ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O DIVÃ DO AMOR- UM DIVÃ PARA DOIS ( PARTE FINAL)


( Imagem arquivo pessoal - UM DIA DE NARCISO )

Foi um processo lento, passaram-se uns meses, ocorreram dezenas de sessões de terapia, mas Sandra aos poucos foi se soltando, se recuperando de um baque até então considerado por si como insuperável, tanto que Doutor Carlos comentou. “Tenho notado sua evolução, ainda faltam alguns detalhes, mas estou muito feliz com o resultado até aqui. Não vamos pular degraus, é passo a passo. O importante você conseguiu, devolver a si mesma a autoconfiança. Sandra não sabia por quê, mas sentia muita segurança ao lado dele. Quando ficava sozinha ainda sentia vazios, melancolias, quedas de humor, mas ela mesma sabia que havia melhorado, pensava sempre na voz meiga e rouca do doutor, dizendo palavras de incentivo o tempo todo e não se permitia mais chorar. O médico amigo devolveu-lhe uma centelha de vida. Quase sempre era a última cliente, gostava disso, pois as sessões invariavelmente se alongavam e nem percebiam. Numa dessas, doutor Carlos olhou o relógio na parede. “Puxa vida, já são 20:00h”. Ainda brincou. “Meu estômago gritou que já é tarde. Aceita jantar comigo?”. Tímida no olhar, mas meio saltitante por dentro, respondeu. “Mas assim... de repente, sem tomar um banho?”. Dando-lhe a mão para erguê-la do divã, convenceu-a. “Não faça cerimônias. Fosse um jantar programado tudo bem, mas estamos aqui agora, os dois com fome e estou lhe convidando para jantar. Lembre-se, não faz parte da sessão de terapia, mas de experiência pessoal, as melhores coisas são as de improviso, pois nos pegam tal qual somos e estamos. A não ser que minha presença não lhe agrade”. Ela sorriu, ainda tímida. “Ora, sua presença me faz muito bem. Pronto, aceito”. O jantar ainda foi meio profissional, vez ou outra uma pergunta particular em alguns momentos de descontração. Mais algumas sessões e o doutor investiu. “Amanhã não tem sessão, mas podemos jantar de novo”. Sandra sentiu a vida cada vez mais aflorar dentro de si, há tantos anos não jantava com um homem. Ainda tinha um pouco de receio, mas alguma coisa gritava dento de si: 'VAI! VAI!'. Chegou a chorar nos ombros dele que carinhosamente a acolheu. “Ora, que é isso? Não quero ver mais esses olhos chorarem. É só um jantar. Podemos deixar para outro dia se quiser”. Ela se recompôs. “Não, eu quero. Pode me pegar amanhã às 20:00h”. Pela primeira vez doutor Carlos levou-a em casa. Na noite seguinte, Sandra estava linda, um longo vestido vermelho delineando seu belo corpo, uma flor no cabelo. Era sinal de autoestima elevada. Foram a um restaurante dançante e se divertiram muito, mais que isso, se conheceram melhor. Não eram mais médico e paciente, eram homem e mulher. Na mesa, ela se encorajou. “Você tem uns quarenta e poucos anos, ainda é solteiro. Nunca se casou?”. “Fui noivo... abandonado na igreja. E olha que eu não podia pagar um analista. Imagine tudo o que passei para superar. Tudo o que você viveu, eu vivi antes, acho que esse é um ingrediente a mais na minha profissão, eu vivi a experiência. Demorei longos oito anos para me libertar”. Surpresa, ela perguntou. “Como é? Um homem tão bonito, tão íntegro, inteligente, com um futuro belo à frente, abandonado na igreja? Quem é essa louca?”. “Aí que está, Sandra. O amor é um carrasco cego, não seleciona vítimas”. Sandra fez mais uma pergunta. “Quer falar sobre isso?”. De pronto, respondeu. "Não, passado tem que ficar no passado. Olha esse momento lindo que estamos vivendo aqui, é isso que vale. Tome isso como mais uma experiência de vida. Viva o presente, enterre o passado e não especule o futuro. Vamos dançar mais uma?”. A orquestra tocava BESAME MUCHO, mas não se beijaram, apenas sentiram-se um ao outro. Pareciam dois gatos escaldados, ela mais um pouco, mas ele era respeitador. Dias depois, outras sessões, ela já entrava no consultório como se fosse a dona dele. Estava feliz, eufórica. Ele também, seus olhos denunciavam. Deitada no divã ela o esperava olhando-o o tempo todo. Ele aproximou-se, sentou-se na cadeira e perguntou. Como passou esses dias? Dormiu bem?”. Fitou-o por segundos e disse. “Dormi muito mal”. Temendo algum retrocesso, ele ficou preocupado. “Por quê? Algum problema?”. Convicta, ela disse. “Sim. Um problemão. Pensando em você”. Olharam-se... acariciaram-se... e se beijaram. E fizeram amor ali mesmo. Foi a última vez que Sandra Botillo se deitou naquele divã.
Afinal, definitivamente ela reencontrou o amor.

20 comentários:

claudete disse...

Belo final mesmo porque como Terapeuta se houvesse necessidade da continuidade do tratamento ele não poderia mais fazê-lo, rs, mas, como o remédio para o mal foi encontrado ...Tudo acabou neste feliz final. Olha conheço uma situação desta de perto, rs, real. O casal agora tem uma filhinha de 8 meses, no caso ela era a Terapeuta. Boa semana pra você.

Mariz disse...

Carlos,

Estava curiosa para ler a continuação e a cada linha sentia a transformação em suas atitudes (ela), dava prá sentir q estava se apaixonando novamente e confesso q fiquei um pouco apreensiva, já pensou se o terapeuta fosse casado...o caso ia se complicar, mas fui chegando ao finzinho ansiosa por um final feliz e eis q o amor bateu novamente na porta.
Amei!

Te admiro muito, sabia.


um grande beijo!

Aleatoriamente disse...

Olá Carlos.
Obrigada pelo carinho por lá.
muito bom o texto!
Parabéns!
*
Abraço.

Sandra Botelho disse...

Ficou linda segunda parte e como eu previa um final feliz...percebi que nesse divã, o analista não só ajudou mas tambem foi ajudado.reencontrou a confiança, o carinho e o amor a tanto perdidos, ou sufocados dentro do seu peito.
Tão bom se na vida real fosse assim neh?
parabens amigo. Ficou demais.
Bjos achocolatados

Anne Lieri disse...

Carlos,que história mais bonita!Um lindo romance!Adorei!Bjs,

Desnuda disse...

Querido amigo,

Achei lindo e romântico o final. Mas cá entre nós rss não achei o dr muito profissional . Acho que quando há uma situação de interesse e envolvimento entre paciente e médico a ética profissional aponta outra solução para serem apenas um homem e uma mulher ( e neste caso o interesse partiu dele). Mas o que importa é o " final feliz"! Este foi!


Beijos com carinho Carlos! Ótima noite amigo. Obrigada!

Orvalho do Céu disse...

Olá,
Em primeiro lugar, agradecendo, com carinho, os votos bons de um feliz níver:

"A felicidade

É como a gota de orvalho"...

Foi um dia abençoado e feliz!!!

O amor cura e restaura mesmo a auto estima...
Abraços fraternais e ainda festivos

blog. da Tereza Maria disse...

Olá
lindo blog!
Amo sua terra...Bela,Belo Horizonte!
Retornarei...
Sinte-se convidado ao meu espaço poético.
Beijo na alma!

Esplendor da Criação disse...

Humm, mais parece um conto de fadas. Sei o amor pode acontecer a qualquer momento, em qualquer lugar, em qualquer situação. O principal é usar a imaginação e vc usou muito bem. Lindo d++++. Bjs.

Vivian disse...

Bom dia,Carlos!!

Uma bela história, encontrar o amor é um dos mais belos presentes que a vida pode nos dar!!
Beijos pra ti!!
**Como anda a emoção?? Não pensa em vir autografar por aqui no sul, em Porto Alegre??Seria bem legal!!

Vinicius.C disse...

Boa tarde Carlos!!
Hoje venho deixar o meu abraço e desejar a você uma ótima tarde!

Se puder- apareça no Alma!

Abraços!

Eliana Sassen disse...

Belo final,estava curiosa para ler ..rsrs
Abraços

Zéia disse...

Um final feliz.

Exatamente aquilo que todo ser humano espera. Vivenciar um grande amor.
Gostei!

Beijos! Carinho!

Sandra Ribeiro disse...

Encantador, tão bom de ler...
Achei assim, doce, uma troca de energia boa...

Severa Cabral(escritora) disse...

Meu menino beija-flor !
Já fui no final,pois queria um fnal feliz...como nos contos de fada,e foram felizes para sempre...
Estou sentindo falta de vc lá no meu cantinho,rsrs
Bjs prá ti meu menino beija-flor!

Evanir disse...

Querido Amigo e Poeta..
Espero que tenha gostado esqueci de perguntar onde era para ser colocado.]
Só quero saber se vc gostou e agradecer a confiança .
Um lindo Domingo amigo querido beijos,Evanir

ValeriaC disse...

Adorei a continuação, ficou excelente todos os toques tão legais sobre como lidar com as situações da vida e claro, amei o final feliz...
Beijinhos...
Valéria

Dja disse...

É meu querido poeta que doloooo, doleiiii, rsss final felizes sempre nos encantam.

Beijos Carlos.

Secreta disse...

Que bom, não me desiludiu o final da historia :)
Um final feliz, como todos procuramos!
Beijito.

Luciane Morais disse...

Que final lindo! Você meu amigo é um dos últimos românticos. É difícil alguém assim, com tanta sensibilidade e delicadeza que toca a flor sem retirar-lhe as pétalas.

*Poeta dos amores esquecidos* Poeta Beija-Flor!

Abraços
Lu