ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

sábado, 3 de dezembro de 2011

RECICLAGEM



Chega dezembro e é quase invevitável fazer uma reciclagem do que se passou, embora eu nao goste muito disso, pois reciclagem tem uma tendência mesmo que suave de nos levar ao passado, e passado, se a gente deixar tomar conta e a gente se esquece do futuro, e o que é pior, esquece até do presente, esse sim o mais importante. Esse ano de 2011 foi atípico para mim, embora pensando assim rápido quase todos os meus anos foram assim, temperados de extremos, de divergências e convergências, de alegrias e tristezas. Estive no olho do furacão, lutei sozinho contra muitas coisas, mas isso foi bom, testou minha resistência e depois de alguns arranhões posso afirmar que me saí bem, mas teve momentos que quase fraquejei. O furacão ainda não passou todo, ainda joga umas rajadas de vento no meu peito que me assustam um pouco, mas o que seria de um pássaro se não fosse o vento? Sendo assim, uso o vento como impulso para meu próximo voo, ainda que turbulento. Sobre trabalho, foi tranquilo, não trabalhei muito esse ano , eu que vinha havia seis ou sete anos sem férias, nesse fiquei bem folgado. No próprio trabalho teve alguns desafios e eu os superei. Na parte literária, com certeza esse foi meu melhor momento quando lancei meu livro. Nâo vou me apegar a detalhes, apenas digo que foi muito bom e por mais que eu tenha me preparado para o dia, foi muito mais emocionante do que eu pensava. Tive algumas decepções, justo quando eu mais precisei, pessoas próximas que diziam gostar de mim, sumiram. Infelizmente enfrentei hipocrisia, cinismo, inveja, quanto mais falo contra essas palavras, mais elas me perseguem. Fui deixado de lado no meu melhor e no meu pior momento. Na hora de comemorar olhei ao lado e as pessoas não estavam. Na hora do apoio, olhei de lado e as pessoas estavam. Não para ajudar ou apoiar, mas para julgar, condenar , rir, execrar. Estou falando mais especificamente do meu livro, houve um boicote cruel, típico de gente mesquinha que até então caminhava comigo e torcia para meu grande dia. De tudo tiro algo bom, meu coração tem uma peneira que separa o joio do trigo, e na hora certa, sobre ela só ficarão as verdadeiras amizades, o resto vai para o lixo. Em termos gerais, considero que o ano foi bom, Deus, o único que tem o verdadeiro poder e discernimento de julgar, tem me ajudado como sempre, sabendo de minhas fraquezas, mas também de minhas virtudes, pois Ele também tem uma peneira que separa o bom do ruim. A grande notícia é que estou preparando o lançamento de mais dois livros para 2012, é isso que me move: A poesia, e nada vai me tirar isso, nem a inveja, nem a hipocrisia, ela é meu escudo e alento contra sentimentos negativos. Viva Deus! Viva a poesia! Viva Carlos... esse garoto sonhador, que carrega dentro de si a a difícil utopia de um mundo mais fraterno, com menos sentimentos ruins.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

PROTESTO DE UM CANHOTO



(imagem materiaincognita.com.br)

Gosto muito de ser canhoto, e tem sido assim desde criancinha, tanto que durmo do lado esquerdo da cama, deito-me sobre o ombro direito para que o braço esquerdo fique livre, e se ando do lado de alguém, fico sempre à esquerda, e assim é em todos os lugares onde sento ou me posiciono. Eu tirava a maior onda por escrever com a mão trocada, por ser diferente dos outros meninos. O engraçado é que eles diziam: "Você é o único que tira onda e niguém fica com raiva, porque você é gente fina, sabemos que não faz por mal". É verdade, eu era um liderzinho deles, mesmo sem saber que era. O bom é que o tempo foi passando e fui ouvindo essa frase outras vezes, de pessoas diferentes, em fases diferentes. Voltando à infância, alguns adultos, se não me engano, minha mãe e alguma de minhas irmãs ficavam pegando na minha mão direita, me forçando a escrever com a mão "certa". Que bobagem rs rs. Até mesmo alguma professora tentava, mas eu dizia: "Ah 'fessora, eu gosto de escrever assim, acho bacana". Com meu jeitinho doce e ao mesmo tempo irreverente, um molequinho do bem, fui dobrando todo mundo, os anos foram passando e estou aqui. Estou aqui para fazer um protesto. O mundo é feito só para gente destra. Vejam só. A torneira da pia de meu pequeno apartamento tem a boca para o lado direito, tenho que ficar virando a mão, ou usar a direita, com a qual não tenho muita habilidade, até digo que ela só serve para pegar ônibus... e pra dançar agarradinho, claro he he. Outro dia fui abrir uma sardinha e o abridor também é do lado direito, daí sofri para abrir a lata. No colégio, já no segundo grau, fiz o diretor se virar e arrumar uma cadeira para mim, pois as cadeiras tinham o apoio para o outro lado. Se fosse enumerar, não ia parar aqui, e já que agora é moda, eu considero isso uma espécie de bullyng contra os canhotos. Aí está meu protesto, mas com um orgulho muito grande de minha pequena e lisa mão esquerda: Ela já escreveu muitas poesias importantes na minha vida.
Claro que isso é só uma brincadeira, só queria que vocês soubessem que sou canhoto. Será por quê? Por favor, e se eu tirar uma ondinha de vez em quando me perdoem, igual meus coleguinhas de infância. Não é por mal.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A POESIA QUE DEUS FEZ



( imagem retiradado google- Caso o autor se sinta ofendido ou prejudicado, é só contactar que serão dados os devidos créditos ou retirada a imagem, conforme preferir )

Tentei fazer uma poesia,
mas estava sem inspiração.
Onde está minha poesia?
Busquei na mente e no coração,
tentativas em vão.
Vou falar de quê?
De amor, de saudade, ou de flor?
Do passado sem futuro, do futuro sem passado?
Do presente sem presente?
De algo melancólico, bucólico, ou engraçado?
De mentiras, de verdades, ou de vãs filosofias?
Acho que as três coisas são uma coisa só.
Às vezes, meu peito dá um nó.
Onde está minha poesia?
Vai ser um dia chato, pensei.
Meio triste à janela cheguei,
e de repente, olhando o mundo à frente,
observando a passarada
corrigi minha insensatez.
Hoje não preciso escrever nada
vou ser expectador da poesia que Deus fez.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

MOMENTO "THE END"


(IMAGEM image.php)

Às donzelas... as janelas, as novelas,
pois não passam delas.
Aos ingratos... as celas, as mazelas,
são prisioneiros delas.
Aos mortos, aos românticos e aos barcos... as velas,
conforme forem merecedores delas.
Ao menino... as telas, as aquarelas,
pois sabe bem o que faz delas.
Aos amores mal vividos...
as sequelas.

sábado, 5 de novembro de 2011

EU... UMA ILHA



Tudo oco, tudo pouco... e eu tão louco.
Louco de surdez, de mudez, nas teias desse quarto.
A vida me joga um flerte,
e eu inerte, ensaio um sorriso farto,
mas que é vencido pela timidez.
Todo mundo bem, todo mundo Zen,
e eu aquém.
Minha estrela está muito mais além
do que eu sonhava, do que eu precisava.
Ah, como eu queria tê-la! Como eu queria sê-la!
Tudo sem sentido... e tão sentido!
Preciso de qualquer anestesia
para aliviar esse dia... sem gosto, ou de mau gosto.
Olho no espelho e não vejo meu rosto.
Ai, que saudades de mim!
Agora eu sei o que sente o eremita
que não olha para trás numa estrada sem fim.
Seu coração trilha como se buscasse uma ilha
para se esconder um dia,
desdenhando uma pseudo felicidade.
Já o meu coração parece a própria ilha
cercada por todos os lados de carrascos e hipocrisia.
Preciso voltar para a cidade
reinventar a vida... mesmo sem ter poesia.

domingo, 11 de setembro de 2011

FECHE OS OLHOS

Feche os olhos!
Mergulhe no abismo da escuridão, da solidão que às vezes é bem-vinda.
Não fale nada...só escute o silêncio, o som do íntimo...
de dentro para fora, não de fora para dentro.
Deixe fluir qualquer coisa de seu coração, há tempos ele não fala.
Porque nunca fecha os olhos pra falar consigo mesmo.
A visão nos cega, o óbvio escraviza.
Nós mesmos preferimos assim, criamos tudo isso.
E se criamos, podemos desfazer... é só fechar os olhos.
Você consegue ouvir a folhagem das árvores... o vôo da borboleta...
percebe até os insetos.
A brisa suave acaricia seu rosto... há tempos não sentia isso.
Veja como tudo ficou calmo.
Suas antenas naturais, seus instintos estão ligados, despertos.
Sinta à sua volta todas as coisas que não percebe de olhos abertos.
Não, não tente voltar atrás para recuperá-las.
São como as ondas do mar... vem e vão... vão e vem.
Apenas se prepare para a próxima onda.
Você agora é um barco... sua bússola é o sentimento.
Puxa, como é grande o oceano!
Seria assustador se não fosse lindo.
Agora você é um pássaro... altivo, festivo, voando alto olhando os seres lá embaixo.
Perde-se no horizonte, pousa nos montes, cruza o arco-íris, bebe das fontes.
Como é grande o céu!
Seria assustador se não fosse lindo.
Agora você é uma poesia, ou uma canção, cheia de notas e rimas, abertas ou em falsetes.
Dentro de você agora há um perfeito concerto.
Puxa, como é grande a inspiração!
Seria assustadora se não fosse linda.
De olhos fechados você é tudo, pode tudo num instante.
Pode ser flor... pode ser folha ao vento.
Pode ser palhaço, pode ser Peter Pan.
Pode ser menino, pode ser gigante.
Puxa, como é grande a imaginação!
Seria assustadora se não fosse linda.
Você abre os olhos... agora é um ser comum.
Na multidão, apenas mais um
que não escuta, só grita, que não afaga, só bate
que não planta, só arranca com mão destruidora
que buzina e acelera pra lugar nenhum.
Volta à vida normal,
que seria linda...se não fosse assustadora.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O EREMITA



Olhou para trás para ver seus passos, mas não os viu mais. O vento os apagou como se eles não tivessem sentido, a areia cobriu tudo que ele percorreu, dando a impressão de que tudo foi em vão. Seus passos agora só existiam dentro de si, desejou arrancá-los também de sua mente, mas isso era mais forte que ele. Onde estavam todas as pessoas agora? Ecoavam em sua mente, só lembranças, vozes, gargalhadas, lamentos, imagens pálidas, nada mais era palpável. Olhou à direita, à esquerda, e contemplou o vazio. Como vazio é grande! Como o vazio é pesado! O sol escaldante era menos cruel que tudo isso, a areia do deserto queimava menos em sua pele do que a areia do tempo. Pensou em encostar, não havia paredes. Pensou em chorar, não havia ombros. Recuperou-se do breve momento de fraqueza, balançou a cabeça e a alma, desvencilhando-se do surto de tristeza. Nunca se permitira ficar triste, nunca tivera muito tempo para isso, passou a vida toda cuidando de seus passos... mas onde estão aqueles passos? Apesar do deserto impiedoso, não sentiu sede, pois uma sede maior o movia, a sede dos acostumados a caminhar sozinhos. Olhou adiante, vislumbrou um horizonte confuso, difuso, mas era o único que tinha, e seguiu em frente. Andou, andou, andou... até ser engolido pela solidão do deserto. Como se tivessse direito, pediu ao vento que apagasse também suas últimas pegadas. Nunca teve certeza se o vento atendeu seu pedido, porque nunca mais olhou para trás.