
( imagem google )
Fiquei chateado porque quase ninguém leu meu texto sobre alcoolismo. Os que vieram abrilhantaram muito.
Vou mudar o rumo hoje. É assim que é bom, a inconstância nos alimenta mais. Somos movidos mais pelas incertezas que pelo óbvio.
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Dia desses parei mais cedo no trabalho e pensei em fazer uma comida. Sou meio fraquinho na cozinha, me viro no básico. Tanto que preciso de tempo para que fique boa a comida, e tempo eu tinha. Apesar do tempo disponível, não quis comprar os complementos como verduras, por exemplo. Teria que andar meio longe e eu já tinha chegado da caminhada. Preparei tudo ordenadamente. De um lado, panelas, pratos, talheres. Do outro, os temperos, óleo, alho, sal, etc. Tudo separado numa sequencia lóica, é um cuidado que tenho para não esquecer nada, sabendo de minhas limitações como cozinheiro. Afinal, um poeta precisa se virar sozinho. Estou dizendo de minhas limitações como cozinheiro, mas também afirmo que acerto umas comidas saborosas. E nesse dia não tinha motivos para dar errado, eu estava tão feliz. Nem sei o porquê, mas estava feliz. E começou a arte. Sim, cozinhar é uma arte. Enquanto afogava o arroz, peguei um gostoso feijão com linguiça na geladeira, esse era só esquentar. Não resisti e peguei uma linguicinha na panela, mesmo gelada, eu estava com fome. Só pensando no arroz que estava quase pronto. De vez em quando levantava a tampa da panela para contemplar o arroz que estava ficando bonito. Parecia que era meu dia de comer arroz. Se eu não comesse daquele arroz eu ia morrer. Certo momento, depois de desligar o feijão, verifiquei que a panela secou. O tão esperado arroz estava pronto. “Hummmm... deve estar uma delícia”, pensei. “Agora vou me fartar dessa gostosura”. Olhei de lado e não vi ninguém do lado para eu tirar onda. “Pôxa, quando eu faço um arroz tão bonito não tem ninguém para eu tirar onda”. E o arroz estava mesmo bonito, todo branquinho, tão soltinho que parecia que eu havia cozido grão por grão. Eu mesmo me surpreendi com tal delicadeza. Sim, o arroz não estava só bonito, estava também delicado. Bem, lamentei não só não ter ninguém para eu tirar onda, mas também para dividir comigo um momento de jantar. Paciência, um poeta tem mesmo que se virar sozinho, em todos os sentidos. O que importa é que ia degustar um arroz que nunca havia feito antes. Pensei. “Antes de por feijão vou comer umas três colheres só de arroz”. E coloquei uma por uma. “Hummm... é agora”. E pus na boca. E aí a decepção. Esqueci de colocar sal. Foi o arroz mais insosso que pus na minha boca. Felizmente, olhei de lado de novo e não tinha ninguém para me gozar. Poeta é atrapalhado, dizem, imaginem um poeta morando sozinho... e achando que sabe cozinhar. Ai, ai.
Melhor eu continuar escrevendo. Cometo menos falhas.