Veja, menina !
O horizonte que se descortina
nos convidando a voar nesse sonho azul
a fazer o amor maior do mundo,
maior que o próprio céu .
O arco-íris como um véu
nos coroa, nos celebra, nos festeja.
Veja, menina, veja !
A felicidade é ali, é agora.
Vamos sem demora.
Vamos beijar, no espaço infinito... como é o amor,
dê-me seu braço, vamos dançar sem pudor.
E se a noite chegar,
estrelas vão se afastar
para verem duas estrelas a bailar.
Cúmplice e testemunha, a lua cheia
e nosso beijo, ela clareia
até a dança terminar.
ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.
CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
CHAMPANHE

( imagem google )
hoje vou de champanhe
Quero champanhe pra beber,
pra reviver... em tragos suaves,
saborear você.
Luzes apagadas, corações acesos.
E antes que eu me refaça
você me pede outra taça.
Acho que vou me embriagar
no seu gosto de champanhe
e que você me acompanhe,
nesse trago, nesse afago.
Nesse sonho com você,
nesse afã de se ter.
E antes que você se refaça ,
eu quero outra taça.
Luzes apagadas, almas acesas,
mutuamente presas...
do mesmo abraço,
mesmo sentido, mesma direção,
numa só razão.
E antes que a gente se refaça
servimo-nos outra taça.
E que nunca se acabe o champanhe
e você me acompanhe,
nesse afago, nesse afã
trago por trago,
até amanhã de manhã.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
PAIXÃO E VINHO

( imagem 4dp-blogspot.com)
Vinho que enobrece
que agita e inebria
que o desejo enaltece.
Se algo muda da água para o vinho
é porque o vinho é mais gostoso,
pode até ser perigoso...mas aquece.
Paixão que esquenta
a cada trago o calor aumenta,
faz perder o juízo, mas na vida tudo é preciso.
Existem inferno e paraíso,
inverno e verão, amor e solidão.
Dos lados eu prefiro o mais quente
pois, onde há um fogo ardente
pode ser simplesmente o sol
revelando um lindo arrebol.
Não afaste de mim esse cálice,
o cálice do amor
que me agita e me acalma,
inebria e orienta
que eu bebo e que me bebe.
Esquenta tão rápido que o coração não percebe.
Aí é tarde.
O sangue ferve, a chama arde.
É paixão e é fogo, naturais do jogo,
o jogo que pergunta a mim: Mais um trago?
Eu respondo: Tim Tim!
Nota: Uma chuva fina , um terraço ,uma garrafa de vinho. Isso promete
QUANDO EU TE ENCONTRAR

( imagem orbitastarmedia.com)
Quando eu te encontrar
serás rainha...
do meu dia, da minha noite
só beijos como açoite.
Também serei teu dono
Amarei-te sem perdão
ficarás trancada em meu coração.
Quando eu te encontrar
serás amada, serás amante
como nunca foste antes.
Serás menina mimada
alucinante e alucinada.
Vou pousar em tua flor
como passarinho atrevido que busca o mel,
o néctar do seu amor.
Quando eu te encontrar quero tudo.
Quero boca, quero olhos
quero teu corpo e teus cabelos .
Serás deusa... e eu obediente
atenderei teus apelos.
Quando eu te encontrar
vou ser gigante domado
vou ser menino em desatino,
deliciosamente perdido
entre braços e pernas
com tal afã
que nem veremos nascer a manhã.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
EU NUNCA DIGO ADEUS

( imagem images.katrix.com.br )
Os nomes são fictícios.
Lúcia era pessoa difícil, metida,não combinava com ninguém. Tinha sempre pedras à mão. A ideia não foi minha, mas achei boa.Todos resolveram não mais falar com ela, isolar mesmo. Um dia cheguei para trabalhar e a vi de cabeça baixa na mesa, chorando. Com dó, me aproximei perguntando o porquê . Levantou os olhos vermelhos. “Por que as pessoas não falam mais comigo, agem como se eu não existisse”. Respondi. “Quer mesmo saber? As pessoas não se afastaram de você, você as expulsou. Você parece porco espinho, não tem lado, não deixa ninguém chegar a você. Até eu que não me importo muito com as coisas, não sei que dia posso falar com você. Já reparou que trato as pessoas que têm boas condições, com respeito e educação, mas é aos colegas diretos e principalmente, aos humildes, que trato com mais carinho? Sabe por quê? Porque essas pessoas precisam mais. A menina da cantina por exemplo, vem todo dia nos trazer café. Nós podemos ir lá, mas ela gosta de trazer e isso faz bem a ela. Pra essa gente isso vale muito. Você está grávida. Que energia ruim está passando pro seu filho! Está fazendo mal a ele. Se lhe causaram algum rancor, não lhe passe essa herança. Nem os animais vivem sozinhos.Você está envelhecendo precoce e não sabe”. Com dificuldade, conseguiu falar. “Quem é você, afinal? Que fala todas essas coisas duras e bonitas?”. Senti o bom efeito e respondi. “Sou o Carlos. Normal. Cheio de problemas, mas gosto de viver a vida. Problemas virão sempre, mas eu não vou buscá-los. Peça a Deus para tirar de você toda essa mágoa. Isso corrói feito ferrugem e só faz mal a você mesma”. Voltou a chorar. “Isso, chore mesmo. Quem sabe é o restinho da velha Lúcia que está indo embora?”. Num esforço, murmurou. “Prometo que vou tentar, mas não espere que seja da noite para o dia, porque não é fácil. É como nascer de novo”. “Usou a palavra certa: nascer de novo. Mas se você quiser, muda amanhã mesmo. E não diga: Vou tentar. Diga:Vou mudar!”. Quase sorriu. “Vou mudar!”. O feriadão foi bom para ela. Já na terça-feira, chegou com um belo bom dia, todos responderam surpresos. Certa hora me pediu que reunisse a todos. Até o chefão geral do aeroporto, que não tinha muito a ver com nosso trabalho, foi chamado. Ela, mais chorando que falando, pediu desculpas a todos e disse que a partir dali, veriam uma nova colega. A faxineira, a quem mais maltratava, lhe trouxe um copo d’água e lhe disse. “Nunca é tarde. Seja bemvinda ao nosso meio”. Aí que ela chorou mesmo. Tudo terminado, senhor Antônio, chefão geral, me convidou para tomar café em sua sala. Me servindo, perguntou. “Você foi o responsável por isso, não foi?”. “É... um pouco”. Continuou. “Eu pensei que a Lúcia era caso perdido. Parabéns pelo que conseguiu. Recuperar pessoas não é fácil”. Agradeci. “Fiz nada demais. A oportunidade apareceu e eu aproveitei. Vi nos olhos dela que queria mudar”. E ele. “Confesso que balancei ali e olha que sou durão”. Discordei. “Se o senhor balançou, não é tão durão assim. Ninguém é tão durão assim. Mas se ficar mentalizando, fica mesmo”. Ficou me olhando e falou. “Você é muito novo para saber tudo isso”. Discordei desanimado. “E eu sei o quê? Minha vida está toda parada”. Depois de me estudar de novo, perguntou. “Vai mesmo embora pra Vitória?”. “Em breve, se Deus quiser .Estou dependendo de meu acerto que não sai. Preciso de dinheiro pra recomeçar”. Me garantiu. “Vou falar com Paulo, gerente financeiro da empresa em BH. Ele é meu amigo, seu acerto vai sair”. Pedi licença, era hora de pico e quando saía na porta, chamou de novo. “Você vai deixar uma grande lacuna. Vai fazer falta, garoto”. Num gesto de continência, falei. “Bom saber que vou deixar saudades. Sinal que valeu”. Dali uns dias o acerto saiu. Cheguei com a mochila ao trabalho. Me repreenderam por não ter avisado, queriam fazer uma festinha de despedida. “Por isso mesmo”, falei... “não gosto de despedidas. Estou vendo umas carinhas tristes e não quero ninguém triste”. O dia até correu normal. Quase. Todos trabalhando calados, menos eu que cantei o dia todo. Acho que não queria pensar. Terminado o expediente, pedi ao motorista que parasse perto da rodoviária. Me despedi de todos e desci. Dados alguns passos, ouvi Lúcia chamar. “Carlos, espera”. Me deu um longo abraço. “Nunca vou te esquecer”. Graças a Deus essa é uma das frases que mais ouvi na minha vida. Continuou. “É um adeus?”, perguntou. “Não. Eu nunca digo adeus. É um recomeço”. “Então fico tranquila, porque de recomeço você entende”. Olhei para sua barriga. “Já tem nome?”. “Não... mas tenho uma ideia”. “Deixe-me ir que vai chover. Tiau”. Não fiquei muito em Vitória. Por sorte, havia dado à Márcia, fone de minha irmã em Vitória, que chegou trazendo a notícia que era para eu me apresentar urgente em Valadares, onde iria ganhar muito mais que ganhava. Ainda disse. “A moça que ligou mandou dizer que “alguém lá em cima gosta muito de você” . Referia-se a um bordão que eu usava apontando pro céu. Incrível como as coisas vão e voltam para mim. Como ondas. Anos depois encontrei um ex colega de trabalho, que me deu notícias de quase todos e de Lúcia. Que seu filho era um adolescente, estudioso, educado... e um “menino feliz”. Outra expressão que eu usava. Para minha grata surpresa o nome dele... é João Carlos. Homenagem a mim? Não sei, não tive a pretensão, mas fiquei com a gostosa impressão que sim.
sábado, 24 de outubro de 2009
UM ANJO SEM ROSTO

( imagem google )
Eu sou um anjo...
Não me pergunte se do bem ou do mal
do cara ou coroa, do sim ou do não,
pois é tudo igual.
Depende de que lado se está para dar a condenação.
O seu não pode ser o meu sim
o seu sim pode ser o meu não.
Nas pontas de todo cordão
não se distinguem o princípio e o fim.
Eu sou um anjo...
não tente entender
se às vezes arranjo ou desarrumo você .
Confusões da mente são próprias do ser humano,
ele erra todo dia porque tenta.
A dúvida nos atenta, alimenta.
Uma força nos eleva... a rebeldia.
Foi assim que pensou Eva:
De que adianta o paraíso sem sabedoria?
A nudez sem poder ser tocada?
A timidez é uma fachada.
Por isso sigo sendo um anjo... um anjo indefinido
entre o pecado e o permitido.
Sem Madalenas, sem pedras para atirar.
Sem juiz e sem réu
no desejo de que todos virem anjos
fazendo na terra o novo céu.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
POEMA NOTURNO

( imagem charquinho.weblog.com.pt )
O silêncio do topo das montanhas.
O vazio dos trilhos depois que o trem passa.
A fumaça que se esvai.
O seresteiro teimoso que canta pra janela fechada.
Tudo isso remete-me ao meu próprio coração... que também é noite.
Uma estrela estranha, desgarrada das demais,
chama-me de amigo.
O vaga-lume, o bêbado e eu... também somos muito semelhantes.
Não exatamente nessa ordem,
mas um brilha quando quer. O outro fala o que quer.
E o outro escreve linhas tortas .
O copo d’água alivia meus lábios, mas longe de saciar.
Tento rir da coruja desconfiada, piando para mim.
Parece perguntar o que faço nessa janela.
Vim compor um poema noturno em parceria com a insônia.
Vim ser um pouco vaga-lume porque estou bêbado de poesia.
Transcendo, extrapolo, transbordo
nesse transe, nesse êxtase.
O labirinto não me deixa muitas opções,
por isso, às vezes tenho de pular no escuro,
mas, isso não é tão perigoso,
porque eu tenho asas... asas da imaginação.
Até fiz da insônia, minha melhor amiga.
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