ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

NA RETINA E NO CORAÇÃO



Há muito tempo, quando não havia ainda no Brasil nem uma possibilidade de uma lei anti-racismo, estáva com uns amigos, um branco de cabelos lisos longos), um moreno claro cabelo crespo, um outro loiro de cabelos longos) e um negro de cabelo Bob Marley. Claro que havia mais pessoas no local. Tomávamos cerveja após a pelada num barzinho que era ponto de encontro da rapaziada e rolavam “brincadeiras” e piadinhas com a cor do Zezé, que sorria, embora parecendo incomodado. Aliás, eu também, pois jamais gostei de apelidos, principalmente ligados à cor de pele de alguém. No fundo, no canto, havia um negro, já meio de idade, talvez uns 35 anos, estranho para nós no bairro, quieto, tomando cerveja também e ouvindo tudo aquilo.
Certo momento ele se levantou e chegou à mesa:
- Quantos rapazes bonitos! Loiros, cabelos nos ombros. Tem até Roberto Carlos (apontando para mim).
Ficamos surpresos, boquiabertos até que ele tirou do bolso um canivete. Pensando que fosse agredir alguém, me afastei.
Ele não agrediu a ninguém, agrediu a si mesmo para nos mostrar apenas uma cor: a cor vermelha do seu sangue. Passou levemente o canivete no pulso, o sangue desceu na hora.
E então disse com uma careta que não sei se era de dor ou de indignação dizendo:
- Olhem aqui, loirinhos. Meu sangue é vermelho igual ao de vocês.
E saiu andando com o pulso pingando deixando um rastro de sangue.
Silêncio geral. Todos se olhando. Zezé abaixou a cabeça. Não sei o que meus amigos fizeram, se ficaram ali ou não, mas fui embora para casa, terrivelmente chocado. Aquilo ficou para sempre na minha retina e no meu coração.

8 comentários:

Mariana disse...

Cena forte, realmente marca e jamais se esquece.
E o homem estava pleno de razão.
Um beijo e obrigada pelo carinho da tua presença ali no meu cantinho.
Boa tarde!

Um anjo sem rosto... mas não sem alma disse...

Foi sim marcante, mas apesar de forte e até mesmo por isso, ficou como um belo aprenzidado.

Um anjo sem rosto... mas não sem alma disse...

Foi sim marcante, mas apesar de forte e até mesmo por isso, ficou como um belo aprenzidado.

mundo azul disse...

...é uma cena para não ser mais esquecida!

Uma bela lição, ele os ensinou...Brincar com qualquer tipo de diferença, não tem graça nenhuma!


Beijos de luz e o meu carinho!!!

Um anjo sem rosto... mas não sem alma disse...

Amiga, Zélia.Obrigado por ter lido meu pequeno conto da vida real.Claro que foi um enorme aprendizado.Eu não estava efetivamente na brincadeira,mas estava passivo e isso é igualmente preconceituoso.Como disse Gandhi:"Se você vê a injustiça sendo praticada e não faz nada,então a injustiça agora é sua".Talvez a partir daí me engajei mais em causas sociais.Hoje trato melhor aos humildes do que aos poderosoos.Os poderosos eu até repeisto,mas são os humildes é que precisam de nós e não falo só em parte financeira,falo de ombro amigo,de escutar,de falar manso om eles.Hoje faço parte de um movimento de igreja que trabalha com pessoas e crianças especiais(deficientes físicos e down) e possso lhe garantir que as emoções e a recompensa são indescritíveis.Relutei muito em postar o conto,estava meio sem coragem,mas achei importante as pessoas lerem.Mais uma vez muito obrigado.Fique na paz

Um anjo sem rosto... mas não sem alma disse...

Obrigado a você também Mariana

Salamandra disse...

Olá Carlos
Obrigda pela partilha e pela sua humildade de contar que ficou passivo, normal foi apanhado de surpresa, foi uma lição forte.

Eu não tenho preconceitos em relação de especie nenhuma, a vida tambem me ensinou que somos todos filhos de um Deus maior.
Gostei muito, e confesso que tambem me marcou.

Um abraço de alma
Salamandra

Um anjo sem rosto... mas não sem alma disse...

Valeu Salamandra!!!