ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

sexta-feira, 22 de julho de 2016

UMA VOVÓ QUASE PERFEITA.





Maria Ferreira era uma senhora de uns sessenta anos já, mas nem parecia, de tão doidona que era, andava muito rápido, saía para a rua de qualquer jeito, descabelada, às vezes até descalça. Acho que não era muito certa das ideias não, nós meninos a chamávamos de “Ferreirão”. Perto de Ipatinga, afastado uns vinte quilômetros tem um lugar chamado Vale verde, hoje em dia já está quase todo habitado, mas ela e seu marido foram uns dos primeiros a comprarem lote lá. Ela queria fazer uma granja, criar porcos e galinhas, mas como levar os bichos para lá se nem tinha carro, e no ônibus era proibido? Tentou algumas vezes em horários diferentes embarcar com um porquinho, mas os motoristas barravam. Um dia, ela enrolou o porquinho como um bebê e entrou no ônibus, já logo dando “bom-dia”, cordialmente o motorista respondeu e arrancou o ônibus. Bebês sempre chamam a atenção, todos querem ver, principalmente as mulheres. Pediam. “Deixa eu ver, dona Maria, adoro neném”... “ai que fofinho que ele é, tá gordinho, né? Tira o pano”. Ela respondeu: “Outro dia eu mostro, tá dormindo, tá muito gripado, se acordar vai arrumar um berreiro maior do que o motor desse carro”. “É de quem?”, alguém perguntou, ao que ela respondeu. “É meu neto”. Teve uma que disse. “Não  sabia que a Efigênia (filha dela)  tava grávida”. Ela respondeu  impaciente. “É de outra filha, que mora em ‘Belzonte’ que ‘ocê’ não conhece. Tá passando uns dias aí”. E brigou: “Sai de cima, gente, por favor, vai acordar o menino”. A mulherada acabou obedecendo. Porcos são sempre agitados, arredios, como ela conseguiu fazer com que ele ficasse quietinho, enroladinho, ninguém sabe, mas parecia que ele gostou do colo. Porém um porco é um porco, e certa hora ele fez ... “óiiiinc”. O motorista desconfiou, olhou pelo retrovisor interno do ônibus, abaixou o rádio e ficou na escuta. E mais uma vez... “óiiinc”. Ele gritou: “Não é possível!”. Jogou o carro para o acostamento e foi lá: “Dona Maria, já falei que não pode. Deixa eu ver isso”. Tirou o pano, o porquinho estava com uma cara de safado olhando para ele, e os passageiros todos caindo na gargalhada. “Que netinho lindo... que fofinho... cut cut cut”. No meio do impasse, um engraçadinho  brincou: “Vamos matar e dividir pra nós”. Ela gritou: “Mata seu pai, aquele corno”.  O motorista quase riu, mas precisava ser enérgico. “A senhora vai ter que descer, animais no meio de passageiros não pode, dá doença, eu até perco meu emprego se o fiscal pegar”. Ela implorou, mas não teve jeito, ele não aceitou de jeito nenhum. Ela se levantou, pegou umas sacolas, filho dela de apelido Lico se levantou também, e iam saindo quando o pessoal começou a pedir: “Ô motorista, faz isso não. Deixa a dona seguir. Nós não importamos não”... “Como ela vai ficar na beira da estrada, com um porco no colo, criança, sacola? Além de tudo  é perigoso”... “ o senhor é um cristão, pense nisso”... “ninguém aqui vai denunciar nada. Faltam nem dez minutos pra chegar”. Ele acabou amolecendo, mas avisou: “É a última vez. Toda vez que a senhora embarcar eu vou querer olhar”. Ela agradeceu com um  “Deus te pague”. O restinho da viagem foi muito divertido. De fato, a cada vez que ela ia embarcar, ele olhava as sacolas e os balaios dela. Um belo dia, ele levantou o pano do balaio e estava cheio de verduras e hortaliças. Ele ficou muito feliz, dessa vez eram para ele. Olhou para ela, riu e perguntou: “E o porquinho, como vai?”. Com simplicidade de gente roceira e também com espontaneidade, respondeu: “O porquinho  tá lá, só engordando. Tá boniiiiito”.
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Esse caso foi contado no bairro pelo próprio  Lico,  filho dela que como nós, tinha uns treze anos e a acompanhava para todo lado. Eu tinha que escrever isso um dia.
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( imagem olhar.net )

10 comentários:

Vivian disse...

Oi, Carlos!

Uma bela lembrança que virou um lindo conto!!
Gostei muito!
Tudo bem por aí?
Beijos!

Ivone disse...

Ah, que lindo, amei ler amigo Carlos, essas histórias de infância nos dão alento por toda a vida, tenho tenho lindas lembranças da minha.
Amigo pisciano, és mesmo um pisciano nato pelo lado do bem, do amor, eu também!
A sensibilidade de alma é bem aguçada e adoramos contar histórias, ler, escrever, bem assim, acho que os blogs nos dão essa maravilhosa oportunidade, amo te ler por aqui!
Abraços bem apertados!

Cidália Ferreira disse...

Maravilhoso texto!!

Beijos bom fim de semana

http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

Sociedade Dos Poetas Malditos disse...

Quer dizer que você é mineiro de Valadares? Faz exatamente 34 horas que saí daí. Vinha de Frei Inocêncio, onde fui passar umas horinhas com a família. Mas faz o seguinte: envie-me poemas seus, foto e dados biográficos para letrastaquarenses@yahoo.com.br Sou mineiro também e edito uma revista virtual a dez anos, promovendo sempre o que há de melhor na literatura brasileira. Lhe aguardo,
ACF

Arione Torres disse...

Oi amigo poeta!!
Tem dois selinhos para você lá no blog, se quiser pode pegar, ficaria muito feliz! Vim lhe desejar um excelente final de semana, beijos e fique com Deus!!

© Piedade Araújo Sol disse...

Carlos

achei o texto delicioso.

bom domingo

beijinho

:9

Isa Martins disse...

Oi Carlos, que bom que resolveu contar essa história, gostei de ler e ri muito aqui.
Um abraço e ótima semana!

PAULO TAMBURRO. disse...

CARLOS,

esta sua postagem tem aquele jeito que eu gosto!

Trazer do cotidiano os fatos que possam ilustrar,dar forma a realidade e alegrar.

Formula perfeita.

Meus parabéns amigão!

E aquele costumeiro abração carioca.

Nina Filipe disse...

Oí meu querido faz algum tempo que não teclava-mos um com o outro confesso que adorei ler a história do porquinho e da D. Maria, então era caso para dizer" lá vai a dona Maria, com o seu belo porquinho, leva os meninos há escola, faz as compras de caminho.
E como quem não chora não mama e foi o caso dela para levar o seu porquinho, Carlos obrigado pela sua visita no meu lamentos, votos de uma linda semana com beijinhos de luz e muita paz.

Zilani Célia disse...

OI CARLOS!
UM TEXTO DELICIOSO.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/