ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A LENDA DO PRÍNCIPE QUE QUERIA SER SAPO


( imagem aintmebabe.tumblr.com )

Havia num reino não muito distante um príncipe. Até aí tudo normal, todo reino tem um príncipe. Acontece que um dia o príncipe desapareceu, e uma grande tristeza se abateu sobre o reino, entre os habitantes, entre os bichos, e claro, entre o rei e a rainha, os pais dele, esses ficaram desolados. Todos se mobilizaram na procura que levou anos e anos, até que desistiram, afinal, a vida precisa seguir, mas o reino com certeza nunca mais foi o mesmo, pois o príncipe, além de ser muito bonito, era também muito querido, por ser um rapaz polido, gentil, nunca maltratava as pessoas por ser príncipe. Tratava bem os soldados, os plebeus, as donzelas e as não donzelas, gostava de cavalgar pelos floridos campos do lugar, colhia frutas do pé, bebia do riacho, enfim, levava uma vida normal, não se importando tanto com o título de nobreza. Perguntas ficaram no ar, mesmo tendo todos desistido da busca. “Será que ele morreu?”. Não, os cães de busca teriam encontrado seu corpo, e todas as pessoas se envolveram na procura, alguém teria encontrado, o reino não era tão grande assim. “Teria abandonado o reino?”. Claro que não. Por que um jovem abdicaria de um título tão nobre, das heranças do reino e da própria possibilidade de ser rei um dia? Além do mais era um rapaz feliz, de bem com a vida, e não teria mínimo de motivo para deixar seus pais. Certa tarde, a mãe amargurada debruçada na janela, ficou esperançosa ao ver chegar uma linda fadinha voando cheia de graça que foi logo se apresentando para procurar seu filho. “Tenho poderes, posso encontrá-lo”. A fadinha sobrevoou todos os lugares do reino, mas nada de encontrar, até que se lembrou de que faltava procurar no brejo, e mais adiante desse brejo havia uma gruta escura. Pensou: “Acho que o príncipe virou um sapo, não tem outra explicação”. Alguma bruxa terrível deve lhe ter jogado uma terrível maldição Ela foi lá e viu dezenas, centenas de sapos, e começou a chamar. “ Adrian... Adrian... estás aí? Sou uma fada, vim salvar-te ”. Mas tudo que ouvia era o coachar chato da ‘sapaiada’ ( existe isso? ). De repente na entrada da gruta, o sapo mais feio de todos, respondeu: “Estou aqui. O que quer de mim?”. A fada se aproximou e foi logo dizendo que chegou para tirá-lo daquele forma estranha, mas também não deixou de perguntar o que teria acontecido para que ele tivesse virado um sapo: “ O que houve para que ficasses assim, Príncipe Adrian? Alguma bruxa o deixaste assim? Alguma praga, uma maldição, tomaste algum veneno? Quem foi tão cruel transformando em sapo o príncipe mais belo de toda a região? Era o mais galante, o mais charmoso, o mais gentil, e agora vives como o sapo mais feio dos sapos?”. Ela percebeu que o sapo chorou. E ficou mudo. Nada de resposta. Compadecida, ela disse: “ Sei que estás triste, Príncipe, mas posso salvar-te com meus dons contidos nessa varinha mágica. É um toque em tua cabeça e serás de novo o Príncipe altivo, amado por todos”. Finalmente uma resposta dele: “Vá embora, por favor”. A fadinha chegou a estranhar, mas pensou que sua repulsa poderia fazer parte do feitiço a que estava submetido. Tocou com a varinha em sua cabeça, e nada de virar príncipe. Surpresa, tocou mais uma vez... e nada “. Mais uma vez. Várias. O sapo estava ali intacto, nada de príncipe. Confusa, perguntou: “Ora, será que o feitiço é assim tão forte que minha poderosa varinha, não funciona?”. O sapo interrompeu: “Não é culpa de sua varinha, fadinha. A culpa é minha. Uma bruxa colocou sim em mim, um feitiço, mas porque eu pedi”. Agora mais confusa ainda, a fadinha quis saber: “Como é isso? Você pediu à bruxa uma feitiço?”. E ele: “ Sim. Há muitos anos amei perdidamente uma moça de um reino vizinho, íamos nos casar e unir os dois reinos, mas um dia, inexplicavemente, ela se foi para terras distantes, nem ao menos se despediu. Montei em meu cavalo, fui atrás, andei vários dias, e quase fui morto pelos soldados que a protegiam, ela nem ao menos me recebeu. Desde então procurei uma poderosa bruxa e pedi que me transformasse em sapo... eu não quero mais ser príncipe. Sou sapo por opção. Por mais que toque em mim com sua varinha, nada vai acontecer, porque a maldição só se quebra com meu consentimento. Realmente estou enfeitiçado... enfeitiçado pelo amor... pior que isso, enfeitiçado pelo amor não correspondido. Olho para dentro de mim e ainda me sinto um príncipe... mas um príncipe que decidiu ser sapo. Os sapos sofrem menos”. A fadinha chorou. Sentada na pedra, disse em soluços: “ Eu também carrego um castigo. Fui condenada a ser fada para sempre, a ajudar as pessoas, a salvar amores, mas sou proibida para o amor. Serei fada para sempre, farei brotar o amor por todos ao lugares, para todos, menos para mim. Nâo nasci para o amor. Enquanto você deixa de ser homem para ser sapo, eu gostaria de voltar a ser mulher”. Passou a mão na cabeça dele, e despediu-se: “Entendo sua decisão, Príncipe. Direi a todos que não o encontrei. Adeus”. E alçou voo. Curiosamente, o brejo todo ficou em silêncio, todos os sapos ficaram calados, em reverência, pois perceberam que ali entre eles, havia um príncipe. Triste... mas era um príncipe.

12 comentários:

✿ chica disse...

Linda e mágica lenda..Adorei! abração,chica

Aluna disse...

Lindo! Não precisa publicar o, coloque esse texto no seu livro de contos, vai fazer sucesso incrivel, bjs

Maria Cristina Gama disse...

Que linda história...

Tenho uma sugestão para um final feliz... Por que o sapo não se casa com a fada?

Assim os dois poderão alçar um voo (sem acento)juntos para um mundo onde só existe "felizes para sempre"...

Essa história em um livro de contos infantis iria fazer muito sucesso, embora as crianças prefiram ler finais felizes...

Com carinho
Chris Amag

(Ah, em tempo, vou usar a sua história "Hoje não tem merenda" com as turmas do 7º Ano, pois terão de escrever um texto narrativo de aventura e acredito que se lerem o seu, terão grandes ideias)

Maria Cristina Gama disse...

Ah, esqueci de comentar, essa imagem reforçou a história, conseguiu transmitir com ela um tristeza profunda...
Veja também essas imagens:
http://rlv.zcache.com.br/lilith_cartao_da_fada_do_sapo_cartao_postal-p239730979638541039baanr_400.jpg

http://rlv.zcache.com.br/conversacao_da_fada_do_sapo_impressao_esticado_canvas-r98f30a218feb4cea9b49ed2314da7ecf_fymby_fpqkw_400.jpg

(CARLOS - MENINO BEIJA - FLOR) disse...

Maria Cristina Gama. Claro, "voo" sem acento. É que meu word deve ser o antigo, ele corrigiu na ortografia antiga, e eu não vi, digitei vesse texto na madrugada. Obrigado, vou consertar agora; E sobre meu texto HOJE NÃO TEM MERENDA ser utilizado por você com seus alunos, ora que honra para mim. Está autorizada a utilizar qualquer um sempre. Beijos.

(CARLOS - MENINO BEIJA - FLOR) disse...

Ah, eu pensei sim em fazer o príncipe casar com a fada, mas ficaria meio óbvio, muito previsível, e eu estou meio com tendência à tragédia rs rs. Valeeeeeu!

Maria Catherine Rabello disse...

Oi!

Gostei muito do texto, gostaria de postar na nova coluna: "Contos e Crônicas" do Jornal da Cidade Online.
Tudo bem???

Envie também para o e-mail:
redaçao@jornaldacidadeonline.ccom.br

Sucesso!

LUCONI disse...

Carlos li tua postagem lá no recanto dos autores e me deu vontade de ler mais um bocadinho, então pulei pra cá e encontro este lindo conto,triste mas na vida é o que mais vemos desencontros e mais desencontros, pena né? bjos Luconi

Everson Russo disse...

Super interessante essa lenda,,esse príncipe caminha no sentido contrário...ele quer ser o sapo..rs...abraços e uma bela semana pra ti amigo...

Felipe Rafael disse...

Ah... Sei que costuma comentar aqui os nossos comentários e voltei para ler...

Para não perder o costume, poeta.

Sei... O óbvio para você deprecia a obra, mas para as crianças e para os românticos, o óbvio conforta, queremos ver mesmo finais felizes.

Ótima semana!

Chris Amag

(CARLOS - MENINO BEIJA - FLOR) disse...

Chris Amag, eu já estava mesmo repensando o final. Aguarde, quem sabe... tcham tcham tcham tcham.

JG Costa disse...

Gostei muito! Coach! :)

Abraços renovados!

PS.: será que se essa fada tocar a varinha sobre a minha cabeça, perderei essa minha carinha de sapo e viro um "Brad Pit"? :)