ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

MAIS UMA TRAQUINAGEM


Hoje vou falar da minha primeira decepção na vida. Calma, gente. Estou bem.É só mais uma aventura do Carlos na Terra dos Gigantes. Todos sabem que celebro a vida.
Assim como toda mulher quando menina teve uma boneca, todo homem quando menino já teve um cachorrinho. Aliás, tenho até hoje. Mas eu cresci sim, viu gente? É que gosto mesmo de cachorros. É como dizia um senhor lá no bairro: melhor um cachorro amigo que um amigo cachorro. E o cachorro é sim, símbolo da amizade e fidelidade.
Quando pequeno eu tinha cachorrinho chamado Rei. Tadinho, só se fosse ‘Rei das Pulgas’. Não que eu não desse banho, dava sim, pois aproveitava e tomava longos banhos de mangueira também. Lembro direitinho eu e ele rolando na terra, eu ficava mais sujo que ele. Brincávamos de bola, jogava pauzinho para ele buscar. Trocava a água dele todo dia.
Eu comia pondo pedaços de carne e ossinhos pra ele. Diziam: “Osso faz mal pro cachorro”. Eu pensava: “Mas ele gosta tanto, como pode fazer mal? Hoje sei sim que faz mal, mas eu era criança, né? Ele era pardo, espichadinho, carinha de vira-lata mesmo, mas tinha olhar feliz. Eu via isso.
Correu uma notícia nas ruas que o prefeito, homem mau, ia mandar pegar todos os cachorros de rua para matar e fazer sabão. Outra coisa que eu não entendia, achava uma maldade. Hoje também sei que cachorros de rua transmitem doenças, mas eu era menino, né? Ficava tranquilo, pois Rei não era de rua. Só saía comigo. O máximo que ele ia era na esquina todos os dias me esperando na volta da escola. Ficava deitadinho à sombra de uma velha árvore até me avistar e correr ao meu encontro.De lá até em casa a gente já vinha fazendo festa. Eu abaixava a mão, ele mordia a alça da mochila, como se estivesse me ajudando a carregar.
Num belo dia, digo, num feio dia, ele não apareceu. Estranhei, mas não pensei o pior. Já passei pelo portão chamando: “Rei, Rei... cheguei”. Nada. Olhei debaixo do sofá e não estava. Quintal também não. Minha mãe não sabia. Voltei à esquina. Quem sabe, vira-lata que era, “resolveu dar uma volta, ficou andando por aí e atrasou”. Um menino perguntou: “Tá procurando o Rei?”. “Sim, você viu?”, respondi já ficando preocupado. O menino deu a notícia. “A carrocinha o levou”. Nunca havia ouvido palavras tão cruéis. Os malvados levaram meu amiguinho. Meus olhos se encheram de lágrimas. Chorei o pior choro, um choro mudo, pra dentro. Não jantei e não falei com ninguém. Deitei cedo, minha mãe até pensou que eu estava com febre porque nunca ia pra cama sem me mandar várias vezes. Foi difícil para mim nos primeiros dias, não ser acompanhado até a esquina indo para a escola e não ser recepcionado na volta. Acho que pela primeira vez na minha vida senti raiva. Não me envergonho de dizer que alimentei esse sentimento ruim, mas eu não aceitava meu amiguinho virar sabão. E assim fiz minha primeira traquinagem, mas eu era menino, né? Vesti uniforme de aula, mas fiquei escondido no mato, com uma pedra enorme na mão para acertar na carrocinha quando ela passasse. Eu queria quebrar o vidro lateral. Infelizmente, ou felizmente, acertou só na lataria. Fiquei escondidinho, abaixado até que os homens parassem de procurar quem havia jogado a pedra. Acabei perdendo aula.
Um dia desses numa rua longa, quase uma avenida, porém deserta, vi passar uma carrocinha. Ultrapassei-a e já bem à frente vi um vira-latinha andando despreocupado na rua. Sabem o que fiz? Parei o carro e o afugentei para bem longe para não o pegarem. Acho que não cresci muito. Fiz mais uma traquinagem.

4 comentários:

Everson Russo disse...

Meu amigo, to rindo até agora do "Rei das pulgas", legal sua historia, sinal de amor aos animais, eu pra te ser sincero, acho todo animal bonitinho, aprazivel de se ver, mas não gosto de muita proximidade...rs..rs..rs...mas sou contra todo tipo de crueldade, mas gostei do Rei...rs..rs...obrigado pelo seu comentario de hoje no Livro, meu amigo, todos nós nos curvamos a elas, existe uma magia inexplicavel numa mulher, vamos passar a vida tentando decifrar, mas o negocio mesmo é ama-las, venera las e torna las nossa eterna poesia...forte abraço e otimo final de semana.

Intimo e Pessoal disse...

Decididamente é ainda menino, amigo poeta...rs. Aqui em casa temos dois pulguentos, Zeca e Spike, pequenos, bagunceiros, mas amamos os dois.

Abçs
Adriana

Majoli disse...

Também eu Carlos, já chorei na minha infância por causa de um cachorrinho, mas não o levaram, um carro passou por cima dele bem em frente de casa, seu nome era Pelé, era de cor negra, pelo lindo, lindo.
Era meu mais doce amigo.
Naquele noite eu também não dormi por saber que não o veria na manhã seguinte.

Gosto de te ler, muitas vezes retorno ao meu passado te lendo.
Beijos.

BANDEIRA disse...

Olá,
Tbm fiz isso um dia desses, a carrocinha passou aqui pelo bairro em que moro, pegando os animais que as pessoas criam na rua, o que sou totalmente contra, animal é para ser criado dentro de casa, por uma série de razões acredito eu , vc é sabedor delas.
Então...corri e sai escondendo os cachorros e avizando aos vizinhos para esconderem os cachorros, foi uma zorra ! depois vi o mico que paguei, mas foi por uma boa causa.
A minha vive dentro de casa, ela se chama DIANA, é linda, é minha filhinha, tem 3 anos. Acredite, é uma SRD !!
Sou uma protetora dos animais, se tivesse dinheiro, tomaria conta de todos os que estão nas ruas.
Já arrumei confusão na rua por conta de ver um cavalo puxando uma carroça, fiz o homem parar e dá água para o cavalo. Meu namorado diz que na outra encarnação, devo ter sido bicho !
Ahahahahahahahahahahahah

Bjs