ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

AMIGOS

AMIGOS. ESTOU COM DIFICULDADES NA NET. DESCULPEM-ME TODOS. VOLTO EM POUCOS DIAS. UM ABRAÇO A TODOS

terça-feira, 10 de agosto de 2010

ECOS DE UM POETA


( imagem google )
"Do pó viestes, ao pó voltarás", diz uma profecia muito séria
mas refere-se somente à matéria
flutuando sobre a terra ficarão as palavras, malditas e benditas
e também as escritas.
Ficará a saudade de quem souber deixar
ficarão os passos de quem souber pisar.
Os amores, as alegrias, os dissabores.
Ficarão o perdão dado e o perdão negado.
O sorriso espontâneo e o forjado
Ficará a lágrima salgada, a doce gargalhada
as curvas, as subidas e descidas da estrada.
O olhar sincero, o olhar de lado, o olhar cabisbaixo.
O olhar sonhador, o olhar fingido.
Tem que saber viver para ter sentido.
Sim, só o corpo vai lá para baixo,
pois todos os atos e omissões serão lembrados
os sucessos, os fracassos, os abraços;
que sejam então todos os momentos valorizados.
Cada um com sua luta, com sua guerra
Do pó eu nasci, a ele voltarei, determina a profecia
mas enquanto estiver sobre a face da terra,
vou fazer poesia.
Que ela seja lembrada como meu encanto
Ainda que não por todos os cantos, que ela ecoe
Meu corpo pode até ficar inerte,
mas que ela voe.

domingo, 8 de agosto de 2010

O VERDADEIRO HERÓI


Não é o Tarzan, nem o Superman
nem o Shazam, nem o Aquaman. Tampouco o X-man.
A segurança que me acompanha não
vem do Homem-Aranha.
Nem vem do Homem Morcego, o melhor aconchego.
Não é ao Zorro, que solto meus gritos de socorro,
nem a qualquer outro cowboy.
Não é Príncipe Submarino quem me socorre.
O tempo passa, o corpo morre, isso é coisa do destino
mas uma certeza de mim não sai
o verdadeiro herói de um menino
é o seu próprio pai.

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FELIZ DIA DOS PAIS A TODOS, ESPECIALMENTE OS PAIS BRASILEIROS. É MUITO DIFÍCIL SER PAI, SER PAI BRASILEIRO É MUITO MAIS.

sábado, 7 de agosto de 2010

AVENTURAS DO CARLOS- QUEM É O MAIS BONITO?


( imagem google )
Marcelo vivia me desafiando. Na birosca, no botão, quem fazia mais embaixadinha, quem era melhor nas charadas do "o que é o que é". No futebol. Nada de rivalidade, era uma disputa sadia. Eu o achava muito inteligente e ele me achava criativo, astuto. E nessa criatividade eu ganhava mais que perdia. Na escola ele era melhor, passava quase sempre já no terceiro bimestre enquanto eu sempre ia às últimas semanas. A gente foi crescendo e as disputas continuavam. Quando rapazotes, íamos ao centro de ônibus só para ter o gosto de descer pela porta de trás, sem pagar. Lévavamos dinheiro, por via das dúvidas. Um dia quase nos demos mal. Teve ideia de irmos sem dinheiro. Eu já havia descido, o motorista percebeu e o prendeu na porta. Sorte que sempre foi forte, conseguiu abrir a porta e pular. Essa nunca mais fizemos. Disputavámos até quem era o mais bonito ( como se fôssemos bonitos). Parávamos as garotas e até pessoas mais velhas, sérias nas ruas para perguntar: "Quem de nós é o mais bonito?". Eu até acho que era ele. Alto, elegante, gostava de andar alinhado, cabelo baixinho, roupa social. Eu fazia o estilo casual, desprendido, jeans, tênis, nunca gostei de nada me prendendo. Em tempos de John Travolta e brilhantina, eu usava cabelo ouriçado. Dois antagônicos que se davam muito bem. Acho que no fundo ele queria ser igual a mim, era de família tradicional e invejava um pouco minha liberdade, mas era uma inveja boa. Nessa disputa do mais bonito, me desafiou a ver quem ganhava mais beijos das meninas na escola, durante uma semana. As regras: 1) Tinha que ser menina desconhecida. 2) Ser honesto na hora de dizer o total de meninas beijadas. Não sei as artimanhas dele para convencê-las, das minhas lembro de algumas. "Olá,sumida". Respondiam. "Sumida? Como assim, se nem te conheço? E eu. "Nâo conhecia,agora
conhece.Prazer, meu nome é Carlos". E já ia dando beijinho. Ou essa que nunca falhava. "Você é da quinta série? A menina. "Não. Sou da sétima. Eu com meus dons poéticos, elogiava. "Mas não parece. Parece menininha de quinta série". As mulheres adoram quando abaixamos a idade delas. Só que essa ele ganhou disparado. Beijou 32 e eu só 15. Tentou me gozar, mas não deixei. Você só ganhou porque enquanto beijava as suas apressadamente, só pela disputa, eu estava conquistando as minhas 15, peguei telefone de quase todas elas e estou quase namorando a Elaine. Ele deu um grito. "O quê? Aquela gostosona?". Eu ri. "Sim, seu bobão". E ele. "Pôxa, você não tem jeito. Considero que ganhou de novo, beijei 32 e não peguei ninguém". O namoro com Elaine não durou muito, ela enjoou, me pôs na marca do pênalti e meteu o pé. Mais uma vez veio o Marcelo me gozar. De novo, não deixei. "Fui eu quem fiz ela terminar. Fiz raiva nela. Além do mais namorar mulher bonita é complicado, fica todo mundo olhando para ela". Meio rindo, meio indignado, falou. "Não tem jeito com você. Nunca aceita que perdeu, hein? A menina mais bonita do colégio e agora vem dizer que forçou pra ela terminar". Eu dava boas gargalhadas. Era por causa de minha facilidade de argumentar é que sempre ganhava dele. Marcelo é meu amigo de coração. Hoje mora na Austrália. Sempre que pode me liga. Há mais ou menos um ano, disse no fone. "Não me acho mais tão bonito, Carlos. Estou gordo, tomando muito chopp". Aproveitei para zoar. "Então você perdeu de novo, porque eu estou lindo e maravilhoso". Riu. "Você não muda, né? Sabia que ia dizer isso. Por isso a gente era tão amigo. Seu otimismo e astral contagiavam". Dentre as recordações, citou o caso do ônibus. " "Pôxa, que maluquice. Eu ia ser preso". Falei. "Ia nada. Eu estava com dinheiro na meia. Eu ia entrar no ônibus e pagar". Ficou surpreso. "Sério?". "Claro", respondi e completei. " Eu não era tão corajoso assim. Malandro é o gato que já nasce de bigode, não toma banho e só anda limpo". No final da ligação, disse. "Um dia vou aí para a gente fazer uns desafios. Topa?". Respondi. "Não, acho que não. Sou um cara comportado agora. Ainda sou um gato, mas não tão astuto".
Essa foi mais uma de minhas aventuras da minha pseudo louca juventude.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

JANELAS FECHADAS


( imagem google )
Por que cantas seresteiro
debaixo de uma surda janela?
Não é mais tempo de Rapunzel e Cinderela.
Quem te ouve são só as estrelas irmãs
que se apagam pelas manhãs
e te devolvem esse açoite
até que chegue outra noite
pra cantar teus anseios e devaneios
de formas vãs
Ficarás rouco, louco ao som dessas cordas
e ela não acorda por mais que a música seja bela,
por mais que a música seja pra ela.
Por outro lado não te condeno, violeiro
Não és o primeiro,
a teimosia não é um defeito só teu.
O poeta também é assim,
escreve linhas para um amor que não viveu.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

SEMANA DOS PAIS- MEU PAI


( imagem belasmensagens.com.br )
ESSE TEXTO É UMA REPETIÇÃO
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Nunca falei muito de meu pai em meus escritos. Deve ser porque convivemos pouco. Quando faleceu, eu era muito novo. Morreu com sessenta e três anos. Mas o pouco que vivi vale ser lembrado. Sim, desde criança vivi tudo intensamente.Tenho uma memória afetiva incrível, sempre guardei tudo que vivi e ouvi. São tijolos na construção do meu ser. Acho que herdei algumas influências dele. A poesia, por exemplo. Ele gostava de fazer umas trovinhas e comprava muita literatura de cordel. Era pai à moda antiga, mas não posso me queixar, comigo não era. Pelo contrário, orgulhava-se de mim perante os amigos que reunia para beber, comer e tocar sanfona e violão. O fiel cachorro chamado ‘Famoso’, debaixo do sofá. Se gabava. “Ihhh, esse menino já lê qualquer coisa. Sabe rezar Pai Nosso e Ave Maria sozinho”. Mas isso não era o mais engraçado. Me colocava em sua perna esquerda, a sanfona na direita, e dizia. “Canta aquela do Roberto Carlos”. E eu cantava. “Eu te amo... eu te amo... eu te amo. uou uou uou uou”. Eu ainda punha os dedos apertando o nariz pra ficar fanhoso tentando fazer a voz do Roberto que tem o som bem nasal. Os amigos, e ele ainda mais, riam. Aquele cenário ficou na minha retina e no meu coração. E ele simplesmente detestava Roberto Carlos. Claro, porque gostava da música caipira de raiz. Outra influência sobre mim, pois fui lendo essas canções e fui vendo verdadeiras poesias, obras primas mesmo. Mas com tendência muito maior para o rock que era muito forte. Quando morreu, não tive de imediato a ideia exata do que era a perda. Uma semana após o sepultamento, andei a casa toda procurando por ele instintivamente. Não ouvi mais o estalar de chinelos pelo corredor. Vi a sanfona vermelha esquecida no canto do quarto. Na cama de minha mãe tinha apenas um travesseiro. Assim entendi, porque Famoso durante o velório uivou a noite toda. Ele estava chorando. A radiola, minha mãe só andou ligando para ouvir a missa aos domingos. Ninguém mais ligou a VOZ DO BRASIL, que minhas irmãs diziam que era chato demais. Eu não me importava, ora, se era o gosto dele. Além do mais, era a certeza que ele estava ali, em casa. Era muito seguro sentir a presença de um pai. Com o correr das semanas, é que fui sentindo sua falta, fui percebendo o vazio, pois aquele momento de sentar na perna e poder agradá-lo me fazia bem também. Eu ia à sala, olhava o sofá e procurava aqueles tantos chapéus que os amigos penduravam numa espécie de cabide no canto. Não ouvia mais as gargalhadas de quando eu cantava. Eu gostava do Roberto Carlos, mas não daquela música, achava chata, repetitiva, era mais pela festa mesmo. Famoso nunca mais foi o mesmo. Ficava deitado na porta como se estivesse esperando a volta de alguém. Também já era velho e morreu não muito depois. Acho que se cansou de esperar. Um novo cenário se desenhava para mim... e meu pai não estava nele. Os anos passam e é da natureza humana, aceitar, se acostumar, inclusive com a morte, o mistério mais claro dessa vida. Entre tropeços e vitórias cheguei até aqui, mas gostaria muito de ter crescido ao lado dele. É muito difícil crescer sem um pai. Quem já cresceu e ainda tem o seu, cuide dele. Seja tolerante. Respeite seus cabelos brancos. Não ria de seus erros de português, foi graças a ele que você aprendeu a ler. Tenha paciência com suas pernas lentas. Elas já correram muito por você. Obrigado, meu pai. As coisas boas que sei, herdei de você. Valorizar as coisas na mão, não lamentar as perdidas. Chorar se preciso, mas levantar a cabeça. Ser humilde, não humilhado. Brincar, mas ter responsabilidade. Respeitar os mais velhos. As coisas ruins peguei do mundo mesmo. Continuo gostando de rock, mas ainda me encanto ouvindo uma sanfona bem tocada e quando estou numa roda de viola, peço para tocar as suas caipiras. E as pessoas acham incrível como eu sei todas.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

SEMANA DOS PAIS- AINDA BEM QUE AS PAREDES NÃO CHORAM


( imagem falamaissobreisso.wordpress.com )
Meu pai era bem severo, à moda antiga mesmo, mas também tinha discernimento para pesar e analisar as situações. Certa vez eu e uns amigos brincávamos de "pau na lata". Outros amigos compunham uma pequena plateia. Alguns até torciam. Num dado momento o cabo de vassoura escapuliu de minhas mãos e voou longe indo parar na testa de um menino menor. Ele nem esperou socorro de nossa parte e saiu correndo para casa com a testa meio sangrando e bastante inchada. Mesmo não tendo culpa, corri para minha casa também e me escondi debaixo do cobertor fingindo dormir. Não demorou e chegou o menino puxado pela mãe. Bateu palmas. Minha mãe fazia almoço, restou ao meu pai atender. A conversa foi mais ou menos assim. "Pois não, dona Geralda". Ela nem cumprimentou, já foi cuspindo fogo pelas ventas como um dragão. "Olha o que seu filho fez com o meu. Arremessou um pau na testa dele. Veja o tamanho do ovo ( caroço) que ficou.". Meu pai que era meio gozador, respondeu. "Ovo? Isso dá uma omelete". Foi o bastante pra ela apelar. "Por favor, senhor Glicério. O senhor não vai brincar agora, né?". Ele se redimiu. "Desculpe. Posso fazer alguma coisa? Está precisando de algum remédio?". "Não, remédio não. Já fiz umas compressas de vinagre, sal grosso, gordura de galinha, daqui umas horas passa. Só queria que o senhor tomasse alguma providência com seu filho. Quase cega meu menino". Ele. "Pode deixar, sem uma boa surra ele não vai ficar". Pegou umas varas no jardim e emendou. "A senhora, fique aí por favor". Foi ao quarto, levantou o cobertor e cochichou no meu ouvido. "Quero que grite e pule bastante". Me levantou, levando para o canto da parede e começou. "Toma, menino levado. Toma.Toma. Pra nunca mais fazer isso". E eu pulando, gritando alto. "Não pai, por favor. Não bate mais. Prometo, juro que não faço mais, pai. Ai. Ai. Ai.". E tome lambadas e mais lambadas impiedosas. Dona Geralda gritou de lá. "Seu Glicério. Deixa isso. Não é para tanto". E ele nada. Continuou batendo forte e eu berrando. Quando terminou, gritou. "Fique aí de castigo até o fim da tarde. Hoje não brinca mais" Chegou à porta. "Pronto. Esse não apronta mais". Parecendo arrependida e assustada, ela ainda falou antes de sair. "Obrigada. Mas acho que o senhor exagerou. Eu não queria isso. Não era pra matar o menino". Mal sabia ela que ele estava batendo é na parede. Eu apenas pulava e gritava colaborando na encenação. Lembro-me da cena, ele indo ao fogão, onde minha mãe dava risadas, pegou um pedaço de carne queimando a mão e disse. "Acha que vou bater no meu filho por causa dos outros?". Ri por dentro. Aliviado, seguro, orgulhoso pela criatividade do meu pai, mas acima de tudo, pela segurança que me passou ali. Ele podia ser severo, mas não injusto. E não ter me batido talvez tenha me ensinado mais do que se tivesse batido.

Bem, até que meus irmãos e irmãs mais velhos apanharam um bocado, mas meu pai nunca me bateu. De minha mãe só levei uma surra. Pensando bem rs rs... acho que devia ter apanhado um pouquinho. Talvez eu não seria tão ... tão... tão assim. Ah, vou dizer: dengoso.