ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

3,2,1... CHEGUEI! APOSENTEI!


Acabou a contagem regressiva. É que saiu minha aposentadoria... sim... só não vale perguntar a idade rs rs, mas é que assinei carteira muito cedo. Não sei ainda como estou me sentindo, ainda não tive tempo de analisar, até porque ainda vou trabalhar uns anos, mas a sensação é de missão cumprida, missão cumprida com a gente mesmo. Não vou contar casos de chefes e amigos bons e ruins, da timidez e insegurança do começo, primeiras férias no mar... não caberiam no texto. Então vou contar só o começo. Na cidade, o único bom emprego era na siderúrgica, os outros eram secundários, pagavam pouco, por isso a vontade de todos os rapazes de trabalhar na grande empresa, mas antes precisava passar pelo Senai, e tive infelicidade de num ano estar abaixo da idade, e no ano seguinte, após mexerem nas regras, ficar acima da idade. Ainda me lembro, xingando e rasgando toda a documentação no meio da rua, jogando no lixo. Eu não sabia que aquilo estava sendo melhor para mim. A grande empresa tinha uma afiliada que pagava menos, e administrava o aeroporto e o hospital, dali uns dia fui até lá, e topei com NÃO HÁ VAGAS bem grande na parede, mas chamei na janelinha, um rapaz um pouco mais velho, aproximou o rosto, conversamos, ele confirmou que não estavam mesmo contratando, mas recomendou: “Deixe xerox dos documentos, e venha aí de vez em quando”. Mas eu ia dia sim, dia não, foi assim uns três meses, acabamos ficando meio amigos, batendo papo, ele lá pela janelinha, eu do lado de fora, sentado numa cadeira velha que ele mesmo me deu. Tomava água e até café dele. Não me lembro por que, mas fiquei umas três semanas sem aparecer. Num belo dia, algo me tocou para eu ir, cheguei, e como sempre já ia sentando automaticamente, ele me chamou com olhar de contente: “Tenho boa notícia. Apareceu uma vaga...”. Deu uma pausa, e antes que eu abrisse a boca, continuou: “Mas é no aeroporto, e paga bem pouco. Carregar e descarregar avião, é pesado. Quer assim mesmo?”. Respondi todo feliz e emocionado: “Claro que quero. Você não imagina como estou precisando”. Ele disse: “Imagino sim. A gente percebe, ainda mais o tanto que você anda pra vir aqui, e vindo quase todos os dias. Eu estava preocupado por você ter sumido, essa vaga está aqui já há umas duas semanas”. Depois disso, agradeci a atenção, ele me deu as instruções, e me disse: “Eu sei que agora você não vai vir mais aqui, que bom, porque vai estar trabalhando, mas tivemos bons papos aqui. Boa sorte pra você”. Meio anestesiado, só balancei a cabeça:
“ Muito obrigado por me tolerar aqui todo dia”. Ainda guardo a impressão de que aquele rapaz segurou a vaga para mim. Eu e a essa capacidade infinda de fazer amigos.
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( IMAGEM Turn Wise )

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