ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

terça-feira, 29 de março de 2011

AVENTURAS DO CARLOS - DESFAZENDO CARRANCAS


( imagem google- neuroticos.wordpress.com )
Senhor Nelson era negro, gordo, homem de poucas amizades. Andava pelo bairro sem um “olá”, nem mesmo aos de sua idade. Não diria mau humorado, mas também não sorria muito, e principalmente os jovens, tinham um certo medo de sua cara de mal, carrancudo que era. Era pai de três amigos nossos: Edmilson, Ademir e Nelson (filho). Copa do mundo de 1986. A turma queria fazer um churrasco na estreia do Brasil, mas tinha dificuldade de arranjar uma casa com área para isso. Quando Ademir disse, “vamos fazer lá em casa”, alguém gritou. “Tá doido? Seu pai expulsa a gente de lá”. Ele respondeu rindo. “Que é isso, rapaz? Meu pai não é assim também não. O velho é gente boa”. Eu falei. “Sei não, mas se quiser tentar, eu topo”. Na antevéspera do jogo, Edmilson reuniu a turma de novo. “O pai deixou fazer o churrasco, mas foi bem claro: não ligar som de carro, nem falar palavrão”. Combinado. Dia do jogo, começamos bem cedo. Senhor Nelson, sentou-se ao meu lado e sem olhar para a cara de ninguém, falou“ Bom dia”. Todos responderam. Tentando entrosamento ofereci-lhe cerveja, e sem olhar, respondeu: “Agora não, obrigado”. Times em campo e agora foi ele quem puxou conversa. “Acho que o Zico devia entrar logo no primeiro tempo”. Zico era o craque do momento, mas passara por várias contusões, e assim seria escalado sempre no segundo tempo, em caso de resultados ruins. Expliquei, mas não concordou. “Se o cara é craque e vai resolver no segundo tempo, por que não põe logo no começo e resolve logo a parada? Me passe a garrafa aí”. E assim foi ficando mais solto. O Brasil ganhou até fácil . No segundo jogo não fizemos nada, cada um viu em sua casa. Nas vésperas do terceiro, Edmilson veio rindo, dizendo que queria mais um churrasco lá”. E imitou a voz grave dele. “Cadê seus amigos? Não vai mais ter churrasco? Chama para virem de novo no próximo jogo. Meninos bacanas, gostei deles. Principalmente o de oclinhos John Lennon”. O de oclinhos era eu. Lá fomos nós de novo. E assim o Brasil foi evoluindo na copa e a cada jogo era um churrasco.
Semifinal. Brasil x França. No intervalo, acabou a cerveja e ninguém tinha dinheiro. Êta rapaziada dura. Senhor Nelson, sem camisa, barrigona exposta, tirou da carteira uma nota de cem ( cruzeiro ou cruzado?... não me lembro) e falou alto. “Ô Edmilson. Futebol sem cerveja não é futebol. Vá buscar duas grades para nós”. “Por isso que gosto desse pai ‘véio’, falou Nelson filho, beijando-o. Achei aquilo bonito. Lembrei de meu pai que só pude beijar quando criança.
Infelizmente o Brasil perdeu nos pênaltis. O próprio Zico errou. Eu que na época era muito ligado a futebol, fiquei triste. Marquinhos, super fã do Zico, ficou desolado. Senhor Nelson já parecia não se importar muito, estava feliz. Quando tudo acabou, pegando em minha mão, mas dirigindo-se a todos, disse: “Vocês são uma juventude muito bonita. Que rapaziada boa! Eu me senti com 18 anos no meio de vocês. Minha casa estará sempre aberta para vocês. Amigos de meus filhos são meus amigos também. Aproveitem, eu não tive juventude, era igual bicho do mato e me arrependo. Vocês têm mais é que brincar mesmo, jogar bola, tomar cerveja, namorar. Mas nada de drogas, hein? E o que achei mais bonito é que não teve um palavrão sequer”. Logo interrompi. “Teve palavrão sim. O senhor falou 'puta que o pariu' quando o Zico perdeu o pênalti”. Todos riram. A partir desse dia, via-se um senhor Nelson remoçado, bonachão, cumprimentando nas ruas. Até ia nas tardes de domingo ver a turma no campinho. Chegava gritando. “Como vai essa juventude?”. Eu atravessava o campo todo para ir pegar na sua mão. Às vezes a aproximação é tão fácil e não vemos. As pessoas precisam se permitir mais, umas às outras. Graças a Deus, ao longo de minha vida, pude desfazer algumas carrancas.

28 comentários:

Edna Lima disse...

Que causo hein? Sr Nelson mal humorado por falta de um pouco de alegria por perto.
Um grande bj menino. Edna.

Wanderley Elian Lima disse...

Muitas vezes as pessoas só precisam de uma oportunidade para se abrirem, uma mãozinha só, pode fazer a diferença.
Grande abraço

Carla Fernanda disse...

Boa noite Carlos!
As pessoas são devera uma curiosidade fascinante.
Beijos,
Carla Fernanda

Majoli disse...

Carlos meu amigo, estou tendo um Déjà Vu?
Juro que já li essa história...ou endoideci.
Bem, mas mesmo assim, li tudinho, tudinho...rs.
Gosto de suas escritas relembrando o passado.

Por falar nisso, lembrei-me que parei com minha "novela"...afff...preciso retomar.
Bom ter te lido, viu?

Beijos meu amigo.
Tenha uma linda noite.

Carla Fernanda disse...

Obrigada amigo!!
Bom dia!!
Carlos vc precisava vir aqui em Aracaju desfazer muitas, milhares de carranca ....kkkkk.
Beijos!
Carla Fernanda

Everson Russo disse...

Quantas pessoas a gente ve assim pela vida né? existem algumas que dão até medo de dar bom dia,,,pois a resposta pode ser assim,,,"e se eu não quiser ter um bom dia,,,posso?"...rs..rs..mas o que falta no mundo, é o velho e bom bate papo,,,sorriso,,afago,,um aperto de mãos...abraços de bom dia pra ti amigo.

Anjo Bom disse...

É terrível julgar uma pessoa mas é muito pior julgar sem se quer conhecer, apenas por àquilo que ela aparenta ser! Terrível! Belo texto o seu querido e também uma grande lição para àqueles que gostam de julgar. Um super beijo no seu coração!

Janita disse...

Pois, eu, meu amigo Carlitos, ainda não conhecia esta bela história e adorei.
A juventude é linda, sim, partilhada e vivida com lealdade e alegria no coração.
Só mesmo você Carlos, para desfazer cara feias e pôr nos outros um sorriso de orelha a orelha.
Áh, menino de coração grande...!
Beijos amigo.
Janita

(CARLOS - MENINO BEIJA - FLOR) disse...

Pois é,conterrânea Edna. Depois ele virou uma figuraça. Beijos
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Foi o caso deçe Wanderley. Era gente boa e ele mesmo não sabia disso.
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Obrigado,Carla. Mas tem gente aí boa pra isso também. Beijos
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Majoli, vocêe não está maluca não. É uma re-postagem sim. É porque gosto dela,lembra meus amigos. Beijos.
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Amaciamos o velho, amigo Everson. E como você disse, tem muita gente nova também mau humorada. Um abraço

(CARLOS - MENINO BEIJA - FLOR) disse...

Oi,Anjo Bom.Obrigado pelas palavras. Foi bom a gente ter cruzado o caminho daquele senhor. Beijos
///
Amável,Janita. Obrigado. Era divertido depois vê-lo no meio da rapaziada. Remoçou mesmo. Beijos

Marly Bastos in Palavreados ao vento disse...

Meu beija-flor preferido vc me esqueceu né?
Olha, as vezes a gente somente vê a casca, esquece que existe um coração carente por trás de tanta carranca. É preciso quebrar o gelo da superfície para chegar à água.
Belo texto Carlos.
Beijos

Eliete disse...

Carlos é verdade, a gente precisa desfazer carrancas ou como digo: dar sinal verde e não vermelho.Que em nosso olhar ou em mossa testa as pessoas não leiam: "Cuidado cão bravo".um abraço

Jorge disse...

O sorriso e a simpatia ajudam a esquentar qualquer coração. Uns mais difíceis, mas como são todos humanos, possíveis de retirar a carranca.
Muito legal, meu amigo!!!

Um abraço!"!!

Evanir disse...

Querido amigo..
Hoje coloquei em ordem minha leitura no seu blog.
Como valeu ter vindo aqui hoje!!!
Quero muito lhe mandar um mimo mais ñ tenho seu email.
O meu.
evanir_garcia@hotmail.com
Um abraço amigo,Evanir.
http://aviagem1.blogspot.com/

PRECIOSA disse...

Que bela lembrança..
Fes-me lembrar de meu marido
Os amigos de minhas filhas quando eram garotas, tinham receio do geito carrancudo que ele tinha, parecia estar, custo muito eu fazer ele entender que antes os amigos estarem em casa do que elas irem a casa de amigos...
Ufa.. ainda bem que cresceram hoje 3 ja casada.. a caçula..essa tem um geito especial

Beijos

Preciosa Maria

Mariz disse...

É Carlos, muitas vezes imaginamos a pessoa pela aparência, sem conhecê-la verdadeiramente e tb sem grandes oportunidades de se demonstrar,as pessoas passam a ser assim, apesar de q hj qto mais conheço, mais me decepciono com elas.

Adorei viu...vc tem sempre uma história interessante para contar.


mil beijos!

dja disse...

Temos que nos permitir mais ...

Que lindo!!

Quantas vezes passamos pela vida, sem conhecer, sem nos abrir pro outro, perdendo oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas.

beijos meu poeta que dolooooooo.

Moonlight disse...

Olá!
Lindo seu texto,sua vivência.
Muitas vezes a gente vê as pessoas apenas por fora e não lhes dá oportunidade de se mostrarem por dentro.
Existe gente boa que apenas têm medo ou não se sente á vontade de o demonstrar....e muitas vezes erramos sem o querer.
Lindo!

Bj com luar

.l disse...

essa é a conquista mais bonita de fazer: desfazer um sobrolho carregado e ensinar um sorriso...

.l disse...

essa é a conquista mais bonita de se fazer: desfazer um sobrolho carregado e ensinar um sorriso.

Silviah Carvalho disse...

Muito bom seu texto.Passei pra conhecer seu blog, gostei muito e já sigo, se puder visite meu blog.Bom dia e parabéns.

http://umcoracaoqueama.blogspot.com

Pelos caminhos da vida. disse...

Evito me encontrar com pessoas carrancudas...

Bom dia amigo!

beijooo.

Everson Russo disse...

Um dia cheio de paz pra ti amigo,,,abraços.

Vivian disse...

Bom dia,Carlos!!

Que texto maravilhoso!!!
É tão bom quando conseguimos fazer(nem que seja um pouquinho...) a diferença!!
As vezes as pessoas só precisam de um pouco de atenção e gentileza...
Parabéns Carlos, pelo excelente texto(que transmite muita emoção!!) e pelo bom coração!!
Beijos!!

Marlene disse...

MAS QUE TEXTO TÃO LINDO POETA!!!
ADOREI ,MUITAS VEZES PASSAMOS POR FASES EM QUE PARECE QUE PREFERIMOS FICAR FEIXADOS PARA A VIDA,PARA O
MUNDO,PORQUE AS PESSOAS QUE ASSIM SE PORTAM NÃO SABEM COMO É PRAZEIROSO TER-SE BOAS AMIZADES,PODER SORRIR
SONHAR,COM O ROSTO DE PESSOA QUE NA REALIDADE A GENTE NEM NUNCA,VIU,,
É PRECISO SABER VIVER,COM ALEGRIA
UM BJ MEU QUERIDO,MARLENE

нєllєи Cαяoliиє disse...

Que liinda história Carlos!
Ameii,tão terna e profunda.
Carlos,passei para dizer que tem selinho para ti,caso gostar passa lá pegar?
Beijos

(CARLOS - MENINO BEIJA - FLOR) disse...

Oi,Marly. Esqueci não, não me esqueço de belas escritas.Você que andou um tempo sem postar. Que bom que voltou. Beijos
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Verdade, Eliete. Devemos ao menos permitir as pessoas, fazendo isso, estamos permitindo a paz. Beijos.
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Amigo Jorge. Sempre acredito que se pode melhorar, acreditar nas pessoas sempre é o caminho. Um abraço
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Obrigado, Evanir. Obrigado, amiga. Vou buscar meu selo. Beijos
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Oi, Preciosa. Carranca não é bom em lugar nenhum, imagine dentro de casa, aí não dá né? Mas tenho certeza que você e suas filhas não têm carranca. Beijos
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Oi, Mariz. Aas decepções sempre virão, mas acredite sempre nas pessoas, dê ao menos uma chance. Obrigado pelo carinho. Beijos
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Oi, I. verdade, a gente se sente recompensado ao ver que ajudamos a pessoa de alguma forma, colocando sorriso no lugar ca carranca. Beijos
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Obrigado, nova amiga Silviah. Volte sempre, claro que estarei lá. Beijos
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Obrigado pelas palavras amiga Marleene. Retribuo-as. Beijos
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Obrigado,Hellen. Vou buscar já já. Beijos

JGCosta disse...

É meu amigo, mais uma de suas grandes lições, a vida devia ser assim mesmo, sempre levada na alegria!

Eu também usei um óculos estilo John Lennon nos anos 80 e lá vai pedrada, com calça dos avesso, mas era um daqueles óculos espelhado em que se via um arco-íris aos invés dos olhos, achava-o um barato, comprado numa loginha ao estilo dos 1,99 de hoje em dia...

Quanto a esse jogo em questão, França X Brasil, eu trabalhava numa fábrica de palitos e paramos tudo para ver o jogo no refeitório, foi uma festa. Que pena que a sorte da França estava em alta naquela data...

Grande abraço renovado!