ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

SÓ UM POETA SÓ!

 

Talvez eu seja assim…
Ora Coruja, ora Beija-Flor.
Um dia, perfeita aquarela,
no outro dia, sem cor.
Por mais que a rua seja bela,
nela não vejo o amor.
Talvez eu seja assim…
Às vezes, menino sonhador
Às vezes, homem que em nada mais acredita,
talvez eu seja um eremita,
caça e caçador de uma solidão escolhida, acolhida,
disfarçando tudo que é dor.
Talvez eu seja assim…
vagalume que brilha quando quer,
emergindo da timidez em qualquer rua, numa noite sem lua.
Confuso nas pétalas do mal-me-quer, bem-me-quer,
o amor na palma da mão se desfolhando em desilusão.
Talvez eu tenha a coragem de Davi,
Talvez eu tenha a paciência de Jó.
Talvez eu seja um pouco de tudo isso.
Talvez eu não seja nada disso.
Talvez eu seja só um poeta só.
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( imagem manausolimpica.org – Google

sábado, 25 de setembro de 2021

CIRANDA.

 


Saudade de andar fora da linha,
de correr depois de bater campainha.
De faltar à escola, e noutro dia ser o melhor da escola,
e à professora surpreender.
De ser o craque da bola
fazer o melhor gol, dar aquele show
para aquela menina ver.
Saudade de um namoro inconsequente, sem futuro,
mas tão presente.
De mergulhar no escuro, e sair lá na frente
mesmo que tivesse medo de nadar;
Esse era o segredo,
ainda que fosse inseguro, a gente não podia parar.
Saudade das rodas, das modas de violão,
sem qualquer ensaio, a gente tirava do balaio qualquer canção,
qualquer assunto,
a gente só queria ficar juntos.
Até hoje me pergunto:
Quem mandou a juventude passar rápido assim?
Ai que saudade de mim!
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(Imagem Shutterstock- Google )

domingo, 19 de setembro de 2021

DEIXEM O GALO CANTAR...

 


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"Todos os dias, assim que o galo canta, o dia amanhece. Mas se você matar todos os galos, o dia amanhece assim mesmo". Não há uma imposição, o dia não amanhece só porque o galo canta, é apenas uma sequência natural de um momento bonito, que é o amanhecer, o galo canta e o dia amanhece. As coisas são como elas são, não nos cabe tentar mudar , me tornei mais feliz quando passei a ver assim, quando vi a natureza ou a naturalidade das coisas, quando percebi que sou parte delas, não o comando delas. Tanto a aurora quanto o pôr do Sol, acontecem todos os dias nos seus devidos horários, mas nunca de forma igual, cada amanhecer e cada entardecer, têm uma pincelada diferente. Isso não os torna mais bonitos? Mas não há interferência, apenas acontecem. O galo não está interferindo no amanhecer, ele está anunciando, comemorando o amanhecer, dando-nos a sensação de renascimento. Mas quem sou eu para dizer que o canto do galo antes da aurora, não é necessário, já que é sequência natural? Afinal, eu debruçado na janela contemplando o Sol surgindo, também faço parte dessa sequência. As coisas divinas precisam de anunciadores e de espectadores. Eu não sou aquele que canta, tampouco sou Aquele que cria, eu sou aquele que assiste. Na condição de ser aquele que assiste e escreve sobre isso, e até por isso, eu digo: por via das dúvidas, não vamos matar todos os galos, vai que um dia não amanhece porque nenhum galo cantou.

 

Nota: O trecho entre aspas é do jornalista Reinaldo Azevedo, que falava de um outro assunto. Eu vi a frase sob outro prisma, e tirei do contexto para escrever esse texto.

 

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( imagem Mirante da Bocaina- google )

 

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

OMBROS DE GIGANTE!

 


Oh, Gigante Atlas!
Que pecado cometestes
que agora carregas o peso do mundo?
Até quando suportarás em tuas costas
as consequências de todas as apostas
se nem todas são tuas?
Foi o teu erro assim, tão profundo,
que agora amargas alheios dissabores?
Por que tomas para ti essas dores
se não és o único culpado das ruas?
Deixa o mundo ser mundo
e vive teu próprio mundo,
machucar a ti próprio é um pecado mais profundo.
A não ser que gostes,
e apostes que podes esse mundo levar,
até que um dia as pernas enfraqueçam,
os ombros esmoreçam
e a natureza te faças descansar.
Esta é a pergunta, Gigante:
quando chegar o instante,
quem vai te carregar?
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( imagem Mitologiagrega.net – Google ) 

quarta-feira, 23 de junho de 2021

UM POETA VAGALUME OU UM VAGALUME POETA?

 


Hoje lembrei-me de uma coisa que eu fazia quando era pequeno. Pegava um vagalume, e com todo cuidado para não machucar, colocava entre as duas mãos fechadas, só para vê-lo brilhar. Depois eu deixava ir embora, e acompanhava com os olhos até aonde ele ia, ou até quando eu podia ver seu brilho ali e acolá. No outro dia quando pegava de novo, alimentava um desejo de que fosse o mesmo do dia anterior, como se ele tivesse voltado para mim, como um amigo que volta. Às vezes eu até falava com ele: "Será que você é o mesmo de ontem? Acho que sim". Quase impossível isso, mas para mim acabou sendo verdade, determinei que todos eram o mesmo. Por isso que a gente não pode tirar a imaginação e o encantamento da criança, é a melhor fase da vida de uma pessoa. Sempre fui muito impressionado com a luz, assim era maravilhado com as estrelas, com a lua, com um facho de luz que entrava pela fresta da janela, representava para mim a esperança. Desde pequeno aprendi a ver as coisas com a alma, vejo cenas lindas que as pessoas não veem, às vezes me chateio, pois tento mostrar para elas, e elas não dão importância. Mas eu me refaço rápido, não me permito sofrer, ou ter raiva por isso, sigo em gratidão por ter os olhos da simplicidade. Talvez na vida eu tenha sido um pouco vagalume também, fiz as coisas quando eu quis, brilhei quando eu quis, e quando escondi meu brilho, não foi fuga, acho que foi para saber se meu brilho fazia falta por aí. Nunca disse adeus a ninguém, eu sou o vagalume que sempre volta.

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( Imagem Google )

domingo, 13 de junho de 2021

POETAS, GÊNIOS, E LOUCOS!

 

Poetas, gênios e loucos...
esquisitos, bonitos e poucos,
não exatamente nessa ordem
em meio à desordem do normal.
Trafegam, viajam e sintonizam outra frequência,
a melhor ordem é a transcendental,
é onde mora a essência
que ultrapassa o que chamam de razão.
Existem lindas coisas além do óbvio da visão!
Poetas, gênios e loucos...
Benditos, malditos e poucos.
Parecem diferentes entre si, mas vivem entre si,
uma trinca que por aí brinca
e têm muito em comum.
Às vezes um em três, às vezes três em um.
Poetas, gênios e loucos...
Ah, que pena... são poucos!
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( IMAGEM - Nossaradio104.fm- google ) 

sábado, 24 de abril de 2021

MINICONTO DE AMOR

 


Alice não se contenta em se olhar no espelho... não pode ver um, e já quer entrar. E não é que ela entrou, e lá dentro conheceu outro que também adora entrar num espelho? Lá dentro, conheceu Narciso. Ambos se apaixonaram porque um passou a ser o espelho do outro. Então ele se tornou o seu ‘Pequeno Príncipe’; ela, nem quis saber de ser ‘Bela Adormecida’, preferiu ser uma bela acordada, “vou dormir pra quê?”, ela pensou. Num cavalo alado, todos os dias, eles cavalgavam até o topo do universo. Ela adorava cavalgar! E assim, eles foram felizes para sempre na ‘Ilha da Fantasia’, e puderam viver uma ‘História sem fim’.
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( Imagem Vale do Ribeira - Google )