ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

sexta-feira, 29 de maio de 2015

ANDO MEIO GRILADO.

( imagem spumanoquintal.wordpress.com )

Recebi uma visita inesperada há quatro dias. Até aí tudo bem, receber uma visita inesperada acontece. O pior é que é que até hoje ele não foi embora, e o “ mais pior” ( existe isso? acho que não rs rs ) é que não é uma visita comum. Quem tem miopia vai entender o que vou dizer; eu estava sem óculos, tinha acabado de tomar banho, e vi uma mancha preta enorme no alto da parede, no canto. Quando estou sem óculos, vejo tudo aumentado e distorcido, mas tive medo de colocá-los para não constatar o que temia. Pensei que era uma aranha caranguejeira. Pensei: “Tô morto!”. Apesar de que já me disseram que a caranguejeira não é perigosa, mas eu não vou chegar pra ela e dizer: “Olá, dona aranha, sua linda? Você é venenosa?”. Acabei pondo os óculos, era um grilo do tamanho de um “dinossauro” rs rs, até fiquei na dúvida se era mesmo um grilo por causa do tamanho. Ainda dei graças a Deus por não ser uma barata. Bem, eu não gosto de matar, então pensei em abrir a porta e tocar com a vassoura, mas e se ele viesse voando pro meu lado? Aí eu ia sair voando para a rua primeiro que ele. Reparei que ele estava quieto, menos mal, o pior é que toda hora tinha que passar debaixo dele para ir à geladeira. Eu falava: “Fica quieto, aí cara. Podemos sobreviver os dois aqui, sem crise. Vamos combinar, eu não mexo com você nem você comigo”. Ele mexia as duzentas pernas e quatrocentas antenas como se estivesse me entendendo. E na hora do banho? Se ele viesse eu ia ter que sair correndo pelado rs rs... então fechei a porta do banheiro, mesmo estando sozinho. Saí devagarinho para não ‘perturbar’ a visita, e ele estava do mesmo jeitinho. Na hora de dormir, mesma coisa, tranquei a porta do quarto, ainda bem que tem o ventilador. Antes de dormir fiquei pensando: “O que será que eu tenho contra insetos e bichos? Ou melhor, o que eles têm contra mim?... porque são eles que me perseguem, eu fujo deles. Já dormi sem banho porque tinha uma barata no banheiro, acordei de madrugada, andando pé-ante-pé, como se eu fosse o estranho e ela a dona da casa, ao ver que já não estava, tomei banho de três minutos e deitei de novo. Certa vez travei uma ‘luta’ terrível com um rato de madrugada... e fui a nocaute. Eu correndo prum lado, em vez de ele correr pro outro, corria para o mesmo lado que eu, e aí, frente a frente, ficamos nos esquivando, eu pulando nas pontas dos pés como macaco. Até que certa hora, talvez se sentindo acuado, correu mesmo de frente para mim, eu dei um pulo tão alto que caí de cara no chão. Voltando ao grilo, acordei no outro dia, do mesmo jeito, devagarinho e sem barulho, para não mexer com o dito cujo. E lá estava, se ele se mexeu foi muito pouco. Fui trabalhar, mas deixei a porta dos fundos aberta, que é segura, dá para os fundos de uma pousada de uns quatro metros de altura, sem perigo. E falei para ele: “Estou deixando a porta aberta para você ir embora, viu? Sinto muito, mas aqui só cabe um, eu já moro aqui”. Voltei no final do dia, como sempre entrando devagar, mas esperançoso de que ele tivesse ido. Que nada, estava na mesma posição. Fui logo perguntando: “Você é doido? Tem casa não? Não come, não bebe água? Tá aí desde ontem. Deixei a porta aberta pra você ir”. E assim, mais uma noite. Acordei de manhã, peguei duas bananas da terra em cima da geladeira para cozinhar e tomar com café, e vi que uma, mesmo com a casca ainda durinha, tinha dois furinhos, tipo escavados, como as máquinas fazem na terra. Ainda bem que eu olhei, não é? Olhei pra cima: “Então é por isso que você não saiu, né cara? Comidinha de graça até eu gosto. Pôxa, isso já tá passando da conta”. Engraçado, dessa vez ele não se mexeu, deve ter ficado com vergonha. Evidentemente joguei as bananas fora. E assim, mais uma noite com porta do quarto fechada. De madrugada, comecei a sonhar, ouvindo uma música agradável, não pude distinguir na hora que tipo de instrumento, às vezes parecia flauta, às vezes violino, sei lá o quê, só sei que era uma música tocada rápida. Abri os olhos, me localizei no quarto, na cama, e pude distinguir: não era flauta, nem violino, nem ‘sei lá o quê’... era o grilão cantando na maior empolgação. Levantei devagar, abri a porta, e ele parou. Mas não estava na parede, estava escondido, eu falei olhando para os lados, procurando: “Agora que já me acordou, você para? Vai, canta até estourar ‘fi duma égua’ rs rs”. Dormi pouco, era só eu fechar a porta, ele começava, eu abria e ele parava. De manhã, antes de ir trabalhar, ele não apareceu, o folgado devia estar tirando uma soneca, aí tive uma ideia: “Vou jogar inseticida em todos os cômodos, deixo a porta aberta, ele vai se sentir incomodado e vai embora”. Cheguei do trabalho à noite, e lá estava ele, no seu lugar preferido, no alto, no canto da parede, parece que é resistente ao inseticida. E lá fui eu de novo, dormir ao som de um grilo na cuca.

5 comentários:

Ivone disse...

Grilo na cuca, rsrs, pois é, eu tiraria o grilo, não tenho medo, até barata aprendi a matar, (essas eu mato,rsrs), pois na casa da praia entravam voando pelas janelas, quando eu ficava sozinha, tinha que me livrar delas senão, ah, sem dormir eu nunca fico!
Gostei de ler, texto leve, descontraído, só você se contraiu com medo do bicho grilo,rsrs, brincadeirinha!
Abraços meu amigo Carlos!

Cidália Ferreira disse...

Maravilhoso texto.

Obrigada pelas saudações ao Benfica, conquistou mais um troféu.

Beijos

http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

Ana Bailune disse...

Adorei a crônica.
Se fosse comigo, eu não dormia perto dele de jeito nenhum. Acho bonito, mas lá no mato.

Patrícia Pinna disse...

Bom dia, Carlos. Eu ri muito aqui lendo você, tadinho do meu amigo, até de rosto ao chão caiu, foi engraçado.
Que coisa, um visitante desses eu também não gostria, tira a nossa tranquilidade.
Se cuide!
Torço para que ele logo vá embora e para a sua rotina normal você possa voltar.
Tenha um bom fim de semana.
Beijos na alma.

Reflexos Espelhando Espalhando Amig disse...

Carlos,
na verdade
nós nos deixamos fazer refén,
não é.
Ri pra caramba imaginando
as cenas ai na sua casa.
Tadinho do meu amigo Poeta!
Brigadin por
estar sempre presente la
no Espelhando.
Te adoro, viu?
Bjins
CatiahoAlc.