ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

domingo, 3 de julho de 2011

A GUERRA DO JILÓ



Montado numa égua o forasteiro chegou àquela cidade, trazendo no alforje, além de bugigangas, um saquinho de sementes. Todos os notaram, ele passou dando "bom dia". Tinha algum dinheiro e comprou um terreno afastado da cidade. Foi conhecendo pessoas aos poucos, frequentando bares, lojas, igreja. Um dia num bar abriu a mão e mostrou a semente. Perguntaram: "Que é isso?". "Jiló, não conhecem? Um legume amargo muito gostoso no meio do arroz, também pode ser cozido, ou frito, dá um delicioso tiragosto com carne picadinha . Só precisa por na água umas horas para tirar um pouco do amargo, ou não, se preferir". Gritaram logo. "Está maluco, senhor? Não queremos jiló em nosso reino. Não conhecemos, mas já ouvimos falar, dizem que amarga até a alma. Acho bom o senhor guardar isso". Não conheciam, só de ouvir falar, o jiló já era condenado. Oh, seres humanos! O homem foi embora, mas acabou plantando no seu terreno e fez um tremendo jilozal ( existe isso? rs rs). Imaginou que com o tempo convenceria as pessoas a no mínimo provar, daí se não gostassem, tudo bem. Corajoso, levou uns dez jilós para a cidade e pediu ao dono do bar, explicando como fazia, que fizesse uma porção para todos, ainda levou um pedaço de carne. Quando comeram.. "argh. isso é horrível. Olha moço, o senhor está afim de confusão. Por quê não vai embora daqui?". Porém, nem tudo é perdido, alguns dois ou três comeram e acharam uma delícia e comeram de se lambuzar. Assim é a vida, existem opiniões pró e contra, mas cabem todas no mesmo lugar. Vencido pela maioria, mas também feliz por ter convencido alguns, retirou-se mais uma vez. Numa grata surpresa, nos dias seguintes, seu sítio começou a ser procurado. Se antes eram só dois ou três, agora eram vinte querendo conhecer o famoso jiló. Dali uma semana, eram cinquenta. Ôpa, já estava incomodando. O prefeito baixou um decreto. "É PROIBIDO O CULTIVO E COMÉRCIO DE JILÓ NOS DOMÍNIOS TERRITORIAIS DA CIDADE". O forasteiro recebeu ordem judicial para queimar a plantação, e insistente acabou pagando multas e foi até preso por desobediência. Mas acontece que para toda estória e história existe um mártir, existindo mártir, existem seguidores. O grupo de pessoas que gostavam de jiló foi crescendo, aos poucos eram centenas... milhares. Evidente que a oposição ao prefeito engrossou fileiras. Pronto... a cidade estava dividida. Metade pró jiló, metade contra. Pessoas se hostilizavam na ruas. "Olhá lá o comedor de jiló". O outro respondia. "Melhor ser comedor de jiló do que ser almofadinha tomador de milk shake". Virou um Cruzeiro x Atlético... Corinthians x Palmeiras.. Bahia x Vitória... Spor tx Náutico... Grêmio x Inter. O conflito foi inevitável. Vendo que o forasteiro cada vez mais plantava jiló, a turma do contra partiu para invadir a fazenda. Foi jiló para todo lado. Dona Benedita (gosto desse nome, xará de meu irmão falecido, e lembra Bendita, coisas de Deus, assim como gosto de Maria), foi a primeira a tomar um na testa. Pegou uns quatro e jogou na nuca do seu Efigênio que por sua vez atolou um na boca de Genivaldo. "Come, cabra da peste". Gelson acertou um na grande barriga de Adamastor que gritou. "Joga um fritinho na minha boca, seu corno". Seu Zé, coitado, com seus doze graus de miopia, defensor incondicional do jiló teve seus óculos acertados por uma jilozada, caíram e foram pisados. Mesmo não vendo nada, com raiva jogou jiló a 'Deus dará', acertou até nos amigos e quando via o erro, pedia desculpas. E foi assim, mulher rolando no chão tentando fazer outra engolir jiló. Até um cadeirante jogava. Um maluco esfregou a cara do outro no chão do chiqueiro. "Come merda, é melhor que jiló". E tome catiripapo e pescotapa. Jiló no olho, na testa, na boca, na nuca, na bunda. Pode falar bunda? Na tv não é chique falar bunda. Mostrar a bunda pode, mas bonito é falar bumbum. Oh, seres humanos! Que hipocrisia! Só sei que até o prefeito levou. Tomou uma jilozada nos bagos, mas essa ele mereceu, era muito ladrão. Deitou em dores. O assessor que até comia um jilozinho escondidinho em casa, deitou-se sobre ele. "Não, não machuquem o prefeito". Eu hein? Tem puxa saco pra tudo. Por fim, não havendo mais jilós, e exaustos, acabou a briga. Num cantinho, vendo tudo, o único que estava ainda limpinho sem marcas de jiló ou de barro, o forasteiro chorava. Não conseguiu acabar com a intolerância na cidade. Pegou suas coisas, montou na égua, e passando sob olhares curiosos de todos, disse. "O que lhe parece amargo, pode ser doce para mim... e vice versa. O fel é tão importante quanto o mel. Mas que acima de tudo estejam a tolerância, o respeito à opinião e o diálogo. Não precisamos fazer guerras em nome da paz, senão ela terá sido uma paz mentirosa. Paz real só quando for paz geral". E partiu para tentar semear em outros lugares... não o jiló... mas o entendimento humano. (Pensamentos de um Menino Passarinho)

14 comentários:

Hugo de Oliveira disse...

kk...bem legal sua postagem viu.

abraços

(CARLOS - MENINO BEIJA - FLOR) disse...

Aqui pra nós. Alguém aí já comeu um jilozinho frito com fígado de boi? É uma delícia.
Bem, amigos. Despeço momentaneamente para o grande dia. Vpu viajar. Desculpem-me por não visitá-los esses dias. Muito Obrigado a todos. Fiquem com Deus

Jorge disse...

excelente, meu amigo!!!!
Me identifiquei na guerra do jiló, mas estava do lado do prefeito. realmente, meu amigo, não gosto de jiló. A vida é tão doce, prá que comer o amargo?....rsrs

Você é muito bom poeta e contador de histórias....um deleite!!!!

Abraços!!!

Dja disse...

Oie carlos, boa viagem e se cuida e sucesso onde quer que vá.
Adoro jiló frito e com figado hummmmm delicia mesmoooo.

beijos e meu carinho sempre.

Zéia disse...

Oi meu amigo.

Estou tentando me comunicar. Não estou realmente conseguindo. Mas acredite, estou tentando.

Confesso que nunca comi jiló e o que ouço dizer é que é realmente mt ruim.

Isso é uma questão de gosto. Paladar. Tem gente que não suporta "chocolate", o que parece impossível para quem "adora e é viciado", enfim, o que não podemos é deixar de respeitar tudo isso.
E vc tem razão, a hipocresia se faz presente, é uma erva daninha.

Boa viagem meu amigo! Toda sorte de bênçãos pra vc. Beijo!!!

Marlene disse...

óla menino beija flor estou com saudades de vir ler seus contos
parabens por mais este belo conto
mas ainda prefiro seus versos lindos
tenha uma ótima quarta feira
um abraço com carinho marlene

Amor feito Poesia disse...

“Os anjos se fazem notar apenas para aqueles que acreditam na sua existência, embora sempre estejam presentes." (Paulo Coelho)

Beijos na alma......M@ria

Maria Emilia Xavier disse...

Que conto gostoso de se ler e principalmente de se refletir como muitas vezes somos intolerantes com nosso irmão, não respeitamos mas queremos ser respeitados, não temos paciência com o outro, mas queremos paciência com nossos defeitos...Ah...Pessoas e suas incompletudes pessoais e sociais ...
Carlos, eu adoro jiló de qualquer jeito, você já comeu ensopadinho com músculo bem cozidinho, arroz, feijão preto e farofinha só de manteiga e salsinha ou um aguzinho meio molinho? Experimente, os dois - com farofa ou com angu - são manjares dos céus.

Rosa Carioca disse...

Por acaso, já comi jiló e não achei ruim, não.
Gostei muito do texto e, principalmente, da moral.

Secreta disse...

Infelizmente , em quase tudo na vida é assim... as pessoas não sabem respeitar a opinião uma das outras, e, não sabem tentar resolver qualquer conflito que não seja com violência!
Beijito.

Evanir disse...

Com enorme carinho
agradeço de coração por compartilhar
momentos tão agradaveis e tão importantes para mim.
Certamente vera essa mensagem em outros blogs
mais isso é tudo que posso fazer hoje.
E jamais vou deixar de agradecer a bondade
de estar sempre no meu blog acariciando meu corção.
Agradeço e reconheço que Deus nunca nos deixa sozinho.
Um beijo no corção,Evanir.

Janita disse...

Êta, Carlitos...que metáfora bonita e super bem escrita ( só podia, né?) para exemplificar o pomo da discórdia.
Realmente cada cabeça sua sentença e se houvesse respeito, civismo e espírito solidário entre as pessoas, haveria lugar para o amargo e para o doce. Há gostos para tudo e a sabedoria do bem-viver é saber respeitá-los.
Beijo amigo e bom fim de semana.

Janita

Talita disse...

Passando para divulgar meu novo blog,

http://silmartatimodas.blogspot.com/

Espero sua visita lá.

beijoss!!!
bom final de semana!!

Desnuda disse...

Carlos,

Foi um furdúncio! Rsrs


Eu não como jiló, mas quando era adolescente ( Aff quanto tempo! Rsrs) provei um doce igualzinho a figo cristalizado. Eu não recuso doces! Depois de elogiar o doce feito pela avó de uma amiga ela rindo dise: doce de jiló! Menino...Até hoje lembro o sabor maravilhoso e bate a saudade deste doce! Não encontrei nunca mais alguem que soubesse fazer....


Beijos com carinho.