ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

sábado, 23 de setembro de 2023

MEU DIA.

 



Eu sou aquele que se olha no espelho e se diz “bom-dia”,
abre a janela e oferece o rosto à primeira brisa.
Eu sou aquele que fala com os cãezinhos da rua, com os passarinhos, com os cavalos, com os gatinhos.
Sou aquele que se curva aos idosos, e exalta as crianças
porque se vê um pouquinho em cada uma das pontas.
Sou aquele que cumprimenta estranhos,
para que não se sintam mais estranhos.
Sou aquele que corta cabelo num salão,
e no mês seguinte, corta no outro salão
para que os amigos ganhem igual.
Sou aquele que tira fotos de plantas, árvores, de flores,
que se encanta com um simples inseto,
pois sabe que ali há vida.
Sou aquele que contempla a flor e o vulcão.
Aquele que não foge da chuva,
"pois a chuva voltando pra terra,
traz coisas do ar".
Aquele que acredita em Anjos e em outras dimensões.
Amigo do Sol, amigo da Lua, irmão das Estrelas,
mas que tem a própria LUZ.
Aquele que ama as quatro estações,
o pôr do Sol, e a aurora,
que gira como um pião e se vê como parte de todas as coisas,
e sorri por isso.
Como é bom ser parte de tudo isso!
Obrigado, Universo!
Aquele que volta para casa,
e se deita no travesseiro com a consciência tranquila,
de quem encantou e se encantou por aí,
sem deficiências ou excessos,
apenas foi o que sempre foi... na sua própria medida...
e sem ferir ninguém.
Eu sou aquele... a quem chamam Poeta.
Que eu nasça mil vezes,
mas que eu volte sempre assim.
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( imagem pergaminhoseventuais.com - Google )

sábado, 24 de junho de 2023

QUEM BEIJA POR ÚLTIMO, BEIJA MELHOR.



Todos queriam beijar aquela menina

da barraca do beijo.

Era também meu desejo,
mas, eu, tímido que era
ficava na espera,
sem um beijo ganhar.
A festa acabou,
todo mundo se afastou,
a barraca desarmou.
Foi quando ela me viu:
"Pode chegar,
Por que não veio me beijar?
Respondi:
"Eu não tinha dinheiro, nem prenda
para o beijo pagar".
Ela sorriu,
e longamente me beijou:
"O melhor pagamento,
é o amor no seu olhar.
Não viu que eu também estava a lhe namorar?
=

terça-feira, 18 de abril de 2023

AMIGO LIVRO!

 



Livro, amigo antigo...

Desde os tempos de infância 

abraçado a ti, não corro o perigo da ignorância.

Virando tuas páginas,

virei as páginas da minha própria vida,

estivestes comigo em toda a lida. 

Fizestes parecer tudo tão breve.

Tornastes meu coração leve, 

e minha mente, sã.

Fui o mais feliz Peter Pan!

Fui Dom Quixote, um cavaleiro andante. 

Como um Pequeno Príncipe galante, 

conheci mundos e criei mundos.

Como Alice, atravessei espelhos,

ouvi de Gepetto, conselhos 

para não ser um menino mau 

e assim, lá na frente, surgir o homem de bem.

Em tuas páginas fui muito mais além 

do que podia me dar o mundo real.

 =

( IMAGEM DEPOSITPHOTOS )


quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

CAVALGADA DE DOMINGO.

 


Depois de uma noite chuvosa, abriu um domingo ensolarado. A menina abriu a janela, o Sol lhe sorriu, ela sorriu de volta, enquanto isso seu Alazão a convidava a um lindo passeio pelos campos, ela soltou os cabelos, montou no seu Alazão de pelo nu, e saiu mundo afora, se agarrando apenas em sua crina. Fizeram uma cavalgada louca e linda, acelerados rumo ao topo do mundo, quanto mais ela cavalgava, mais o Alazão correspondia, e vice versa, nunca houve tamanha sintonia entre a amazona e seu companheiro de doces aventuras. Cabelos ao vento, sorriso no rosto, prazer recíproco entre quem monta e quem é montado. Extasiados chegaram ao topo do mundo, e lá de cima, puderam confirmar que tudo é pequeno diante do amor.

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( IMAGEM iSTOCK- Getty Images- Google )

sábado, 22 de outubro de 2022

QUEM DISSE QUE O SONHO ACABOU?



Não sei por que dizem que o sonho acabou,
se eu vivo em pleno sonho.
Todos os dias bebo da fonte,
acordo risonho, e vou por aí.
Como borboleta que quebrou o casulo
com as asas que eu colori.
Como menino que transpõe a ponte,
e no próximo pulo já quer o horizonte
que parece distante
mas num instante penso que está logo ali.
‘Penso, logo existo’, logo sonho.
Deus me livre de um viver enfadonho,
de andar cabisbaixo na rua,
se tudo que mais quero é ser Girassol,
agradecer ao Sol,
e descansar no colo da Lua.
Quem diz que o sonho acabou,
verdadeiramente não sonhou,
ou da curva, voltou.
Não, o sonho em mim, não acabou.
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( imagem OPINION.COM
– GOOGLE )

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

UM JEITO DOCE DE DESPERTAR!

 

04:55h da manhã. Sonolento e preguiçoso, pude ouvir ao longe alguns passarinhos afinando os instrumentos para darem início à grande orquestra que abre mais um dia. Mas um canto muito mais próximo, chamou minha atenção, e me fez perder toda a preguiça. Depois de fazer o meu rotineiro Sinal Da Cruz, abri a janela, recebi no rosto um beijo da brisa me dizendo ‘bom-dia’. Procurei com os olhos de onde vinha aquele som maravilhoso, mas nem precisei procurar muito, estava ali, numa árvore bem frontal à janela, num galho destacado dos demais, uma linda Sabiá. Afinadíssima! Nunca soube definir bem se o canto da Sabiá é feliz ou triste, a mim parece triste, tem umas notas tristes, mas canta tão majestosa que ao mesmo tempo parece estar celebrando a vida. Debrucei-me na janela como um espectador único e privilegiado, e não é que a ‘Menina’ parece ter percebido isso? Estava de costas, virou-se para mim, estufou o peito, e cantou mais ainda. Estávamos em parceria, em sintonia poético-musical, coisas do Astral, que somente as antenas da sensibilidade podem captar. Todos os dias agradeço por ter em mim essas antenas. Havia uma Sabiá e um Poeta ali. Havia amor ali. Um namoro lindo! Eu ficaria umas doze horas na janela, mas o mundo chato me chamava para a realidade do asfalto, do relógio, das avenidas. Mas deu tempo até de fazer uns versinhos:
Estava eu preguiçoso,
até surgir na janela
com uma canção singela,
uma linda Sabiá.
Com o coração desejoso,
ainda estou na janela,
com o coração a perguntar:
Hoje ela veio, amanhã ela virá?
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( Imagem Dreamstime )

terça-feira, 23 de agosto de 2022

UM AMIGO NA RETINA E NO CORAÇÃO"

 


A licença poética vai me permitir usar a palavra  “óculos” no singular, para que eu possa representar um objeto que me acompanhou por tantos anos.

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Olá, amigo! É assim mesmo que lhe chamo: amigo. Quem anda com a gente por 40 anos não merece um adjetivo menor que esse. É o fim de um longo tempo, mas eu não quero chamar de despedida, despedidas são tristes, é só um texto de gratidão. Você apareceu para mim na juventude, eu era bem magro, cabelos longos, enrolados, balançando ao vento, eu era inquieto, rebeldezinho, aventureiro. O tempo passou, ganhei vários quilos, os cabelos nem são mais longos, e estão prateados... mas você ficou aqui, nesse rosto tão modificado. Você também modificou várias vezes. Você era redondinho, eu quis assim por causa do John Lennon. E assim foi, vários formatos, estilo Woody Allen, depois retangular em lentes pequenas, em lentes maiores, depois quadradinho, quadrado grande, de aço, de plástico, até que surgiu a necessidade de escurecer levemente ao sol; eram os primeiros sinais da idade rs rs. “Escuro e com graus”, alguém sugeriu. Muito escuros nunca quis, sempre gostei de mostrar meus olhos. Você se quebrou algumas vezes, ops, digo, eu quebrei você algumas vezes, sentando em cima, ou dormindo com você no rosto, depois de noites bagunçadas. Lembra do dia em que quase lhe perdi num show de rock? Eu peguei você no ar, após escapulir do meu rosto. Poxa, aquilo merecia ser filmado, um monte de gente pulando, eu batendo a mão em você, até conseguir segurar. Esteve comigo em momentos felizes e tristes, várias vezes chorei embaçando suas lentes, seja por derrotas, seja por vitórias. Já lhe embacei debaixo da água do chuveiro também, porque éramos inseparáveis. Tão inseparáveis que quando alguém sugeria para fazer cirurgia dos olhos, eu dizia: “Não! Eu gosto dos meus óculos, me dão um certo charme. Me deixam com mais cara de poeta”. E assim, eu fazia caras e bocas, deixava deslizar sobre o nariz, meio poeta largado. Fazia olhares de lado, tipo despretensiosos, distraído. Eu devia ter uma foto com cada formato seu para fazer um quadro, e colocar na parede. Mas tudo bem, não pensei nisso ao longo dos anos, o importante é que você que esteve sempre na minha retina, também estará sempre em meu coração.