ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

terça-feira, 5 de junho de 2012

SONHOS E PICOLÉS



Estava esperando o carro do trabalho, vinham dois meninos juntos, cada um com um tabuleiro. Perguntei. “Estão vendendo o quê?”. O maior respondeu. “Sonhos”. Fiz uma brincadeira, mas ele não entendeu. “Sonho a gente não vende, a gente dá de graça”. Retrucou logo. “Ah, de graça? Tá doido? Eu tenho que vender, vivo disso”. Ri e pedi um, estava até gostoso. Virei pro outro. “E você, está vendendo o quê?”. Mais tímido, disse. “Sonho também”. Estranhei. “Ah, um está ajudando o outro e depois dividem o dinheiro?”. “Não, cada um vende o seu”, respondeu o maior. Aconselhei. “Vocês não podem andar juntos, um atrapalha o outro, enquanto isso tem gente em outro bairro querendo comprar sonhos, e vocês aqui, concorrendo um com o outro”. Para ajudar comprei um do menino menor também. Foram embora discutindo minha sugestão, parece que gostaram. Acabei me lembrando de quando Marcelo e eu, fomos vender picolé, mas em parceria, um carregava a caixa e outro gritava. “Olhaêêê o sorveeeteeee”. Um dia o sol estava rachando mamona, e eu tive uma idéia malandrinha. “Minha voz é mais forte que a sua, grito melhor. Eu grito, você carrega”. No princípio ele topou, até porque eu fazia rimas anunciando o sorvete pelas ruas, e isso fazia vender muito. “Ô seu José. Meu sorvete é gostoso, tenha fé”. “Alô Dona Maria, vai um sorvetinho aí pra refrescar o dia?”. Mas com o sol de lascar, caixa super pesada, ele foi desconfiando. “Ah não, Carlos. Esse troço está pesado, e você só aí na boa. Carrego mais não”.Tentei argumentar, de nada adiantou, discutimos feio. “Pois por mim essa caixa fica aí no chão, eu não pego”. “Nem eu”. Saímos um pra cada lado deixando a caixa na calçada. Andei bem uns dois quarteirões, sentei numa esquina, e a consciência e o medo falaram mais alto. “Puxa vida! Se alguém rouba aquela caixa, estamos fritos. O moço da sorveteria tem nosso endereço, vai cobrar de nossos pais, os picolés e a caixa. Além do mais, ele está certo, não pode só ele carregar. Vou voltar lá, pegar a caixa, vendo tudo, depois dou a parte dele”. Quando cheguei perto, Marcelo já estava com a caixa na mão. Perguntei. “Aonde você vai com essa caixa?”. Ele. “Vender picolé, ora”. Falei pegando a caixa de seu ombro. “Eu também vim vender. Eu pensei melhor... eu vou carregar também, assim cansamos por igual”. Vi que ele ficou feliz por eu voltar. “Vamos fazer assim. Eu sei que você grita melhor, a gente vende mais quando você grita. Eu carrego maior parte do tempo, mas quando eu cansar, você carrega só um pouquinho , só até eu ficar menos cansado”. “Combinado... mas vê se faz umas rimas pra alegrar o povo”. Mas pra rima ele não tinha jeito, nem mesmo usando as minhas. Assim sem mais nem menos, a parceria acabou, não vendemos mais picolés juntos. Mas a amizade não. Jogávamos bola juntos todos os dias... e sempre no mesmo time. Na hora de escolher os times, meu nome era o primeiro chamado por ele. “Carlos, vem pra cá”

21 comentários:

Pelos caminhos da vida. disse...

Ainda bem que a amizade permaneceu...

beijooo.

rosa-branca disse...

Gostei dos sonhos e picolés e ainda bem que a amizade venceu. Beijos com carinho

Mari Rehermann disse...

Que legal!! adorei isso!!
Não pude deixar de rir, rsrsrsrsrs.
Essas amizades são as melhores...
Lindo post!

Beijinhos!♥

MARIA DA GRAÇA REIS disse...

Olá!
Ainda bem que vc não se transformou em empresário porque o poeta não sobreviveria e quem perderia seríamos nós.

Um abraço

Anne Lieri disse...

Carlos,que bonita essa amizade sua e do Marcelo!E os vendedores de sonho me emocionaram!Linda sua história!bjs,

Estrela disse...

Belas e lindas recordações,querido.
Dá uma saudadinha,não é?
Beijos.

✿ chica disse...

Coisa linda teu conto,Carlos e adorei saber da tua vida e de tuas saudades. Tanta gente na família,heim? Legal! Boas saudades, doces!! abração,chica

Janita disse...

É isso aí, Carlos!
A amizade é um bem valioso demais para se jogar fora devido a um mal-entendido ou casmurrice.
Depois, um peso dividido fica bem menor, não é?
Obrigada pelas tuas carinhosas palavras, Carlitos, mas creio que houve uma certa confusão. Eu não fui interveniente no tal incidente que falo no meu blog.
Beijinhos e tudo de bom, amigão.

Janita

Everson Russo disse...

E viva sempre a amizade meu amigo...abraços de bom dia pra ti.

Secreta disse...

A verdadeira amizade supera qualquer desentendimento e mantem-se mesmo nas tempestades.
Beijito.

Patrícia Pinna disse...

Boa tarde, Carlos. Interessante o seu texto, muito bom.
Amizades sinceras permanecem mesmo encontrando adversidades.
Você passou uma lição preciosa para os vendedores de sonhos, nem todos se importam com o próximo.
Quanto ao Marcelo e você, bonita amizade. Sociedade é algo que realmente é delicado, de qualquer modo, vocês encontraram uma saída.
Amizade sincera sempre!
Um beijo na alma, e fique na paz!

Mariz disse...

Oi Carlos,

Qdo a amizade é verdadeira, mesmo nos desentendimentos ela não termina. Gostei muito do texto, mostra a responsabilidade de duas crianças perante a vida.

Um grande beijo, obrigada pelas palavras e estou muito feliz em te ver.

ValeriaC disse...

Carlos e suas aventuras...que legal, venderam sorvetes, depois pararam, mas o importante foi a amizade que continuou.
Beijos,
Valéria

Filha do Rei disse...

Carlos, linda história.
Tenha um abençoado feriado!
Abraços!

Eliete disse...

Bom dia,Carlos.Adorei suas lembranças .Tb quando adolescentes vendíamos salgadinhos para arrecadar dinheiro para as missões e era pura diversão .bjs

Rosa dos Ventos disse...

Que texto delicioso!
Tão delicioso como sonho, picolé, rimas e amizade!

Abraço

Vivian disse...

Olá,Carlos!!

Que lindo texto!!!Que bom que a amizade resiste!!!
Mas não deve ser fácil vender na rua...que coisa.
Beijos!!
Bom final de semana!!
*Mas com o frio que está fazendo aqui, eu estou me sentindo um picolé!Mãos,pés e nariz totalmente congelados!!!rsrs

Ricardo e Regina Calmon disse...

Meu Bom e fraterno contador de histórias,emocionado por em remissão,de uma arrtmia cardíaca me expondo UMA MORTE SÚBITA,TE ABRAÇO E GRITO:

vIVA lA vIEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

Severa Cabral(escritora) disse...

BELO ALVORECER MEU MENINO BEIJA-FLOR!
QUE TEXTO MANEIRO...CRIATIVO...VC FEZ DA PÁGINA DA VIDA,UMA HISTORIA REAL,E TROUXE EM FORMA DE CRÔNICA,VALIOSO ESSAS HISTÓRIA QUANDO SÃO EXPRESSAS DE FORMA EMOTIVA...
BJS DE SAUDADESSSSSSSSSSSSSSSS
MUITAS SAUDADESSSSSSSSSSSSS

JGCosta disse...

Certas passagem que ocorreram em nossas vidas nos dão a certeza de que esta valeu a pena!

Abraços renovados!

JGCosta disse...

Certas passagem que ocorreram em nossas vidas nos dão a certeza de que esta valeu a pena!

Abraços renovados!