ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

sábado, 24 de junho de 2023

QUEM BEIJA POR ÚLTIMO, BEIJA MELHOR.



Todos queriam beijar aquela menina

da barraca do beijo.

Era também meu desejo,
mas, eu, tímido que era
ficava na espera,
sem um beijo ganhar.
A festa acabou,
todo mundo se afastou,
a barraca desarmou.
Foi quando ela me viu:
"Pode chegar,
Por que não veio me beijar?
Respondi:
"Eu não tinha dinheiro, nem prenda
para o beijo pagar".
Ela sorriu,
e longamente me beijou:
"O melhor pagamento,
é o amor no seu olhar.
Não viu que eu também estava a lhe namorar?
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terça-feira, 18 de abril de 2023

AMIGO LIVRO!

 



Livro, amigo antigo...

Desde os tempos de infância 

abraçado a ti, não corro o perigo da ignorância.

Virando tuas páginas,

virei as páginas da minha própria vida,

estivestes comigo em toda a lida. 

Fizestes parecer tudo tão breve.

Tornastes meu coração leve, 

e minha mente, sã.

Fui o mais feliz Peter Pan!

Fui Dom Quixote, um cavaleiro andante. 

Como um Pequeno Príncipe galante, 

conheci mundos e criei mundos.

Como Alice, atravessei espelhos,

ouvi de Gepetto, conselhos 

para não ser um menino mau 

e assim, lá na frente, surgir o homem de bem.

Em tuas páginas fui muito mais além 

do que podia me dar o mundo real.

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( IMAGEM DEPOSITPHOTOS )


quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

CAVALGADA DE DOMINGO.

 


Depois de uma noite chuvosa, abriu um domingo ensolarado. A menina abriu a janela, o Sol lhe sorriu, ela sorriu de volta, enquanto isso seu Alazão a convidava a um lindo passeio pelos campos, ela soltou os cabelos, montou no seu Alazão de pelo nu, e saiu mundo afora, se agarrando apenas em sua crina. Fizeram uma cavalgada louca e linda, acelerados rumo ao topo do mundo, quanto mais ela cavalgava, mais o Alazão correspondia, e vice versa, nunca houve tamanha sintonia entre a amazona e seu companheiro de doces aventuras. Cabelos ao vento, sorriso no rosto, prazer recíproco entre quem monta e quem é montado. Extasiados chegaram ao topo do mundo, e lá de cima, puderam confirmar que tudo é pequeno diante do amor.

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( IMAGEM iSTOCK- Getty Images- Google )

sábado, 22 de outubro de 2022

QUEM DISSE QUE O SONHO ACABOU?



Não sei por que dizem que o sonho acabou,
se eu vivo em pleno sonho.
Todos os dias bebo da fonte,
acordo risonho, e vou por aí.
Como borboleta que quebrou o casulo
com as asas que eu colori.
Como menino que transpõe a ponte,
e no próximo pulo já quer o horizonte
que parece distante
mas num instante penso que está logo ali.
‘Penso, logo existo’, logo sonho.
Deus me livre de um viver enfadonho,
de andar cabisbaixo na rua,
se tudo que mais quero é ser Girassol,
agradecer ao Sol,
e descansar no colo da Lua.
Quem diz que o sonho acabou,
verdadeiramente não sonhou,
ou da curva, voltou.
Não, o sonho em mim, não acabou.
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( imagem OPINION.COM
– GOOGLE )

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

UM JEITO DOCE DE DESPERTAR!

 

04:55h da manhã. Sonolento e preguiçoso, pude ouvir ao longe alguns passarinhos afinando os instrumentos para darem início à grande orquestra que abre mais um dia. Mas um canto muito mais próximo, chamou minha atenção, e me fez perder toda a preguiça. Depois de fazer o meu rotineiro Sinal Da Cruz, abri a janela, recebi no rosto um beijo da brisa me dizendo ‘bom-dia’. Procurei com os olhos de onde vinha aquele som maravilhoso, mas nem precisei procurar muito, estava ali, numa árvore bem frontal à janela, num galho destacado dos demais, uma linda Sabiá. Afinadíssima! Nunca soube definir bem se o canto da Sabiá é feliz ou triste, a mim parece triste, tem umas notas tristes, mas canta tão majestosa que ao mesmo tempo parece estar celebrando a vida. Debrucei-me na janela como um espectador único e privilegiado, e não é que a ‘Menina’ parece ter percebido isso? Estava de costas, virou-se para mim, estufou o peito, e cantou mais ainda. Estávamos em parceria, em sintonia poético-musical, coisas do Astral, que somente as antenas da sensibilidade podem captar. Todos os dias agradeço por ter em mim essas antenas. Havia uma Sabiá e um Poeta ali. Havia amor ali. Um namoro lindo! Eu ficaria umas doze horas na janela, mas o mundo chato me chamava para a realidade do asfalto, do relógio, das avenidas. Mas deu tempo até de fazer uns versinhos:
Estava eu preguiçoso,
até surgir na janela
com uma canção singela,
uma linda Sabiá.
Com o coração desejoso,
ainda estou na janela,
com o coração a perguntar:
Hoje ela veio, amanhã ela virá?
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( Imagem Dreamstime )

terça-feira, 23 de agosto de 2022

UM AMIGO NA RETINA E NO CORAÇÃO"

 


A licença poética vai me permitir usar a palavra  “óculos” no singular, para que eu possa representar um objeto que me acompanhou por tantos anos.

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Olá, amigo! É assim mesmo que lhe chamo: amigo. Quem anda com a gente por 40 anos não merece um adjetivo menor que esse. É o fim de um longo tempo, mas eu não quero chamar de despedida, despedidas são tristes, é só um texto de gratidão. Você apareceu para mim na juventude, eu era bem magro, cabelos longos, enrolados, balançando ao vento, eu era inquieto, rebeldezinho, aventureiro. O tempo passou, ganhei vários quilos, os cabelos nem são mais longos, e estão prateados... mas você ficou aqui, nesse rosto tão modificado. Você também modificou várias vezes. Você era redondinho, eu quis assim por causa do John Lennon. E assim foi, vários formatos, estilo Woody Allen, depois retangular em lentes pequenas, em lentes maiores, depois quadradinho, quadrado grande, de aço, de plástico, até que surgiu a necessidade de escurecer levemente ao sol; eram os primeiros sinais da idade rs rs. “Escuro e com graus”, alguém sugeriu. Muito escuros nunca quis, sempre gostei de mostrar meus olhos. Você se quebrou algumas vezes, ops, digo, eu quebrei você algumas vezes, sentando em cima, ou dormindo com você no rosto, depois de noites bagunçadas. Lembra do dia em que quase lhe perdi num show de rock? Eu peguei você no ar, após escapulir do meu rosto. Poxa, aquilo merecia ser filmado, um monte de gente pulando, eu batendo a mão em você, até conseguir segurar. Esteve comigo em momentos felizes e tristes, várias vezes chorei embaçando suas lentes, seja por derrotas, seja por vitórias. Já lhe embacei debaixo da água do chuveiro também, porque éramos inseparáveis. Tão inseparáveis que quando alguém sugeria para fazer cirurgia dos olhos, eu dizia: “Não! Eu gosto dos meus óculos, me dão um certo charme. Me deixam com mais cara de poeta”. E assim, eu fazia caras e bocas, deixava deslizar sobre o nariz, meio poeta largado. Fazia olhares de lado, tipo despretensiosos, distraído. Eu devia ter uma foto com cada formato seu para fazer um quadro, e colocar na parede. Mas tudo bem, não pensei nisso ao longo dos anos, o importante é que você que esteve sempre na minha retina, também estará sempre em meu coração.


terça-feira, 24 de maio de 2022

A FONTE!

 


Sempre tive uma teoria de que o poeta não faz poesias, que elas estão prontas em algum lugar, em outra dimensão, em outro mundo abstrato, porém muito real, esperando que alguém lhes sirva de ponte para o mundo terreno, e o poeta tem essas antenas, antenas de sensibilidade. Por que digo isso? Porque releio algum poema, às vezes anos depois de escrito, e encantado, me pergunto: “Fui eu mesmo quem escreveu isso?”. Tirando os textos opinativos, ou com temas específicos, um ou outro conto, alguma crônica, eu não escrevo de ‘caso pensado’, os poemas e textos saem como são, e pronto. Sabe o que é acordar de manhã com um texto de 40 linhas na cabeça? Parece que alguém (Anjo) veio de noite quando eu dormia, e colocou dentro do meu Ser. Assim eu penso que ocorre com os grandes pintores quando estão de frente para a tela vazia, e surge uma obra maravilhosa, com certeza, vinda também de alguma fonte divina. Sim, um quadro pintado tem poesia. Assim como a música, a dança. Toda a arte, na melhor acepção da palavra, tem. No momento, no ato de escrever, é como se eu estivesse debaixo de uma cachoeira, sendo banhado, recebendo tudo, e a água se espalhando à minha volta, correndo para o rio, e do rio para o mar, e eu me sentindo importante por isso porque a água tem que passar por mim, antes de banhar o mundo. Já escrevi textos que quando terminei, percebi que estava chorando, aquele chorinho bom. Enfim, não há muita explicação para isso, apenas viver isso é o que me cabe, e me basta. A poesia é meu melhor instante, é o que tenho de melhor em mim, é minha aura, ela moldou e molda até hoje a minha pessoa. Claro que já ouvi: “Mas, Carlos, existem os sentimentos ruins também, o mundo não é só poesia”. Eu respondo com a serenidade que a própria poesia me dá: “Infelizmente não. Mas cada um visita a fonte que lhe interessa, não é?”.