disse...

Carlos vc me emocionou até as lagrimas. chorei aqui ao ler sua Iniciação.. lindo de viver.. mostra toda sua doçura.. sua alma sensivel e linda.. vc me enternece, me comove.. obrigada por compartilhar comigo essa maravilha. e obrigada por me permitir ser sua amiga..beijão

Wanderley Elian Lima disse...

Olá amigo Carlos
Você como sempre sendo claro e verdadeiro em seus textos. Comovente seu relato. Adorei
Forte abraço

Sonhadora disse...

Meu querido Carlos
Não tenho palavras para descrever a maravilha e a emoção do seu texto muito real, muito belo.
Muito sentido.

Beijinhos com carinho

Sonhadora

Gilson disse...

Carlos, meu amigo, um texto e tanto, um pedaço de sua vida difícil e ao mesmo tempo começando novamente a ser gratificante. Concordo com você em dois itens, viver sem a mãe deve ser muito ruim e a poesia só é forte quando sai de um sentimento intenso de nosso coração.

Bacana mesmo.

HSLO disse...

Muitas são as crianças que tem o talento igual a seu, porém falta um estimulo. Achei lindo o seu texto amigo.


abraços


Hugo

Barbara disse...

Que maravilha de testemunho, de amor à mãe e à vida. Á vida, por ser um "doador" de poesias.
E devo dizer que tocou-me nas entranhas - pois eu estou na selva perdida desde que fiquei sem a mãe, aos 10 de idade.
Isso não se recupera com totalidade.
Boa sorte prá você.

Felina Mulher disse...

Lindo, lindo lindo...gostosa lembrança menino poeta nota 10!


Beijos meus pra ti.

Everson Russo disse...

Meu amigo, sempre voce,,,trazendo emoção, humor, poesia e alma,,,pelas etapas,,,a emoção do primeiro texto,,,eu me lembro bem do meu...rs..rs..chamou se Princesa,,,feito pra uma menina que passava pela minha rua,,,o tempo passou,,,namorei com ela. e aprendi que o amor não morava ali...rs..rs...humor pelo veadinho perdido na floresta...rs..rs..rs...a vida nos ensina tantas coisas,,,temos essas sensações de jamais conseguirmos viver sem nossas mães...mas a vida toma outro rumo,,,e aprendemos que não é bem assim,,,é um pedaço grande que se vai...mas sobrevivemos, eu nunca cheguei a ser idolo na escola...rs...rs...rs...alias,,,andava mais pra Ogro...rs...rs....não era o melhor,,,mas tambem não era o pior...rs..rs...e comecei a escrever mesmo,,,oficialmente,,,as coisas que caem no Livro hoje,,,por volta de 96, tambem por motivos do amor....o bicho danado esse....rs...rs...abraços meu querido,,,tenha um belo final de semana.

Priscila Lima disse...

oi, Poeta?!
emocionante mesmo... pois é a emoçao traduzida em palvras a poesia... minha alegria é poder ver e ler essa emoção em suas palavras...
Continue com um coração voltado para aquela criança e acredite seus feitos eternizaram-se neste poema...
Abraço
Priscila Lima.

(CARLOS - MENINO BEIJA - FLOR) disse...

Oi, Maria Bonfá. Esse choro, pode sim.É choro de gente sensível e obrigado por compartilhar comigo as lembranças.Beijos
///
Obrigado, caro Wanderley. Um abRaÇO
///
Valeu, Sonhadora. Gosto desse seu pseudônimo. Beijos
///
Sim,Gilso.A maravilha do recomeço causado pela poesia. Um abraço
///
Obrigado,grande Hugo. Eu diria que foi meio sem querer, mas foi tudo de bom.Um abraço
///
Com certeza,Bárbara.A gente quando criança tem esses medos e assimilar é mais difícil sim.Beijos
///
Felina, mulher forte.Obrigado.Beijos
///
Obrigado,Pirscila.Aquela criança não cresceu muito mesmo.Beijos

(CARLOS - MENINO BEIJA - FLOR) disse...

Caro Everson. Como eu disse ao Hugo, diria que foi meio sem querer.Não quis fazer um texto poéetico, simplesmente aconteceu. Ouso dizer atéque nãofui eu quem fez o texto, mas o texto caiu sobre mim. Acho que estava tomado pela emoção de ver minha mãe, no tanque, cansada,triste pela perda do marido há poucos meses, a pensão não saia,cantando uma canção antiga, melancólica, mas ainda forte e tinha que ser,pois agora tudo estava em suas mãos e tinha que se virar. Acho que foi um texto de Deus, porque o fato de ganhar a caneta, logo eu um aluno mediano, abriu muito minha cabeça e coração para ver as coisas de forma diferente. Eu já era apaixonado pela ternura dos poemas de Cecília Meireles e pelo mundo mágico de Monteiro Lobato, onde os animais falavam e nos davam lições de ética e moral no final. Li "Alice no país das maravilhas" um monte de vezes e não parava de achar maravilhas nele.Todo dia descobria algo diferente. Então aquele texto foi sim mais uma boa influência que acho que aconteceu pra mim de graça e foi muito impoprtante pra vida.Ali eu vi muitas coisas possíveis, inclusive ser feliz sem dinheiro. Se eu disser que não gosto de dinheiro estou mentindo.Preciso dele . Pra comer(adoro comer), beber, vestir, viajar, cuidar da saúde, mas ele nunca foi nem nunca será o primeiro de minha lista. O bonito do caminhar é poder o flho por o pé,onde antes andou o pai. Um abraço emocionado e ótimo final de semana

Sandra disse...

Cada um de nós tra suas doces lembranças, de como tudo começou.. Nossos poemas, nossas razões..
Lindo..
Tem um lindo um selo de AMIZADE AQUI:http://sandraandrade7.blogspot.com/ tem um lindo selo de amizade para vc. Venha e leve...
A amizade é um dom que todos temos para conquistar..
E eu já conquistei vc.
Te adoro..
amizade é muito sublime, por isso, temos que estar sempre culticando..

Um grande abraço.
Sandra.

Há... não deixe de ver quem esta no blog Sinal de Liberdade.
Com muito carinho,

Anne Lieri disse...

Carlos,lembrei muito da minha infancia onde era uma menina tímida,mas que escrevia o que sentia.Numa redação sobre pássaros(só podia ser!...rsss) ganhei um livro como a melhor redação da escola tb!Realmente a poesia está nas nossas veias e adorei seu texto sempre abrindo sua alma tão generosamente!Abraços,

(CARLOS - MENINO BEIJA - FLOR) disse...

obrigado,SAndra. Digo o mesmo de você.Vou buscar sim o selo.Bjs
///
Obrigado,Anne.Você que entende muito bem a alma das crianças tem respaldo para dizer isso.Beijos

Majoli disse...

Não me surpreendo mais com o que escreves, fico é cada vez mais encantada com tudo.
Você consegue fazer-me visualizar o que leio, te vi menino, vi sua mãe, vocês de mãos dadas...você escrevendo a poesia do veadinho que se perdeu da mãe.

Sua carinha quando a professora te chamou lá na frente...isso é tudo tão gostoso de se viver.

Quando estou aqui fico absorta por total.

Parabéns meu amigo.
Beijos dessa sua admiradora.

Ricardo Calmon disse...

Poeta amado meu,amiga esa poeta de mão cheia,da vida em flor,medicina se formasndo estava ,sniff foi mais rápido,por missãom sua cumprir,visando a integridade de aposentadoria sua!aposentadoriaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa,snif??????????????????????????????????
te abraço

Luciana P. disse...

Muito legal lembrar de como tudo começou. Ainda mais há tanto tempo, o que valoriza o seu talento de escritor.
Gostei muito de conhecer a sua história e adoria ter lido a redação do veadinho e da mãe dele.


Beijos, Carlos, lindo texto.

Ana Cristina Cattete Quevedo disse...

Caçambas, sempre que venho aqui eu choro rsrs
Olha, não poderia ter inspiração ou musa melhor.
O texto que sai do coração, sem expectativas são sempre os melhores.

Já não tenho minha mãe há 9 anos, lembrei-me dela. A ensinar-me as coisas da vida...
Tão estranho saber que essa função é minha agora hehehe

Beijoca!

(CARLOS - MENINO BEIJA - FLOR) disse...

Oi,Ana Cristina.Esse choro de emoção pode. Agora você está no papel de mãe,né?É o ciclo da vida.Beijos

Luciana disse...

Oi Carlos

Uma ótima semana pra ti e já estou de volta.

Bjs

Lu

Liana Chermon disse...

Mediano,é ser bom,não se mostra...beija flor!Como flor ,as pétalas cairam por lágrimas!!!

Bia Maia disse...

Carlos,...

Você é fantástico e sou muito grata por ter lhe conhecido aqui!

Cada palavra que escreveu nesta sua maravilhosa poesia tem um VALOR que nem sei se você tem esta noção!

Me emocionei...e muito!

Nossa!

OBRIGADA, meu amigo, por tão fortes e sinceras palavras!

Que bom que no mundo existem pessoas como você!

Meus parabéns!

E família, PAI, e MÃE, são a nossa BASE...são TUDO!

Beijos com muito carinho e lindo final de semana!

Bia

Solange Maia disse...

D Jandira,

Esse recado é para a sra, seja onde estiver... é de gente assim que precisamos, que em sua simplicidade são grandiosas, são o impulso que leva adiante o sonho das crianças que, como o Carlos, vão mais tarde encantar a vida da gente.

A caneta, além de brilhante, foi mágica, foi a semente...

Obrigada... a sra foi maravilhosa.

Solange

Juliana Sphynx disse...

Pequenas histórias podem nos ensinar grandes valores

Lou a esquizoffrenica disse...

Concordo contigo, quando escrevemos algo que os outros gostam sentimo-nos mais felizes, para ser feliz não é preciso muito basta fazer algo que se goste e que os outros gostem também, gostei da tua sinceridade, vou seguir, beijos.

carmen disse...

Carlos querido,
Parabéns, lindas palavras que revelam tua sensibilidade, sempre.
Obrigada pelas visitas.
Beijo baiano

Elaine Barnes disse...

Emocionante! Nossa mãe é a nossa primeira redação.Um texto inspirador de amor e dedicação. Que bom que teve a recíproca de tudo que ofereceu naquele dia. Tenho certeza que colhe até hoje.
Ela ali foi o alimento do seu lado feminino,graças a Deus! Amei sua história e me arrepiei. Se as mães soubessem como é importante largar tudo que está fazendo para ouvir um filho,elogiar e ser agradecida por aquele momento,teríamos muito mais doces poetas do amor e da paz do que seres violentos em guerras absurdas. Montão de abraços carinhosos