ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

CERTOS PSEUDÔNIMOS

Essa foi uma das passagens mais engraçadas de minha vida.
Desde bem mocinho eu usava um certo pseudônimo que provocava risos. Sim, apesar de parecer pretensioso, as pessoas sabiam que eu não fazia por mal, que era só uma brincadeira. Não passava de um garoto carente, querendo chamar atenção.Gostava de muita gente à minha volta. Quantas vezes sentei-me no meio-fio de minha casa, com prato na mão, almoçando perto dos amigos. Às vezes quando chegava do trabalho já tinha gente me esperando. Lembro-me de eu explicando para alguns, as letras das músicas que ouvíamos na minha charmosa e excelente radiola que pegava rádios do Brasil todo. Por isso sabiam que eu apenas brincava quando me autoelogiava. Jamais fui egoísta ou pretensioso, apenas gostava de gente. Não sei como consegui ficar treze anos sem voltar à minha rua. Quando voltei foi uma festa. Andei chateado com a cidade, por isso fiquei tanto tempo. Cidade que amo. Só que essa história eu não vou contar.
Eu assinava de vez em quando nas provas como: ‘CARLOS SOARES, O BOM’. Certa professora da sexta série, Marli, já havia me avisado: “Muito bonitinho, mas isso pode te causar problemas um dia”. Não liguei muito, eu só queria saber de viver.
Mais crescido, já no primeiro ano, tive um professor de química. Gustavo era alto, gordo, careca. Sujeito bonachão, gozador, feliz com a vida, cooperava com os alunos adiando provas para a gente se preparar melhor. Toda sexta-feira, as duas últimas aulas eram dele e na penúltima, abria quinze minutos de piadas. Era uma festa. Dizia que era para descontrair da semana longa e dura. Ele era muito engraçado. Quando se aproximava o dia dos professores disse. “Não me venham com frescura de presentinho não. Paguem umas três rodadas de chopp para mim que é bem melhor”. A turma pagou mesmo. Era meio paizão também, gostava de dar conselhos à rapaziada. Em contrapartida, nas horas certas era durão. Detestava mentiras, dedo duro e gente conversando durante a explicação. Chegar atrasado, só para quem ele sabia que trabalhava. Namoricos, não perdoava. Dizia: Ô casal de pombinhos. Tem lugar melhor pra isso que na sala de aula”.
Pois um dia me perguntou: “Que palhaçada é essa desse pseudônimo?”. Eu ri. “É só brincadeira, professor”. E ele: “Pois pare, porque não quero. Você vai se dar mal uma hora com isso. Afinal, por que.. O BOM?”. Ironizei. “Ora, O BOM, já fala tudo. Sou o maior, o melhor entende? Não preciso dizer mais nada... sou simplesmente O BOM”. Ele quase riu, mas precisava manter a seriedade. “O recado está dado. Quem avisa amigo é. Você vai se lascar. Depois vá chorar na cama que é lugar quente”.
Para alunos que como eu, enrolam nos dois primeiros bimestres, o terceiro é fundamental. É preciso manter a média para não ter que comer livros no último. Eu andava sempre raspando pouco acima da média. Gustavo aplicou uma prova que valia trinta pontos. Na semana seguinte entrou na sala dizendo “Silêncio, cambada. O aluno que não receber a prova, me fale, que durante o recreio vejo nas outras turmas, posso ter misturado”. Chamou nome por nome, menos o meu. E perguntou. “Alguém não recebeu a prova?”. Levantei o dedo. “Qual seu nome?”, perguntou. Respondi pausado. “Carlos... Soares... de Oliveira”. Ele olhou, mexeu na papelada e disse. “Como eu disse, posso ter misturado com outras turmas, já já vejo no recreio”. Passei o recreio meio tenso, não que estivesse adivinhando, mas pela nota em si.Voltando à aula, perguntou de novo meu nome. “Realmente, não encontrei. Tem certeza que fez a prova?”. “Claro que tenho”, respondi preocupado. E ele emendou. “Posso ter deixado em casa, mas agora só semana que vem”. Acabei concordando, já que não tinha jeito. Passados uns cinco minutos, tornou a perguntar meu nome. E disse. “Com esse nome não, mas tem um nome estranho aqui, meio parecido, mas o seu termina com Oliveira. Encontrei ‘Carlos Soares, o bom”. Não, não é você”. Pus a mão na cabeça e fui andando ao encontro dele, dizendo “sou eu, sou eu”, mas com sinal de pare, disse. “Volte pro seu lugar. Não falei que ia se lascar? Falei que sua palhaçada ia te levar pro buraco, agora aguenta”. Fiquei em pé, perto da cadeira. “Mas é só uma brincadeira, professor, pelo amor de Deus”. Alguns amigos tentaram interceder. “Pôxa, professor. O cara é gente boa”. O outro gozador falou. “Gente boa mesmo, até me deu cola”. Falei pra ele entre os dentes. “Eu já estou sujo, você ainda fala isso”. Uma menina pediu. “Tadinho, ‘fessor. Ele é bonzinho”. Ele interrompeu logo. “Não adianta o fã clube pedir que não vai adiantar. Como vou mandar uma prova dessa pra secretaria? Isso é documento. Posso quebrar seu galho aplicando outra prova”. Sentei desolado, mão na testa, cabeça encostada na parede.Clima de velório na sala. Sinceramente quase chorei. Minha irmã havia conseguido uma bolsa de estudos com um vereador para mim na maior dificuldade e eu estava prestes a tomar bomba. Que vergonha! Ia dizer o quê para ela? Ia ter que comer livros no último bimestre.
Mais uns cinco minutos, me chamou na frente. Fui cabisbaixo, eu ficava envergonhado à toa. Ele levantou-se, deu a volta na mesa, me abraçou de lado, ombro a ombro e falou. “Era só uma brincadeira, seu bobão. Só queria dar um susto para você virar homem. Jamais eu faria isso. Você é um bom garoto. E muito querido, pelo que vi na reação da turma”. Mas que seja a última vez”. A turma toda aplaudiu, gritou, assobiou. E ele para encerrar. “Vocês querem saber de uma coisa? Depois dessa seção de ‘viadagem’, não estou mais afim de dar aula não. Vocês tem quinze minutos para zoar esse ‘oreiudo’. E pelo jeito não era tão bom, nem esperto assim, pois caiu direitinho”. Não percebi mesmo. Também não nasci com um pingo de astúcia. Não temia maldades. Achava que a vida era só uma festa.Continuo achando, mas já adquiri um pouco de astúcia, senão os leões engolem. Gustavo ainda me deu um cascudo leve quando virei as costas. E como zoaram. Mas não me importei, só queria comemorar meus dezoito pontinhos.
Já na saída do portão fui agradecer de novo e ele respondeu. “ Tudo bem. Lá nas suas poesias, você pode por o que quiser. ‘A bichinha indecisa’. ‘A mariposa alucinada’. Mas nas provas não”.
Depois disso usei vários pseudônimos, nas poesias claro. Fui ‘Passarinho aprendiz’... ‘Estrela’... ‘Só um poeta só’... ‘Fênix’.
Mas ando preferindo mesmo é o sonoro... CARLOS SOARES DE OLIVEIRA. Autenticidade é tudo. Essência é tudo.

4 comentários:

Lucinha disse...

Olá CArlos!

Olha lendo esse seu post, voltei ao passado quando era professora do Ensino Médio, havia um aluno que fazia o mesmo...rsrsrs bom demais relembrar coisas assim.

Acredito mesmo que ficou preocupado demais em ter que comer os livros rsrsrs...

Boa sugestão ao nome do meu blog... (rindo aqui)

Volte sempre, ficarei feliz com sua visita.

beijinhos

Izinha disse...

Carlos,

Viajei na sua história, nesse fato particular e posso dizer q adorei...

Gostei da saber q vc se intitulava O BOM, senso de responsabilidade não faltou por causa disso, mas te acho muito mais q bom...vc é magnífico e te admiro muito.

bjos com carinho!

(Carlos Soares) disse...

Izinha.Obrigado pela consideração.Gosto muito também de seus textos e poemas que também são excelentes.Por isso vou lá buscar inspiração e animação no seu blog.Também gosto de você.bjss

mundo azul disse...

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Gostei de ler as suas recordações!


Delicioso o seu texto...


Beijos de luz e o meu carinho!!!

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