ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

sexta-feira, 3 de junho de 2016

SONHA, SONHADOR ( ou... O MENINO E A BIGORNA )



"Serra, serra, serrador!
Quantas tábuas já serrou?"
Serre,
mesmo que erre
até que o pau se quebre ao meio,
mesmo que seja madeira de lei,
pois mais forte é a sua lei...
A lei do querer
que agita
na qual acredita.
Deixe cair
as gotas de suas lágrimas, de seu suor, de seu sangue
que um dia a pedra fura,
há uma luz no fim da rua escura.
A vida é um bumerangue
tudo o que joga, retorna.
um dia, volta o sonho que sonhou.
Martele, martele essa bigorna!
Ainda que o cabo se parta
ninguém pode dizer que não tentou
Sonhe, sonhe, sonhador.
Quantos sonhos já sonhou?
Quantos sonhos já martelou?
Nada foi em vão ou perdido.
A pedra furou.
A madeira se partiu.
E a bigorna levará para sempre a sua marca
porque o menino não desistiu,
na outra ponta da estrada, o homem sorriu.
=
Aprendi desde cedo a não ficar reclamando de tudo, mas um menino é um menino e também tem o direito de fraquejar. No quintal de casa tinha uma bigorna. Eu não estava com raiva, talvez desanimado, pois vislumbrava coisas que pensava que não ia alcançar devido às condições da época. Peguei uma pequena, mas pesada marreta para meus braços magros e sentado de frente, comecei a bater na bigorna. Comecei devagar. Fui aumentando. A marreta tilintava, saíam faíscas. Alguém lá no quarto embalava um bebê (um de meus sobrinhos, cantando “serra serra, serrador quantas tábuas já serrou”, e gritou lá de dentro: “Larga essa marreta, menino. Vai machucar, quebrar o braço, vai bater isso no pé””. Bati mais forte ainda. Gritaram de novo brincando: “O que quer fazer com a bigorna? Quebrar?”. Pensei: “Pode até não quebrar, mas vou deixar minha marca nela. O tempo passa, a gente cresce. Nunca esqueci aquilo e cada dificuldade, cada decepção ou derrota, a cena da bigorna vinha à minha mente. Acho que foi um aprendizado de mim pra mim mesmo. Outras vezes na vida, simbolicamente falando, levantei outras marretas e amassei outras bigornas, a diferença é que agora meu braço é um pouco mais forte. E a poesia é a minha marreta suave.
=
( imagem depositphotos.com )

7 comentários:

Cidália Ferreira disse...

Belo texto! Parabéns

Beijo e um excelente sábado.

http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

Reflexos Espelhando Espalhando Amig disse...

Ei!
Matando saudades e
deixando meu
feliz nova semana!
Bjins
Catiaho Alc.

Brisa Petala disse...

Boa tarde amigo
Que grandeza de texto lindo. Passando desejar uma bela tarde de terça feira.

Edjane Cunha disse...

Parabéns! A bigorna é a vida, as marteladas são as vezes que teve que se colocar acima das adversidades, não foram poucas, mas você venceu todas. Agora não precisa mais usar a marreta, deixa sua marca na vida com sua poesia. E como faz bem isso! Deus te abençoe sempre.

Andre Mansim disse...

Beleza de textos, poeta!
A alegoria do serreiro, me trouxe imagens boas na mente.
Te ler é sempre muito prazeroso.

Tenha uma semana iluminada!

Zilani Célia disse...

OI CARLOS!
BELEZA DE TEXTO, PARABÉNS.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Dorli Ramos disse...

Oi menino passarinhos, há tempos que não vejo sua foto
Eu estou doente
Beijos
Minicontista2