ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O AMOR NÃO É QUALQUER COISA ASSIM


( imagem tatouag)

O amor não é um brinquedo quebrado
que se joga de lado
ou se deixa num canto qualquer
é preciso dar o amor na dose que a gente também quer.
Amor não é disputa de egos
nem uma luta de cegos.
Amor é reciprocidade, é cumplicidade.
O amor não é qualquer coisa assim
que se começa já pensando no fim.
Amores têm que ser eternos
que vivam a alegria das primaveras,
mas que suportem também os invernos.
Amor não é feito de quimeras,
mas de atitudes deveras.
É preciso plantar o amor
para colher o amor.
É preciso falar de amor
para ouvir de amor.
Há que se merecer o amor.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

EIS O CORDEIRO ( FOI POR TI PORQUE TE AMO)



Quando será o descanso do herói
de um povo que não faz nada?
Um herói que só usa palavras e não espada.
Até quando seus ombros vão aguentar as cruzes de cada um?
Que povo é esse que mata seu rei?
Rei ou cordeiro? os dois...
numa fusão divina e incomum.
Numa via crucis que dura dois mil anos
lá vai ele carregando,
tanto fiéis quanto profanos.
Perdoando a Judas e Pilatos,antigos e modernos
salvando homens de seus infernos.
E as perguntas atravessam o tempo.
Para saber vamos esperar o terceiro milênio ou o terceiro dia?
Por que o beijo,um ato tão sublime
ser o símbolo do traidor?
Até quando pagará o justo pelo pecador?
Qual será o itinerário final
do calvário do bem contra o mal?
E o povo prefere a tragédia, a “divina comédia”
e assim, escolhemos um dia para celebrar o Seu nascimento
e O crucificamos a todo momento.

domingo, 1 de abril de 2012

A LENDA DA FALSA DONZELA



Esse texto está meio “Nelson Rodrigues”, não com a pretensão de ser igual a ele, até porque defendo a individualidade de cada um. Quis apenas fazer um texto com as mesmas características. Nelson Rodrigues entendia muito da alma feminina, seus anseios, suas fantasias sexuais, suas frustrações. Outros dois que são expert’s da alma feminina são Vinicíus de Moraes e Chico Buarque. Centrado principalmente em Nelson Rodrigues, escrevi esse texto, reconhecendo-me como eterno aprendiz da alma feminina.
Verdade ou lenda? Toda verdade tem um fundo de lenda. E toda lenda tem um fundo de verdade. Verdade e lenda são muito mais irmãs do que a gente pensa. A mitologia é a verdade projetada em outras dimensões, mas é preciso ter olhos de simplicidade para chegar à essas dimensões. Modéstia à parte, tenho chegado lá com facilidade, porque eu tenho poderes mágicos: a minha poesia. Eu fecho os olhos e tudo acontece. Vamos ao texto.
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Numa pequena cidade ao sul da Itália, nasceu “Bendita”, última filha de um casal de camponês, cujas quatro primeiras filhas morreram ainda crianças, e por isso o nome da última ser Bendita, em alusão à Virgem Maria. “Essa não vai morrer. Essa menina é diferente”, disse o pai. Realmente a menina cresceu em graça, não tão formosa fisicamente, mas tinha uma aura em torno de si, como se o nome Bendita tivesse lhe caído bem. “Parece um santa”, diziam. Já adulta só usava vestidos longos, decote jamais, maquiagem sempre muito simples, só o básico... quando usava. Cada vez mais parecia uma santa. Nas missas, ficava o tempo todo de joelhos, e no dia a dia quando sabia que havia pecado, penitenciava-se em casa ajoelhando sobre caroços de milho. “Devia virar freira. Ela já parece uma”, comentavam. Vivia do trabalho para casa e da casa para o trabalho. E pelos pais. Aos poucos amigos era boa conselheira, prestativa e acolhedora. Era conhecida como a benfazeja do vilarejo. Homem? Nunca foi vista com homem, não teve namorado. “É a única virgem dessa cidade”, era o burburinho das esquinas quando ela passava, reta, cabisbaixa, cumprimentando discretamente a todos, às vezes com um breve sorriso, às vezes com um aceno de mão. Mas Bendita tinha um segredo. Ah... toda mulher tem um segredo. Como alguém me disse uma vez, “ninguém abre totalmente o coração, sempre há uma cortina escondendo algo”. E uma mulher é um poço de segredos. Mas qual era o grande mistério de bendita? Ela desaparecia por quatro ou cinco dias alegando motivos de trabalho, que precisava visitar os grotões para atender comunidades carentes, nesses dias ninguém tinha notícias suas. Quando voltava, se perguntavam como foram os trabalhos, respondia. “Foi uma maravilha. Não podia ter sido melhor.”. Pablo, um historiador, o homem mais inteligente da pequena cidade , de percepção aguçada, sentia que debaixo daquela aura havia um grande mistério, e resolveu segui-la no dia a dia. E Pablo descobriu. Bendita tinha grande tara por homens casados. Tinha um em cada lugar. Quando terminava o namoro com um, punha logo outro no lugar, era rápida. E assim ficou anos... uma santa em sua cidade, mas uma diabinha nas camas redondas nas cidades vizinhas. Sim, no quarto ela não tinha nada de donzela, ou de freira, ou de santa. Transformava-se, era completa na cama, ou melhor, completamente louca na cama, fazia de tudo. Graças a Pablo que a seguiu, Bendita não foi linchada pelas mulheres traídas num vilarejo, que queriam matá-la à pedradas. Pablo interveio rapidamente, jogou-a na carroceria do carro e fugiu perseguido por um bando de mulheres revoltadas que acabaram ficando para trás, engolidas pela poeira. Na estrada, limpando as poucas feridas em seus braços e rosto, Pablo ouviu. “Por favor, não conte isso a ninguém. Deixe-me morrer com meu segredo, meus pais não suportariam se isso viesse à tona”. Pablo prometeu e nunca contou a ninguém, o historiador teve que se calar. Bendita? Nunca mais quis saber de homem algum, principalmente casados. Morreu verdadeiramente como donzela... sozinha e velha, debruçada na janela esperando o tempo passar.
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Esse foi o meu momento Nelson Rodrigues. Espero que tenham gostado.

quinta-feira, 1 de março de 2012

O DIA EM QUE FUI CONDENADO


De onde estava, pude ouvir rumores de uma pequena multidão. Pareciam esperar alguma espécie de comemoração, estavam alvoroçados. De sandálias franciscanas pude sentir o chão molhado. O lugar fedia. Eu tinha os olhos vendados, as mãos amarradas para trás. Tentei ouvir alguém próximo de mim, mas estava só. Com o corpo fui tentando descobrir onde estava. Pelo pouco espaço disponível senti que o cubículo parecia uma cela. Fui encostando, me esfregando sem camisa e pude sentir paredes ásperas, mal acabadas, até que esbarrei em barras de ferro. Sim, era um cela. Mas o que eu fazia ali? O que eu teria feito que não me lembrava? Gritei várias vezes: “Tem alguém aí?. Socorro! Por favor, alguém pode dizer por que estou aqui?”. Nada. Só o eco respondia por aqueles corredores. Agachei-me, tive vontade de chorar. Levantei. “Não, chorar não. Chorar é para momentos felizes, emocionantes”. Momentos difíceis é hora de lutar. Mas lutar contra quem ou o quê? Gritei ainda várias vezes sem resposta. Não sei o que incomodava mais. As amarras que doíam cada vez mais que tentava me livrar, a venda nos olhos ou a falta de alguém para me explicar o que eu fazia ali. Muitos minutos depois, ouvi passos firmes, pesados. Pareciam dois. Ouvi barulho metálico como se fossem armaduras medievais. Barulho de chave abrindo a porta. Um disse: “Vamos. Está na hora”. Tiraram-me a venda. Eram mesmo soldados medievais. Olhei em volta, ao fundo... à frente. Eu estava numa masmorra escura e fétida. E foram me levando, um de cada lado. Perguntei desesperado: “Para onde vão me levar? Por que estou aqui? O que fiz?” Sem resposta, eram treinados para não falarem com presos. Preso, eu? “Por quê? Por quê?”. Perguntava insistentemente. No trajeto por aquele grande corredor olhei outras celas, mas todas vazias, pelo menos pareciam, pois estavam escuras. Subimos uma pequena escada. Quando chegamos a um grande pátio, o sol me cegou. Com dificuldade fui abrindo os olhos. Os soldados, brutos, praticamente me arrastavam. Ainda pude ver na torre da igreja o relógio marcando 08:00h... sabe-se lá de que dia. Mas agora também não importava, pois vi que eu era um condenado. Eu ia morrer. Só não sabia por quê. A pequena multidão quando me viu apupou, deu vivas, gritos diversos e assobios. Me levaram por fora, por uma passarela separada por um alambrado, até o patíbulo. No centro dele, um mastro e uma corda... uma corda esperando um pescoço. Ou mais um. Numa velha cerca do lado direito, os abutres. Até os abutres sabiam do que ia acontecer. Tudo parecia combinado e já iam disputar cada pedaço de minha carne. Minhas mãos que tantas coisas boas escreveram. Meus olhos que tantas coisas lindas viram. Meu cérebro. Meu coração. Os soldados se afastaram. O carrasco, homem sinistro, vestindo roupas longas e negras, encapuzado, personificando a própria morte, se aproximou e disse com voz sombria: “Calma que vai dar tudo certo”. Certo pra quem? Para os que condenam? Um senhor de barbas longas, o chefe da execução, se aproximou também e disse: “Você pode fazer seu último pronunciamento, mas seja breve. Estamos atrasados”. Seus olhos frios me cortaram, me olhando de forma desprezível. Pediu silêncio com a mão à multidão presente e se afastou para o lado esquerdo. Pensei de novo em chorar. Chorar não. Não se deve chorar perante os inimigos. Deve-se chorar perante os amigos. Os amigos te abraçarão, os inimigos rirão.Respirei fundo. Então gritei bem alto, alto mesmo para me fazer ouvir para que pelo menos alguém da platéia pudesse me responder. “Vocês já me condenaram. Eu só queria saber o que foi que fiz?”. Silêncio total. Olhei para o lado esquerdo, o chefe acenou positivo com a cabeça para o carrasco. Ele colocou um capuz na minha cabeça. Fechei os olhos para receber o beijo da morte.
Quando senti a corda me roubando o ar e dobrando meu pescoço... ACORDEI! Que susto! Dei um pulo na cama. Reparei agora o relógio da parede, mas agora era do meu quarto. 08:00h também, mas na minha cama confortável. Tudo não passou de um pesadelo terrível. Minhas costas e rosto suados apesar do ventilador e da janela aberta. O sol me cegou de novo, mas agora era um sol amigo. Levantei-me, molhei os pulsos, o rosto, tomei água gelada e deitei-me um pouco de novo para que a respiração chegasse no lugar.
Tive esse pesadelo há muitos anos. Na verdade foi o prenúncio simbólico de uma condenaçao a que fui sujeito. Fui considerado 'culpado'. Felizmente teve a segunda parte. Jamais esqueci esse sonho ruim que também me levou a uma reflexão.
Quantas vezes condenamos as pessoas sem lhes dar ao menos um direito de explicação? Ou as condenamos por algo que também fazemos? Quantas vezes falamos mal de alguém que passa na rua? Quantas vezes não damos a alguém uma segunda chance e queremos para nós todas as chances possíveis? Às vezes gostamos de ser o chefe da execução e olhamos de forma desprezível a alguém angustiado que pede perdão. Às vezes, gostamos de ser o carrasco. Às vezes damos até a corda. E às vezes somos os abutres. As hienas que riem da desgraça alheia. É muito bom ser carrasco, mas péssimo ser condenado.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

O ÚLTIMO PASSO

(recordando um velho poema)

Cada poesia é uma flor que sai de mim,
que rego... e entrego. E que esse jardim seja fértil até o fim.
Que meu último suspiro seja um perfume de amor.
Quem sabe esse será o último passo para eu viver o verdadeiro SONHO DAS ESTRELAS
e alguém que tenha entendido escreva numa lápide fria: AQUI JAZ UMA FLOR .
Sim... o último passo é sempre triste.
E não sei se ainda existe algo tão certeiro nessa terra
Não importa a forma que virá...violento... dormindo... sorrindo
fazendo amor ou fazendo guerra.
A lápide é fria, mas a lágrima arde
assim como a saudade covarde.
Não chore por mim. A vida é assim. A morte também é assim.
Mas pior que ter saudade é não ter em quem pensar.
E ai daquele que parte sem deixar saudades.
Sinal que não valeu, não viveu.
Vão ficar os quadros na parede.
No terraço, a minha rede
Onde tantas vezes deitei sozinho
No chão, um copo esquecido com um resto de vinho.
Mas que eu não seja lembrado apenas pelo último passo, e sim
por todos os meus passos, pelo meu sorriso raro, mas sincero, meus abraços
minhas letras tortas do dia a dia.
E quando eu adentrar a porta que se oferece
farei uma prece em forma de poesia,
ainda que digam do outro lado: Que teimosia!
Ora, fazer o quê? Só sei escrever.
Todos têm seu dia de último passo
e o mais cruel é que não se sabe quando,
e às vezes não temos tempo pro perdão, pro abraço
por isso é bom dignificar todos os passos
que antecedem o último passo,
pois quando a lápide se fecha, cerrando a cortina, é o adeus.
fim do espetáculo que é a vida
que alguém superior nos deu... e tomou
mas que tenha sido , embora árdua... também divertida.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

COMUNICADO AOS AMIGOS!!!

Olá, amigos. Com muita indignação, tristeza e raiva, venho informar que talvez este blog saia do ar porque algum bandido invadiu meu hotmail, e é através desse email que acesso o blog. Tomara que não estejam vinculados obrigatoriamente "hotmail e blog", caso contrário com certeza não terei mais acesso a tantos textos que tenho aqui e que são muito importantes para mim. Vou ver se salvo logo antes que eu perca, pois esses textos serão de meu novo livro, se perdê-los, já era, não os tenho salvo. Já fiz a denúncia, mas não sei se adiantará. Então é isso, torçam por mim, estou muito chateado. Um abraço a todos.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O PÔR DO SOL


( imagem cadernodemensagens.net)

Esse céu dourado
fingindo ser dia, fingindo ser noite
Causando-me o açoite
da sensação de solidão.
O sol desce o horizonte
meio triste por não querer ir.
Refém de uma força maior
ele sabe de cor, não pode resistir
nem vai olhar para trás
e meu coração tantas perguntas faz... e fará:
Será que ele não olha para não ter saudades
ou por estar certo de que voltará?
E eu... devo chorar pelo que fiz
ou pelo que não fiz?
As sombras da noite engolem
envolvem... mas, não resolvem.
As incertezas ficam no ar,
a angústia, o afã,
nem sei se vai ter um amanhã .
Só sei que o ocaso não é um acaso
precisamos passar.
Acontece que a natureza é sábia
e permite a si mesma um novo dia
a cada vez que o sol vai embora,
mas, na vida é diferente;
quando a gente desce o horizonte
não tem mais amanhã...
não tem mais aurora.