ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O REI DO MARKETING

(  imagem facildilmais.com )

O novo Rei do Marketing não é o Bill Gates. Também não é o cara que criou o facebook. Sabe aquele domingão bonito quando as famílias se reúnem? Umas se reúnem à mesa, outras preferem um churrasco no quintal, outras uma feijoada, uma moqueca, enfim, domingo é dia de família. Mas, aquele foi um domingo diferente. Quando toda a vizinhança preparava seu domingo, cada um na sua particularidade, uma perua , com uma placa = OVOS 3,00 A DÚZIA, estacionou, e dali uns minutos, num alto-falante bem ensurdecedor e rouco, começou a propaganda. O pior é que o cara tinha uma voz chata ( parece alguém que eu conheço rs rs... já vem eu com minhas gracinhas ), e anunciava bem ao estilo Chacrinha, fazendo rimas, tipo: “Bom dia, meu povo... venha comprar ovo”. “Alô, Dona Maria, venha com alegria. O carro do ovo está passando de novo”. “Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?: Não importa, só não pode faltar ovo na sua cozinha”. Cada uma pior que a outra. Até que no início, as pessoas em suas casas acharam engraçado, mas com o tempo foram se chateando, se enchendo daquilo, o cara não parava de gritar. “Ovo cozido, ovo frito. Tanto faz, com ovo seu prato fica mais bonito”. “Ovo mole, ovo duro. Ovo é saúde no seu futuro”. As pessoas começaram a comentar: “Esse cara já tá enchendo. Ele não cansa? Tá perturbando nosso churrasco”. “Comer uma feijoada dessas ouvindo isso, ninguém merece”. “Alguém precisa mandar esse cara parar”. Seu João chegou da janela do apartamento, e gritou: “Ô filho de Deus. Para com esse berreiro aí. Tá enchendo o saco”. Até Cristina, bonita, simpática, sempre calminha, paciente, abaixou o fogo do frango com quiabo, e chegou à janela. “Ô moço... por favor. Está estragando nosso domingo”. Ele nem deu “ligança” ( existe essa palavra? Agora existe rs rs )... no português oficial, ‘não ligou, não se importou’. Teve um que até ameaçou chamar a polícia, mas “a polícia deve estar ocupada com coisa mais séria”, alguém disse. Única coisa que o homem respondeu lá de baixo, foi: “Vocês já estão almoçando... e eu estou tentando ganhar meu almoço”. E continuou com seu carro de som. Até que alguém, duas horas depois, bastante irritado, jogou um ovo lá de cima, bem na cabeça do homem. “Você fala tanto de ovo que ganhou um na cabeça rá rá rá”. Ele não disse nada, apenas limpou, e continuou a gritar. O que havia jogado se surpreendeu por ele não ter reclamado. “Ah, não liga não? Pois tome outro”... e arremessou mais um, de novo na cabeça dele. Bom de mira o rapaz. Os vizinhos perceberam e começaram a rir, e o atirador de ovos gritou para todos. “Veja, gente. Ele gosta tanto de ovo que não se importa que se atire ovos nele. Vamos, joguem também”. Lá embaixo, ele continuava a gritar. A vizinhança gostou da brincadeira, e aderiu... e tome ovada. Cada um jogava, um após o outro, até as crianças, o homem foi se melecando todo, o teto da perua também, o asfalto. Uma verdadeira chuva de ovos. Todos gargalhavam, mas ele não se calava. E tome gritaria no alto-falante, e como estava divertido os moradores só pararam de atirar ovos quando perceberam que não tinham mais em casa, e assim, a brincadeira esfriou... mas o danado gritou até perceber que as pessoas se aquietaram em seus lares. Deixou a perua ali mesmo, foi até uma pensão, tomou um banho, trocou de roupa, jantou, e voltou ao carro que também lhe servia de hotel. Epa... por que preferiu dormir no carro desprezando o conforto da pensão? Veremos já. Às 06:00h em ponto acordou, espreguiçou, e mudou a placa de venda, para: OVOS 5,00 A DÚZIA. O ar da rua estava impregnado de fedor de ovo. Agora a hora da virada. O primeiro rapaz que lhe atirou ovo, precisava tomar café, apreciava ovos mexidos, mas não tinha mais na geladeira, afinal jogara todos na cabeça do homem, teve que dar o braço a torcer, desceu, envergonhado pediu desculpas, e pediu uma dúzia de ovos, mas assustou-se com o preço. “Ontem não era 3,00 reais? Hoje já são 05,00 reais?”. O vendedor respondeu. “Sabe como é, as coisas mudam de repente na vida, inclusive os preços”. Não teve jeito, levou assim mesmo. E assim foi com Cristina que precisava fazer um macarrão pro filhão almoçar, foi assim com seu Joaquim que gostava muito de pão com ovo, e com Dona Iracema que queria fazer um bolo, e etc etc etc. Por fim, a perua que chegou lotada até em cima, ficou vazia, ele vendeu todos os ovos. Os moradores ficaram nas janelas com aquela cara de “ hein? ”, olhando a perua se afastar até que ela dobrasse a esquina. E lá foi ele com os bolsos estufados de dinheiro, perturbar outra vizinhança.

6 comentários:

Maria Cristina Gama disse...

Olá, querido amigo Beija-flor!

Dei boas risadas ao ler seu texto, fiquei com peninha da frieza do povo jogando ovo no homem, poderia ter chovido ovo, mas sem dar esse ar de maldade rsrs, usando um sujeito indeterminado aí: "De repente, as janelas se abriram e jogaram sem dó uma chuva de ovos no pobre homem, uma chuva que começou tímida, mas que foi ganhando forças com as outras gotas que se jogavam no carro-perua."

Adorei as rimas, as personagem e a maneira que tudo terminou.

Aplausos!!!

Bjs
Cris

Roselia Bezerra disse...

Olá, Carlos
Fora os que vendem abacaxi, melancia, uva e outros... rs... cidade pequena é uma graça!!!
Bjs fraternais e festivos de 2015

Arione Torres disse...

Oi querido amigo, adorei o seu texto!!
Tenha uma excelente semana, abraços!!

Ivone disse...

Amigo Carlos, achei bem humorado o texto, embora as pessoas estejam mesmo assim, intolerantes, mesmo aqui em Sampa, cidade grande há os que vendem ovos assim, com músicas e as chamadas gravadas, mas gostei do desfecho, o vendedor calmamente pode atingir o objetivo, vender os ovos!
Moral da estória? Nunca desistir diante dos obstáculos, rsrs, pois é, amei!
Abraços amigo sempre querido!

Rô... disse...

oi Carlos,

a paciência que ele teve ao receber as ovadas,
fez dele um grande marketeiro mesmo...
adorei o texto,cheio de humor...

beijinhos

Cidália Ferreira disse...

Bom dia,Carlos

Texto maravilhoso!!


Beijo e um dia feliz

http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/