ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

FUI BUSCAR LÃ... E VOLTEI TOSQUIADO


( imagem google )
Gosto de observar as pessoas simplórias. Acho que são mais felizes. Eu também gostaria de não pensar muito. Digo que são mais felizes porque não veem a maldade ao seu redor, não percebem ambição, nem inveja. Ah! A inveja: prima irmã do ódio. Mas vamos falar de coisas engraçadas. Já citei aqui um ex chefe, mas não falei do seu lado extremamente gozador. Era sagaz, nos pegava sempre desprevenido com charadas e pregava várias peças, como interceptar a Kombi lá na curva, com almoço dos funcionários, cujas marmitas eram personalizadas, mas ele trocava as etiquetas com nomes. Vez em quando alguém ligava para fornecedora. “Pôxa. Já falei mil vezes que não gosto de quiabo”. Fora que de vez em quando comia a carne de alguém. Eu sabia que era ele e mesmo sabendo, eu também caía nas suas. Um dia entrei na cantina, fui fritar um ovo pra comer com pão e enquanto eu flertava com ZEZÉ, funcionária, ele perguntou. “Posso temperar o ovo pra você?”. Respondi que sim, ele saiu, esperei esfriar um pouco e quando fui comer... argh. Ele tinha colocado açúcar. Fui até a sala dele pra “xingar”, o danado trancou a porta e ficou lá escondidinho. Às vezes olhava-o afastando pelo saguão, imitandi o andar da pantera-cor-de- rosa ( tem hífen?). Um dia me pegou totalmente envolvido datilografando coisas( poesia como sempre) e veio com ar sério. “ É, poeta. Já sou cinquentão. A gente pensa que já viu de tudo na vida, mas vai vivendo e aprendendo. Vi uma cena ontem que jamais havia imaginado”. Parei tudo já impressionado. “Que foi? Conta logo”. Continuou. “Não sei se devo”. Apelei. “Ah não. Começou, termina”. Fez mais um leve suspense. “Vi seis policiais tentando algemar um cara e não conseguiram”. “Nossa”, admirei. “O cara devia lutar kung fu, karatê”. E ele. “Não, seu pato. Não tinha os dois braços, era deficiente”. Depois de me zoar, disse. “Pega a Mundica”. Mundica era uma das faxineiras, essa sim, simplória de tudo. Solteirona, morava sozinha com a mãe doente. Tinha uns problemas de nervos, depressão e quando estava assim, modéstia a parte, só eu e Zezé, podíamos falar com ela. Brincava assim com ela. “Mundica, você anda muito nervosa. Namora comigo que vai ficar bem calminha. Eu já moro sozinho mesmo”. Fez logo o Nome do Pai. “Você está doido, menino? Primeiro que você já tem namorada, que é a Zezé e gosto muito dela. Segundo, que é muito novinho e não sou papa anjo. E depois, que é muito enrolado. Pra arrumar enrolado, fico sozinha”. Algumas vezes ia das noites direto pro trabalho, punha mão no nariz dela, dizendo. “Cheira minha mão, Mundica”. Aí eu podia correr porque o rodo vinha nas pernas. “Sai pra lá, seu porco”. Era só brincadeira, a mão estava limpa. Quando Zezé terminou comigo, ela tentou interceder numa conversa entre elas. Disse que eu era moleque, mas um “moleque adorável”. Que minha inconsequência não fazia mal a ninguém. Que gostaria de ser igual a mim, pois deixara muitas coisas passarem na vida. Coitada, ela não sabia que eu também deixei. Zezé me falou isso depois, foi um término sem traumas e ficamos bons amigos. E eu também não era assim tão inconsequente. Nunca faltei a um dia de trabalho. Só era meio inconstante com a vida, porque ela também foi comigo, por isso de vez em quando esnobei mesmo essa roda gigante.... ou seria montanha russa? Bem, cheguei até ela. “Mundica. Se eu contar uma coisa você ai ficar de queixo caído. Estou chocado!”. Estressada como sempre, pôs logo a mão no coração. “Fala logo, menino. Dando susto na gente”. Enrolei um pouco e depois de deixá-la bem nervosa,
falei. “Ontem vi oito policiais ( aumentei o número) tentando algemar um rapaz e não conseguiram”. A reação foi igual à minha. “Nossa! Então ele era bom de briga, hein?”. Respondi no ato. “Não, bobona. Era deficiente, não tinha os dois braços”. E quando me preparava pra gargalhar, me cortou. “Que covardia! É por isso que não gosto de polícia. Não perdoam nem um pobre dum deficiente”. Fui desfazendo meu sorriso, meio perdido, ficando sem graça. Acabei rindo de mim mesmo. Até hoje uma dúvida me acompanha. Será que ela na sua simplicidade não entendeu a piada e assim desmontou minha astúcia? Ou foi mais esperta do que eu pensava e me deu o troco? Ou ainda... será que o tal chefe já não a havia prevenido de que eu faria a pegadinha? Contei pra ele, ele me zoou demais, mas jurou que não. De qualquer forma, fui buscar lã e voltei tosquiado.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

AMOR & SEXO


( imagem google - incommunseries.com )
Hoje vou atender a sugestão de uma amiga: Claudete ( viaspercorridas.blogspot.com). Aproveito e agradeço a ela por me confiar um assunto tão complexo e já tão falado. Não sei se vou acrescentar alguma coisa. Adianto que não sou especialista didaticamente falando, não sou um sexólogo, portanto não sou autoridade no assunto. Então se não sou, acabo sendo livre para dar minha opinião, não é mesmo? Claro que vou tomar alguns cuidados, primeiro para não parecer prepotente, afinal não sou nenhum Don Juan, sou muito normal, e segundo, para não ficar piegas demais. Ela sugeriu isso a partir de minha postagem anterior, “DE TODAS AS FORMAS DE AMAR...”, da relação e diferenças entre fazer sexo e fazer amor. Como ela mesmo disse e acho que todos concordam, muita gente confunde e mistura. Misturar até pode porque no ato se misturam , só não pode confundir. Até os insetos fazem sexo. Vez em quando vejo um mosquitinho agarrado na mosquitinha. Os animais agem por instinto e assim fazem somente sexo. Eles não fazem amor. Mas tem muita gente, gente mesmo, pessoa, homo sapiens que fazem só sexo e não amor. Com o agravante de que não agimos por instinto como os bichos. Temos juízo para discernir, pensar, amar, considerar. Ou seja, se fazemos sexo de qualquer jeito é por frieza mesmo, imediatismo, falta de sensibilidade. Para mim, friso de novo, é apenas minha opinião, fazer amor começa logo de manhã, não necessariamente com o ato, claro, se tiver o ato melhor ainda, mas começa num “bom dia”, num afago, num gesto simpático com a pessoa amada, tratando-a com bom humor, dando a preferência para escovar os dentes, enfim pequenos gestos que vão se repetindo durante o dia, na hora do almoço, no café da tarde, mutuamente, homem e mulher se ajudando em busca de um prazeroso ato sexual à noite. Pronto. Estamos no ato sexual. Os homens, alguns, têm tendência ao egoísmo e se preocupam apenas em se aliviarem. Não se preocupam com a amada, se ela será e foi feliz durante o ato. Se ela sentiu dor. Se naquele dia ela estava à vontade. Deitam por deitar. Transam por transar. Eu não imagino um ato sexual sem um monte de carícias antes. Assim como a mulher, o homem precisa gostar de ser tocado, descoberto. Fazer amor é brincar debaixo do chuveiro. É deixar cair o sabonete de propósito e os dois rirem juntos. É inventar coisinhas, mas respeitando os limites do outro. Fazer amor, em todos os dias tem que ser como se fosse o primeiro dia. Como se o corpo da pessoa amada, fosse sempre uma ilha a ser descoberta, explorada e agora essa ilha é só sua. Tem que ter entrega e que nessa entrega haja uma balança igual de querer, de estar, de ser do outro ao mesmo tempo escravo e dono. Sim, escravo e dono na acepção da palavra. Ali o mundo se resume em duas pessoas. Não há nada mais incrível e mágico do que um casal fazendo amor em sua plenitude. E que se misturem suor, perfumes e sorrisos. Eu chamo isso de um “empate” de tesão. Tem que haver esse empate. E o êxtase? O momento final? É o topo. É como a descida final de uma montanha russa. Só que esses calafrios são bons. No momento do êxtase acontece uma energia química sem medidas, algo quase elétrico. Um turbilhão de sensações. Nenhum sexólogo ou poeta saberá descrever. Mas tudo isso tem que ser com amor, porque fazer amor, tem que ser pra deixar saudades. Tudo isso sem amor deixa uma sensação de algo mal realizado, incompleto, um vazio. Fazer amor é uma das formas mais sublimes de celebrar a vida, de gozar a vida. O trocadilho foi de propósito. E o tesouro maior, a melhor conquista do homem é olhar no rosto dela e ver um sorriso de satisfação. Sinal que valeu. Que foi bom. Que em cima dela não tinha um troglodita. Tinha um homem apaixonado. Fazer amor é portar-se como um leão na cama e quando terminar deitar no ombro dela como um gatinho. Delicadeza não é só para mulheres, o homem se engana muito com isso. Não vou falar muito senão acabo sendo repetitivo e o assunto é complexo e vasto, eu poderia ficar o dia todo aqui falando disso e não acabaria. Mas que fique claro, tudo falado acima serve também para as mulheres. Então façamos amor. Sexo, deixemos para os insetos ou para os que se comportam como eles.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

NÃO VOU DIZER QUE TE AMO


( imagem coramaria.com.br )

Hoje não vou dizer que te amo.
Nem que necessito de ti
que grito por ti
que te respiro, que suspiro
de saudade, de vontade.
Não vou dizer que és pra mim
que nem tatuagem
que olho no espelho e vejo tua imagem
que te sinto mais do que sinto a mim mesmo.
Não vou dizer que vivo a esmo sem teu sorriso
que sem ti, tudo é igual nada
minutos viram horas e eu agonizo
que viro criança pedindo colo
que perco o rumo da estrada
que não sinto o solo sob meus pés
Não, não vou dizer-te o quão importante és
se todo o meu corpo já está a falar.
Minha boca não precisa dizer nada.
Apenas mostro o meu olhar.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

DE TODAS AS FORMAS DE AMAR...


Das perguntas que me fazem
nem todas uso a razão
porque não sou dono da verdade,
apenas do meu coração.
Quando eu faço amor?
Quantas vezes faço amor?
Onde eu faço amor?
Como eu faço amor?
Melhor jeito, melhor clima?
Papai-mamãe, mamãe em cima
beijando de frente, olhando por trás.
Eu respondo: Tanto faz!
Não sei pra quê tantas perguntas.
Quando duas pessoas estão juntas
não importa coisa nenhuma,
todas as noites merecem bodas,
por isso minha resposta é sempre uma
de todas as formas de amar...
eu prefiro todas.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

SOMBRAS SOBRE MIM


O sol vai ficando tímido no horizonte.
Parece olhar pra trás, pede licença
e se perde atrás dos montes,
deixando que a noite venha, envolvendo, engolindo
em cumplicidade com a lua,
fazendo meia-luz no meu quarto.
Projetando sombras sobre mim...
de desejo e ansiedade.
Daria muito gosto
se fossem os cabelos dela cobrindo meu rosto
nessa meia-noite, nessa meia-luz
onde de inteira só tenho a saudade
que desatina, domina, me açoita covarde assim
Pergunto o que é que eu fiz pra tanta maldade
dessas sombras sobre mim
nessa cama, meio divã
onde me afago,
divago até de manhã.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

MAQUIAGEM


( imagem google )
Foi assim na grande arena que ocorreu a triste cena.
Quando o palhaço adentrou o palco chorando
de pé, toda a platéia sentiu pena.
E vendo tão amarga imagem
de uma lágrima sobre a inocente maquiagem,
todo mundo se pôs a perguntar:
- Quem foi que fez o palhaço chorar?
Quem foi tão cruel, derramando fel naquele sorriso
que mais parecia um paraíso de bonito que era?
Quem transformou em inverno aquela vida de primavera?
A platéia, também triste, não parava de questionar:
- Quem foi que fez o palhaço chorar?
Hoje não tem piadas, nem piruetas
nem cambalhotas, nem caretas.
E a platéia insistia em indagar:
-Quem foi que fez o palhaço chorar?
E eis que alguém se levantou e gritou:
- Acredite quem quiser...dizem que foi um adeus de mulher.
É que o palhaço brincava tanto que imaginava tudo em flor
E não sabia do encanto, nem do desencanto do amor.
Dizem que até hoje anda por aí,
tentando fingir, pintando o rosto, desenhando uma imagem
mas, nem mesmo a maquiagem pode esconder tal desgosto.
E a platéia insiste em indagar:
- Quem foi que fez o palhaço chorar?
Acredite quem quiser...dizem que foi um adeus de mulher.


Baseado em fatos reais. O palhaço é simbólico, mas aconteceu no grande circo da vida









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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

UM CORPO NU


( imagem google)
Um corpo nu fala tanto!
Palavras pra quê?
É lindo de se ver.
É desejo, é encanto.
Um corpo nu num quarto tem brilho farto
tem seios e anseios.
Emana sensações, irradia vibrações.
Tem delícias, tem curvas sinuosas
mãos e pernas ansiosas.
Um corpo nu pede beijos, caricias, malícias,
pede toques.
Não precisa de retoques
pois fala por si só
porque já está vestido de amor.
Um corpo nu numa cama
inflama, explode um vulcão,
mas com a delicadeza de uma flor
que não quer mais ser botão.
Um corpo nu canta...
“Dio come ti amo”, “Besame mucho”,
Je t’aime, “Me and you”
não precisa de muita coisas
apenas de um outro corpo nu.