ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

RESPEITÁVEL PÚBLICO



Ah! O circo. O circo é uma das coisas mais espetaculares que o homem já criou. Nem sei como começou, um dia vou pesquisar. Gosto de saber dessas coisas. Ainda me lembro quando os carros passavam anunciando que o circo havia chegado. A molecada, inclusive eu, correndo atrás, para ver de perto o elefante, leão, macacos, dentro das jaulas. Aí era só esperar. Daí uma semana estava tudo armado. Algumas vezes eu gostava de ver os homens montando tudo, gostava de ver o esforço deles e pensava: “Que trabalhão! Eles devem gostar do que fazem. Montar e desmontar uma coisa desse tamanho não deve ser fácil”.
Dias antes de o show começar era um alvoroço. Os meninos dividiam as opiniões. Uns queriam ver os malucos do globo da morte em suas motocicletas. Outros queriam ver o elefante. O macaquinho que andava de bicicleta. A girafa. O mágico. De mágico nunca gostei muito, me passava impressão que estava me enganando. Acho que era porque eu fixava os olhos tentando descobrir o segredo, não conseguia e ficava com raiva.Mas eu gostava mesmo era do palhaço. A maquiagem já me encantava. Eu já vivia lendo estorinhas de heróis mascarados e via no palhaço mais um herói, só que sem armas ou espadas, mas com risos. Com piruetas e cambalhotas. Com piadas. No dia seguinte ele contava as mesmas piadas, mas a gente ria de novo. E assim porque eu já tinha cabecinha de poeta, via alguma tristeza, uma nostalgia por baixo da maquiagem, assim como os heróis dos quadrinhos, que não podem se revelar, até se apaixonam, mas precisam ficar em silêncio. Tinha vontade de falar pro homem-aranha: “Ô homem-aranha fala pra Mary Jane que você é o Peter Parker, o repórter atrapalhado e que a ama. Que atrás dessa máscara tem um homem comum que tem anseios e fraquezas, que ri, chora e sonha, salva a todos e se esquece de si mesmo”. Ou para o superman: “Para de disfarce superman. Fala pra Louis Lane, que você é o bobo do Clark Kent. Que esses músculos não são nada”. “E você Batman. Adianta tanto mistério e riqueza se é um solitário?”. Enfim eu via isso no palhaço e ficava me perguntando. “Como ele é na vida real. Será que tem filhos? Como é o rosto dele? Será que na vida real ele é feliz assim mesmo? Tem namorada? Gosta de futebol?”. Indagações de uma jovem cabecinha, mas só sei que simplesmente adorava. Minha mãe tinha que se virar para me dar dinheiro pra matinê. Um dia, para arrumar dinheiro, vendi tanto picolé que o dono até assustou quando cheguei na sorveteria com rosto todo vermelho de sol, camiseta no ombro, suor escorrendo e pedindo água. “Menino, sua mãe vai brigar comigo pensando que estou explorando vocês”. Pouco me importou, eu só queria ver o circo.
Não sou tão velho, estou numa de melhores fases de minha vida, aparentemente estou muito bem de saúde, mas sou de um tempo em que as crianças faziam seus próprios brinquedos. Eu mesmo fazia meus carrinhos de madeira. As bonecas das meninas não eram Barbies, eram de pano ou de cabelo de milho. Um tempo em que a gente brincava de pique. Tempo em que disputávamos queimada, meninos contra meninas. Tempo em que as pessoas se falavam nas esquinas. Sou o contra o progresso? Claro que não. Só que não precisamos ser escravos dele. Que bom que temos o celular, tv a cabo, carro, ipod, dvd e outros tantos recursos tecnológicos que facilitam sim a nossa vida. Não quero ficar preso à fita cassete ou ao vinil, mas também penso que automatizamos o mundo e fomos juntos com ele, robotizamos tudo, até a nós mesmos e não percebemos. Vivemos procurando alienígenas, seres estranhos no espaço e nós mesmos é que somos tão estranhos e alienados. O curioso é que tantas facilidades deveriam nos proporcionar mais tempo. E no entanto... cadê ele... o tempo?
Escrevi esse texto hoje, 19 de fevereiro de 2009 com dois propósitos:
Um... homenagear o primeiro palhaço negro do Brasil, que é de Minas Gerais, da cidade de Pará de Minas . Seu nome, Benjamim de Oliveira (1870/1954). É tema da escola de samba São Clemente, da divisão de acesso do Rio de Janeiro. Eu não sabia, vi anteontem, de madrugada, a reportagem e achei muito bonita a história. Além de pra lá de diferente é um exemplo de luta. Um palhaço negro. Não é demais?

Um pouco de história...
Benjamin Oliveira viveu no início do século XX. Ele levou o teatro para o picadeiro e é considerado o criador do circo-teatro brasileiro. Mauro Quintaes avisa que, por isso memso, o público pode esperar por um desfile teatralizado. Ele enxerga semelhanças entre o palhaço e a São Clemente.
- Assim como a escola, ele enfrentou dificuldades e preconceitos. Ele teve que se mascarar de branco para ser grande. Às vezes, a São Clemente também precisa se mascarar para ter uma outra aparência e poder crescer.
É. Pode ser.
(fonte O GLOBO)
( fonte das imagens: cifraantiga3.blogspot.com e africaeafricanidades.wordpress.com)

12 comentários:

O Profeta disse...

O meu pensamento é gaivota
Entre as tempestades e as pedras negras
Meço o tempo pela chegada da Lua
Sou homem nu a que um deus dita regras


Bom fim de semana


Bom carnaval



Abraço

J. Blanca disse...

Hei amigo, obrigado pelo que me disse no seu ultimo comentário, mentes brilhantes pensam iguais... mas eu detesto circo.. srsr abraço AMIGO

Elaine Barnes disse...

Realmente um dos maiores espetáculos da Terra. Excelente carnaval pra você que também é feito de muita alegria! bjão

Sonia Schmorantz disse...

Pode-se dizer que o circo não é mais o mesmo com tanta tecnologia, mas é bem verdade que conserva a magia e para quem já viveu dias assim, o circo será eterno encanto.
abraço e bom domingo

MENSAGENS AO VENTO disse...

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Gostei muito do seu texto!
O circo também sempre me encantou...Verdade que me atraiam mais os trapezistas que os palhaços!

Muitas lembranças passaram por aqui enquanto lia...

Obrigada!

Beijos de luz e o meu carinho...

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Mario Rodrigues disse...

O circo faz parte do nosso imaginário, da nossa infancia, sonhos, por isso sempre o veremos como algo maravilhoso. Já a nossa junventude, a atual, não aprecia, porque não cresceram com o circo a porta. Até os cinemas que tanto marcaram a juventude de ontem, hoje passam as maiores dificuldades para sobreviver.

Um otimo Carnaval

Abraço

Mario Rodrigues

Anônimo disse...

Lindas poesias....além de você ser um belo homem. Virei devorá-lo sempre.

Meus mais audaciosos sussurros.

Flor do Pecado.

(Carlos Soares) disse...

Agradeço a todos(as) pelo carinho e atenção

Salamandra disse...

Olá Carlos
O circo, pois eu confesso que não sou fã, mas não posso deixar de dizer que admiro muito todos os profissionais dessa area.
O circo faz e sempre fará parte do nosso imaginário pelo menos da nossa infância.

Um abraço de alma
Salamandra

(Carlos Soares) disse...

Concordo com os que dizem que o circo não é mais o mesmo, mas fez parte da infância e na época era uma coisa muito viva, muito forte ainda.Abraços a todos

Anônimo disse...
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(Carlos Soares) disse...

Obrigado a todos pelo carinho e atenção. A você que se intitula, obrigado também pelo elogio. E a poesia... pra que serve se não for pro nosso deleite não é?