ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

CASAIS MODERNOS (Vamos brincar um pouco, essa vida está muito séria))


O marido cheio de “más” intenções abraça a mulher por trás dizendo.
-Amor, vamos trocar de posição hoje?
E ela responde.
-Vamos. Eu fico deitada no sofá vendo futebol e você vai pro tanque.
//////
Essa é antiga, quase todos sabem.
O casalzinho de namorados sentado na praça, a menina olha pro céu e pergunta, toda romântica.
-Mozinhooooô... por que será que a lua se escondeu?
E o cara ainda mais romântico, cheio de tato, responde.
-Ora, minha princesa. Com certeza a lua está com inveja de sua beleza.
Vinte anos depois, casados, sentados na varanda, ela pergunta.
-Benhêêê. Por que será que a lua se escondeu?
E ele sem nenhuma paciência, responde.
-Não está vendo que vai chover, sua burra?
//////
No leito de morte, o marido olhando a esposa sentada ao lado na cama. Ele começa
-Mulher. Estive pensanndo aqui nessa cama para morrer. Em todos esses anos você sempre esteve comigo. Nos piores momentos.
E ela interrompe.
-Ora, marido. Não fale disso agora. Eu estava no meu papel
E ele.
-Que nada. Preciso falar tudo o que sinto. Não posso morrer sem dizer isso, é importante para mim.
Ela acaba concordando
-Pois bem, se lhe fará bem, fale.
Ele continua.
-Lembra quando fiquei desempregado e quase passamos fome? Você estava comigo.
E ela humildemente.
-Sim, eu estava.
-E quando capotei o carro dando perda total? Você também estava ao meu lado.
E assim foi. Ela sempre concordando com a cabeça, ou dizendo “sim, eu estava”.
-Quando me meti na política, arranjei empréstimo, não fui eleito, fui à falência... e você estava ao meu lado.
A esposa se emocionando deixando cair lágrimas.
-Quando abri uma lojinha de calçados e ela pegou fogo... você estava ao meu lado.
Ela cada vez mais emocionada
E ele completou.
-Depois de tudo isso, mulher, cheguei à uma conclusão.
Olhando nos olhos dele, esperando uma declaração de amor, ela pede.
-Fala, meu amor. Fale tudo que seu coração sente. Diga a que conclusão chegou.
-Cheguei à conclusão de que você me dava um azar do caramba.
/////
Situação parecida, o marido no leito de morte, resolve se penitenciar à esposa.
-Amor, sei que vou morrer e preciso lhe confessar uma coisa.
Ela sabendo do estado do marido tentou lhe poupar.
-Não. Não quero ouvir confissões no estado que está. Vai se martirizar pra quê? Seja o que for já lhe perdoei, meu bem.
- Mas, eu insisto, meu amor.
Já que era importante para ele, ela consente.
-Pois bem, fale, sou toda ouvidos.
Segurando firme na mão dela, ele começa.
-Lembra da Ritinha da mercearia?
-Claro que lembro- responde a esposa.
-Pois me perdoe. Aquele corpo foi meu.
A esposa perdoou, não fazia mesmo mais diferença. E ele prosseguiu.
-Lembra da Joana, professora particular do nosso filho? Aquele corpo também foi meu. Perdoe-me por favor.
-Claro que perdoo.- Disse a esposa. Só que ele tinha mais.
-Até sua prima Luzia. Desculpe, mas aquele corpo foi meu.
Minutos de silêncio e ele retoma a conversa.
-Mulher, já que vou morrer mesmo e estou fazendo confissões e nada vai mudar mesmo entre nós, diga-me ... e você, ao longo dessa vida, já me traiu também?
E ela.
-Lembra quando a gente morava perto do Corpo de Bombeiros? Pois é. Aquele corpo também foi meu.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

COISAS DE POETA II


Esse também é um caso recente. Já cheguei à conclusão de que tudo que faço meticulosamente, dá errado, e claro, tudo que deixo acontecer espontâneo, as coisas que nem estou aí para elas, que nem lembro, saem melhor. Parece que a vida me permite ser um pouco moleque. Acho mesmo, pois ainda tenho muita sorte, mesmo não ligando muito de abraçar as coisas. Estou vivendo em outra cidade, trabalhando com outras pessoas, tudo muito diferente, e é natural que eu tente me adaptar ao novo que se faz em minha vida, qualquer um faria assim. Só que “pau que nasce torto, morre torto”. Melhor, poeta que nasce torto, morre torto. Vez em quando emerge o poeta, superando o profissional, o cidadão comum. Até já ouvi por aqui que sou ‘voado’. Gozado, acho que já ouvi isso antes... algumas vezes rs rs. Ora, eu não posso ser voado no trabalho, e não sou mesmo. Sou voado no que a maioria das pessoas se concentram. O importante é que as pessoas que me chamam de voado, tanto do passado como de agora, também me chamam de inteligente, de bom rapaz, de bom funcionário... e até de bom partido he he. Como eu rio dessas coisas. Vamos ao fato.
Acordei cedo, alías já havia dormido cedo, ia trabalhar antes do horário. Viram como no trabalho sou responsável? Fui chamado à uma festa e não fui porque precisa madrugar. Sentei-me ne cama, fiz pequena oração. Procurei chinelos, calcei, fui direto à escova. Rosto lavado, dentes escovados, tomei um gole de água levemente gelada.. Tenho esse hábito. Toalha limpinha para tomar um belo banho. “Não, sabonete comum hoje não. Vou pegar aquele de aromas”. Um banho de vinte e cinco minutos. Só de água no rosto foram uns dez. Cantarolei umas canções antigas enquanto sentia a água acariciar meu corpo. “Ô banho gostoso”. É verdade, eu falo em voz alta comigo, é um jeito de não me sentir muito sozinho. Enxuguei-me cuidadosamente, entre os dedos dos pés, atrás da orelha . Perfuminho bom. “Onde está meu uniforme?”. Dobradinho no guarda-roupas, calça e camisa cheirosos e macios. Peguei só a calça, pois ainda faria um café e não queria vestir ainda a camisa, era uma chance a menos de amassar ou sujar. “Quando for sair visto camisa. Só de calça e chinelo portanto enquanto esquentava leitinho para tomar com achocolatado, acompanhados com meio pão com manteiga. ”. Por quê tudo isso? O chefão vinha para dar uma reunião geral, com instruções gerais, novidades na empresa, etc. Sem contar a esposa e o “Tiarlie”, o cachorro que pensa que é gente, lembram? Agora meu check-list. “Já desliguei fogão? Já. Já desliguei ventilador? Já. Janelas dos fundos, já fechei? Já. Abri a toalha para enxugar no varal do meu pequeno apê? Abri. Tv desligada. Água na geladeira. Guardei a manteiga. Passei água no copo. Tudo certinho. Se mamãe visse agora ia ficar orgulhosa”. Ou então com muita raiva, pois quando era pequeno não fazia nada disso. Coitadas das mamães. Olhei as horas na parede. 06:20h. Eu estava adiantado, o carro passaria às 06:40h. Fui andando devagar , porém uma sensação estranha me acompanhou até o ponto de pegar o carro de que estava me esquecendo de algo. Busquei e rebusquei na memória e nada. Caso me lembrasse teria tempo de voltar em casa. “Ah, não deve ser nada importante, as coisas essenciais eu cuidei”. Vem de lá o carro, entrei, dei bom dia e todos responderam bom dia, rindo ou tentando não rir. Uns até com a mão na boca. Um disse. “Bom dia Carlos. Dormiu bem?”. Respondi na maior naturalidade. “Claro. Dormi demais. Rapaz, acho que dormi antes de dez horas”. Outro completou. “ Pode ter dormido bem, mas foi no mato. Você nem penteou o cabelo”. Risada geral. “O quê?”, falei espantado. “ Ah , então era isso, esqueci o cabelo”. Olhei rápido no espelho. Eu parecia um ouriço. Quando chegamos, a menina me emprestou um pente e me arrumei . Já me aconteceu isso, há muito tempo na juventude, quando meu cabelo era bem maior e mais encaracolado. E a cena foi pior naquele tempo. Felizmente agora está bem menor. Imaginem se fosse como na foto acima. Pois é, foi nesse tempo a primeira vez.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

COISAS DE POETA- PARTE I


( imagem google )
Fiquei chateado porque quase ninguém leu meu texto sobre alcoolismo. Os que vieram abrilhantaram muito.
Vou mudar o rumo hoje. É assim que é bom, a inconstância nos alimenta mais. Somos movidos mais pelas incertezas que pelo óbvio.
///
Dia desses parei mais cedo no trabalho e pensei em fazer uma comida. Sou meio fraquinho na cozinha, me viro no básico. Tanto que preciso de tempo para que fique boa a comida, e tempo eu tinha. Apesar do tempo disponível, não quis comprar os complementos como verduras, por exemplo. Teria que andar meio longe e eu já tinha chegado da caminhada. Preparei tudo ordenadamente. De um lado, panelas, pratos, talheres. Do outro, os temperos, óleo, alho, sal, etc. Tudo separado numa sequencia lóica, é um cuidado que tenho para não esquecer nada, sabendo de minhas limitações como cozinheiro. Afinal, um poeta precisa se virar sozinho. Estou dizendo de minhas limitações como cozinheiro, mas também afirmo que acerto umas comidas saborosas. E nesse dia não tinha motivos para dar errado, eu estava tão feliz. Nem sei o porquê, mas estava feliz. E começou a arte. Sim, cozinhar é uma arte. Enquanto afogava o arroz, peguei um gostoso feijão com linguiça na geladeira, esse era só esquentar. Não resisti e peguei uma linguicinha na panela, mesmo gelada, eu estava com fome. Só pensando no arroz que estava quase pronto. De vez em quando levantava a tampa da panela para contemplar o arroz que estava ficando bonito. Parecia que era meu dia de comer arroz. Se eu não comesse daquele arroz eu ia morrer. Certo momento, depois de desligar o feijão, verifiquei que a panela secou. O tão esperado arroz estava pronto. “Hummmm... deve estar uma delícia”, pensei. “Agora vou me fartar dessa gostosura”. Olhei de lado e não vi ninguém do lado para eu tirar onda. “Pôxa, quando eu faço um arroz tão bonito não tem ninguém para eu tirar onda”. E o arroz estava mesmo bonito, todo branquinho, tão soltinho que parecia que eu havia cozido grão por grão. Eu mesmo me surpreendi com tal delicadeza. Sim, o arroz não estava só bonito, estava também delicado. Bem, lamentei não só não ter ninguém para eu tirar onda, mas também para dividir comigo um momento de jantar. Paciência, um poeta tem mesmo que se virar sozinho, em todos os sentidos. O que importa é que ia degustar um arroz que nunca havia feito antes. Pensei. “Antes de por feijão vou comer umas três colheres só de arroz”. E coloquei uma por uma. “Hummm... é agora”. E pus na boca. E aí a decepção. Esqueci de colocar sal. Foi o arroz mais insosso que pus na minha boca. Felizmente, olhei de lado de novo e não tinha ninguém para me gozar. Poeta é atrapalhado, dizem, imaginem um poeta morando sozinho... e achando que sabe cozinhar. Ai, ai.
Melhor eu continuar escrevendo. Cometo menos falhas.

domingo, 28 de novembro de 2010

ESSES BÊBADOS ( PARTE II )


( imagem google )
Como já disse, Duquinha era o bêbado tipo intelectual. Nas poucas horas sóbrias, nos dava verdadeiras aulas de história geral, civilizações antigas, gostava de filosofia, tinha ideias futuristas e gostava de frases de efeito. Tinha bom português também, mas gabava-se mesmo era de ser bom em matemática. Falava de Pitágoras como se fosse um amigo dele. Jurava ter sido professor e eu acreditava, pois sei quando alguém está enchendo linguiça e ele pegava nossos cadernos e resolvia as questões. Tinha frases amarguradas também. “As únicas coisas exatas nessa vida são a matemática e a morte. Só que a matemática não me pega. A morte quando chegar, que me pegue dormindo, pois não quero ver a cara dela”. Talvez já estivesse vendo e não sabia.
No final do bairro, havia um abismo, depois desse abismo a uns cinco kilômetros, tinha o rio e depois a floresta. Era de lá que a lua saía e sempre proporcionava um bonito visual, principalmente se era lua cheia. Numa noite, vindo da aula umas onze e meia, a lua estava tão clara, chuveirando raios sobre a floresta que dava para ver mesmo de longe, algumas silhuetas de árvores. Avistei Duquinha, em pé, de braços abertos na beira do abismo. No princípio pensei no pior: suicídio. “Não. Ele é inteligente demais para fazer isso”. Parei, dei um tempo. “Nunca se sabe, vou lá”. Cheguei de mansinho, dei boa noite, ele respondeu. Não estava tão bêbado. Sentei-me na intenção de induzi-lo a sentar-se também e sentou-se mesmo, o que me deixou aliviado. Não era um abismo tão alto, mas cheio de rochas lá embaixo, além de ser bem íngreme. Perguntei. “Pensando na vida, Duquinha? Está fazendo o quê aqui, amigo?”. Olhando reto para a mata, respondeu. “Estou vendo uns satélites, umas espaçonaves, asteróides, cometas”. Prossegui. “E já viu algum?”. Olhou para mim rápido. Ah, é você, ‘Carlim?. Vi vários. Nada é mais poderoso que a imaginação. Podem lhe tirar de tudo na vida, menos a sua imaginação”. Falou de um jeito como se tivesse perdido muitas coisas na vida. Percebi que estava tranquilo, apesar de amargurado, e para mim já era tarde. “Preciso ir. Ainda vou jantar e acordo às cinco para trabalhar”. Sempre olhando para a mata, disse. “É isso mesmo, meu rapaz. Trabalhe muito, pois o trabalho é sua honra. Sem seu trabalho você não faz história”. Já de pé, tentei levá-lo junto. Fica aí não, está frio. Vai pegar uma pneumonia”. Ele disse. Você não está preocupado com pneumonia, eu sei. Obrigado por isso, mas não se preocupe, estou bem. E cantarolou uma música do Fagner. “Sem o seu trabalho, o homem não tem honra, e sem a sua honra, se morre, se mata. Não dá pra ser feliz, não dá pra feliz”. O “não dá pra ser feliz”, repetiu umas vinte vezes, até eu me afastar e não ouvir mais. No caminho, pensei. “Um dia vou escrever sobre isso”. Hoje escrevi. Duquinha, que era o mais novo dos velhos, foi o último a morrer da turma, e talvez por isso, mais solitário e mais bêbado. Se ainda morasse lá teria ido ao seu velório, não para comer salgadinhos com café ou ouvir piadas, mas para talvez falar com alguém que o tivesse conhecido no passado que pudesse me explicar por que um matemático acaba daquele jeito. Desde então, nunca mais contei piadas de bêbados. Alcoolismo é coisa séria. São cenas tristes travestidas de engraçadas.

sábado, 27 de novembro de 2010

ESSES BÊBADOS (PARTE I )


(imagem google- Muito boa essa imagem do bêbado falando com Drummond. E o Drummond parece que está prestando uma atenção danada)
Dividi esse texto em duas partes por dois motivos. Um, para não ficar grande demais. Outro, porque são partes distintas de um mesmo tema. Na primeira tem um pouco de humor, já na segunda, não. Já questionei com amigos de onde vêm as piadas já que nunca têm autoria declarada. Eu mesmo respondo. As coisas engraçadas vão acontecendo, correndo de boca em boca, cada um aumenta um pouco e assim se formam as piadas. Vou contar algumas piadas reais de bêbados acontecidas no meu antigo bairro, onde cresci. Adianto que nunca mais contei piadas de bêbados, mas isso vocês só vão saber lendo a segunda parte.
Caratinga (apelido referente à sua cidade de origem) era meio chato, falador e ainda por cima falava muito rápido e ninguém entendia nada. Nequinha, era o bebedor calado, sentava-se à mesa com seus companheiros por horas, sem dar uma palavra. Seu Jaime era o gozador. Desse eu gostava mais, pois era pai de um amigo meu, além de ser divertido. Certa vez, lá vinha ele da esquina com garrafa de cachaça na mão, sugando através de dois canudinhos ligados um no outro. Tomei um susto. Que é isso, seu Jaime? Pinga já faz mal e ainda por cima no canudinho? Com cara mais safada, respondeu. “Ordens médicas. O doutor mandou eu me afastar um pouco da bebida”. E nos velórios? Ele era o rei do velório. Eu também gostava de ir, só não gostava de ver defuntos, me sentia mal. Gostava comer salgadinhos com café e ouvir piadas a noite toda. No velório do seu Geraldo, seu Jaime tentava a todo custo acertar a cabeça dele que teimava em pender prum lado. E ele dizendo. “Ô véio safado. Para quieto com essa cabeça. Já me encheu o saco a vida toda, vai me encher agora também?”. E nada da cabeça parar. “Já sei por que está olhando de lado. Procurando mulher, né? Bem que você falava que ia por chifre na mulher até depois de morto”. Até a viúva que chorava, riu na hora. E o Balança? Tinha esse nome porque balançava, balançava e nunca caía, nem mesmo de bicicleta. Catava os quatro cantos da rua e a gurizada torcendo. “Vai cair, vai cair”. Ele descia gritando. “Vai cair é o chifre do seu pai de tão grande que é”. Uma vez entrou no Bar do Salomão, pediu água e um sonrisal. Em vez de jogar no copo, jogou na boca e o comprimido enorme entalou em sua garganta, começou a queimar, ferver, tirando-lhe o ar. Ele rodopiou pelo bar todo pedindo socorro fazendo gestos com a mão mostrando a garganta. Até que veio alguém, deu-lhe um soco nas costas e um copo d’água. Sentado, ainda se refazendo, soltou essa. “Depois dizem que bebida faz mal. Bebo há mais de trinta anos e nunca me aconteceu isso. Hoje fui tomar remédio e engasguei. Põe uma pinga pra mim aí, Salomão”. A rapaziada ficava apostando qual deles morreria primeiro. Nequinha foi o primeiro. Nunca me esqueço da cena. Caratinga e Duquinha, abraçados frente ao caixão, mais para se escorarem do que propriamente por solidariedade, diziam. “É. Cachaça levou nosso amigo Nequinha”. O outro. “Pois é, cumpádi. Acho bom a gente parar de beber”. Ficaram ali uns minutos e um deles disse. “Vamos ali tomar uma no Salomão?”. Eu interrompi. “Mas vocês não falaram agora que vão parar de beber?”. Duquinha respondeu. “Vamos sim, mas não hoje. Hoje vamos celebrar nosso amigo, se a gente não tomar uma por ele, ele vai ficar chateado”.

Termina aqui essa parte. Na segunda, vou falar de Duquinha, um bêbado intelectual, e aí vocês vão entender porque nunca mais contei piadas de bêbados.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

CABELOS BRANCOS




Meus cabelos estão ficando prata.
Daqui estarão brancos como a cascata
onde eu costumava brincar;
brilhantes como as estrelas
que eu gostava de contar.
Cabelos brancos.
Quantos trancos! Quantos barrancos!
Não faz mal que mude meu visual.
Cabelos brancos são histórias, nem sempre glórias,
mas são experiências e memórias...
de um tempo juvenil
de tudo que meu coração fez e viu.
De quando eu via o mundo como um parque de diversões
Do meu jeito moleque
quando a vida era um enorme leque na palma da minha mão
e nela eu abria um sem fim de doces ilusões.
Tenho andado assim... com saudades de mim.
Que fiquem brancos meus cabelos
já tive piores pesadelos
eu vejo em cada fio um pouco de minha poesia nata,
esse sim meu verdadeiro tesouro,
não me importo que eles virem prata
desde que meu coração seja ouro.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

QUANDO O POETA SE CALA


( imagem google )
Quando o poeta se cala
por dentro gritam queixumes.
É como a flor que não mais exala
o melhor dos perfumes.
Quando o poeta se cala não há vida,
felicidade faz despedida.
Não há sol nem lua que embeleze o dia.
Quando o poeta se cala, cala até a poesia
Cabisbaixos ficam os rouxinóis, os girassóis,
murcham orquídeas e jasmins.
Choram até os anjos e querubins.
Mas é culpa do próprio poeta que imagina tudo em flor
e ele se cala vendo que o deserto de hoje já foi um jardim de amor.
A boca que lhe dava mel
foi voar em outro céu
deixando das flores,só o espinho e a dor.
Quando o poeta se cala tudo chora nessa hora;
Choram o homem, o menino...
e o beija-flor.