ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

MOMENTO "THE END"


(IMAGEM image.php)

Às donzelas... as janelas, as novelas,
pois não passam delas.
Aos ingratos... as celas, as mazelas,
são prisioneiros delas.
Aos mortos, aos românticos e aos barcos... as velas,
conforme forem merecedores delas.
Ao menino... as telas, as aquarelas,
pois sabe bem o que faz delas.
Aos amores mal vividos...
as sequelas.

sábado, 5 de novembro de 2011

EU... UMA ILHA



Tudo oco, tudo pouco... e eu tão louco.
Louco de surdez, de mudez, nas teias desse quarto.
A vida me joga um flerte,
e eu inerte, ensaio um sorriso farto,
mas que é vencido pela timidez.
Todo mundo bem, todo mundo Zen,
e eu aquém.
Minha estrela está muito mais além
do que eu sonhava, do que eu precisava.
Ah, como eu queria tê-la! Como eu queria sê-la!
Tudo sem sentido... e tão sentido!
Preciso de qualquer anestesia
para aliviar esse dia... sem gosto, ou de mau gosto.
Olho no espelho e não vejo meu rosto.
Ai, que saudades de mim!
Agora eu sei o que sente o eremita
que não olha para trás numa estrada sem fim.
Seu coração trilha como se buscasse uma ilha
para se esconder um dia,
desdenhando uma pseudo felicidade.
Já o meu coração parece a própria ilha
cercada por todos os lados de carrascos e hipocrisia.
Preciso voltar para a cidade
reinventar a vida... mesmo sem ter poesia.

domingo, 11 de setembro de 2011

FECHE OS OLHOS

Feche os olhos!
Mergulhe no abismo da escuridão, da solidão que às vezes é bem-vinda.
Não fale nada...só escute o silêncio, o som do íntimo...
de dentro para fora, não de fora para dentro.
Deixe fluir qualquer coisa de seu coração, há tempos ele não fala.
Porque nunca fecha os olhos pra falar consigo mesmo.
A visão nos cega, o óbvio escraviza.
Nós mesmos preferimos assim, criamos tudo isso.
E se criamos, podemos desfazer... é só fechar os olhos.
Você consegue ouvir a folhagem das árvores... o vôo da borboleta...
percebe até os insetos.
A brisa suave acaricia seu rosto... há tempos não sentia isso.
Veja como tudo ficou calmo.
Suas antenas naturais, seus instintos estão ligados, despertos.
Sinta à sua volta todas as coisas que não percebe de olhos abertos.
Não, não tente voltar atrás para recuperá-las.
São como as ondas do mar... vem e vão... vão e vem.
Apenas se prepare para a próxima onda.
Você agora é um barco... sua bússola é o sentimento.
Puxa, como é grande o oceano!
Seria assustador se não fosse lindo.
Agora você é um pássaro... altivo, festivo, voando alto olhando os seres lá embaixo.
Perde-se no horizonte, pousa nos montes, cruza o arco-íris, bebe das fontes.
Como é grande o céu!
Seria assustador se não fosse lindo.
Agora você é uma poesia, ou uma canção, cheia de notas e rimas, abertas ou em falsetes.
Dentro de você agora há um perfeito concerto.
Puxa, como é grande a inspiração!
Seria assustadora se não fosse linda.
De olhos fechados você é tudo, pode tudo num instante.
Pode ser flor... pode ser folha ao vento.
Pode ser palhaço, pode ser Peter Pan.
Pode ser menino, pode ser gigante.
Puxa, como é grande a imaginação!
Seria assustadora se não fosse linda.
Você abre os olhos... agora é um ser comum.
Na multidão, apenas mais um
que não escuta, só grita, que não afaga, só bate
que não planta, só arranca com mão destruidora
que buzina e acelera pra lugar nenhum.
Volta à vida normal,
que seria linda...se não fosse assustadora.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O EREMITA



Olhou para trás para ver seus passos, mas não os viu mais. O vento os apagou como se eles não tivessem sentido, a areia cobriu tudo que ele percorreu, dando a impressão de que tudo foi em vão. Seus passos agora só existiam dentro de si, desejou arrancá-los também de sua mente, mas isso era mais forte que ele. Onde estavam todas as pessoas agora? Ecoavam em sua mente, só lembranças, vozes, gargalhadas, lamentos, imagens pálidas, nada mais era palpável. Olhou à direita, à esquerda, e contemplou o vazio. Como vazio é grande! Como o vazio é pesado! O sol escaldante era menos cruel que tudo isso, a areia do deserto queimava menos em sua pele do que a areia do tempo. Pensou em encostar, não havia paredes. Pensou em chorar, não havia ombros. Recuperou-se do breve momento de fraqueza, balançou a cabeça e a alma, desvencilhando-se do surto de tristeza. Nunca se permitira ficar triste, nunca tivera muito tempo para isso, passou a vida toda cuidando de seus passos... mas onde estão aqueles passos? Apesar do deserto impiedoso, não sentiu sede, pois uma sede maior o movia, a sede dos acostumados a caminhar sozinhos. Olhou adiante, vislumbrou um horizonte confuso, difuso, mas era o único que tinha, e seguiu em frente. Andou, andou, andou... até ser engolido pela solidão do deserto. Como se tivessse direito, pediu ao vento que apagasse também suas últimas pegadas. Nunca teve certeza se o vento atendeu seu pedido, porque nunca mais olhou para trás.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

NO OLHO DO FURACÃO


( imagem fiocruz.br )
Ando meio assim...
Como a palmeira
oscilando entre os ventos da razão e da emoção
na consciência de estar fincado à minha raiz.
Só assim sou feliz.
Como folha seca que se finge indecisa
e vai aonde quer
gosto de estar aqui, ali, acolá, obedecendo sim à brisa
mas pronto para o que der e vier.
Se ela se torna furacão
não me importo, assim também é meu coração
Entre os réus do amor sou inocente
também não quero julgar.
Eu sou um balão, sou pipa no ar
sou Fênix reluzente,
não nasci para o solo.
Sou menino renitente,
sou adulto pedindo colo.
Em dias claros sou pássaro atrevido,
em noites escuras sou vagalume escondido
que escolhe quando brilhar.
Talvez não muito compreendido,
isso às vezes dói um pouco,
mas trago no peito um grito rouco
que não me permite calar.


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

GAIOLA QUEBRADA


(imagem gettyimages.com / google
Sabiá cantava tanto,
mas eu não sabia que sabiá chorava em forma de canto.
E fui um dia saber:
-Por que canta triste, menina?
Seu choro me desatina.
Assim respondeu sabiá:
- Gosto de você e só tenho uma queixa;
quero ver outros mundos, mas a gaiola não deixa.
Com o coração partido, mas justo, num último abraço,concordei:
- Vá sentir novos ares,cruzar horizontes
beber de outras fontes.
A gaiola ficará aberta e vazia,
para que volte um dia .
A sensação de perda batia em mim,
mas tinha de ser assim.
Era um teste para mim mesmo e para ela.
Passei longos dias na janela
esperando-a voltar...mas nada de sabiá.
Até que um beija-flor me aconselhou:
- Fique triste não! Se não voltou é porque nunca foi sua
e talvez já pertença a alguém.
Então quebrei a gaiola pra nunca mais prender ninguém.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

HOJE EU VOU SAIR NU

Hoje quero sair despido...
de preconceitos e outros defeitos.
De medos, de segredos
De culpas e desculpas.
De egoísmo.
Quero sair despido...
De armas, de carmas, de revanchismo.
Quero andar pela rua de alma nua.
Sentir na pele o vento anunciando um novo tempo...
tempo de se despir...
de maldades, das más vontades.
de amargas saudades.
Hoje quero sair despido
de tesouros, de maus agouros
sorrir pra toda gente
de modo espalhafatoso
dar à vida novo sentido e nova razão
quero tudo diferente
se o mundo for teimoso
vou andar na contramão.
O amor é minha luz
Meu desejo é olhar para trás
e ver todos nus
para fazerem jus
e assim vestirem a vestimenta da paz.