ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

sábado, 22 de outubro de 2022

QUEM DISSE QUE O SONHO ACABOU?



Não sei por que dizem que o sonho acabou,
se eu vivo em pleno sonho.
Todos os dias bebo da fonte,
acordo risonho, e vou por aí.
Como borboleta que quebrou o casulo
com as asas que eu colori.
Como menino que transpõe a ponte,
e no próximo pulo já quer o horizonte
que parece distante
mas num instante penso que está logo ali.
‘Penso, logo existo’, logo sonho.
Deus me livre de um viver enfadonho,
de andar cabisbaixo na rua,
se tudo que mais quero é ser Girassol,
agradecer ao Sol,
e descansar no colo da Lua.
Quem diz que o sonho acabou,
verdadeiramente não sonhou,
ou da curva, voltou.
Não, o sonho em mim, não acabou.
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( imagem OPINION.COM
– GOOGLE )

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

UM JEITO DOCE DE DESPERTAR!

 

04:55h da manhã. Sonolento e preguiçoso, pude ouvir ao longe alguns passarinhos afinando os instrumentos para darem início à grande orquestra que abre mais um dia. Mas um canto muito mais próximo, chamou minha atenção, e me fez perder toda a preguiça. Depois de fazer o meu rotineiro Sinal Da Cruz, abri a janela, recebi no rosto um beijo da brisa me dizendo ‘bom-dia’. Procurei com os olhos de onde vinha aquele som maravilhoso, mas nem precisei procurar muito, estava ali, numa árvore bem frontal à janela, num galho destacado dos demais, uma linda Sabiá. Afinadíssima! Nunca soube definir bem se o canto da Sabiá é feliz ou triste, a mim parece triste, tem umas notas tristes, mas canta tão majestosa que ao mesmo tempo parece estar celebrando a vida. Debrucei-me na janela como um espectador único e privilegiado, e não é que a ‘Menina’ parece ter percebido isso? Estava de costas, virou-se para mim, estufou o peito, e cantou mais ainda. Estávamos em parceria, em sintonia poético-musical, coisas do Astral, que somente as antenas da sensibilidade podem captar. Todos os dias agradeço por ter em mim essas antenas. Havia uma Sabiá e um Poeta ali. Havia amor ali. Um namoro lindo! Eu ficaria umas doze horas na janela, mas o mundo chato me chamava para a realidade do asfalto, do relógio, das avenidas. Mas deu tempo até de fazer uns versinhos:
Estava eu preguiçoso,
até surgir na janela
com uma canção singela,
uma linda Sabiá.
Com o coração desejoso,
ainda estou na janela,
com o coração a perguntar:
Hoje ela veio, amanhã ela virá?
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( Imagem Dreamstime )

terça-feira, 23 de agosto de 2022

UM AMIGO NA RETINA E NO CORAÇÃO"

 


A licença poética vai me permitir usar a palavra  “óculos” no singular, para que eu possa representar um objeto que me acompanhou por tantos anos.

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Olá, amigo! É assim mesmo que lhe chamo: amigo. Quem anda com a gente por 40 anos não merece um adjetivo menor que esse. É o fim de um longo tempo, mas eu não quero chamar de despedida, despedidas são tristes, é só um texto de gratidão. Você apareceu para mim na juventude, eu era bem magro, cabelos longos, enrolados, balançando ao vento, eu era inquieto, rebeldezinho, aventureiro. O tempo passou, ganhei vários quilos, os cabelos nem são mais longos, e estão prateados... mas você ficou aqui, nesse rosto tão modificado. Você também modificou várias vezes. Você era redondinho, eu quis assim por causa do John Lennon. E assim foi, vários formatos, estilo Woody Allen, depois retangular em lentes pequenas, em lentes maiores, depois quadradinho, quadrado grande, de aço, de plástico, até que surgiu a necessidade de escurecer levemente ao sol; eram os primeiros sinais da idade rs rs. “Escuro e com graus”, alguém sugeriu. Muito escuros nunca quis, sempre gostei de mostrar meus olhos. Você se quebrou algumas vezes, ops, digo, eu quebrei você algumas vezes, sentando em cima, ou dormindo com você no rosto, depois de noites bagunçadas. Lembra do dia em que quase lhe perdi num show de rock? Eu peguei você no ar, após escapulir do meu rosto. Poxa, aquilo merecia ser filmado, um monte de gente pulando, eu batendo a mão em você, até conseguir segurar. Esteve comigo em momentos felizes e tristes, várias vezes chorei embaçando suas lentes, seja por derrotas, seja por vitórias. Já lhe embacei debaixo da água do chuveiro também, porque éramos inseparáveis. Tão inseparáveis que quando alguém sugeria para fazer cirurgia dos olhos, eu dizia: “Não! Eu gosto dos meus óculos, me dão um certo charme. Me deixam com mais cara de poeta”. E assim, eu fazia caras e bocas, deixava deslizar sobre o nariz, meio poeta largado. Fazia olhares de lado, tipo despretensiosos, distraído. Eu devia ter uma foto com cada formato seu para fazer um quadro, e colocar na parede. Mas tudo bem, não pensei nisso ao longo dos anos, o importante é que você que esteve sempre na minha retina, também estará sempre em meu coração.


terça-feira, 24 de maio de 2022

A FONTE!

 


Sempre tive uma teoria de que o poeta não faz poesias, que elas estão prontas em algum lugar, em outra dimensão, em outro mundo abstrato, porém muito real, esperando que alguém lhes sirva de ponte para o mundo terreno, e o poeta tem essas antenas, antenas de sensibilidade. Por que digo isso? Porque releio algum poema, às vezes anos depois de escrito, e encantado, me pergunto: “Fui eu mesmo quem escreveu isso?”. Tirando os textos opinativos, ou com temas específicos, um ou outro conto, alguma crônica, eu não escrevo de ‘caso pensado’, os poemas e textos saem como são, e pronto. Sabe o que é acordar de manhã com um texto de 40 linhas na cabeça? Parece que alguém (Anjo) veio de noite quando eu dormia, e colocou dentro do meu Ser. Assim eu penso que ocorre com os grandes pintores quando estão de frente para a tela vazia, e surge uma obra maravilhosa, com certeza, vinda também de alguma fonte divina. Sim, um quadro pintado tem poesia. Assim como a música, a dança. Toda a arte, na melhor acepção da palavra, tem. No momento, no ato de escrever, é como se eu estivesse debaixo de uma cachoeira, sendo banhado, recebendo tudo, e a água se espalhando à minha volta, correndo para o rio, e do rio para o mar, e eu me sentindo importante por isso porque a água tem que passar por mim, antes de banhar o mundo. Já escrevi textos que quando terminei, percebi que estava chorando, aquele chorinho bom. Enfim, não há muita explicação para isso, apenas viver isso é o que me cabe, e me basta. A poesia é meu melhor instante, é o que tenho de melhor em mim, é minha aura, ela moldou e molda até hoje a minha pessoa. Claro que já ouvi: “Mas, Carlos, existem os sentimentos ruins também, o mundo não é só poesia”. Eu respondo com a serenidade que a própria poesia me dá: “Infelizmente não. Mas cada um visita a fonte que lhe interessa, não é?”.


terça-feira, 22 de março de 2022

DE MÃE PARA MÃE!

 


Hoje vou contar uma pequena e comovente história de minha mãe, entre tantas. Mesmo já morando na cidade, minha mãe conservou muitos hábitos da roça; ela saiu da roça, mas a roça não saiu dela. Hábitos como usar fogão de lenha, manter sempre uma hortazinha e umas galinhas no quintal, um vira-lata caramelo, remédios caseiros etc. Ela criava algumas cabras, duas ou três, de onde tirava o leite para nos alimentar. Lembro-me bem de dois detalhes, ou melhor três. Melhor, quatro. Um deles: ela sempre acariciava a cabra uns minutos antes de começar a ordenhar. Acho que era para criar uma certa intimidade. Talvez fosse uma conversa de mãe para mãe. Outro: eu achava bonito e gostoso de ver quando ela apertava a teta da cabrita, e esguichava forte no fundo do balde. Mais um: na hora da ordenha, ela nunca deixava os filhotes longe da mãe. Depois fui saber que era para não causar trauma na mãe, ela podia bloquear o leite. Como minha mãe sabia disso, se mal sabia ler? Coisas que só se aprende na escola da vida. E o mais importante: deixava os filhotes darem uma mamadinha primeiro, e dizia: “Os filhos são eles”. A Mãe Natureza servindo à natureza de uma mãe.
Tenho o dom de ser observador desde criança, e sempre estive no entorno de minha mãe, olhando o que ela fazia, como fazia, como falava. São essas coisas que cunham nossa índole, nossa forma de lidar com problemas, com derrotas e vitórias, com fartura e carências, com medos, como tratar as pessoas e os animais, enfim, ser bom ou mau, forte ou fraco. Não sei o nível que atingi nesses adjetivos, talvez esteja ainda distante, ou equidistante nessa corda bamba, mas posso repetir o que disse certa vez à minha mãe: “Mãe, o que aprendi de bom, foi a senhora quem me ensinou. O que aprendi de ruim, aprendi com o mundo mesmo”.
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É... hoje deu saudade. Como diz uma música antiga: “Eu tenho andado tão sozinho ultimamente...”.
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( imagem Wallhere.com.pt/Wallpaper
- google )

sábado, 12 de fevereiro de 2022

ROMANTIZANDO A VELHICE!


Precisamos parar de romantizar algumas coisas. A velhice é uma delas, embora eu mesmo já a tenha romantizado: ‘a vida começa aos quarenta’, ‘cabelos brancos e rugas são sinais de experiências’. Rugas, ainda tenho poucas rs rs. Já os cabelos brancos alardeiam que os anos passam e passaram, inclusive para mim. Por que esse “inclusive para mim”? Porque eu dizia aos meus amigos, ‘nunca vou envelhecer’. Evidentemente, eu me referia ao espírito, sobre manter um coração jovial, só que ao mesmo tempo eu não me imaginava velhinho, olhava para o futuro e via o mesmo corpo magro, cabelos fartos ao vento. Mas, se não quero romantizar, também não quero dramatizar a velhice, há um certo charme em envelhecer. E há um consolo também, o de que todos vão envelhecer e morrer. Isso é meio triste, e talvez seja o grande segredo da vida, segredo esse que talvez só vamos conhecer após morrer. Não, não quero usar os velhos clichês sobre viver bem, passado, presente, futuro, se tem vida após a morte, etc, só quero falar da finitude das coisas. Tudo morre, tudo acaba, nada é eterno. Tudo é ilusão, tudo é pseudo, é tudo faz de conta. Corrijo: somente as coisas físicas morrem, acabam. As coisas invisíveis permanecem, curiosamente o que chamam de abstrato, é mais duradouro que o chamam de concreto, de real, do que podemos comprar, ostentar. Eterna é a saudade... eterno é o amor... a amizade... a saudade... a empatia... a fé... a esperança... eterno é o sorriso que a gente ganha e deixa... o calor do abraço... a gargalhada espalhafatosa. Eterno é o que ensinamos, e o que aprendemos. Eterno é o sonho, a imaginação. Eterna é a dança, eterna é a música... eterna é a poesia, meu cajado contra os dragões e fantasmas desse mundo de terror. Toco no chão, e eles fogem assustados. A arte, enfim, é eterna. Opa, consegui arrancar um sorriso de mim nesse texto choroso; é que analisando tudo isso, certo de que apliquei pelo menos um pouco dessas coisas abstratas em minha estrada sinuosa e insinuante, olhando no espelho, de frente para minhas rugas e meus cabelos brancos, posso dizer: ESTOU SABENDO ENVELHECER! Acabei, mais uma vez, romantizando a velhice rs rs. O que esperar de um poeta, senão romantizar tudo?

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( Imagem legiaodeherois.com.br ) 


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

COMPREENDENDO A POESIA

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Se não afaga
Se não provoca
Se não invoca
Se não acalma
Se não agride
Se não transgride
Se não lava a alma
Se não viaja, se não transcende
Se não mergulha, se não ascende,
Se não faz fagulha, se não acende
Se não tem magia,
se não faz gritar aquilo que parece mudo,
pode ser tudo,
menos poesia.

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( imagem verapessoa.com.br - Pinterest )