ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O PASSAGEIRO 21


Ela chegou carregando a pesada bolsa com dificuldades para colocá-la no compartimento, ele levantou-se para ajudar, e ela pôde sentir o perfume gostoso que o passageiro da poltrona 21 usava, isso a agradou, pois ocuparia a 22, seriam companheiros de viagem. Depois do agradecimento, sentou-se ao lado dele que logo iniciou a conversa: “ Vai para o Rio?”. Ela: “Não. Para uma cidadezinha que fica uma hora antes do Rio, estou em férias, e vou para casa de meus pais”. Deu uma pausa, e quis saber também: “E você?”. Ele: “Vou para Esperança, cidade pequena também, mas duas horas depois do Rio, também estou em férias”. E emendou outra pergunta: “ Vi que é médica, percebi alguns aparelhos na bolsa aberta”. “Ainda não sou médica, estou no terceiro ano”. “Médicos nunca param de estudar, não é? A ciência, a medicina em si, é dinâmica”. Ela disse: “Acertou em cheio, mas não reclamo, afinal, é a profissão que escolhi”. Sutilmente, ele investiu: “E com tantos estudos, tem tempo para o amor?”. Ela riu: “Já sei, você quer saber se tenho namorado... não, não tenho, talvez até por isso mesmo. E você, também está indo para essa cidade para ver os pais... ou a namorada?”. Ele riu também: “Não tenho também. Escritores têm tendência à solidão. Nem sei se isso é bom ou ruim, mas também nunca parei pra pensar, acho que já me acostumei sem perceber. Gosto de ser poeta, crio um mundo só para mim e dou a ele o rumo que eu quero. Não conheço muito o mundo externo. Agora pretendo escrever um romance, e para isso preciso da tranquilidade de uma cidade pacata, talvez até vá para as montanhas, um romance demanda tempo, é um texto de ideias extensas, ao contrário de poemas que são breves, vai ser uma experiência nova para mim”. “Oh, que honra conhecer um escritor! E como será esse romance?”. Ele respondeu: “Bem, ainda não tenho uma ideia central, mas com certeza terá um casal apaixonado”. E ela: “Hummm... estou começando a gostar dessa conversa, sou muito romântica. E você nunca amou? Desculpe, mas senti um amargo em suas palavras, embora tente passar uma imagem tranquila, sinto que algo o incomoda” . Com voz em tom grave, ele respondeu: “Isso foi há muito tempo. É passado”. Ela: “Desculpe-me por tocar em algo assim”. Ele a tranquilizou: “Não se preocupe, lido com isso facilmente. E você, já amou?”. “Fui noiva, mas vamos mesmo mudar de assunto? Não vale a pena lembrar essas coisas. Vamos falar mais da gente, de seus livros, de minha carreira de médica, de nossas famílias”. E falaram muito, de si, de planos, de música, de cinema, teatro, de sexo, e até de possíveis futuros amores, o que fazia a conversa ir ficando cada vez mais íntima e mutuamente interessante. Quase 01h da madrugada, ela disse: “Desculpe-me, agora o sono pegou, preciso dormir um pouco”. E ele: “Claro, ainda teremos muitas horas para nos falarmos”, e ofereceu: “Quer dividir comigo meu cobertor? O ar condicionado está gelado”. Ela olhou de pertinho os olhos dele: “Quero sim. Você é muito gentil. Custo acreditar que esteja sozinho”. Ele devolveu o elogio olhando os lábios dela: “E eu custo a acreditar que uma mulher linda, simpática e inteligente, esteja sozinha”. Percebendo o “perigo” de um beijo, ela afastou o rosto dizendo boa noite, ele respeitou. Lá pelas tantas, de sono pesado, sem perceber, ela pendeu a cabeça para o ombro dele, claro que ele gostou, até aconchegou-a melhor, mas o escritor não resistiu, alisando o rosto da moça com o dorso da mão com toque tão suave, que nem parecia tocar. Mais alguns toques, ela acordou: “Foi minha impressão ou senti sua mão no meu rosto?”. “Sentiu sim... me desculpe, não resisti vendo seu rosto tão branquinho à luz do luar”. “Por que pedir desculpas se eu estava gostando? Mas pensei que estava sonhando”. Segurando o rosto dela, ele disse: “Não é sonho, somos reais. Quer ver?”. E beijou-a. Beijaram-se demoradamente, numa entrega total como se estivessem se despedindo da vida... ou nascendo para ela. Depois de muitos outros gulosos beijos, num gesto mais ousado, ele fez a mão da moça deslizar até sua cintura, ela pôde sentir sua virilidade, e disse com voz arfante: “Ai, não faça isso. Não me provoque”. No mesmo tom, ele respondeu: “Eu já estou provocado”. Ela querendo e não querendo recusar, disse: “Estamos dentro de um ônibus e ainda nem nos conhecemos”. Ele retrucou com sussurros ao ouvido: “Estamos justamente nos conhecendo nesse instante. O ônibus está quase vazio, todos dormindo, vamos para as últimas poltronas”. Depois de alguns “nãos” indecisos, ela aceitou... e se amaram deliciosamente na parte traseira do ônibus... uma... duas... três vezes. E dormiram abraçados. Beiravam as 08h da manhã, ela acordou assustada, vendo o ônibus sair da rodoviária: “É aqui que preciso ficar, é minha cidade”. Gritou: “Motorista, motorista, por favor pare aí, preciso descer”. Enquanto o ônibus parava, de pé, olhou para o escritor, quase sem palavras, ainda assustada: “Não sei o que dizer. Desculpe, preciso ir. A gente se vê qualquer dia. Não me esqueça”. Ele pediu: “Não vá. Vem comigo para as montanhas”. Com olhos tristes, ela respondeu: “Ai, não posso”, e olhou para o motorista que gritava impaciente: “Moça, se vai descer, ande depressa, estamos atrasados”. Num beijo curto, despediu-se: “Foi lindo!”. E partiu. Ele nunca mais a viu, mas teve certeza que ali começou a escrever seu primeiro romance. Desde então, criou um hábito, sempre que fazia o mesmo percurso, comprava sempre a poltrona 21, na esperança de que a moça da 22 aparecesse. Ela jamais apareceu, mas como ele mesmo disse à ela ( crio meu mundo e dou a ele um rumo que eu quero), no romance que escreveu, eles se reencontraram numa daquelas viagens, casaram-se e foram felizes para sempre.

17 comentários:

Maria da Graça Reis disse...

Amigo poeta,que responsabilidade!
Vou ser a primeira a comentar!
Gostei!
Já vi que encontrou um bom caminho,
Romance e Poesia.
Quando vai começar o seu primeiro romance?
Tenho certeza de que será sucesso.

Um abraço

Janita disse...

E assim, numa viagem de ônibus, como vocês dizem aí, se iniciou uma bela história de amor, que faria nascer o primeiro romance do autor.
Adorei, mas deixe que lhe diga, meu amigo, que o final romanceado esté mais de acordo comigo!
Adoro os finais "casaram e foram felizes para sempre"!

Parabéns, Carlitos! Um prazer vir até ao teu blog e sair com esta sensação, tão gostosa, de encantamento.

Beijinho amigo.
Janita

Severa Cabral(escritora) disse...

Boa noite meu querido !!!!
Encontrei seu comentário no meu cantinho,sabia que bateu uma saudade de vim aqui pra te ver e ler teus escritos ...encontrando esse conto me encanto,por ser bem característico...
bjs de boa noite !!!!!

Wanderley Elian Lima disse...

Olá Carlos
Muitos romances iniciam de forma inesperada, até dentro de um ônibus isso é possível. O que tem que acontecer, fatalmente acontecerá.
Abração

ValeriaC disse...

Adoreiiii...pena que não ficaram de verdade, mas enfim, no romance o final foi bem feliz e eu adoro finais felizes...
Bom final de semana amigo, beijos,
Valéria

António Jesus Batalha disse...

Seu blog é óptimo,gostei dou-lhe meus parabéns.
Com votos de grandes vitórias.
PS. Se desejar fazer parte dos meus amigos virtuais, faça-o de forma a que possa encontrar seu blog para segui-lo também.
Sou António Batalha.

António Jesus Batalha disse...

Blog fantástico, é para mim um privilégio poder ler as suas palavras, de certo que mais vezes virei aqui, no entanto agora vim para encontrar novos amigos e ao mesmo tempo divulgar meu blog.
Quero apresentar o Peregrino E Servo. Gostava que visse meu blog e desejar fazer parte dos meus amigos virtuais esteja à vontade, mas faça-o apenas se desejar.
Muitas felicidades e saúde.
Sou António Batalha.

Evanir disse...

Estou a 7 anos na blogosfera : A viagem é o casula
hoje completando 2 anos de vida.
Quantos momentos alegres e triste também
faz parte da nossa jornada.
Deus permita muitos anos de vida para mim e meu blog
um mundo fantástico.
Onde nossas amizades sem face completa de maneira
sobrenatural minha vida.
Obrigada pelo seu carinho por fazer parte da minha caminhada
muitas vezes cansada ou meu caminhar um pouco mais lento.
Hoje deixo na postagem mil carinhos para você
um mimo desse dia feliz.
E o sorteio de mais 2 livros meus não
importa qual Pais será ganhador receberá com certeza com muito amor.
Pode até pensar porque sorteio tantos livros meus não é mesmo?
Por ele ser bom e de alguma forma deixar um pouco de mim para vocês.
Meu eterno carinho.
Um feliz final de semana.
Beijos na alma e no coração.
Evanir.
Estou só esperando você com muito carinho.

Rosa Branca disse...

Uau que história linda !!! Desculpe a ausência, eu estava viajando vou tentar aos poucos colocar em dia minhas visitas e leituras dos posts.

Um abraço carinhoso,

Paty Alves
www.agape-amorverdadeiro.blogspot.com
www.patyiva.blogspot.com
www.tentardecoracao.blogspot.com

Claudete disse...

Carlos , sua verve de escritor romântico é perfeita. Se foi um conto baseado em fato real, (pode não é? )a narrativa erótica foi suave e ao mesmo tempo impactante.Deixou em aberto várias possibilidades para o fchamento. Gostei!

Anne Lieri disse...

Carlos,esse é um dos motivos que adoro escrever!...rss...somos um pouco como atores que fazem vários papéis nas novelas,teatros.Nós tb vivenciamos muitas vezes diversos personagens naquilo que escrevemos.Gostei muito de sua história!boa semana pra vc!

#*Marly Bastos*# disse...

Ahhhhhhhhhhh Buchechudo eu adorei!
Realmente o escritor da o rumo que quer à sua história, ao menos assim ele vive um sonho quase real.
Estória linda!
bjks doces e uma semana abençoada.

Vera Lúcia disse...


Oi Carlos,

Adorei o conto. Muito envolvente. E o nome escolhido é bem atraente. Parece nome de filme de suspense.

Abraço.

MARILENE disse...

Que delícia de conto! A inspiração chegou de uma forma encantadora. Bjs.

Sandra Botelho disse...

Como sempre inspirado e elegante em seus escritos. Amei seu conto amigo. Um romance gostoso e que pose sim ser real. E se foi, foi inesquecivel que é o que importa. Bjos achocolatados

Sueli disse...

Nossa realidade muitas vezes transveste-se de fantasia. E nossas fantasias muitas vezes são mais reais que nossa realidade. Abração,amigo!

Fernanda Oliveira disse...

Uau! Gostei demais deste teu conto...
maravilhosa inspiração!

Beijos!

Fernanda Oliveira