ESCREVER É DIVINO!

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CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

POR QUE O CRAVO BRIGOU COM A ROSA?


Sabemos que as crianças de hoje não brincam como antigamente, com carrinhos de madeira que a gente mesmo fazia, bolinha de gude, finco, queimada, jogo de botão, etc. Claro, a eletrônica tomou conta e também falar mal disso, é andar até na contramão das coisas, apesar de achar as brincadeiras de meu tempo mais pedagógicas e até mesmo terapêuticas e criativas. Porém meses atrás, andando no meu bairro, gosto muito de andar pelo bairro quando me sinto sozinho, de calção, chinelos, camisa larga. Só não tiro os óculos, aí não dá mesmo. E numa rua de pouco movimento, vi algo inusitado para os dias de hoje. Meninas e meninos brincando de roda. Não escondo que conservo um pouco de criancice, não gosto muito da vida comum, vivida o tempo todo por gente grande. Tenho atividades de gente grande, trabalho, tomo cerveja, namoro, mas lá no fundinho tem um menino guardado sim e eu gosto disso, embora tenha gente que não entende e não me perdoa essas alternâncias internas de idade. Só porque no meio de uma reunião séria de trabalho, faço uma piada? Só porque dentro da igreja solto uma piadinha justo na hora que o padre para de falar e a igreja toda cai na risada? Só porque peço atenção? Só porque gosto de deitar no colo? Quer saber? Eu não estou nem aí, a gente já faz coisas o tempo todo para agradar os outros. Então disfarçadamente, ou nem tanto, sentei no meio-fio, como se estivesse descansando, só para ouvi-las. Como eu gostava de cantigas de roda. Eu nem sabia que era poeta, mas via poesia nelas. Perguntava à professora porque algumas tinham embaixo “autor desconhecido”. Ela dizia. “Por isso mesmo, desconhecido. Escreveu, deixou em algum lugar, deu a alguém, perdeu, vai passando de mão em mão e com o tempo cai em uso popular, vira folclore”. Pensei. “Que coisa mais triste! Uma música tão bonita de autor desconhecido. Devia ser algum solitário”. Falando de bonitas lembro de umas especiais. “Cai, cai balão”. “Fui no tororó beber água não achei, achei foi a morena que no tororó deixei... sozinho eu não fico, nem hei de ficar, porque tenho........ para ser meu par”. E essa? “Se essa rua fosse minha, eu mandava ladrilhar com pedrinhas de brilhantes para o meu amor passar”, é um verdadeiro poema romântico. Duas, eu não gostava. “Marcha, soldado”, porque tinha medo da polícia, estavam sempre carrancudos, e eu como criança, ficava um pouco assustado com aqueles semblantes carregados. A outra. “A carrocinha pegou três cachorros de uma vez.. tra la la, que gente má, tra la la, que gente má”. Logo eu, um defensor dos pulguentos fracos e oprimidos. Eu não deixava os amiguinhos jogarem pedra.Todo cachorro vira-lata tem o olhar triste. “Deve ser por isso”, eu pensava. Voltando às cantigas, essa também é linda. “Alecrim, alecrim dourado que nasceu no campo sem ser semeado. Foi meu amor quem me disse assim que a flor do campo é o alecrim”. A que eu achava mais triste era “O cravo e a rosa”. Ficava pensando. Por que o cravo brigou com a rosa? A cantiga deixa isso no ar. Mas frisa também que eles se amavam, pois “o cravo ficou doente e a rosa foi visitar. O cravo teve um desmaio, a rosa pôs-se a chorar”. Isso é amor puro, mesmo depois de uma briga feia, tão feia que ele saiu ferido e ela despedaçada.

Esse texto está um tanto desconexo, mas foi assim que ele saiu. Quando a gente pensa que enterrou o passado, vem alguém que com certeza é adulto o dia todo, e o desperta. Logo agora que o futuro mostra uma porta aberta. Acabei rimando sem querer. Poeta não tem mesmo jeito. Menino também não.

POR QUE O CRAVO BRIGOU COM A ROSA?
Por que o cravo brigou com a rosa?
Parecia um amor platônico, atômico.
Ele tão galante, ela tão formosa
viviam um amor perfeito ...mas não teve jeito,
o cravo brigou com a rosa..
Foi bem debaixo da sacada
onde costumavam namorar sem pressa,sem depois.
Ele saiu ferido,ela despedaçada.
Briga de amor é assim...machuca os dois.
“O cravo brigou com a rosa
debaixo de uma sacada...”
entoa uma ciranda antiga e misteriosa
que deixa uma pergunta no ar:
Por que o cravo brigou com a rosa?
Todos cantam,
ninguém sabe explicar.

25 comentários:

paula barros disse...

Carlos, adoro esse tipo de escrita, que vem resgatando o passado, passando a limpo quem escreve, e de repente reescrevendo um belo presente, e presenteando quem ler com um texto recheado de emoção, um poema gostoso..


Lembrei de mim, de um texto inacabado, onde junto músicas aqui citadas e contos de fada.

Adorei!!!

(Carlos Soares) disse...

Obrigado,Paula.bjs

claudete disse...

Olá Carlos, adorei relembrar meu tempo de menina do interior cantando cantigas de roda. Como o cravo não tem espinhos e a rosa os tem , quem sabe o aconchego do amor foi tanto que êle saiu ferido e ela despedaçada?Li versos de uma música da Campanha da Fraternidade de alguns anos atrás que dizia:" Se alguém a podou a roseira chorou mas depois se vingou, deu mais rosas do que nunca , ninguém nasceu pra sofrer mas a dor nos faz crescer".
Vê-se que a Rosa tem espinhos simboliza a beleza que traz sofrimento mas sabe se redimir se perpetuando em mais beleza e crescimento através da dor.Obrigada, poeta, por mostrar-me que minha memória afetiva , a que retém coisas boas da infância, está legal.
Abraços.

(Carlos Soares) disse...

Claudete, que comentário mais gostoso. E que belo exemplo da Campanha da Fraternidade; bjsss

(Carlos Soares) disse...

Olá.Bandeira.Claro que tem sim outras grandes mulheres e homens também na história da humanidade.Só quis fazer uma brincaderinha com as mulheres... porque amo todas.oBrigado. bjs

Faces de Mulher disse...

Oi Carlos!!!
Bom de mais receber sua visita...
Eu também adorava essas brincadeiras e canções de roda...
Acredita que ainda consigo brincas com meus filhos e sobrinhos?
Graças a DEUS tenho uma casa de praia...
Quando vamos para lá só permito TV e filmes...
Pela manhã praia...
A tardezinha...
Pique bandeira...
Soltar pipas...
Às vezes todos na rede e eu e os mais velhos contando pedacinhos da nossa vida de criança e um bom vinho...
À noite liberado TV e filmes...
Uma regrinha que deu certo deliciosamente...
Crianças menores de 18 anos é claro sucos, refrescos, refrigerantes e sorvetes...
É muito bom...
Também nunca deixarei de ser criança...
Amei o texto...
VOCÊ poeta enaltecedor...
Lindo fim de semana!!!
Chrys
;)

Solange Maia disse...

Menino Carlos,

Desejo que esse mundão, as vezes áriso, nunca lhe furte a "meninice", e que sempre reste espaço nesse peito para cantigas de roda... mesmo as mais tristinhas...

Eu, não gostava do "Peixe Vivo" ... como pode um peixe vivo viver fora da água fria... como poderei viver sem a tua companhia....
Ficava trsite quando ouvia...

Beijo no coração

mundo azul disse...

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...bem, as pessoas sempre brigam, as flores, com certeza também...Há um que de melancólico nas cantigas de roda...Assim como nas histórias infantis.

Bonito, Carlos! Ressuscitou algumas lembranças...


Beijos de luz e o meu carinho!

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Luciana P disse...

Esses versos refletem a um pensamento: muitas vezes não sabemos ou não entendemos por que as coisas simplesmente acabam. Queremos continuar, e que tudo seja perfeito como foi um dia, e as coisas se esvaem, ficamos inconformados, nos questionando o porquê...
Talvez o tempo nos responda!
Adorei o post!

Beijos e bom final de semana!

Sonia Schmorantz disse...

A criatividade sempre presente!
Muito bom!
abraços, bom final de semana

♥ ♥ Rabiscando disse...

Carlos, é bom reviver o q passou qdo faz bem, nas brincadeiras das crianças é como se o lado infantil tomasse a liberdade de voltar.


Um fds maravilhoso prá vc!

beijos!

Fatima disse...

Oi Carlos!
Eu sei porque o cravo brigou com a rosa.
A rosa andou jogando um charminho pra cima de um girassol bonitão que apareceu no jardim. Ai já viu né, cravo enciumado é um problema.
Bjs querido.

Bia Maia disse...

Carlos!
Que bom eu ter caído aqui e conhecido um trabalho tão lindo como o seu!
Escreves bem demais, não?

E o amor é assim mesmo, recheado de cravos e rosas...

beijos e lindo final de semana!

E sinta-se muito bem vindo lá em meu cantinho, onde eu escrevo as minhas verdades com muito amor, coragem, gana, raiva, alegria e o que der e vier!!

Bia Maia

http://olhardentrodosolhos.blogspot.com

Everson Russo disse...

Meu amigo, mais uma vez digno de aplausos de pé, aqui estou eu a sonhar e relembrar coisas do passado, tudo mudou mesmo com a era da informatica e globalização, perdeu se o romantismo das brincadeiras, lembro me até hoje dos jogos de botão, a gente ficava fazendo coleções de times, figurinas de futebol e saudosos desenhos de tv, tipo a imortal pantera cor de rosa, que pasme, acendia um cigarro no inicio do desenho, se fosse hoje, seria apologia ao fumo..rs..rs...outro dia tambem, seguindo o assunto, vendo um dos filmes do Batman, e revendo num canal desses qualquer o seriado, como é ruim a superprodução, como era romantico aquele Batmovel, as simples estocadas da dupla dinamica, que nos filmes teve de ser desfeita, imaginem, por duvidarem da sexualidade dos herois...rs..rs...ficaria aqui narrando todo o saudosismo que seu post me proporcionou, mas terminarei assim, não faço a menor ideia o porque o cravo brigou com a rosa, mas se brigou é porque era amor...se tem amor vale muito a pena...forte abraço, parabens pelo post, simplesmente demais, uma viagem no tempo...otimo fial de semana.

Majoli disse...

Olá Carlos, me lembro de todas essas músicas citadas por você, e que saudades me deu.
Em casa eu canto de vez em quando pros meninos ouvirem, o meu caçula fica quietinho a ouvir e sorri muito.
Procuro manter vivo em minha memória e passar um pouco pra eles.

Agora não sei também porque o cravo brigou com a rosa...rs.
Bom final de semana, beijos.

beatriz disse...

A rosa tem vinte folhas
o cravo tem vinte e uma
anda a rosa em demanda
por o cravo ter mais uma.


Amigo lindo vai ver que a rosa também já tem a mania da igualdade,
e vai dai não se conforma.
Beijinho em seu coração

Quem é tua Dona? disse...

Nossa infância era o máximo mesmo, crianças na rua, brincando de amarelinha, esconde-esconde, bolinha de gude, enfim, crescemos bem, saudáveis, sociáveis, enquanto as crianças de hoje em dia só pensam em tecnologia, ficam bitoladas e cada vez mais problemáticas...ossos do ofício..

Ps: li o texto sobre os dengos das mulheres, deixei um comentário lá, ok?

Beijos,
Anita.

Jacque disse...

Inauguração do meu novo Blog: PRA VOCÊ COM CARINHO. Visite e pegue o selinho.

Beijo.

Jacque

*Adriana* disse...

Que texto saudosista para mim. Tive uma infância de criança do interior, e naquele tempo sem computador, orkut então nem pensar! Eu era feliz e não sabia!!...rs.

Bjs e ótimo resto de domingo

Edna Lima disse...

Ao ler este seu post viajei no meu tempo de menina , brincando de roda com as meninas da minha rua na pequena cidade de Inhapim.E pra minha surpresa você é mineiro e da cidade onde morei também e de onde saí pra ir em busca da própria vida.
Adorei seu blog e passarei sempre por aqui.Grande bj.

O mar me encanta completamente... disse...

Que coisa mais linda! Singela exposição de motivos, de uma leveza que nos remete a uma ciranda (dança alegre e infantil). No entanto, de uma profundidade marcante, valentia de idéias que
calam profundamente.
Como só poderia ser, amei.

beijinho de saudade, Carlos.

Glória

Everson Russo disse...

Otima semana pra ti amigo,,,abraços

BANDEIRA disse...

O Carlos,
Como é bom relembrar a infancia, principalmente para mim que a vivi intensamente.
Conheço essa música de trás prá frente.
É bom ter boas recordações.

Um bom incio de semana prá ti
Bjs

(Carlos Soares) disse...

Amigos e amigas.Que feliz fiquei ao ver tantos comentários legais.Uns até bem humorados, mas principalmente porque vi que todos relembraram os tempos de infância com saudade.Um tempo de menos violência,menos medos. Legal isso. Abraço a todos

Elaine Barnes disse...

Meu Deus! Como você escreve bem! Eu adorava brincar de roda e pular corda, amava qdo podia brincar de princesa tb. Qdo cresci escrevi um livro de contos de fadas"O Rei que Sorria",publicado e os outros ficaram na gaveta, falta essa coisa que você tem na alma, de fazer a gente imaginar e se reportar com sensações e lembranças tão particulares. Parabéns!!!!!