ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

LIÇÕES A UM PAI


Paulo era um menino, digamos, esquisito. Não conversava muito com as pessoas, mesmo s no recreio ou educação física. Tinha uns 13 anos e estudava na sala ao lado. Alguns o achavam metido. Eu só o achava diferente, não tínhamos aquela amizade, mas também nada contra. E tinha sim seus amigos mais próximos. Era muito conhecido na escola toda por dois fatores: 1) Excelente goleiro, até defendia a escola em jogos intercolegiais. 2) Tinha tudo fácil. Embora fosse um trabalhador comum como a maioria, o pai se virava e dava-lhe tudo na mão, de imediato. Tênis de marca que aparecia na tv, no outro dia ele aparecia com a novidade no pé. Roupas de grife era normal. Bicicleta, das melhores. Os uniformes de goleiro pareciam de profissional. A maioria de nós usava o velho kichute, ele, belas chuteiras. Houve uma sexta-feira atípica. Por motivo fútil, bateu muito num menino menor e se não fosse a turma, seria pior. Antes, havia xingado a professora com palavrões, coisa que não fazia, por ela repreender, pois mastigava bolinhas de papel e jogava nos amigos.Definitivamente, aquele não era o Paulo. Pelo menos educado ele era, e não violento e abusado, como estava. Ficou de castigo na secretaria e na hora de ir embora, se recusou a ir com o pai, exigiu a presença da mãe.
Na segunda-feira, chegando à escola, avistei de longe grande tumulto no portão. Uma professora com o rosto virado para o muro perguntava. “Por que meu Deus?”. Meninas sentadas no meio-fio choravam. Zumzumzum entre os meninos. Alguns pais também. Perguntei o que teria acontecido, mas na confusão, ninguém dizia nada ou não se entendiam. Aproximei-me do portão com dificuldade e li o aviso. NOS DIAS ......... NÃO HAVERÁ AULA. MOTIVO DE LUTO”. Tomei um susto. Interceptei um menino que passava. “Quem morreu?”. “Você não sabe? O Paulo”. “Como assim? O que houve?”, perguntei trêmulo. Respondeu já chorando. “Meu amigo morreu. Encontraram ele enforcado na janela do quarto com o cinto do pai. Suicidou-se”. Nessa hora fui ao chão. Menino ouve a palavra suicídio e não sabe o tamanho dela, mas quando acontece na vida real e ainda mais entre os colegas, aí vê a dimensão da coisa, mesmo não entendendo o porquê de alguém cometer ato tão sinistro. Ali na hora não adiantaria ficar perguntando motivos, ninguém sabia e estavam todos nervosos. A escola demorou para assimilar a tragédia. Com os dias apareceu a verdade. Paulo queria um jogo de uniforme de futebol completo e o pai não pôde comprar. Pela primeira vez teve que dizer não ao filho. Ele não suportou e se matou. Na porta da escola, ficava um senhor já bem velhinho, que vendia quebra-queixo, era ex-combatente de guerra e por isso os meninos gostavam de conversar com ele. Ouvi-o dizer a uns adultos. “Eu falei pro pai daquele menino não ficar dando tudo na mão tão fácil, que um dia podia dar problema. Ele me chamou de velho caduco, que cuidasse de minha vida. Não desrespeitou só a um ex-combatente, isso eu até dispenso. O Brasil já me dispensou primeiro e é por isso que estou aqui vendendo quebra-queixo. Desrespeitou a um homem mais velho que ele. As pessoas não gostam mais de conselhos. Só ouvem o que lhes agradam. O menino era bom, dava conselhos a ele, mas depois que o pai brigou comigo, não veio mais”. Com mão trêmula, num misto de idade e emoção, tirou do bolso sua medalha de herói nacional. “Muita gente não acredita que estive na guerra. Vocês não fazem ideia do que é um campo de guerra. Ter que matar gente que você nem conhece. Ver seus amigos morrendo ali do lado. Travei luta corporal com um inimigo, homem forte, por mais de quinze minutos, que só não me matou, porque meu amigo que morreria no dia seguinte, atirou nele. Tenho cicatrizes por todo o corpo. Pois lhe digo, meu amigo...”. Tirou a boina desbotada olhando pro céu, concluindo. “ ...por tudo que é mais sagrado, eu daria essa medalha em troca, para ver aquele menino sentado neste meio-fio de novo. Mas eu não sou Deus. Sou só um velho caduco”. E olhou para mim. “Vai querer o quê, menino?”. Respondi. “Nada não. Só estou ouvindo o senhor conversar”. “E esse dinheiro na mão?”. Eu estava fora do ar. “Ah, sim. Quero um quebra-queixo”. Me deu e falou. “Agora entre que o sinal já tocou. Lugar de menino é na escola”. Tomei como um conselho. Sempre gostei de conselhos.

25 comentários:

(Carlos Soares) disse...

Vou iniciar os comentários. Pensei muito se devia por esse texto.Há há uns meses pensava se devia ou não, pelo teor forte. Mudei claro, o nome do menino, que tinha até nome de goleiro famoso da época. Aproveitei sim, a semana dos pais, com intuito de reflexão. Feliz dia dos pais. Quem tem o seu, abrace-o

BANDEIRA disse...

Oi Carlos,

Belo texto.

Dizem que conselho se fosse bom se vendia não se dava de graça.

Mas eu acho que é sempre bom ouvir conselhos, não que siga-os, mas ele serve ao menos para uma reflexão.

Eu sempre gostava de ouvir os conselhos de meu pai, mesmo já fora de casa, adulta, independente, mas sempre que ia tomar alguma decisão importante, era para ele que corria para conversar.
Nem sempre ele me falava o que eu queria ouvir, e nem sempre me apoiava, mas seus conselhos eram sempre muito importantes para mim.

Parabéns pelo dia dos pais, se vc é um.

Bjs

Everson Russo disse...

Belissimo e emocionante post meu amigo, penso que escolheu a epoca certa pra coloca lo, a historia é triste, mas quantos meninos assim não temos por ai? dois pontos interessantes, um, talvez o pai por ser ausente em alguns momentos procurava compnesar com o "dar de tudo", mas faltou presença e amor, e dois, a falha ao nao ouvir a sabedoria dos mais velhos, isso alem de desrespeitoso é triste e teve um fim tragico, eu fico pensando e me perguntando, de que vale a vida senao lutarmos pelas coisas? como é bom uma vitoria com luta, como é bom conseguirmos algo que queremos com o nosso suor, e como é bom assimilarmos as coisas pela visão dos mais velhos e sabios...forte abraço meu amigo, seu post hoje é simplesmente show...parabens e otimo final de semana.

*Adriana* disse...

Sabe, eu já cometi esse erro. Porque eu não tive os brinquedos que queria na infância, passei a dar tudo para os meus filhos, mas... felizmente consegui parar a tempo. Só o que posso dizer, é que os pais erram, mas erram querendo acertar. Temas assim são bons pois às vezes não conseguimos enxergar algo que deveríamos.
Abçs e ótimo fim de semana com sua amada!

Denise disse...

è...fossemos mais intelitgentes e sensiveis aprenderiamos observando e não achando que conosco dara certo.
Tb adoro conselhos

bom estar aqui

Denise

Armando Maynard disse...

Prezado Carlos, mais um bom texto que você nos presenteia. Educação, conselhos, experiências e vivências. A vida é um eterno aprendizado e os exemplos estão aí para serem aproveitados, fazendo com que reflitamos e avaliemos qual a melhor maneira de educarmos nossos filhos, pois não podemos errar, principalmente quando crianças, que é o momento de formação de suas 'cabecinhas'. Um abraço, Armando.

Quem é tua Dona? disse...

Exagero? É sobrenome de mulher, querido! :)

Beijos,
ANita.

Priscila Lima disse...

Feliz dia!
Abraço carinhoso

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Carlos,

Acho que todo mundo tem alguma história de algum conhecido sobre suicídio. Uma tristeza, Carlos. Uma marca que fica na nossa vida de verdade. Lembro que um amigo do meu irmão cometeu esse ato. Ficamos um bom tempo imaginando o motivo que levou esse rapaz a fazer essa loucura. As pessoas diziam que o "cão tinha atentado", e acredito que seja algo assim. Além de tudo, temos que ensinar uns aos outros o amor divino. Esse é um assunto muito delicado, mas creio que Deus tem piedade daqueles que cometem suicídio.

Que seu final de semana seja de luz, querido amigo.

Rebeca

-

Fatima disse...

Sabe Carlos,
o mais triste é ter tanto pai cometendo o mesmo erro. Criando para os filhos um mundo sem frustrações e o que adianta? Este mundo não existe.
O que vejo na sala de aula é um monte de adolescentes que não conseguem conviver com nenhuma situação que possa lhes causar problemas.
Bjs.

Faces de Mulher disse...

Boa noite Carlos!!!
Às vezes queremos dar de tudo aos nossos filhos...
Mas, não enxergamos que o necessário e o amor, o carinho e a atenção...
O texto declaradamente explica que o material às vezes atrapalha a criação de um filho...
Isso é fato...
Texto coerente...
Belo fim de semana...
Bjs...
Chrys
;)

graciete disse...

Amigo lindo, mais um e este bem chocante e quando se trata da nossa adeloscencia nos marca para toda a vida.
eu sei bem dar o valor a isso tive dois irmãos que fizeram o mesmo e eu já tentei mais de meia centena mas tudo bem.
Não dá para descudificar o que nos passa pela alma nessas alturas, mas garanto que já me servio de emenda e não voltarei a tentar, pois acredito que a minha missão ainda não chegou ao fim.
Me desculpe e beijinho em seu coração

Majoli disse...

Que história triste, mas como reflexão veio bem a calhar, ser pai não é realizar todos os desejos de um filho.

Beijos.

AFRICA EM POESIA disse...

Carlos

Obrigada pelo teu comentário também forte e amigo
Faz bem ler e sentir que vale a pena escrever

Um beijo para ti
O texto é forte e muito verdadeiro.

Na minha vida escolar com alunos pobres tenho muitas histórias lindas mas ao con´rário.
Um beijo grande meu amigo

(Carlos Soares) disse...

Queridos amigo(as). Belíssimos comentários de todos(as). Vocês são muito inteligentes e sensíveis. Obrigado, gente

Anita disse...

Carlos, meu amor!

Esse texto nos faz refletir e repensar na maneira como criamos nossos filhos. Dar presentes de maneira desordenada é um gesto de fulga com relação aos problemas. Eles acham que com isso os filhos se calam. Mas, por pouco tempo,porque sempre vão querer mais e mais e vai chegar uma hora que os pais não poderão dar mais e eles vão buscar de outra forma, roubando, matando. O que mais importa nesse meio é carinho,proteção e muito amor.

Beijos meu querido.

Sonia Schmorantz disse...

Feliz final de semana, feliz dia dos pais!
abraço

(Carlos Soares) disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
(Carlos Soares) disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
(Carlos Soares) disse...

Anita,flor minha.Você foi muito feliz no que disse. Não deixe de abraçar o papai, sogrão(he he)que tenho certeza foi e é um grande pai pois criou esse mulher linda que é você, além de trabalhadora e meiga,gentil.Bravinha é verdade, mas eu gostoooooooooooo.bj

Anita disse...

Vou abraçar sim amore o seu sogrão rsrs.

Bjs no coração.

Everson Russo disse...

Deixando ao amigo um forte abraço e desejando um otimo sabado de paz.

Anita disse...

Desejo o dobro de alegria no dia de hj pra vc, porque vc é um homem maravilhoso, atencioso, sabe ser gentil, meigo, presente na hora certa, sabe educar e mostrar sempre a verdade.

Beijos meu anjo querido.

paula barros disse...

Carlos, sim é um texto forte, mas tem muitas reflexões.

Gosto de conselhos, de dar e de seguir, escuto, avalio, pondero e vejo o que é melhor.

Educar não é fácil, porém dá tudo é um grande erro com certeza. É preciso usar o não, o não educativo, explicativo, o não do limite.

bom domingo, junto ao seus.

Mariana disse...

Que lindo!
Chorei, amigo.

Um beijo, Mariana