ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

DESTINOS CRUZADOS - PARTE II

Dois anos se passaram. Era plantão do Doutor Carlos Suarez, numa noite tranquila, mas não imaginava que aquela noite mudaria para sempre sua vida. Passado, presente e futuro brincam de ciranda com a gente e nem perguntam se a gente quer brincar. O interfone interrompe a calmaria. “Atenção, doutor Suarez, favor comparecer urgente à UTI”. Levantou-se rápido e foi atender o chamado. Chegando à sala, perguntou do que se tratava, a enfermeira respondeu. “Infarto doutor, o homem está mal. Fizemos atendimento de emergência, mas acho que não vai aguentar”. “Deixe-me ver”. Quando chegou perto do paciente sem camisa, um homem aparentando uns sessenta anos, o mundo parece que lhe caiu nas costas. O homem tinha uma mancha no peito idêntica à dele. Ficou atônito, trêmulo, enquanto o paciente agonizava no leito. Não resistiu, afastou-se e sentou balbuciando coisas como... “não, não pode ser” , até que a enfermeira o despertou. “Doutor, o homem está morrendo... Doutor, o senhor está bem? Doutor Suarez, o homem precisa de socorro... doutor... doutor”. Foi preciso sacudi-lo para voltar ao normal. Controlando a tensão, começou a pedir os medicamentos de urgência e até desfibrilador acabou sendo necessário. O homem chegou a apagar, mas o Doutor Suarez era o melhor, e salvou a vida do homem. Situação acalmada, disse ao grupo de enfermeiras. “Ele não suportaria uma cirurgia hoje, está muito debilitado, eu o induzi ao coma, está sedado e estabilizado. Verifiquem a pressão de hora em hora. Vou passar a medicação para vocês”. No prontuário pôde confirmar. O nome do paciente era Heitor Villanueva... seu pai. “Boa noite para todas”. Disse isso e se afastou tentando disfarçar as lágrimas, mas a amiga e enfermeira chefe, viu e foi até ele. “Algum problema, doutor? ”. Respondeu com a mão no ombro dela. “Destinos cruzados, amiga”. Chegando em casa foi ao quarto da mãe para beijá-la como sempre fazia, mas ficou na porta olhando-a dormir, chamou-a de anjo em voz baixa, visualizou a cena da mãe legítima agonizando nos braços dela, e chorou muito. Passou a noite em claro na janela. De manhã não deu uma palavra e Dona Deda o olhava o tempo todo. Mãe tem disso, percebe as coisas. No hospital, após constatar que o paciente estava estável, renovou a medicação e pediu para ficar sozinho no quarto, e como se ele o ouvisse, perguntava. “Como pôde ser tão canalha abandonando minha mãe grávida?”. De noite, não escapou de Dona Deda. “Sonhei que você chorava e hoje está tão diferente”. Não havia mais espaços para segredos. “Estou com um homem em coma chamado Heitor Villanueva,.. é meu pai. Daqui a cinco dias terá que ser operado e não me vejo em condições para isso, nem sei se quero, pois o odeio cada vez que imagino minha mãe, parindo na rua como animal e morrendo como mendiga. Tive vontade de sufocá-lo com o travesseiro. Vou passá-lo para outro médico, pois sou capaz de matá-lo durante a cirurgia”. Dona Deda, assustadíssima, pálida com o que ouvia ainda teve forças para corrigi-lo. “Não faça isso. Esse não é o filho que eu criei. Você é homem bom e acima de tudo tem seu dever de médico que é salvar vidas. Não mate sua segunda mãe de tristeza. Deus está lhe dando uma oportunidade de mostrar a ele o quanto ele errou, mas que o filho dele é diferente. Não o ame, se assim desejar, mas salve-o. Por Deus... pela sua mãe legítima... e por essa mãe velha que não sofreu todos esses anos para ver ódio nos seus olhos”. Pela primeira vez, doutor Carlos Suarez gritou. “A senhora não entende. A senhora me deu o seu amor, mas não sabe o que é crescer sem um pai. Sou médico, mas odeio aquele homem”, e saiu batendo a porta, nem para casa voltou naquela noite. ( continua...).

Para a terceira e última parte deixo as seguintes indagações:
1) Será que o dever de médico vai falar mais alto e doutor Suarez vai salvar o homem?
2) E salvando, ele se revelará ao pai... ou apenas cumprirá seu dever profissional carregando para sempre esse segredo?
3) E revelando, será que vai amá-lo como pai ou a revelação será apenas para lhe cobrar a omissão e a covardia com a mãe legítima?
4) Será que doutor Suarez tomado pelo ódio o deixará morrer durante a cirurgia? Afinal ninguém vai saber.
//////////////////////////////////////////
Obs: Eu já tenho os quatro finais previstos prontos, mas estou aberto a sugestões entre esses quatro.

30 comentários:

valquiria disse...

O viver tem destas coisas... eu penso, e hajo assim: se no momento não estou pronta a perdoar, me afasto e me dou o tempo preciso, pra que posso ver de fora, com emoções controladas.

Acho que ele deve se afastar, sim passar o tratamento do paciente a outro medico, mesmo porque dentro da medicina não é permitido doutorar compessoas intimas, onde as emoçoes podem atrapalhar a logica.

Mas como filho ficar aberto ao perdão, as pessoas mudam, as situações tbm, ele pode acompanhar a recuperação do pai a uma certa distância, mas com zelo.
O futuro promete encontros e desencontros.

Abraços amigo.

Wanderley Elian Lima disse...

Olá Carlos Estou preso ao texto. Grandes emoções.
Abração

Sandra Ribeiro disse...

Meu querido, gostei demais, mas prefiro não manifestar a minha opinião sobre o final! Acho que serei a única a pedir que deixe o homem morrer...Meu pai morreu há poucos anos, antes disso há 8 anos não nos falávamos, nem fui ao enterro. E não sinto arrependimento, porque eu sei o que sofri nas mãos dele na minha infância, aqui no caso é apenas um conto, mas eu gostaria que ele morresse...

Luís Coelho disse...

Hoje, graças a Deus aprendi a perdoar e isso trás-me de volta uma paz muito grande.

Não sei explicar porque eles foram muito maus para os meus pais e seguidamente para mim.

Um dia recebi a noticia de que o velho faleceu e eu rezei por ele e pedi a Deus que lhe perdoasse toda a maldade.
Uns meses depois faleceu inesperadamente o filho que ainda não tinha 60 anos.Tambem pedi a Deus perdão pelas suas faltas e que o recebesse no Seu regaço.

Em troca senti uma paz interior que não sei explicar .

Todos erramos mas nem todos aprendemos a perdoar,

Evanir disse...

Os Amigos verdadeiros são aqueles que
vêm compartilhar a nossa felicidade
quando os chamamos,
e a nossa tristeza sem serem chamados.
Vim te fazer um carinho e
dizer que sua amizade é muito importante
para mim!
Pela paz que você semeia,a alegria que transmite,
as verdades que afirma,o senso de justiça que você tem.
Pela doce simplicidade dos gestos.
A sabedoria que guia teus passos.
Pela sua simplicidade,por tudo
que representa na minha vida.
Um feliz final de semana beijos
de paz e luz,Evanir
Obrigado por sua Amizade!!
Menino você ´mora no meu coração.

Marly Bastos in "palavreados ao vento" disse...

O personagem é seu, e portanto cria sua e de alguma maneira sua imagem e semelhança, portanto acho que ele terá idoneidade como você tem, independente do que ele senti por seu pai. Vamos ver...
Beijos Carlinhos, vou esperar pra ver o que vai acontecer com o dr Suarez.

Marly Bastos in "palavreados ao vento" disse...

O personagem é seu, e portanto cria sua e de alguma maneira sua imagem e semelhança, portanto acho que ele terá idoneidade como você tem, independente do que ele senti por seu pai. Vamos ver...
Beijos Carlinhos, vou esperar pra ver o que vai acontecer com o dr Suarez.

Dri disse...

Cheguei a ter duvidas se é ficção ou verdadeira a estoria.

Não vou opinar no final. Gostaria de ver o seu final.

Vc esta bombando!! rs

Parabens.

beijo

Guará Matos disse...

Oi, tudo bem com você?
Como eu havia dito antes, estou afastado do Blogosfera por vários motivos, inclusive por conta do site “ABORDAGENS & IMPRESSÕES”/ http://abordagenseimpressoes.com/ que eu acabo de criar e publicar na Internet.
Gostaria de contar também com você por lá, acompanhe-o e também interaja comigo por lá.
Como todos nós sabemos, site tem uma dinâmica diferente do blog, é mais consultivo e informativo. É de maior abrangência, já que se pode explorar muito mais. O blog é mais direto e normalmente de temática única.
Me visite por lá e me siga. Vou gostar e ficar extremamente feliz e agradecido por mais esse voto de confiança.

Beijos.

Luciane Morais disse...

Amigo, muito interessante sua novela. Aguardo o final. Bem, vou opinar..rs..É! Acho que ele deve salvar a vida desse homem e revelar que são pai e filhos. Aí, qual a reação desse pai? Hum, estou curiosa pra saber.

Tenha um excelente final de semana*
Abraços,
Lu

Edna Lima disse...

Vamos ao final sim...
A verdade sempre é melhor. Bjssss
Edna.

Vivian disse...

Nossa,Carlos!!

Fiquei tensa!!!Que situação...mas como médico e pessoa honrada, o dever falaria mais alto...claro, existem todo o tipo de pessoa...e nem todo o médico é honrado...mas...
Adorei!!Beijos pra ti!!
Aguardo ansiosa o desenrolar!!

Everson Russo disse...

Fortes emoções e acontecimentos,,,a vida sempre nos reserva esses momentos...abraços de bom sábado e que Papai Joel comece bem hoje..rs..rs.

Dri disse...

Carlos,
Voltando aqui...rs
Recebi um selo que quero muito dividi-lo contigo, pq gosto muito de seu blog.

Abraço.

Carla Fernanda disse...

Bm final de semana!!
;D
Carla

Jorge (Nectan) disse...

Carlos,

tem um selo te esperando no meu blog SELOS DO NECTAN. Quando puder, dê uma passadinha lá, tá bom?

Abraços!!!

Sandra Botelho disse...

Acho que ele deve se revelar e salvar o pai...
Viver sem perdoar é viver amargamente.
beijos achocoaltados

ValeriaC disse...

Oi Carlos, que legal a estória, li a primeira e a segunda parte agora...estou muito curiosa pra ver o desfecho desta estória... eu acho que.... pensando bem vou deixar por sua conta...vais escolher um bom final para a trama...
Boa semana amigo...beijos
Valéria

JGCosta disse...

Carlos, uma grande reflexão nos trás!

Sinceramente, um homem que está envolvido diretamente com o seu cliente, paciente ou algo do gênero, deve recomendar o mesmo para um colega, por questões éticas!

Mas isso não se aplica numa ficção, onde o autor explora todas as mais sensíveis possibilidades, portanto, para mim o filho salvaria o pai e descobriria de fato porque este o abandonara, e mesmo que ele não fosse um exemplo de pai, o amor falaria mais alto, pois assim fora criado!

Belíssima história nos trás!

Abraços renovados!

Anne Lieri disse...

Carlos,li as duas partes de sua novela e estou acompanhando com atenção!Acho que ele ainda vai salvar e perdoar o pai...mas aí,só vc pode saber!...rss...linda e comovente história!Bjs,

Eduardo Medeiros disse...

carlos, li as duas partes do teu conto de uma vez e vou ficar esperando o desfecho.

eu creio que ele salvará a vida do seu pai, apesar da grande mágoa que carrega. ou não...somos bem imprevisíveis em situações limites.

abraços

Maria da Graça Reis disse...

Nossa,amigo!
A Glória Perez que se cuide...

Novelinha boa!!!

Tatiana Moreira disse...

Os fios do destino tecendo as suas teias...
Prefiro não opinar e aguardar o que a sua imaginação nos irá proporcionar.
Tenha uma ótima semana!
Beijos com o meu carinho

Smareis disse...

História com forte emoção. Acho que o dever fala mais alto. Vamos ver o final. Um Abraço!

Estrela disse...

Não vou opinar.Você é o autor e saberá conduzir o conto para um desfecho favorável.
Abraços!

Secreta disse...

Aguardo ansiosa pelo desfecho... :)

José disse...

Olá Carlos!
Estou voltando, e bem a tempo de ver e ler, "destinos cruzados".
Que a meu ver acho que o médico deve perdoar o seu pai, já que é esse o desejo de sua mãe adotiva.
Gostei muito destes destinos cruzados.

Um abraço,
José.

Só pra você disse...

Eu acredito que ele deva salvar e depois revelar o que sabe e deixar por assim mesmo, ele precisa perdoar e o pai precisa saber da existência dele vivo, assim os dois teriam uma chance para seguir seus caminhos em paz.
Muito lindo essa história, eu até lagrimei amigo, sou muito besta para essas coisa, rsrsrs. Parabéns!

Beijocas

IT disse...

Em tudo na vida deve haver a segunda chance e, deixar ouvir e prevalecer a voz do coração.

"Destinos Cruzados" veio para o escritor em uma excelente hora.Rs

Beijos....tá chegando o dia!!!
ai ai ai.:)

claudete disse...

Sugestões meu querido apenas me passa pela cabeça que nem sempre a razão prevalece sobre o coração...De qualquer forma os laços de afetividade inexistem, vez que são construídos no dia a dia da vivência..Não creio na prerrogativa apenas dos laços consaguíneos, mas podem se sobrepor às exigências morais de cada um...Fica ao seu critéiro. O tema é empolgante. Boa Sorte!